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Eu votei Sócrates…


…e vou ter de viver com essa mágoa para o resto da vida porque sou um quadrúpede que não aprende, o que, me faz sentir culpado pelo estado policial que este nos trouxe, culpado do fundamentalismo corporativista que faz renascer a vocação para a bufaria dos vigilantes da lei e das virtudes, culpado da onda proibicionista e repressiva que varre os direitos individuais para épocas de bufaria pidesca, culpado pelo desprezo com que este estado economicista e taxativo, mina virulentamente a saúde e a educação, culpado do estado ter abandonado as suas funções sociais e arbitrais nas relações de poder desiguais, culpado deste estado omnipresente, culpado, enfim, de tantas e diversas imposições, proibições e obrigações que, peço desculpa por ter votado num tirano que a cada medida vai deixando cair a máscara das deficiências mal emendadas, incapaz que é, de tolerar ou refutar intelectualmente opiniões contrárias preferindo proibi-las. Enquanto nós, bastardos, conhecendo a coisa mas não a compreendendo, lá vamos bebendo chá e comendo bolinhos, em exercício simpático e masoquista por cada cedência que nos promete a subida do Evereste, aceitando de braços cruzados o assalto da besta ao bem estar e à liberdade.

O debate que alguns ansiavam fosse um combate de wrestling.

O debate Sócrates vs. Santana tão anunciado pelos media, até poderia ter acontecido não fosse a inabilidade e vacuidade política deste que, mesmo contrariado pela evidência dos factos ainda se julga um tribuno imbatível, mostrando desconhecer que a pose só tem utilidade quando facilita a transmissão. Mais uma vez levado pela obsessão de lavar a imagem, tentou sozinho levar a cabo a tarefa que, consistia em destruir todos os dados percentuais que o governo avançava por inquinação da fonte onde bebiam. Tal empreitada não resultou nem podia resultar, por não ser acção concertada com os seus pares de bancada e, para mal dele, eu sei, protagonizada por discurso desconexo, baralhado, sem conteúdo e no domínio da polémica propriamente dita quando, se exigia, fosse construída no campo argumentativo, mas isso seria pedir-lhe imensamente muito. Assim, o duelo que alguns queriam fosse ao sol, para além de não ter passado de um grande flop, ainda produziu material para a divina comédia nacional.

Gostei da intervenção da Ana Drago. Excelente estratégia e uma forma inteligente de colocar preocupações que são voz corrente.