Mostrar mensagens com a etiqueta Escritos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escritos. Mostrar todas as mensagens

Um post que no fundo, no fundo, podia ser pior.


Se hoje o dia tivesse amanhecido sob uma forte intempérie, ou vá lá, pelo menos uma chuvita a momentos forte, isto faria sentido:

De chávena na mão estanco o passo junto à janela e com o olhar desafio a intempérie que faz das suas lá fora.
Em calhando, hei-de anotar no meu caderno de capa cinza cartonada, os mornos sonhos das manhãs de inverno.


Assim, como o dia amanheceu com o despontar de um sol mais ou menos radioso, mais para mais do que para menos, e nenhum destes requisitos foi preenchido com o recurso a psicotropicos, limito-me a referenciar, o que é uma coisa decente, e já agora aconselhar, o que já é coisa da esfera pessoal mas que me satisfaz, a leitura deste post do Bill que, teve a sorte, ao que parece, de por lá estar a chover.

… no mínimo dos mínimos e quase que posso jurar, o sol andava escondido.

O primeiro de 2007

Agradecendo a todos os que comentaram, deixaram mensagens de boas festas e de preocupação com a minha saúde no post abaixo, que originou o pulsão, não de ego mas moral, de informar que; embora a maldita e obstinada constipação tenha por aqui assentado arraiais, não foi o motivo primeiro (embora tenha contribuído com algumas partículas), da minha ausência.
Acontece que (e a coisa sem nuances ou escapadelas é tão prosaica como isto) não me apetece blogar. Os motivos são vários, não carecem de psicanálise e não vêem ao caso, mas como estou com a mão na massa e, sem fazer o balanço terreno e costumeiro destas alturas porque seria desequilibrado e penderia inevitavelmente para o lado da desvergonha, faço simplesmente votos para que o 2007 seja um ano onde a dignidade, a moral e o respeito sejam vitalícios, que a família e a felicidade ocupem por direito o trono da nossa vida e os amigos tirem BI para o resto do nosso caminho.

Para que tudo isto seja possível, e à laia de explicação tipo bilhete em garrafa lançado ao Tejo, basta seguir o conceito de lei universal onde Kant com clareza e exactidão tão bem expressou o carácter autónomo da razão, ou seja: quando decidimos uma acção, seguindo o criticismo das três perguntas básicas da filosofia Kantiana: Que posso saber?, Que hei-de fazer?, Que posso esperar?, devemos perguntar-nos se esta poderia ser tomada como lei universal, se sim, então, atreve-te a servir-te do teu próprio entendimento, tendo em atenção como dizia Voltaire, que a tolerância é o património da razão.

Pronto... fico-me por aqui.

Ai Meu Deus Que Estou Tão Mal

Pois é… afinal o Natal (espirro), não foi a tal épica festa de família que pensei e planeei e, não foi por causa da família, nem por causa das prendas e, muito menos, pela sempre apreciada gastronomia da época, mas (espirro) por causa de uma grandessissima e extraordinária filha-da-puta (desculpem lá o epíteto) de uma enorme de tão grande que era a constipação que me apanhou e que, me confinou praticamente ao perímetro do sofá (espirro, espirro).
Assim, nas garras do vírus, de tal forma fodido dos cornos (lá vai mais uma… mas nenhuma língua é suficientemente viva nestas alturas sem o vernáculo) que até pensamentos iconoclastas me assaltam entre espirros e o retomar da respiração e assim, lá me arrastei nestes dias sem tirar o partido necessário e desejado da mesa, da família, da alegria, enfim… da festa.

Vejo na TV (espirro), que as mortes na estrada aumentaram este ano. Para os inocentes incautos forçados a sair à rua nesta época, fica o pesar dos números, enquanto que, para os desgraçados suicidas que, sob os artifícios do álcool experimentam a histérica sensação da velocidade e provocaram o acto, fica a satisfação de saber que já não fazem mal a mais ninguém (nem espirrei).
Continuando.

Esperando conseguir dar-lhe até ao dia 31 a definitiva naifada lombar, para que, esta extraordinária sensação, comum aos fracos quando perante uma força maior que, amarfanha a faculdade de respirar, (espirro, espirro, espirro. Porra! Isto dá cabo da saúde mental de um gajo), dizia eu ou queria dizer que, ficam já aqui (espirro, espirro… Gaita que não me consigo dedicar ao tricot social em paz) não vá a coisa enveredar por caminhos mais árduos e piorar, os meus desejos veementes e ardorosos de uma excelente passagem de ano, e que, o Novo Ano vos traga o concretizar daqueles sonhos que julgam serem impossíveis.
(espirro, espirro, espirro, recuperando o ar…) Gaita… vou mas é beber uns bagaços e espirrar para outro lado.


Nota: Antes de ir e com esforço a roçar o desumano, mas necessário porque merecido, só mais uma palavrinha:
Ao que parece, o semanário SOL nomeou o blog do Kaos, “WeHaveKaosInTheGarden”, blog da semana.
A única admiração digna de registo, é a imprensa oficial ter reparado num blog que não é alinhado com as “famílias dominantes” da blogosfera e não a sua qualidade que, eu próprio, já tinha referenciado como um dos seis melhores blogs temáticos de 2006 aqui.

Daqui e com um grande abraço, parabéns Kaos!

Outros ventos

Sem tempo para agir e sem vontade para renunciar.
É este estado de indefinido rumo a que me encontro preso no fio invisível que une todas as coisas indizíveis e onde, a esperança apesar de tudo se mantém essencial, embora, plácida e frugal.
À priori não se trata de insanidade e, por isso, se entende que o quadro clínico é reversível, já que, a constatação do facto é racional não necessitando de leitura peneirada, especial ou peculiar, da qual se deve guardar asséptica distância a fim de manter o mais longe possível, o contraditório cansativo no subterfúgio dos pormenores que no seu corolário aqui conduziram.

Com parcimónia de meios e sem mais delongas, até já, que bem pode ser amanhã ou depois. Quem sabe o futuro?…

Por enquanto, fiquem com Quinto Horácio e “Arte Poética”

"Há quem discuta se o bom poema vem da arte se da natureza: cá por mim, nenhuma arte vejo sem rica intuição e tão-pouco serve o engenho sem ser trabalhado: cada uma destas qualidades se completa com as outras e amigavelmente devem todas cooperar. [...]"

Nota a propósito de qualquer coisa que nem eu sei o quê, por isso, digamos que é uma nota de mero acaso.

Hoje foi dia de dentista. Dentista nova, também ela tão nova que se a visse na rua lhe daria entre 18 e 20.
Cá vai a conversa abreviada:

- Não sôtora, não quero isso. Cheguei à conclusão, sem pretender necessariamente qualificar quem me tenta convencer, que de tão caro é um roubo.
- Então tá bem… temos várias hipóteses mas só vou considerar as melhores quatro para o seu caso: Hipótese A: a que você não quer e de que eu não abdico como sendo a apropriada. Hipótese B: tal e tal só para manter as coisas aceitáveis enquanto você decide avançar para a hipótese A. Hipótese C, tal e coisa, coisa e tal, resolve para já o problema, mas mais tarde vai ter de considerar a hipótese A. Hipótese D: Ok resolve, mas vai andar o resto da vida com problemas que com a hipótese A nunca terá.

- A sôtora até parece estar a jogar à rabia, mas se a D resolve… quanto custa?
- Não digo e vou-lhe marcar já uma consulta para o director clinico.
- Para quê? Nem o conheço…desiste assim?
- Não! Precisamente por isso.
- Já reflectiu sobre democracia e totalitarismo?
- Já e também já fiz importantes reflexões éticas.

Nota com propósito a propósito disto: Enquanto Friedman, colocava a liberdade económica à frente da liberdade política, a sôtora, coloca os meus dentinhos à frente da minha liberdade de decisão. Mas é para bom fim.

Directo para a farmácia: Outra miúda como a primeira que, no fim de aviar o receituário sem que eu proferisse palavra, excepto o boa tarde inicial, diz:

- Estão aqui dois medicamentos comparticipados e dois que o não são, tirei fotocopia da receita que vai junta com a factura para dedução nos impostos e os medicamentos vão com esta etiqueta com a prescrição que a doutora colocou na receita. Mais alguma coisa Sr Pires?

Nota tipo rodapé: Ainda ontem li numa revista, um professor de Harvard que garantia, estar a despontar uma nova geração de gajas cheias de estaleca a que ele chama de geração Alfa; bonitas e com uma data de neurónios que vão pôr, nós os gajos, às aranhas.

Mas claro, isso é lá pelos EU. Em Portugal, já andem aí.

Uma breve explicação.

O autor deste blog, adoptou como diria o Eça: “Uma lentidão de frade que se regala”.

É verdade, este blog deixou de ser repentista e reactivo em excesso, embora, as questões reactivas sejam de difícil resolução porque, entroncam na reflexão e na lógica interna do autor que sou eu, e, assim, se cria campo para a dúvida legítima e também do fundamento em exercê-la.

O problema é de fartura: fartura de fait divers, fartura de soft-core, fartura de parte da civilização em que vivo, fartura da vulgaridade e fartura de coisíssima nenhuma que, dá cabo da sanidade que ainda resta – ou se pensa que resta –. Embora a sabedoria dos anos explique tais coisas, tenho dificuldade de convivência com a dualidade permanente da dialéctica dos fainantes que, ao contrário do fluxo e refluxo que lhe dava uma natural grandeza, passou a ser o sustento de alguns ilustres de pouca confiança, que nos enganam e convencem, por nos deixarmos levar pelo fedor das fezes do refinamento técnico e palavroso, de uma ralé que vive na gandaia politica.

Mas tudo isto que para alguns não passará de uma frugal escaramuça de variante diletante, está preso por um fio de nylon invisível que une o efeito à causa e que, estando na origem, não permite refazer a trama que se exige e almeja. Os factos e pormenores desta excessiva saturação, necessitam de uma nova sementeira de ideias de forma a combater esta má safra, em que, campeiam os pimpões e mentirosos funcionais peritos em adjutórios manhosos, que, a toda a hora, produzem inanidades e as saboreiam sem pensar.

Que me desculpem os amigos, mas, por enquanto, só tenho disposição para a bisca lambida.

“Pão por Deus“ ou “Trick or Treat”?

Nem sou nada destas tretas dos Halloween de enraizamento duvidoso, que equivale a dizer com o hábito de pensamento razoável que me caracteriza (cof, cof), tradição por tradição, mesmo que pagã, prefiro a nacionalmente genuína, onde, ainda se pede o pão, embora, por Deus, que os tempos e a religião trataram de lhe juntar.
Causam-me no entanto estranheza, estas reviengas importadas com o mesmo sentido e idêntico objectivo.

Mas enfim… já que a prática se generaliza em largas franjas da sociedade, onde, do velho ao catraio todos dançam a mesma música, já agora, e sem pretender ser sociologicamente coerente, sigo para a pista correndo o risco de parecer manipulável e indo às origens da tradição que, segundo consta, é geneticamente Céltica.

E assim, no entendimento desta coisada toda, que venha então o espirito de Samhaim para a grande festa dos demónios e dos espíritos dos mortos, ainda que, por ser mais adequado, lhe chame Dia de Todos os Santos e condescenda no folclore da abóbora anglo-saxónica chispando fogo à porta de casa, no arguto intuito, de trocar as voltas aos espíritos vagueantes da noite sem luz, conseguindo com esta colorida artimanha, que eles saiam do círculo.


Nota: No meio do nevoeiro está a resposta e se este post lhe trouxe indecisões ou hesitações filosóficas, a culpa não é minha, aliás, a única culpa que me pode ser imputada e que é pública, é a do aumento da electricidade.

Outros retratos de trabalho - V


~ / ~

Num voo de menina encantado, em pontas, sobre alvos espigos invertidos, p'ra mim caminha na tranquilidade de um sorriso. Com rigorosa persistência, escondendo a dor, avança voltejante traçando os pés, e, de braços suplicantes, a harmoniosa bailarina de gestos precisos e sublime sensibilidade, em mágicos passes pantomímicos, conta-me histórias de sonho e alucinação.


Se me é permitido.

Falta-me a competência, o conhecimento e a capacidade intelectual, para avaliar mais esta fantástica fase da história portuguesa.
Mas, ainda assim, penso – nem sempre bem, mas já é uma mania –, e, logo pergunto: Se as ideologias são necessariamente formas de governar e, quando um governo, votado democraticamente por uma maioria sociológica de centro-esquerda, impõe tiranicamente a sua lei, mandando às malvas a ideologia e, num ambiente argumentativo acrimonioso amordaça opiniões divergentes, agravando sistematicamente o terrível e agonizante aperto com que se debatem os seus eleitores, será errado, ou serei injusto, se catalogar este atavismo, de óbvia e habilidosa lavagem cerebral que em vagas diárias nos ameaça com o inferno, tentando moralizar as suas medidas, como: uma timocracia tirânica?

Não! O texto (*) não é de Fernando Pessoa.


Subtítulo: A Brigada do Realejo.

A internet, soberana e autónoma, de escrita desejavelmente viva, tem – devido à comezinha coabitação das suas virtudes e dos seus defeitos – a importância de uma Maria deslavada e sem pudor, se não nos precavermos das suas bengaladas.

No passado sábado, já de madrugada, sou confrontado pelo meu amigo Bill – logo eu, que tenho mais alma de aluno que de professor –, questionando-me do lado de lá do atlântico sobre a possibilidade de um determinado texto, que anda por aí a passeio como sendo de Fernando Pessoa, não o ser.
Ele não acreditava que fosse, mas, ainda assim, um pequeno resíduo de dúvida persistia, assim, era necessário descobrir o seu autor ou ter a certeza por intermédio de fonte idónea, não ser de Pessoa.

O problema desde logo mereceu a minha melhor mas não inocente atenção, e começou a azucrinar-me a cabeça. Acontece, que não era dia das mentiras e a minha indissociável memória pulsava com a lembrança de há cerca de um ano por altura do Natal, ter tomado contacto com o referido texto e piamente acreditado ser de Pessoa, mais, com a santa ingenuidade empurrada pela senhora ignorância, até o tinha divulgado.
Assim, assumindo a instrumentalização – inocente sem dúvida – de que fora alvo e a minha parte de culpa na sua divulgação, domingo de manhã, lancei-me com genica na voraz tarefa de o descobrir, pondo à prova a minha pequena biblioteca de Pessoa que conta com uma dúzia de títulos, e népias, nem cheiro ou vestígio por menor que fosse do texto.

Muito bem... pensei, temos de descobrir qualquer coisa, a resposta terá de nos cair no regaço

Com a missão definida, qual Indiana Jones, sem cinto e em trânsito pelas estradas da informação, lá vamos descortinando de boteco em boteco, que a legião de ingénuos vai engrossando, este, o tal texto, consta por aí em dezenas de blogs, inclusive, num caso, como FrontPage de uma firma on-line. Do mal, o menos, afinal e como costumo dizer, um tolo nunca está só e a paliativa solidariedade destas coisas, sabe bem à brava.

Bem… nesta aliança luso-brasileira, iniciámos uma bem intencionada cruzada e, ao mesmo tempo, que com despudor recorríamos a amigos, enviámos e-mail para o blog “mundopessoa” da “Casa Fernando Pessoa” a pedir ajuda. No dia seguinte, pela nossa leitura da pronta resposta recebida e que logo agradecemos, sabíamos que este era desconhecido por responsáveis daquela nobre e distinta Casa. Estávamos portanto, perante um texto apócrifo com todas as letras e uma condenável injustiça póstuma.

Entretanto, o Bill continuava as investigações e, qual Sherlock de sede infrene, viria a descobrir a autoria da última frase do texto, que posteriormente teria sido apensa ao texto inicial, e também, a suposta autoria do resto do texto tresmalhado, que será de Augusto Cury, autor de Dez Leis para Ser Feliz, editado no Brasil.

A coisa ganhava contornos de uma hilariante overdose informativa, o autor da última frase estava descoberto: era “Nemo Nox” autor do blog "Por um Punhado de Pixels". O próprio, tinha sido inquirido sobre a autoria do texto, e afirmava explicitamente que não era dele, confirmando no entanto, ser o autor da última frase que tinha publicado no seu blog a 2 de Janeiro de 2003, o que, confirmámos.
Na posse destes dados, atacamos as comunidades do Orkut, tanto de Fernando Pessoa, como de Augusto Cury, para autenticarem o texto e, dos muitos contactos feitos, recebemos até agora, sete respostas: quatro afirmam que o texto é de Augusto Cury, uma que desconhece o autor, uma que desconhece ser de Fernando Pessoa e finalmente, uma que diz ser de Fernando Pessoa.

Esta última, que provoca a troca de várias mensagens, não esclareceu em definitivo o busílis, visto que, o seu autor que na primeira resposta garantia que o texto era de Pessoa e que, até o tinha lido em LIVROS, não se manteve posteriormente tão categórico, quando confrontado com o desconhecimento que responsáveis idóneos da Casa Fernando Pessoa, tinham do texto.

Perante esta última resposta, tornava-se imprescindível – para além dos testemunhos que já tínhamos e da certeza de não ser de Pessoa –, visualizar o texto: Sherlock Bill, entra em contacto com um seu amigo livreiro que promete ter o livro de Cury na manhã seguinte. E, lá está, preto no branco, mas não se trata de um texto, trata-se de uma compilação de várias frases dispostas no final do livro, em que, a principal, como o Bill me informou, é a que inicia o texto e está na página 115 – 2º parágrafo.

Compreender não é aceitar e, por isso, retiramos daqui conclusões nada abonatórias sobre o funcionamento e a liberdade de publicação em geral, mas também, a desafiadora convicção que esperamos não seja efémera, de termos que correr atrás do prejuízo, tendo o cuidado de validar de forma mais agressiva o que publicamos e não aceitar-mos com a desmedida tolerância dos cábulas tudo o que nos chega, já que, pelo meio, podem vir as bengaladas.

O texto em questão é este:
(*)

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.”

Augusto Cury
Dez leis para ser feliz da Editora Sextante.
Ano 2003


E esta, a frase que lhe foi apensa posteriormente:

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

Nemo Nox
Por um Punhado de Pixels.


Nota final: Agora, todos os que gostam de Pessoa e os outros também, que estão tão bem informados como nós acerca da origem do texto, bem podem agradecer ao Bill ter iniciado e finalizado, esta demanda.Pela minha parte fica um grandessíssimo obrigado, pelo interesse que este demonstra em relação ao Poeta e, à verdade, garantindo-lhe, que foi um enorme prazer fazer parte desta “brigada”.

Vale a pena?

A sede infrene de blogar, não será uma espécie de onanismo intelectual?

A incompetência e preguiça genética!

Não é a primeira vez e o mais provável é não ser a última, que falo aqui, na incompetência e preguiça genética das hordas de gestores que gostam muito de falar e mais de se ouvir, mas que não têm dimensão para aumentar a produtividade das suas empresas.
Segundo dados da OIT sobre os trabalhadores da UE, “os portugueses trabalham muito mas produzem pouco e, ganham menos ainda”, sendo este, um sério problema estrutural, e é, porque o busílis disto andar assim, não são os trabalhadores, mas sim e sobretudo, os ineptos e incompetentes gestores deste carnaval.

Da eficiência trabalho-capital, resulta a produtividade, onde, a organização e qualidade de gestão se reflectem e que, muito deixa a desejar na maioria das empresas, sendo o podium das PME.

A globalização dos mercados, a rápida transformação da economia e a evolução tecnológica, determinam hoje em dia a relação cliente-fornecedor nos mercados e, é este desafio, complexo e sofisticado que determina a sustentabilidade das empresas e o seu sucesso ou insucesso no assegurar ganhos de produtividade, só que, isto implica gerir com excelência, com estratégia de longo prazo, desenvolvendo vantagem competitiva, explorando toda uma gama de factores para aumentar o crescimento endógeno que através das novas tecnologias é auto-alimentado e, aproveitando para competir nos sectores expostos à concorrência internacional numa economia de escala, em detrimento do turvo sucesso competitivo à custa do pão que o Zé leva para casa.

A palavra de ordem típica, que não segue os prestimosos conselhos do bom senso e não admite inteligência opinativa, é: redução despudorada de custos e assunto arrumado como sardinha em lata, sem grandes expressões matemáticas ou azeite virgem para escorregar melhor. Como? Com medidas arbitrárias e perigosas, porque acéfalas e falhas de sensibilidade, que contribuem para o lamaçal de desânimo e estão no âmago de muitos problemas: a redução de pessoal, corte dos benefícios - seguros de saúde por exemplo -, controlo excessivo dos gastos, embalados soberbamente pela economia de cordel onde lhes escapa uma ideia - conheço um caso de unívoca inteligência, em que se luta para acabar com a chatice das fotocopias a cores, de documentos, que são uma importante e incisiva ajuda nas vendas -, aumentos salariais abaixo da inflação e todo um espectro de futilidades do ponto de vista de uma gestão inteligente que assim fica submergida. Mas tudo isto só no que toca ao Zé, porque, regra geral, a avifauna dos quadros não sofre dessa malapata e não é atingida, querendo depois, que os que ficam, trabalhem muito, que é o que já fazem, mas passam a fazê-lo com consequências mais negativas porque mais desorganizados e desinspirados, prestes a perderem a faculdade de boiar.

Um post boa Onda.

Sem fulanizar, mas correndo o risco, da malícia catalogar os meus limitadíssimos níveis de compreensão, como grosseiros, ou extraordinariamente ingénuos (o que às vezes até dá jeito), digo, que o que chateia à brava e acaba por ser a discordância principal, é sempre que se fala de tomar medidas punitivas e coisas assim, sobre as acções de tiranos, porque é disso que se trata, lá vem a conversa recorrente do não vale a pena por isto e mais aquilo, ou, a tendencialmente elitista de colocar sobre os ombros dos norte-americanos a responsabilidade mastodôntica de tudo o que acontece, devido, à imposta por nós umas vezes e, assumida por eles outras, suprema responsabilidade de resolver todos os problemas que afectam o mundo, quando, e desde a Segunda Guerra Mundial (e durante também), vozes “esclarecidas” se perfilam na intenção de fazer crer que o grande perigo para o mundo são os norte-americanos.

Desenganem-se os de raciocínio límpido, que julgam não precisar de uns cursos de coach que os ajude a pensar e descobrir novos caminhos, desenganem-se os que piamente acreditam que os malfeitores foram no passado os nazis, ou que são agora os tiranos fundamentalistas. Não e não. A coisa é simples e pouco engendrada como os caldos de galinha: os gajos perigosos, são, sem remissão, por causa e consequência e sem o mínimo preconceito ideológico, os selvagens dos americanos.

O problema para mim, que não tenho sonhos recorrentes com os norte-americanos, é saber, com a irrelevância das meninges que por aí campeiam, como se articula esta merda toda, e, por isso, o que os norte-americanos deviam fazer, era obrigar o congresso a aprovar uma lei que tornasse claro, que não são “reserva moral do mundo” porra nenhuma e também, que não lhes compete intervir em todo o lado onde grassa a tirania, porque não têm o dever de zelar pelos interesses da humanidade.

A Europa enfarpelada e de discurso fácil que faça pela vida e se o fizesse, talvez os norte-americanos não pensassem que podem fazer o que querem.
Estou-me nas tintas para os EUA, quero é que a Europa e os seus intelectuais burgueses, tirem as mãos dos bolsos e cumpram a sua obrigação, não estando sempre à espera, que seja o “amigo” americano a fazê-lo, para depois e no uso do seu voluntarismo cívico e das suas complexas capacidades estratégicas o criticar, mesmo tendo razão.
É que, a merda da guerra nada tem a ver com o orgasmo da Meg Ryan no coffee shop, a merda de guerra não é de borla nem grátis, custa uma pipa de massa e é a sério.

Estufa Fria com horário de Inverno (!?)

16:35 chego à Estufa Fria com “Goor – A Crónica de Feaglar” debaixo do braço.

- Boa tarde.
- Já fechámos.
- Como?
- Já estamos com horário de inverno.
- Essa é boa… nem dei pela chegada.
- …………….
- Do inverno, claro. Já ninguém se entende com o tempo.
- …………….
- Então, boa tarde.
- Boa tarde.

Ficou assim gorada a intenção, de num qualquer banco e rodeado por um ambiente sugeneris, ler mais umas páginas do livro de Pedro Ventura enquanto a família se entretinha na visita às plantas.
Ok, a contrariedade apanhou-me desprevenido mas o dia estava bonito, parecendo até um belo e radioso sábado de outono e assim, decidimos rumar ao Lumiar, mais propriamente ao Palácio do Monteiro-Mor onde se encontra o Museu Nacional do Teatro e também o do Traje, sabendo, que já não teríamos tempo para apreciar tudo devidamente e muito menos os jardins (Parque do Monteiro Mor), mas lá fomos.

No caminho e junto ao Alvaláxia, reparamos todos num plackard publicitário do Mac Donald's que informava: “Aberto até às 6 horas da manhã”.

Pois é… abri de imediato as janelas do carro. O verão tinha chegado.
Que "raio" de tempo este…

Regresso, mas... devagarinho.

Depois de umas, mais que merecidas férias, estou de volta à “padaria”, porque ao blog, falta ainda algum tempo. Tempo esse, que depende do que demorar a por em ordem tudo o que se atrasou durante este prazenteiro mes.

Era no entanto imprescindível postar hoje, os amigos que por aqui passaram durante este dias são merecedores dos meus sinceros agradecimentos e de uma palavra.

Férias são sempre boas, mas estas foram-no em especial: pelo tempo, pela temperatura da água e pelo enorme grupo de familiares e amigos que nos últimos dias em terras algarvias, chegou às 18 almas.
Quer isto dizer que, quando chegávamos eclipsávamos tudo o resto, como aconteceu por exemplo com certa casa de karaoke em Lagos que tomámos de assalto e dominámos o ambiente a nosso belo prazer.

Como diz o povo “o que é bom, acaba depressa” mesmo, tendo sido estas umas férias especiais pela sua duração e que por isso, mesmo tendo avisado a minha lista de contactos que estaria de férias e tendo recorrido aos serviços do Out of office assintant, contabilizo no e-mail profissional 2.624 mensagens, das quais 263 particulares.
No Gmail a coisa está muito melhor: das 2.025 mensagens o sistema identificou automaticamente 1.897 como spam, pelo que só terei de me preocupar com as 128 restantes.

Mas nem tudo é mau: o meu clube fez uma pré-época nota 10 e para início de campeonato em dois jogos difíceis conta duas vitórias, sobrepondo-se assim ao eterno rival Benfica, que na continuidade da sua pré-época miserável, contabiliza agora um jogo, uma derrota, por números merecedores de atenção, e isto, para não falar nas escutas ao Filipe Vieira no âmbito do processo “Apito Dourado”, conforme notícias da imprensa.
Temos portanto, conversa da melhor e muito com que chatear alguns colegas.

Bem... hei-de voltar.
Até já.

Ele há coisas...

Na continuação do post anterior, desesperançado e já preparado para o pior, recebo um telefonema da oficina. Do outro lado, alguém voluntariamente diz que o meu carro está pronto.

Incrédulo pergunto: - Pronto como? - Está pronto e está neste momento a lavar, se o quiser vir buscar, pode vir. (pausa)
A incredulidade força-me a nova pergunta: - Tem a certeza que é o meu? - Claro... o seu carro não é o tal e tal que teve duas peritagens?... - Sim, sim, é. - Então, está pronto. - Mas então a outra seguradora já deu o ok? - Claro, se não, não o arranjávamos sem a sua autorização...
Perante esta realidade, o que é o mistério? Fiquei por aqui depois dos agradecimentos, sentindo-me bem vestido nos andrajos de um vulgar tolo.

Neste momento flâmulas pairavam no meu cérebro e ligo, ainda abstracto mas já com um sorriso abominável para o meu Agente de seguros: Relato-lhe a conversa. - Não me diga? Diz ele em divergência instintiva. Hehe... começo a sentir-me melhor, um tolo nunca está só, tem sempre outro por companhia e avanço com engatilhada matreirice: - Ó Sr. fulano, então não foi ainda ontem, que da seguradora lhe disseram que ainda não havia uma decisão? - Pois foi, responde vagarosa e presumo pensativamente. Nesta altura, sentindo em mim o gládio da inquisição, formulo no cérebro a pergunta derradeira, mas não a fiz. Seria indelicado e pô-lo-ia numa situação desconfortável, além de que, pretendo que continue a ser o meu Agente, logo, mudei o rumo da conversa para o transcendental que tudo explica e a inevitável constatação da consumação de mais um milagre.

Entre a realidade e o mistério, terminámos a conversa, com uma solução plausível para ambos: Alguém da seguradora, tinha dado a ordem directamente à oficina e a informação ainda não constava nos ficheiros. Só podia. Outra explicação seria do domínio dos deuses.

Encostei-me para trás na cadeira de convés de Pessoa e fechei os olhos.
Ele há coisas...

Está difícil!

Este tempo dá cabo de qualquer um e o excesso de trabalho dá-lhe uma excelente ajuda. Ou será o contrário? Bem... não interessa, interessa é que o gerente desta casa, displicentemente e calcando aos pés a consciência, não cumpre a básica obrigação de a manter actualizada, ou no mínimo, retribuir as gentis visitas que recebe.

É claro que pode alegar em defesa das fugas continuas, o infindável calor que se faz sentir, ou o excesso de trabalho por causa das “justas” férias de outros, ou ainda a falta de vontade por estar a trabalhar e outros “merecidamente” a banhos, ou que a culpa é da cadela que uiva na noite, ou até, tentando não ver negro o que é cor de laranja, o problema do carro, porque uma companhia de seguros não se decide a pagar e o carro tem a frente toda feita num “oito”, ou seja: não tem, porque está tudo desmontado e o gerente tem de se desenrascar com a caranguejola de carro de substituição a que teve direito e, se daqui a quinze dias não tiver o problema resolvido, lá vem a conversa de casa como o eco duma canção: Vá... agora diz-me onde levo as malas? Porque, e digo-o com suavidade, a porcaria de um VW-Pólo, em vez de um porta bagagens tem um estojo de unhas e isto para um gajo com alma eterna de navegador, é um problema de tal dimensão que o leva a ponderar se valerá a pena largar do porto e rumar às praias longínquas de areia branca e águas eternas do Algarve.

Tribolas para tudo isto. Mas também, quem o manda ter dois acidentes na mesma semana, parecendo que vê tudo através de um vidro embaciado?
Fica a lição: nunca ter um segundo acidente, antes da peritagem ao primeiro estar concluída e deixar para os outros a histeria das sensações em movimento.

Enquanto isto e para ajudar a não vontade de blogar, a ofensiva israelita avança por terra e são postas em causa as virtudes de uma resposta robusta e o actual conflito ilustra bem a total irrelevância política da Europa dos 25 e a sua posição Kantiana.
...Talvez por ser verão e estar a banhos.

Daniel Oliveira no Arrastão, diz que na Síria se sente Libanês, não se lembrando que quando a Síria ocupou o Líbano, apoiou o crescimento de uma milícia fundamentalista armada que está na génese desta guerra.

Como se o "isto" não bastasse, no JN e sem que se tenha removido uma pazada de terra, lê-se que o orçamento da Ota já está a ser posto em causa. Mário Lino nega, dizendo que neste momento não tem nenhum elemento que o leve a pensar que afinal de contas a Ota vai custar mais.
Pois... neste momento não tem... é como o ser sincero contradizendo-se.

Finalmente, no Random Precision, lemos que o Alberto João se preparara para aumentar o défice da Região Autónoma da Madeira atribuindo uma verba de mais de 3% do orçamento em ajudas aos dois principais clubes de futebol da região: o Marítimo e o Nacional e mais de um milhão de euros para o Jornal lambe-botas da região, o "Notícias da Madeira".
... E o Contenente a pagar os andrajos e as chagas da palhaçada.

Mas como não lhe apetece blogar, num remorso comovido e lacrimoso, aproveitou para actualizar alguns links de amigos que aguardavam no PC do escritório, só faltando fazer o mesmo, que fará com emoção comovida, aos que aguardam pacientemente no PC lá de casa, razão pela qual, a lista de vítimas a que chama vizinhança, cresceu um pouco.

O apetite pela mudança.

Porque me diz directamente respeito assim como a muitos trabalhadores deste país e porque hoje tive oportunidade de ler um artigo de Christopher Grey na World Business que consolida o meu pensamento, não quis deixar de partilhar uma parte do que ele escreve e também algumas buchas pessoais para o fim-de-semana.

Começa Christopher Grey por dizer que o apetite insaciável dos gestores pela mudança, ignora os custos com a fadiga do pessoal e a falta de inovação que a acompanham, e eu concordo em pleno com esta análise. É a loucura da mudança a uma velocidade sem precedentes e sem sinais de abrandamento.
Hoje é uma afirmação generalizada a ideia de que vivemos num mundo de mudanças extremamente rápidas e o que é que isto significa? Muito pouco e é aí que reside o problema, porque estas palavras, ou semelhantes, fazem já parte do léxico empresarial e quase nem reparamos nelas.

Hoje em dia, a maioria dos gestores e dirigentes tem pouco interesse numa das suas principais capacidades: a gestão da estabilidade, que feita com eficiência lhes permite atingir objectivos estratégicos. A arte da organização centra-se na resistência, na gestão quer da continuidade quer da mudança, e perdem a primeira parte se comprarem invadidos pela histeria da compra e enfrentam nesse caso, um clássico erro de lógica. A mudança é necessária. Isto é mudança e, por isso, é necessário.
A ideia de que qualquer alteração é boa causa danos enormes, leva-os a violar princípios racionais de gestão como por exemplo a análise custos/benefícios. É fácil ser seduzido pelos benefícios, mas será que se contabilizam os custos? Será possível contabilizá-los, tendo em conta como é comum embarcar numa nova série de mudanças antes de deixar que os esforços anteriores se instalem e sejam avaliados?

E a “fadiga da mudança” um dos fenómenos mais perturbadores, menos quantificáveis das organizações e familiar a muitos mercados.
Outra mudança? Mais reorganizações? Desmoraliza num abrir e fechar de olhos e provoca movimentação do pessoal, desilusões e perda de empenho.
Os executivos aprendem que as pessoas “resistem à mudança de forma irracional” e que isto deve ser ultrapassado em vez de resolverem a sua causa fundamental que pode passar até, pela solução de não fazer essa modificação.

É possível que as mudanças devam ser frequentemente efectuadas pelo bem da organização, mesmo que ameacem interesses individuais, mas a taxa de insucesso em processos de gestão de mudança é bem conhecida e sugere que nem sempre as transformações são efectuadas no interesse da organização. A resistência dos empregados provém muitas vezes do facto de saberem mais da empresa do que o escritório principal e por maioria de razão, mais que aquele gestor contratado só para fazer a mudança.

Qualquer líder inteligente sabe que pode existir uma clivagem entre os melhores planos e a realidade no terreno. A mudança continua não causa apenas fadiga, está também associada a outros problemas organizacionais, por quebrar quase inevitavelmente o “contrato psicológico” com os empregados, a relação não verbal e não documentada, mas assumida entre o indivíduo e a organização, conduz muitas vezes à erosão da confiança e alimenta a “síndrome do sobrevivente”, em que os que viram os colegas serem seleccionados se tornam desconfiados e se enchem de ressentimento face ao patronato. A ligação psicológica das pessoas, não apenas ao seu local de trabalho mas também, o que é muitas vezes mais importante, aos seus colegas não deve ser subestimada. As empresas não podem simplesmente cortar uma parte do “capital humano” e imaginar que os que ficam continuarão como dantes, estas estratégias criam ressentimentos e minam a identificação entre o colaborador e a organização.

Concluindo:
A diferença para uma gestão eficaz é que esta desenvolve estratégias inventivas de forma a ultrapassar limitações reais ou imaginárias, desenvolve e age de acordo com estratégias de longo prazo, controlando as tarefas e as expectativas do “capital humano” de forma pró-activa, o que lhe permite atingir objectivos estratégicos em vez de apagar fogos.
O contrário subverte o significado da “palavra assumida”, corrompe e substitui-a por matéria descartável. São necessários novos métodos que sustentem as ideias primordiais para daí partirmos para o combate à crise do sistema de valores capitalista que não constituem de forma alguma, um “ambiente estável” para as empresas.

Custa aguentar tanta imbecilidade.

Diz a Joana Amaral Dias no DN:

“A atitude de Israel, que continua a apostar na força bruta passando ao largo da sua própria História, não apenas falha em proteger os seus próprios cidadãos como destabiliza, ainda mais, toda a zona.”

Não dá para aguentar ler estas imbecilidades e ficar calado, sabendo que; a guerra de 48 foi iniciada pelos árabes e, não fosse isso, o plano de partilha da ONU teria sido um sucesso e existiria um estado palestiniano e outro israelita com mais de meio século e que, antes de existir o colonato Judeu, nunca os árabes quiseram saber do Estado Palestiniano e que, os conflitos só começaram no momento em que Israel com a guerra dos seis dias assumiu o controle da área e que, enquanto Gaza foi ocupado pelo Egipto, nunca os árabes se preocuparam verdadeiramente com o Estado da Palestina e que, entre 48 e 67 tanto Gaza como a Cisjordânia tinham um governo árabe sem nunca lhes passar pela cabeça estabelecer o Estado da Palestina.

Porque não fala a Joana Amaral Dias da OLP e da sua figura de proa Yasser Arafat, a quem se deve a responsabilidade directa da não constituição de um estado palestiniano, porque prefere, tal como Chirac e Zapatero culpar Israel pela resposta excessiva, lavando assim a culpa do Hezbollah e do Hamas e parecendo até, que o Líbano que alberga campos militares do Hezbollah e a Síria e o Irão que os abastecem pareçam uns meninos de coro quando estes se regozijaram publicamente com o rapto dos soldados.

Pois claro, normal é o governo do Hamas incentivar a vinda de mísseis iranianos para destruir Israel, normal é o governo do Hamas não reconhecer o estado de Israel, normal é o Hezbollah deliberadamente e pontualmente provocar o Estado de Israel

Tenha Juízo minha senhora, eu condeno qualquer guerra e todos aqueles que resolvem todas as divergências à força da bomba, como digo no post anterior, mas pelo mal que vejo nelas, pelo que sofre sempre a população que é carne para canhão, pelos civis e gente inocente que mata a esmo, por toda a destruição e atraso que provoca, mas isso não me torna imbecil ao ponto de dizer que Israel é o responsável pela escalada de violência que se vive na região e não ver a quem cabe a culpa de não existir um estado Palestiniano livre e democrático.

Com o Mundial à porta...

Depois de um suculento bife na Cervejaria Lusitânia, com o fantástico molho “café paris” (o melhor de todos) e uma caneca de Pils, tudo indicava que nada me estragaria a digestão, mas, para mal dos meus pecados, a coisa começou logo ali:
Falava-se numa mesa à minha retaguarda de futebol, bem... não se falava propriamente de futebol, dizia-se mal do espectáculo e de todos os que gostam. A tentação de intervir esteve presente, mas a educação em finta magistral não o permitiu.
Ora, eu GOSTO de futebol. Ponto.

Claro que também eu detesto muito daquilo que o rodeia, mas para mim o futebol não é uma questão têxtil de camisolas para aqui e camisolas para acolá, para mim o futebol é espectáculo e é assim que o vejo, talvez por isso, este ano, o meu lugar de época no Alvalade XXI, ficou muitas vezes vazio.

Gosto do futebol espectáculo à Frank Rijkaard; hino de criatividade e imaginação, ou do futebol táctico à José Mourinho; hino de rigor e concentração, não consigo é gostar do futebol dos que jogam para não perder, como o Koeman; um hino aos medrosos e um erro de casting. Esses, não contam comigo porque os abomino por puro preconceito, como abomino as novelas da TVI, o mesmo preconceito que me previne de não comer ostras e que, nem a sociologia ou a psicologia explicam e, por isso, como disse (mais ou menos isto) um dia o jornalista Ferreira Fernandes, o vejo com a arte de um romance moderno, como Charles Dickens via os bairros pobres de Londres.

Bem... não é difícil antecipar que riram desta última frase, mas que dizer da envolvência que o mestre Scolari criou à volta de selecção nacional no europeu, que dizer do reencontro dos portugueses com a sua bandeira e com o seu país e finalmente, que dizer de meio mundo aplaudir maravilhado a arte do negro Ronaldinho?

É por estas e por outras, que mesmo não concordando com tudo o que o futebol contém, eu GOSTO de futebol. Ponto.
Que venha o Mundial!

Reflexões de fim-de-semana.

Estava eu na casa de banho quando a coisa me surgiu, – sim, eu sei que é de mau gosto dizer ou escrever, que alguma coisa ou pensamento, surge quando se está na casa de banho, mas é verdade e a isso não há volta a dar – ora, a tal coisa, digamos antes; a reflexão, é singela, mas porque ao fim-de-semana não me ocorrem outras mais profundas, trabalha-se com o que se tem.

Então vejamos: Sabemos todos, que quando o Presidente da República toma posse, tem lugar uma cerimónia em que ele jura defender e cumprir a Constituição de República, também sabemos, que a Constituição pode ser alterada pelos deputados da Nação durante o seu mandato, e a pergunta que faço é: o Presidente, depois da Constituição alterada continua ajuramentado, sabendo-se que o motivo desapareceu?

Bem… parece que temos aqui um imbróglio e talvez por isso, tenha sido importante manter a verdade sobre o local onde me surgem determinadas reflexões. Quem sabe, não virá a ser, uma ajuda interessante e significativa no estudo da filosofia geográfica.