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Petição Online: Por uma força lusófona de Manutenção de Paz

O Espaço Lusófono deve ser um espaço de Paz e, nessa medida, um exemplo para o mundo. Infelizmente, ainda não chegámos ao tempo em que a Paz se garanta sem o recurso a forças policiais e militares. Obviamente, a verdadeira Paz está para além disso – deve ser, sobretudo, resultado de uma contínua acção cívica e cultural. Mas, para que essa acção cívica e cultural produza efeito, é necessária a existência de condições mínimas de segurança e estabilidade.

Os recentes acontecimentos trágicos em Timor-Leste deixaram uma vez mais evidente que existe a necessidade imperiosa de uma força policial e militarizada de manutenção de paz que, no quadro da ONU, possa agir no espaço da CPLP com a eficácia, imparcialidade e compreensão da realidade local que outras forças não lusófonas, naturalmente, não podem ter. Sem que isso exclua, obviamente, uma mais ampla acção no plano cívico e cultural, que deve mesmo ser reforçada.

Esta força já demonstrou a sua necessidade durante o anterior conflito na Guiné-Bissau, quando uma pequena flotilha portuguesa foi capaz de realizar uma missão decisiva nesse país africano e agora tornou a sentir-se a sua ausência em Timor.

A CPLP tem actualmente um estatuto muito mais administrativo, formal e protocolar do que seria de esperar para quem defenda a aproximação lusófona e é nossa convicção de que tal estrutura – simultaneamente policial e militar – deveria surgir no seio da CPLP e dos países que a compõem para criar uma força de reacção rápida capaz de acorrer a qualquer emergência de segurança.

Esta força poderia incluir, tanto quanto possível, unidades policiais oriundas de todos os países lusófonos, de Timor a Cabo Verde e forças navais brasileiras e portuguesas, para além de forças especiais angolanas, brasileiras e portuguesas e um componente de combate e transporte aéreo, de muito rápida intervenção em qualquer país lusófono. Pela própria natureza multinacional desta força, não haveria espaço para que surgissem críticas de "imperialismo" ou de defesa de interesses económicos ou particulares, como sucede frequentemente com missões assumidas pela NATO, Rússia ou pelos países anglo-saxónicos.

Esta força policial e militar poderia, inclusivamente, potenciar a CPLP até um novo patamar de intervenção e participação no mundo e alavancar a defesa da presença do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, bem como prefigurar, a uma nova escala, a formação de uma verdadeira Comunidade Lusófona, enquanto espaço de paz e segurança para todos os povos que o destino quis unir por esse fio de Ariadne chamado "língua portuguesa".

Se concorda com a criação desta força policial e militar de manutenção da paz da CPLP, assine esta Petição. Para o fazer, clique aqui:
http://www.PetitionOnline.com/mil1001/petition.html

Desde já nos comprometemos a apresentar esta petição a todas as autoridades competentes, nomeadamente, à CPLP.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora


NOVA ÁGUIA/ REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI/ ÓRGÃO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://novaaguia.blogspot.com/

Timor-Leste (Operação Limpeza)

A coisa estava feia, o presidente fora gravemente ferido num atentado comandado por quem já se tinha extinguido a vida e, o primeiro-ministro, safara-se miraculosamente à emboscada de raivosos rebeldes comandados por um facínora de nome Salsinha.
Taur Matan Ruak, chefe do Estado-Maior-general das Forças Armadas timorenses, comandando a Operação Limpeza, inicia a caça aos autores com as forças da F-FDTL.
Era a primeira vez que o Estado timorense autorizava uma operação autónoma das suas forças e Taur Matan Ruak, orgulhoso, faria por merecer tal confiança.

Dias depois, após incessantes buscas, ouvem-no confessar o fracasso da operação. Não resultou por falta de mandados de busca que permitissem às minhas forças entrar nas residências e seus quintais… Taur Matan Ruak, com tanta coisa que pensar, tinha-se esquecido desse pormenor que se revelara de importância capital. Os seus homens bem os procuraram; nenhuma esquina ficou por dobrar, nenhuma tasca onde se esperava encontra-los a beber uns canecos à volta das cartas, ficou por inspeccionar.
Taur Matan Ruak, voltava pelos mandados de busca, só tinham passado uns dias… com tudo em ordem, ainda os apanharia a fazer as malas.

Timor-Leste



Enquanto a Austrália pede desculpa aos donos da terra, e Gastão Salsinha, o autoproclamado novo líder dos rebeldes, em declarações à estação de televisão australiana Channel Nine, afirma estar fortemente armado numa casa em Díli, que não se rende sem luta e que o seu objectivo é lutar por justiça, os 70 agentes da Polícia Federal Australiana enviados para Díli após os atentados desta semana, vão actuar de forma autónoma em relação às Nações Unidas e às forças de segurança timorenses, noticia a agência de informação australiana AAP.

Ao contrário dos agentes da polícia australiana que já estavam no terreno, os reforços não estão às ordens das Nações Unidas (ONU) em Timor-Leste.

Enquanto isso Portugal lava as mãos e apoia qualquer pedido para a resolução da crise timorense após consultas e em cooperação com a Austrália, revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Stephen Smith, no Parlamento, em Camberra, e fonte do gabinete do chefe da diplomacia portuguesa confirmou à Lusa.

Acordo Ortográfico da língua portuguesa? Claro que sim!

“A partir de Janeiro de 2008, Brasil, Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - terão a ortografia unificada.”

Assim começa uma, das seguramente para cima de meia dúzia de mensagens recebida por correio electrónico, que me desperta deste período ronceiro para tecer algumas considerações à polémica que o Acordo está a gerar aqui e principalmente no Brasil.
Antes, fica aqui um link para os distraídos: aqui mesmo.

Não tendo nada contra o português dos outros países da CPLP, e muito menos contra o de Portugal, nem galões para puxar como alguma aristocracia culta e de diversa plumagem que, opositora do Acordo abre a boca e logo ganha criadagem e vassalos entre as mentes jarretas, confesso que, ainda assim, tacanhamente, tive algumas dúvidas provocadoras de considerações sobre a autonomia da língua e a sua homogeneização porque, não diferimos só na grafia mas também no modo estrutural.
Entendo no entanto, porque posso, e contra os nacionalismos balofos, a emergência estratégica do acordo e reconheço a língua como um organismo vivo que se desenvolve e adapta, e se confirma pela existência de simplificações anteriores, se exemplos fossem necessários para justificar saltos evolutivos, depois, tenho em conta que cada país continuará com os seus particularismos linguísticos, só a escrita será igual nos casos acordado, como aliás, acontece com o francês, o espanhol ou o árabe e, nesse sentido, estou de acordo com o Acordo porque as mudanças pouco atrapalham ou não atrapalham quase nada, e muito menos afectam o deserto cultural da malta da bifana e do coirato (agora fazia o grande sacrifício com uma mini ou duas) e algumas são até interessantes, embora, muita coisa tenha de ser mudada; dicionários, prontuários, manuais escolares etc, etc.
Se não pensarmos nos custos com que, os nossos exímios comerciantes, com o habitual profissionalismo e como quem não quer a coisa tratarão de nos alisar mais o bolso, e retirarmos também a lamecha dimensão afectiva, será inevitável concluir, que as alterações contribuem para um valor mais alto que é a unificação, tendo o nacional objectivo de manter viva uma das línguas mais faladas no mundo, projectando-a internacionalmente.
Convencido que poderíamos até ter ido um pouco mais longe, para além dos ameaços, aqui não se consideram mais teorias, só o Acordo.

Timor-Leste

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
Folha de São Paulo - 4Julho2006

A crise política em Timor, para além de ter colhido de surpresa a maior parte dos observadores, provoca algumas perplexidades e exige, por isso, uma análise menos trivial do que aquela que tem vindo a ser veiculada pela comunicação social internacional. Como é que um país, que ainda no final do ano passado teve eleições municipais, consideradas por todos os observadores internacionais como livres, pacíficas e justas, pode estar mergulhado numa crise de governabilidade? Como é que um país, que há três meses foi objecto de um elogioso relatório do Banco Mundial, que considerou um êxito a política económica do Governo, pode agora ser visto por alguns como um Estado falhado?

À medida que se aprofunda a crise em Timor Leste, os factores que a provocaram vão-se tornando mais evidentes. A interferência da Austrália na fabricação da crise está agora bem documentada e vem desde há vários anos. Documentos de política estratégica australiana de 2002 revelam a importância de Timor Leste para a consolidação da posição regional da Austrália e a determinação deste país em salvaguardar a todo o custo os seus interesses. Os interesses são económicos (as reservas de petróleo e gás natural estão calculadas em trinta mil milhões de dólares) e geo-militares (controlar rotas marítimas de águas profundas e travar a emergência do rival regional: a China). Desde o início da sua governação, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, um político lúcido, nacionalista mas não populista, centrou a sua política na defesa dos interesses de Timor, assumindo que eles não coincidiam necessariamente com os da Austrália. Isso ficou claro desde logo nas negociações sobre a partilha dos recursos do petróleo em que Alkatiri lutou por uma maior autonomia de Timor e uma mais equitativa partilha dos benefícios. O petróleo e o gás natural têm sido a desgraça dos países pobres (que o digam a Bolívia, o Iraque, a Nigéria ou Angola).

E o David timorense ousou resistir ao Golias australiano, subindo de 20% para 50% a parte que caberia a Timor dos rendimentos dos recursos naturais existentes, procurando transformar e comercializar o gás natural a partir de Timor e não da Austrália, concedendo direitos de exploração a uma empresa chinesa nos campos de petróleo e gás sob o controlo de Dili.
Por outro lado, Alkatiri resistiu às tácticas intimidatórias e ao unilateralismo que os australianos parecem ter aprendido em tempos recentes dos seus amigos norte-americanos. O Pacífico do Sul é hoje para a Austrália o que a América Latina tem sido para os EUA há quase duzentos anos. Ousou diversificar as suas relações internacionais, conferindo um lugar especial às relações com Portugal, o que foi considerado um acto hostil por parte da Austrália, e incluindo nelas o Brasil, Cuba, Malásia e China.

Por tudo isto, Alkatiri tornou-se um alvo a abater. O facto de se tratar de um governante legitimamente eleito fez com que tal não fosse possível sem destruir a jovem democracia timorense. É isso que está em curso.

Uma interferência externa nunca tem êxito sem aliados internos que ampliem o descontentamento e fomentem a desordem. Há uma pequena elite descontente, quiçá ressentida por não lhe ter sido dado acesso aos fundos do petróleo. Há a Igreja Católica que, depois de ter tido um papel meritório na luta pela independência, não hesitou em pôr os seus interesses acima dos interesses da jovem democracia timorense ao provocar a desestabilização política com as vigílias de 2005 apenas porque o governo decidiu tornar facultativo o ensino da religião nas escolas.
Toleram mal um primeiro-ministro muçulmano, mesmo laico e muito moderado, porque o ecumenismo é só para celebrar nas encíclicas.

E há, obviamente, Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz, um político de ambições desmedidas, totalmente alinhado com a Austrália e os EUA e que, por essa razão, sabe não ter hoje o apoio do resto da região para a sua candidatura a Secretário-Geral da ONU. Foi ele o responsável pela passividade chocante da CPLP (Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa) nesta crise. A tragédia de Ramos Horta é que nunca será um governante eleito pelo povo, pelos menos enquanto não afastar totalmente Mari Alkatiri. Para isso, é preciso transformar o conflito político num conflito jurídico, convertendo eventuais erros políticos em crimes e contar com o zelo de um Procurador-Geral para produzir a acusação. Daí que as organizações de direitos humanos, que tão alto ergueram a voz em defesa da democracia de Timor, tenham agora uma missão muito concreta a cumprir: conseguir bons advogados para Mari Alkatiri e financiar as despesas com a sua defesa.

E que dizer de Xanana Gusmão? Foi um bom guerrilheiro e é um mau presidente. Cada século não produz mais que um Nelson Mandela. Ao ameaçar renunciar, criou um cenário de golpe de Estado constitucional, um atentado directo à democracia por que tanto lutou. Um homem doente e mal aconselhado, corre o risco de hipotecar o crédito que ainda tem junto do povo para abrir caminho a um processo que acabará por destruí-lo.

Timor não é o Haiti dos australianos, mas, se o vier a ser, a culpa não será dos timorenses. Uma coisa parece certa, Timor é a primeira vítima da nova guerra-fria, apenas emergente, entre os EUA e a China. O sofrimento vai continuar.