Coisas da bola




E Mourinho, depois de um derradeiro confronto com Abramovich sai do Chelsea, onde, deixa dois campeonatos de Inglaterra, duas taças da Liga, uma supertaça inglesa e a tão cobiçada taça de Inglaterra. É para já rendido por Avram Grant, embora se fale no nome de Juande Ramos que no mês passado e por esperar um convite melhor, recusou uma oferta do Tottenham.
Ainda que não se vislumbre o futuro clube de Mourinho, desconfio que, por esta hora mais coisa menos coisa, os dirigentes do Barcelona estarão a fazer contas para contratar o “Special One” embora, para as bandas da luz e por se acharem o eixo do planeta, algumas vozes reclamem já a sua contratação.

E lá saiu o castigo de Scolari; suspensão por quatro jogos e €12.000 de multa. Admito que não esperava tanto.

Nota: O amigo agricultor que não acatou o meu conselho de parar com as reviengas (de pouco refinamento técnico, diga-se) na anterior caixa de comentários, e despuduradamente decidiu manter a bola continuando a sachar a horta, terá daqui a mais um bocadito e em forma de post, a oportunidade de saciar a sede e de poder jogar à rabia.

Sporting 0 – 1 Manchester United



Ok puto, estás perdoado.
…mas não te estiques.


Qual nível europeu?

Este post é sobre o jogo do AC Milan com o Benfica. Quem não gostar de futebol pode passar já para aqui onde, o descomplicado Rui Tavares, nos oferece uma portentosa análise de Maria José Nogueira Pinto.

E vamos lá sem pieguices e as tretas do fair-play, falar daquilo em que, um gajo que gosta de futebol perde uma catrefada de tempo:

Ontem e em canal aberto havia dois programas que tinha interesse em ver; o jogo do AC Milan com o Benfica e o debate entre Marques Mendes e Filipe Menezes. Optei obviamente e sem grandes reflexões sobre o universo e a humanidade pelo jogo, prevendo que o debate entre tais cortexes, seria uma desolação patética como parece que foi e, para aqueles como eu, que julgavam ir assistir a um bom jogo do AC Milan, foi uma desilusão com um resultado longe de traduzir a superioridade dos italianos aquele que, os contemplativos benfarosas arrancaram no Giuseppe Meazza. Uma desgraceira.

Na verdade o que conta é o resultado porque, o objectivo do futebol a par da beleza estética é ganhar, e este foi a derrota dos benfarosas, embora e para quem viu o jogo com olhos de ver, por números enganadores, já que, os pouco inspirados “rossoneri” só falharam nestas alturas: aos 7’ por Inzaghi, 14’ por Inzaghi, 16’ por Pilro, 21’ por Inzaghi, 54’ por Káká, 64’ por Jankulovski, 66’ por Inzaghi, 68’ por Oddo e aos 77’ primeiro por Inzaghi e logo a seguir por Emerson.

Os milanistas, para além dos dois golos e de terem tirado o pé do acelerador perante um adversário fácil e pouco incomodativo, limitaram-se a jogar toda a segunda parte em ritmo de treino e a treinar o keeper da Luz.

PS: O golo de consolo do Nuno Gomes já no último suspiro da partida, é irregular. O Edcarlos está fora de jogo e interfere na jogada. Vi eu com estes que a terra há-de comer.

Foi Assim

Num país onde um semáforo ou um repuxo, paga taxa de rádio e televisão na factura da luz (contribuição para o audiovisual), tudo pode acontecer: assim, o livro da Dra. Zita Seabra, essa voadora do trapézio e extraordinária acrobata insuflável, que passou de dirigente comunista e revolucionária bolchevique durante 24 anos a deputada liberal com conversão ao catolicismo por obra e graça do seu recente baptismo, consegue reunir com desfaçatez, uma enorme desqualificação política e um exibicionismo persistente para se manter na ribalta.

A Dra. Zita Seabra, como é óbvio, tem todo o direito a escrever um livro sobre o balanço dos seus erros e de autonegação, porque afinal todos nós nos enganamos mas, “Foi Assim”, está longe de ser um livro sapiencial, sendo antes, um livro de medo, medo do veredicto da recente consciência adquirida que a impeliu a exorcizar os demónios, tornando-o num bom exemplo do flagrante desprezo pela constância do tempo, do raciocínio lógico, da capacidade de memória e da consciência auto-reflectida, fazendo lembrar o ex. fumador que se torna um fanático anti-tabaco.

Porque os fenómenos dos nossos tempos são mais fáceis de entender do que os do passado, “Foi Assim”, deve ser digerido com cervejas Paulaner em canecas tamanho XL como forma de combater o ressaibiamento, a ressaca, a amargura e o remorso que nos transmite.

Há por aí alguém que explique?

Nós sabemos que um português é a mistura de cristãos, mouros, judeus, romanos, visigodos e celtas, e, também sabemos, que os mouros ocuparam durante sete séculos a Península Ibérica e por alguma razão nós não falamos Árabe. Só não sabemos, a razão do último filme de José Fonseca e Costa ter passado no Brasil com legendas.

Ota ou Alcochete? A mim, tanto me faz.

Enquanto todos andam entretidos com os McCann (existem já teorias de conspiração) e com o Scolari (bem-haja este, só foi pena o gancho de esquerda não ter atingido as fuças do sérvio), eu, porque estive ausente do blogue muito tempo e dá-me gozo ser diferente, vou debruçar-me sobre o raio do novo aeroporto.
Prevendo já que o post vai ser longo, bem posso escrever o que quiser que também ninguém vai ler isto. É só para ficar, como agora se diz, para memória futura.

Ora bem…mesmo que não me assista o direito de imaginar que a CIP, numa manobra concertada, prestou um enorme serviço a Mário Lino mandando fazer o estudo sobre Alcochete, desfazendo assim o nó que este colocara à volta do Governo, fiquei com a pulga atrás da orelha com esta alternativa e, a minha primeira reacção, sabendo como a comunicação e a persuasão pública tinham falhado até aí foi, a de pensar, que ali havia marosca e da grande, já que, a oposição, perdia o seu filão de contestação ao Governo e principalmente, o “honesto” (depois do caso Somague, aceitou um carro para a campanha das directas, cedido por um empresário militante do partido e disse que era alugado) Marques Mendes, para além da liderança da oposição, vê também esvaziada a sua liderança no PSD, onde, a única coisa que lá o prendia era a imagem de seriedade, restando-lhe, para já, agarrar-se à pouco insuflada bóia de salvação que dá pelo nome de TGV, sem ninguém poder garantir que um qualquer mas mais credível respaldo técnico encontrado pelo LNEC, não venha a reequacionar a questão Ota, e mesmo que isso não aconteça, para Sócrates Alcochete também serve, porque a ideia teimosa e cega que se fazia sobre a questão está definitivamente atenuada, e pode então, quando a altura chegar, gerir sem perder a face, a opção que melhor lhe parecer, e que estou convencido, mesmo com a disponibilidade do Ministério da Defesa para encerrar o campo de tiro de Alcochete, ser aquela que há uns anos porreiros a esta parte tem merecido a vénia de todos os governos e onde, já se gastou desde 1998, qualquer coisa como 34 milhões de euros em estudos.

A este fio invisível dos acontecimentos, que une as coisas ao seu principio, dá-se o nome de habilidade e inteligência política a que, o eficaz José Sócrates não é alheio nem o presidente da CIP que só pretendeu (e vamos acreditar no que as pessoas se esforçam por dizer devido aos recursos disponíveis) com a contribuição monetária de alguns empresários, defender o interesse nacional e, acrescento eu, o ponto de vista de um significativo número de políticos de trazer por casa e pela blogosfera, que distribuem gratuitamente e com insistência, carradas de opiniões de vasto e sumarento apoio cientifico. A mim, que só quero viver com um ar mais ou menos respirável, passarinhos no céu, peixinhos no oceano, chuva e sol nas respectivas estações e um aeroporto perto de casa devido ao preço dos taxis, dava-me jeito que a solução Portela + 1 (que é o que vai ser nos próximos dez ou quinze anos e eu gostava de viajar muito durante esse período) fosse para continuar, e tanto me faz que seja com Alcochete ou Ota, desde que a Portela fique para os voos comunitários, mas, ainda assim, adianto; para este governo deve ser o mesmo, porque o que interessa nesta gestão perversa das prioridades políticas é mesmo construir o Aeroporto e o TGV, única via para baixar rapidamente o desemprego e dar um golpe de rins à economia. Disso, depende a reeleição de Sócrates para um segundo mandato, coisa que a oposição há muito percebeu.

Scolari Falhou.

Não estou nada de acordo com as trezentas e noventa e nove opiniões (a maior parte de gente abalizada da imprensa e do desporto nacional que é o futebol) que dizem ter Scolari falhado ao tentar agredir o Dragutinovic, e não concordo porque, quanto a mim, Scolari falhou, não uma, mas duas vezes e aqui é que está o cerne da discussão. Falhou, porque o seu mau boxe não deu para enfiar convenientemente o seu gancho de esquerda no Dragutinovic quando este lhe tentou roubar o relógio, depois, falhou, ao confrontar-se de forma egoísta com o jogador sérvio, só porque este lhe insultou a família quando, o árbitro Markus Merk, tinha acabado de insultar a selecção nacional, o presidente da república, o primeiro ministro, o governo e o povo português (aqui, toca-me a mim e à minha família), validando um golo falso como Judas que, este sim, bem merecia um uppercut que o pusesse K.O.

Assim, só o desculpo, porque ainda ontem o Paulo Bento com toda a tranquilidade e o penteado que o caracteriza, dizia que; “quem nunca errou que atire a primeira pedra” e, tenho uma vaga ideia, vaga, porque longínqua, de já ter errado uma vez, quanto muito e no máximo dos máximos, duas.

Conclusão sem obliquidades morais: Se Zinedine Zidane depois daquela magnifica cabeçada levou dois jogos de suspensão, Scolari, fazendo parte desta praxis desportiva, nem um merece.



Regresso

A preguiça ao sol acabou, os miúdos irrequietos que correm incessantemente desde que o dia nasce até que o sol se põe vão agora para a escola, as leituras lentas, interrompidas às vezes pelo feliz perfume de peixe a grelhar que, se sabia, seria regado convenientemente e sem pressas, terminou.

Assim se renovou a vontade de viver neste tempo que, amiúde, nos ocupa o pensamento e, voltamos embasbacados ao supérfluo, às infâmias, aos enganos, à indelicadeza da contrafacção de noticias com o objectivo de boas performances jornalísticas (bom jornalismo, é outra coisa.) onde, a Maddie, os McCann, a Policia Judiciária, o Ministério Público e o Ocean Club, levam a coroa da “catrefada de horas” neste circo romano, adornado com manhosas entrevistas de rua onde ninguém sabe mais que, o diz-se, diz-se.
A verdade, essa malvada, andará por aí aos trambolhões, embora, alguns, e porque o share a isso obriga, cheguem ao ponto quase espírita de decifrar as mensagens da PJ, como alimento necessário à cascata de lava opinativa com que, prolongam indefinidamente os noticiários.

Assim, mantendo-me nas nuvens, sem querer concretizar e muito menos ser profundo, porque só pretendo um primeiro post pós-férias desengordurado, direi que; a destilação, processo em que se separam os elementos far-se-á a seu tempo e, para já, nem sequer falo de mais este passo em falso da selecção nacional de futebol, nem tão pouco, do caldinho (estilo de boxe) que Felipão mostrou frente a Dragutinovic, preferindo ficar com o fabulástico momento que até dá arrepios na espinha, da selecção nacional de râguebi no jogo inaugural do Campeonato do Mundo contra a Escócia. Os mais atentos, notaram com toda a certeza que, a bandeira nacional lacrimejou e os pelos do meu peito eriçaram-se.

Férias

Ainda em relação ao post anterior, fica aqui a entrevista de Saramago ao Diário de Noticias e, como complemento, a opinião de Edelmiro Momán no Portal Galego da Língua, com o titulo Santo Saramago Naïf: uma visão galega .

Pérolas


Tempos atrás o semanário “Sol” trazia uma sondagem em que, 27% dos portugueses estariam de acordo com a absorção de Portugal pela Espanha. Considerei na altura, que a democracia aliada à burrice, faz daquele povo meio pateta e que se ilude com as luzes, um bom palhaço.
Ora, estes palhaços, longe de serem sociologicamente coerentes por não saberem História, estão sempre a tempo de perguntar aos bascos, aos catalãos e aos galegos, o que pensam dos castelhanos mandarem nas suas terras, outra coisa, são as campanhas organizadas em que a quadrilha deixou de ser uma dança e passou a ser uma razão de existência, e, desta feita, encostados a um prémio Nobel da literatura tornando-o arauto do iberismo, profetizam a total integração de Portugal na Espanha a que este dá voz numa entrevista ao Diário de Noticias, demonstrando um ódio visceral e preconceituoso à História de Portugal e um grave desconhecimento da realidade espanhola levando-o a dizer; ter esta existido de forma mais ou menos pacifica ao longo dos anos. Lavando assim, o sangue derramado por Castela e a sua função na Península ao nível da Grande Sérvia e esquecendo Franco, o ditador que descaracterizou a Catalunha proibindo a língua e os usos, em prol de uma Espanha Una.
Saramago faz jogo sujo, apoiado na maçonaria e no obscuro grupo Prisa que também controla alguma da comunicação social portuguesa, defendendo uma patética tese de paz e união ibérica, esquecendo que Castela é responsável por exorcizar Portugal dos livros de História espanhóis, por descaracterizar Olivença esmagando e humilhando a cultura portuguesa e fazendo crer que Castela aceitaria a língua portuguesa, num discurso de meias verdades, distorcendo a História de tal forma que só merece um vómito.


Outra pérola, esta da intriga barata, dá pelo nome de Felicia Cabrita que, com a cobertura do semanário “Sol”, enquanto o PGR levanta inquérito às declarações de Ana Salgado irmã de Carolina Salgado, esta preciosidade dos “free lancer” do jornalismo caseiro, distorce tudo e assina um artigo que faz manchete, segundo o qual; o PGR abrira um inquérito à equipa de Maria José Morgado e, em subtítulo, afirma que a investigação é acusada de imparcialidade.
Esta pseudonoticia da biógrafa oficial do Sr. Pinto da Costa, mete num saco a Lola mamona que trabalhava na Praça do Chile, e é bem o retrato de que o dia das mentiras, é agora uma constante data nacional.

Cansado me vou, talvez de férias, sei lá.

O Caso Charrua

Afinal, há falta de argumentos para defender ideias defendem-se sentimentos, tarefa que só requer paixão e, nesta lógica, que alguns considerarão pobre mas é o que se arranja, foi o sentimento que levou a superiora do prof. Fernando Charrua, a instaurar o tal processo que, em despacho de ontem, conforme a comunicação social de hoje, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues mandou arquivar.
Parece ter-se enfim concluído: aquilo que Fernando Charrua terá dito, enquadra-se no direito à liberdade de opinião e critica política, logo, naturalmente aceitável por não visar um superior hierárquico directo.

Com a contenção e pudor que o caso merece, mas porque a critica é necessária ao saudável encontro com a minha almofada (não vá o diabo tece-las), acrescentarei:

O essencial da questão e que importa sublinhar é: nenhuma sociedade livre pode sobreviver pela criminalização de opiniões discordantes. O temor e a falta de inscrição dos povos provoca o nascimento das tiranias e, os tiranos, incapazes de tolerar ou refutar intelectualmente opiniões contrárias, preferem proibi-las.
Assim, como pessoa de bem, aqui fica a minha total concordância com a decisão da senhora ministra pelo seu quê de pedagogia política, mesmo não lhe restando outra saída, ou talvez, por isso mesmo.
E pronto, já sinto a luz a descer sobre a minha cabeça.

Pois… agora nem preciso fazer o pedido.

Tenho constatado, e cada vez com mais frequência que, os empregados dos nossos cafés (excepto o Sr. Manuel que me cumprimenta com um “bacalhau” sempre que lá entro) cultivam esse velho charme europeu de que, servir é um verbo indigno que os impede de serem gentis.
Dei-me ao trabalho, e à despesa, e à despesa, e à despesa, de fazer uma experiência com um desses matrecos empregados que invariavelmente tratam toda a gente ao pontapé e, para os quais, não encontro uma palavra capaz de substantivar uma qualidade: comecei a deixar-lhe uma boa gorjeta e, sem espanto meu, não foi preciso muito tempo para o velho rapport feudal, digamos assim, ir pelo cano abaixo e o tal empregado passar a servir-me com um ar mais feliz que Mr. Scrooge ao descobrir que está vivo e é Natal.

Dispensando o supérfluo, o enfeite das palavras vistosas e a vontade de ter vontade de estender isto a outras profissões com desempenhos igualmente infames, estou tentado a concluir que: o secularismo de algumas atitudes está nos pormenores, e um bom serviço depende da forma de pagamento e do hábito do corrupto, determinado, claro está, pela formação a que este está ligado.

…e mais não digo.

O Achado do Espaço Suspenso.

Jaime De La Cruz, homem de estatura mediana, corpo firme, queixo resoluto e já entrado na idade, imigrara dos EUA há 15 anos. Costumava dizer com voz grave e num ingles espanholado que, tinha trocado San José no Condado de Santa Clara por Cascais.
A fortuna que se lhe reconhecia, tinha-a feito em San Francisco, onde adquirira um refinado gosto para os objectos, como o Mercedes 300 SL Gullwing de 54 que usava nos seus passeios pelo Guincho, ou o Aston Martin DB6 que utilizava quando era forçado a deslocar-se a Lisboa.

A história que vos conto, teve a sua origem quando Jaime De La Cruz fazia o habitual passeio matinal de oitocentos metros que, eram duas larguras da Praia da Adraga, sempre que o tempo permitia.

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As vinhas da ira. (desafio sobre... leituras)

Não sou adepto da cegarrega das correntes, em parte, se necessária a justificação para não me tornar ridículo, devido ao ruído que transportam. Porém, não me posso esquivar a esta, por dois, quanto a mim e salvo melhor opinião, importantes motivos: primeiro, foi a amiga Kaotica que me desafiou em altura de boa disposição (caso contrário, corria o risco de ver o seu carro riscado na manhã seguinte) e, depois, mas não menos importante, divulgar livros será sempre um motivo maior para quem gosta de ler, independentemente de gostos ou freudeanismos que, na verdade, devendo ser tidos em consideração, não devem ser levados em desmesurada conta, já que, o acto de ler, é um jogo de caminhos que exige maior ou menor elasticidade e inteligência do leitor que, diga-se em abono da verdade, no meu caso é tão limitada que até chateia.

Na pratica, nada mais farei do que dar continuidade ao que já aqui fiz algumas vezes quando sugeri leituras para férias, ou divulguei alguns autores que, em dado momento, me deram momentos de prazer, alguns, inolvidáveis, mas isso, não quer dizer que, outro leitor os tenha na mesma proporção, é o raio do gosto e a concepção de cada um sobre o que é boa e má literatura, e eu, tenho a minha, evidentemente, que já me levou a criticar autores aplaudidos simplesmente porque não gosto, e este não gostar, não é uma posição explicita, ética, moral ou filosófica, nem alberga qualquer tipo de despeito, é assim como um descontentamento por vezes palpável e latente, embora indefinido por falta de outro fundamento que não seja o gosto e, reconheça-se, este tem pouco apoio devido à sua subjectividade, ou então, é o meu fraco entendimento nestas e noutras coisas que não permite enxergar mais além.

Em consciência direi que, existem livros que me ferem e nos quais não consigo mergulhar e outros que me embalam num doce e suave chapinhar, os que me despertam, interrogam e exigem braçada forte para a sua travessia e os que, esporadicamente, me fazem companhia e me emprestam ideias ou memórias, os que repousam nas prateleiras como mosaicos de influência e os que, embora se insinuem, sabem que nunca comerão na minha mão, sendo por isso impossível, qualquer promiscuidade.

Mas falemos de um que me deu a honra de nele poder mergulhar: As vinhas da ira (1939) de John Steinbeck.

Um título altamente simbólico, para uma obra épica, poética e de insofismável cunho sociopolítico, em que, as vinhas, são o verdejante vale da Califórnia que personifica a fartura, o alimento, o trabalho e o bem-estar e, a ira, que conota uma busca frustada, onde a exploração do homem pelo homem alcança picos de terrível injustiça social, moral e física que, tomando o lugar da esperança, transforma-se em desespero, culminando na luta silenciosa das greves, não por melhores salários, mas, acima de tudo, pelo básico, o próprio alimento.
O tema do romance, ao enfatizar que há ainda muito por fazer: “A busca não acaba nunca” nas palavras do próprio autor, procura reforçar e ampliar a consciência de luta social e a necessidade de continuar essa luta: “Nós não vamos morrer. A gente vai em frente - mudando um pouco talvez - mas indo em frente”.

Boa leitura.

Sunday Bloody Sunday



Sem dúvida, Bono Vox líder dos U2, a mais famosa banda Irlandesa de todos os tempos, é um dos mais mediáticos e mais activo defensor dos direitos humanos.
Sunday Bloody Sunday, é o nome da canção que os U2 compuseram em 1983 em memória da tragédia que se abateu sobre os irlandeses no dia 30 de Janeiro de 1972 quando, durante uma marcha de protesto pelos direitos civis da Northerm Ireland Civil Rights association, após a publicação de um decreto do Governo Britânico que permitia a prisão de elementos suspeitos de terrorismo sem julgamento.


Às 14:50, 10.000 católicos reúnem-se no bairro de Creggan com o objectivo de prosseguirem em protesto até à praça de Guildhall. O 1º Batalhão do Regimento de Pára-quedistas do exército Inglês destacado em Derry, na Irlanda do Norte, recebe ordens para avançar sobre os manifestantes, prender o maior número de desordeiros e dispersar os restantes.
A partir daqui as versões divergem; o exército afirma que foi recebido a tiro disparando em legitima defesa. Os católicos, que foram os Pára-quedistas que iniciaram os disparos indiscriminadamente.

A verdade é que, após 25 minutos de intenso tiroteio, 26 activistas, todos desarmados, tinham sido alvejados. 13 católicos (6 dos quais menores) estavam mortos, tendo 5 deles sido alvejados pelas costas e um 14º viria a falecer posteriormente na sequência dos ferimentos.
O inquérito instaurado após o massacre e que, ficaria conhecido como “Sunday Bloody Sunday”, determinou que o exército agira com “alguma irresponsabilidade”, mas aceitou a alegação de legitima defesa e o caso foi rapidamente encerrado.

A partir deste dia que ficou gravado para sempre na memória de todos aqueles que se manifestam contra a opressão e que lutam pelos direitos humanos, e que, foi crucial na história contemporânea do problema político Irlandês, a violência na Irlanda do Norte aumentou exponencialmente e a questão “Sunday Bloody Sunday” permaneceria como uma ferida aberta durante mais de duas décadas, com os católicos a exigirem um segundo inquérito.




A letra:

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away

How long
How long must we sing this song?
How long, how long?
Tonight we can be as one
Tonight

Broken bottles under children's feet
And bodies strewn across a dead end street
But I won't heed the battle call
It puts my back up against the wall

Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

And the battle's just begun
There's many lost
But tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters torn apart
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

Tonight
Tonight
Tonight
Tonight

Wipe your tears away
Wipe your tears away
Wipe your bloodshot eyes

Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV is reality
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die
The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On a sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday


Glaciar



Palmas para o espectáculo, se não pensarmos no porquê e respectivas consequências.

E foi um happening.

A história conta-se em poucas palavras e decorre lá por volta de 1971: com o Coliseu dos Recreios a abarrotar, José Manuel Osório canta o Romance de Pedro Soldado (poema de Manuel Alegre publicado originalmente em 1965, que nos fala da guerra e da morte por via da guerra colonial que se iniciara em 1961) nisto, alguém interrompe o espectáculo e proíbe-o de cantar.
Era o odiado e tristemente célebre capitão Maltês que, capitaneava nesses malfadados tempos, violentas cargas da Policia de Choque em Lisboa e não só.
Ary dos Santos salta para o palco e grita: “Se estão proibidas as intervenções políticas cantadas eu vou fazer uma intervenção política rimada”. Dito e feito; o poema que antes fora proibido a José Manuel Osório cantar, foi ali declamado.

Nota: O capitão Maltês devia estar informado que, os discos de José Manuel Osório eram passados por Manuel Alegre na Rádio Voz da Liberdade da Argélia, quanto a Ary dos Santos, não devia ter instruções e não era pago para pensar.


Romance de Pedro soldado

Já lá vai Pedro Soldado
num barco da nossa armada
e leva o nome bordado
num saco cheio de nada.

Triste vai Pedro Soldado.

Branda rola não faz ninho
nas agulhas do pinheiro
nem é Pedro marinheiro
nem no mar é seu caminho.

Nem anda a branca gaivota
pescando peixes em terra
nem é de Pedro essa rota
dos barcos que vão à guerra.

Nem anda Pedro pescando
nem ao mar deitou a rede
no mar não anda lavrando
soldado a mão se despede
do campo que se faz verde
onde não anda ceifando
Pedro no mar navegando.

Onde não anda ceifando
já o campo se faz verde
e em cada hora se perde
cada hora que demora
Pedro no mar navegando.

E já Setembro é chegado
já o Verão vai passando.
Não é Pedro pescador
nem no mar vindimador
nem soldado vindimando
verde vinha vindimada.

Triste vai Pedro Soldado.
E leva o nome bordado
num saco cheio de nada.

Soldado número tal
só a morte é que foi dele.
Jaz morto. Ponto final.
O nome morreu com ele.

Deixou um saco bordado
e era Pedro Soldado.

A superlativa Maria Callas

Se existem árias que ficam para toda a vida, esta incrível Casta Diva, da Norma de Vincenzo Bellini, supera tudo o que é possível imaginar.


A festa da Taça


No palco do Jamor e sob chuva persistente, 37.600 espectadores assistiram a uma final da Taça de Portugal, digna, bem disputada e de entrega total, com um Belenenses astuto a jogar num 4x2x3x1, congestionando o meio-campo ao mesmo tempo que controlava Miguel Veloso, entupindo assim os caminhos para a sua baliza e retirando fluidez ao losango sportinguista, a estratégia de Jesus, não fosse o tal pormenor, quase atirava o jogo para prolongamento.

O Sporting, depois de uma recta final de campeonato excelente, mas sem uma exibição eloquente, contou com um Romagnoli inspirado e, depois de ter proporcionado a Costinha grandes defesas aos 30', 37', 53', 63' e 70' lá marcou já no lavar dos cestos, com o inevitável “levezinho”, a dar o melhor seguimento aos 87´ ao centro rasteiro de Miguel Veloso, marcando com classe o golo que, 5 anos depois daquela final com o Leixões sob o comando de Bölöni, valeu a conquista da 14ª Taça de Portugal. Um merecido prémio à irreverência da juventude da cantera leonina e ao seu mentor Paulo Bento que, bem mereceu aquele banho de champanhe que a rapaziada lhe proporcionou.

Pelo caminho, ficou aos 2´ um pénalti de Nivaldo sobre João Moutinho que Pedro Proença ignorou. Para o ano há mais.

Foi Desta!

Ele há fins-de-semana que merecem ser guardados a sete chaves, assim, e com a contenção possível, este foi o que se pode chamar, um fim-de-semana de verão, onde o sol brilhou e as estrelas estiveram no lugar. Não bastava a vitória natural por 6-0 do Sporting e veio logo de seguida a eliminação da Taça de Portugal do vigésimo clube mais rico do mundo numa autentica barbárie que, culminou em apoteose com a vitória indiscutível do “sim” no referendo, iluminando a noite e fazendo-me duvidar do merecimento de tanto num único e singelo fim-de-semana, receando inclusive, verificar a minha performance no euromilhões que, é costume fazer só há segunda-feira.

Para aqueles que acompanharam as campanhas e, portanto, me perceberão, estou deveras contente por finalmente os filhos do Vasco Lobo Xavier deixaram de estar abandonados e, o meu sincero obrigado aos Gatos Fedorentos que desmontaram brilhantemente e sem espinhas, o trunfo de partida para a segunda fase da campanha do não.

Por um SIM claro, no dia 11

E cá estamos de novo fazendo uma pausa neste retiro sabático com um tema fracturante; o binómio Sim/Não, que neste momento divide a sociedade portuguesa.

A manipulação linguística, as figuras de estilo de acentuado cariz paternalista, os desabafos taciturnos de má relação com a morte que as sociedades cultivam devido à limitada concepção que fazem da vida terrena (aqui, a minha incompreensão quanto à posição de alguns sacerdotes da igreja católica), a irrazoabilidade da propaganda de carácter claramente acintoso, procuram encontrar argumentos para rebater o óbvio: Existe aborto clandestino. E existe porque o ordenamento jurídico-penal a isso obriga e, a coisa, é tão simples e directa como isto não tendo forma ou engenho de se contornar.

Compreendendo isso, os movimentos do Não traçaram nos últimos dias um novo azimute porque o douto professor Marcelo Rebelo de Sousa se lembrou de fazer uso da medula e dizer umas quantas parvoíces, porque estapafúrdias que, bem mereceram ser ridicularizadas pelo RAP num brilhante sketch dos Gatos Fedorentos.
A partir desse inexplicável momento do prof sabe-tudo-tudo-tudo, começou a formar-se uma sub corrente no Não (com Paulo Portas, Marques Mendes e Ribeiro e Castro na linha da frente) que defende a manutenção da lei com o seu incumprimento através de um artificio jurídico (!?) ora, isto não faz obviamente sentido nenhum, porque se o direito à vida deve ser protegido mas quem o viola não pode ser punido, é no mínimo um direito que deixa de existir e, portanto, um contra-senso inconstitucional e ilegal obrigando o Primeiro-ministro a deixar a demagogia que lhe é tão cara, para dizer algo acertadíssimo contra este Nim: “se o Não ganhar, o aborto não será despenalizado”.

Já agora:

Diz o Pedro Mexia, pessoa por quem tenho apreço intelectual mesmo estando no lado errado, tentando centrar o problema no campo da ética o seguinte: "o aborto é sempre um mal, que no entanto admitimos em certas condições para evitar um mal que consideramos maior".

Pois... é isso mesmo que nós dizemos com uma diferença, é que o problema não é ético, centrando-se sim, no campo do direito e da política e essa é a posição de quem vota Sim, logo, se o Pedro Mexia recentrar a questão como deve, terá de votar Sim, já que, as razões éticas não devem permitir excepções (acho que o Aristóteles explica esta coisa), mas supondo que mesmo assim a dúvida o apoquente dir-lhe-ei que, e segundo o “Electroencephalography: Basic Principles, Clinical Applications, and Related Fields”, a actividade cerebral só se manifesta a partir dos 120 dias e aquilo que o córtex emite às 10 semanas é actividade eléctrica, a mesma que qualquer planta emite, coisa que de forma alguma representa consciência como entenderá.

Mas vamos ao que interessa.

Os defensores do Não, fazendo uso dos pressupostos da propriedade jurídica, defendem que o zigoto (ovo) e a blástula (um embrião com 64 células) são seres humanos de pleno direito. Para estes, interessa tão-somente, preserva-lo e defende-lo.
Não interessa se é ou não biologicamente dependente da progenitora e indissociável desta, se é desejado como um projecto de investimento afectivo e, não interessando também, que a mulher possa decidir ser ou não, hospedeira de uma interacção celular, visto a reprodução de organismos vivos ser implacável e biológica ao contrário do acto “fortuito” que o provoca.
O que interessa ao Não é que este não pode ser removido, queira a mãe muito, pouco, ou assim-assim. O que interessa ao Não é que esta seja obrigada pela força da lei, a amar desde logo o zigoto, a bem ou a mal e a usar de beneplácito.

Ora, sendo assim, e estou convencido que é, é-me licito questionar a legitimidade de tal pretensão e interrogar se, a interrupção de uma gravidez não desejada profundamente não poderá ser um acto legitimo, e, prossegui-la, num apego desmedido à vida, um erro egoísta e grosseiro.

O Sim, defende a despenalização do aborto até às dez semanas por opção da mulher desde que, praticado em estabelecimento de saúde autorizado como em meu entender poderia bem ser às doze, mas foi este o tempo que, devido ao condicionalismo fisiológico da concepção o parlamento decidiu aprovar como o suficiente para reflexão dos possíveis futuros progenitores, e, é esta a alteração que se pretende das normas jurídicas em vigor, logo, o sofisma que o Não ergue bem alto, sobre a contradição da penalização daí em diante é uma grande e enormíssima parvoíce que não merece o meu tempo.

E para terminar:

Já diziam os defensores do Não há oito anos que esta lei era aceitável para resolver o problema do aborto clandestino, ora, segundo dados da Associação para o Planeamento da Família, só em 2006 foram feitos 18.000 o que, demonstra bem a sua eficácia, e mais; a mesma Associação revela que, 27% das mulheres que o praticaram, foram internadas para tratar complicações.