Mostrar mensagens com a etiqueta GNR. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta GNR. Mostrar todas as mensagens

A Importância da GNR em Timor-Leste

O objectivo imediato dos australianos, é derrubar Francisco Lu’olo e Mari Alkatiri, que são os principais líderes nacionais reafirmados em Congresso da FRETILIN, realizado entre 17 e 20 de Maio e, foi após esta reafirmação de Presidente e Secretário-Geral com 97% dos votos, que dias depois a situação se agravou, com a Austrália a pressionar e a oferecer militares que já estavam preparados, evidenciando um apurado e muito a propósito, espírito vidente.

Mas quais os motivos que estão por detrás de tudo isto?
Serão os que alguma imprensa se presta a passar, como sendo um conflito de origem étnica entre os loromonu (naturais dos dez distritos ocidentais de Timor-Leste) e os lorosae ( naturais dos três distritos orientais), que estarão na origem da deserção de 600 militares, ou será simplesmente o petróleo no mar de Timor?

Vejamos:
Sabemos que a italiana ENI, ganhou o concurso internacional de exploração, que terminou a 19 de Abril, de cinco dos seis blocos para exploração petrolífera no mar de Timor-Leste, tendo a sexta sido ganha pela indiana Reliance Industries e tendo os resultados da comissão de avaliação sido ratificados pelo primeiro-ministro Mari Alkatiri. Perante estes dados, não restava outra solução à Austrália que derrubá-los. E numa tentativa aventureira e golpista criar uma crise para que as coisas não evoluam no sentido que o processo de avaliação indica, já que, Alkatiri está de pedra e cal como Secretário-Geral do Partido do Governo.

Em todo este processo e devido à fragilidade da democracia timorense, estou convencido que Alkatiri, não teve visão estratégica e cometeu um erro político, porque interessaria o investimento diversificado pela Austrália, Indonésia, Malásia, China e Portugal entre outros, proporcionando assim, os meios para o reforço das relações bilaterais através do volume de negócios com esses países. Assim não foi e o resultado está à vista.

Acontece, que a GNR, está presente com a intenção de ajudar os timorenses, os timorenses sabem-no e por isso os diferenciam dos australianos depositando neles e a meu ver bem, as suas esperanças, o que, não é muito bem visto por estes, que correm o risco, devido à esperada eficiência da GNR, verem esvaziada a necessidade da sua permanência em Díli e portanto do centro de decisões. Por isso, não é de estranhar o primeiro diferendo entre a GNR e as tropas australianas, resolvido para já, com um acordo técnico conforme comunicado de Ramos Horta que define no imediato como zona exclusiva de operações da GNR, a zona da ponte e ribeira de Cômoro, a mais problemática de Díli.

Não compreendo são as declarações de Ramos Horta hoje à RTP, manifestando-se disponível para substitui Alkatiri se tiver o apoio da FRETILIN, sabendo que o partido do governo nunca lhe dará apoio, visto ele não ser militante e sabendo também que o presidente da FRETILIN, já afirmou, que eleições só no primeiro semestre de 2007, como está determinado.
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
MINISTÉRIO DA DEFESA
E
MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E COOPERAÇÃO

08 Junho 2006 Para difusão imediata

COMUNICADO DO MINISTRO RAMOS-HORTA

Em virtude de alguma contínua deturpação veículada em certa imprensa sobre o papel e missão da GNR em Timor-Leste, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e Ministro da Defesa, Dr José Ramos-Horta, disse:

“Nunca esteve em causa o acordo celebrado entre Timor-Leste e Portugal ou entre Timor-Leste e Austrália e Nova Zelândia. Timor-Leste ainda não tem qualquer acordo formal com a Malásia mas as autoridades Malasianas e o Comandante do contingente daquele país decidiram de imediato aceitar a cooperação no plano operacional com as outras duas forças, Australiana e Neo Zelandesa.

“Em momento algum as partes Australiana, Neo Zelandesa ou Malasiana questionaram a autonomia operacional de cada força. Desde o início que o Brigadeiro-General Mick Slater, comandante das forças Australianas, afirmou que cada uma das forças convidadas pelo governo de Timor-Leste para ajudar a restabelecer ordem e segurança internas mantêm e manterão sempre a sua autonomia operacional.

“O que foi acordado hoje numa reunião presidida por mim e com a presença dos Embaixadores e Comandantes das quatro forças incluindo GNR, foi:

o objectivo a longo prazo (e aqui a longo prazo significa dias ou semanas) é que a GNR opera como uma força de intervenção táctica em toda a cidade de Díli; de imediato, respondendo a um apelo feito pelo Presidente da República e Governo Timorenses, a GNR operará numa zona exclusiva de operações que cobre a zona da ponte e ribeira de Comoro;Para maximizar a capacidade de intervenção de cada uma das quatro forças e evitarem-se incidentes, haverá de imediato um processo de conhecimento mútuo no plano táctico-operacional entre as quarto forças.

“Agradeço a todos os envolvidos nestas discussões – Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal – a sua solidariedade e determinação em assegurar ordem e segurança para o povo Timorense acima de tudo o mais.”

Continuando a falar de Timor-Leste (Loro Sae)

Palmas para António Costa ministro da Administração Interna, por ter anunciado hoje no Porto, que a totalidade dos 120 homens da GNR que vão em missão para Timor, deverão chegar até ao final desta semana ao terreno de operações e não dia 23 Junho como estava inicialmente previsto e não entendia.
Só não percebi, a questão de se estar a negociar com os operadores o transporte das tropas e equipamento. Sempre pensei que os aviões da Força Aérea serviam exactamente para isso, mas admito que neste particular, algo me esteja a escapar.

Admitindo o meu desconhecimento sobre esta questão de operacionalidade logística, dou palmas, porque finalmente o ministro abriu os olhos, ou alguém lhos abriu, já que e segundo a ministra de Estado, Ana Pessoa, as forças australianas no terreno não actuam e a situação piorou desde que eles entraram. “As tropas australianas apenas patrulham as estradas, e, quando entram nos bairros, assistem impávidos e serenos aos saques”.

Também e segundo as agências noticiosas, uma fonte anónima do governo de Díli, declarou que “bandos armados de catanas, espadas, arcos e flechas e também armas de fogo, atacam pessoas em frente às tropas australianas sem que estas reajam, limitando-se a assistir a toda esta violência”. Porque será? Bem... os populares nas ruas repetem as mesmas críticas “Os australianos só estão a ajudar os criminosos”.

E já agora mais uma interrogação; porque será que a ONU, pediu a Portugal que sejam os seus homens a garantir a segurança do seu chefe de missão, o que irá ser feito por dois elementos do Grupo de Operações Especiais da PSP?

E ainda outra interrogação; porque será que os australianos vão aumentar as forças no terreno de 1300 homens para 1800, sendo este número superior ao que enviaram para o teatro de operações no Iraque? E já agora uma última interrogação; porque será que os australianos pediram apoio logístico aos EUA?

Bem... as repostas a tantas interrogações, estão no que tenho vindo a dizer, ou seja, o “pessimismo” com que vejo as reais intenções dos australianos.

Timor-Leste (Loro Sae). Desenvolvimentos.

Ontem dia 26 segundo o Diário de Noticias de hoje e tal como temíamos, a Austrália resolveu mostrar as garras e assumir a liderança e o comando das forças internacionais, contrariando as garantias dadas por Lisboa, quanto à autonomia da GNR, que supostamente iria restabelecer a ordem na capital timorense, tarefa que agora, será partilhada com Camberra.

No pedido de ajuda em que Dili solicitava a intervenção de Portugal, Malásia, Austrália e Nova Zelândia, as missões estavam definidas e até os locais de intervenção para cada país.

Bem... tudo isso passou. Os matreiros australianos chegaram e resolveram assumir o controlo de tudo como já esperava. Facto, só possível, devido à nossa lenta e titubeante intervenção, como então disse.

Atentemos agora, nas declarações também do mesmo dia do governante australiano John Howard à rádio australiana ABC, segundo o Diário Digital:
“Há um problema significativo de governação em Timor-leste, não vale a pena andarmos a enganar-nos. O país não tem sido bem governado e espero que a experiência, para os que estão em cargos eleitos, de terem necessidade de pedir ajuda do exterior, induza o comportamento apropriado no país”.

Freitas do Amaral, confrontado com estas declarações, reagiu: «Considero uma ingerência nos assuntos internos de Timor-Leste e, pela nossa parte, discordamos desse tipo de declarações por parte de países estrangeiros».

Pois claro. Discordamos. Mas agora, só resta a esperança de que o enviado especial da ONU, Ian Martin, que chega a Díli na segunda-feira, leve na mala a vontade de assumir por parte dos “capacetes azuis” a coordenação dos militares e polícias internacionais no terreno.

Para Loro Sae, as palavras do poeta.

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre.