Aborto já! Ou referendo?

– Ó Sr. Ferreira, estou muito zangada consigo.
– Então Alzirinha…, e porquê?
– Porque o Sr. lá no seu blog fala de tudo, tem opinião sobre tudo, mas ainda não escreveu nada sobre o aborto, e assim não, o Sr. ás vezes até fala de coisas que não têm interesse nenhum, e do aborto que devia falar, nada, nem uma palavrinha.
– Ó Alzirinha, não deves ter estado com atenção! Não sei a quem te referes, mas olha que já falei dos candidatos todos.
– Não é isso Sr. Ferreira, eu estou a falar do aborto mesmo, da interrupção voluntária da gravidez.
– Ah bom… tens razão, ainda não falei não senhora, mas tu sabes que eu sou a favor, não sabes?
– Sei agora, mas olhe que não sabia se não tivesse vindo aqui falar consigo. E então ó Sr. Ferreira, não acha que o Sócrates está outra vez a meter os pés pelas mãos?
– Só em parte Alzirinha, no que diz respeito a querer referendar a lei, não acho.
– Francamente ó Sr. Ferreira, então não vê que o homem mais uma vez fez tudo errado? Agora até parece que são todos a favor e ele é o único que anda a engonhar. Afinal ó Sr. Ferreira, porque é que acha, que o Sócrates faz bem em não levar ao parlamento esta legislação obsoleta e medieval?
– Olha Alzirinha, eu votei no Sócrates – já estou arrependido, mas votei – e no programa dele, estava lá bem escarrapachado o novo referendo, e sempre que o inquiriam sobre isso ele sempre explicou que, ética e democraticamente um referendo só deve ser alterado por outro referendo, e eu concordei na altura e concordo agora.
– Mas ó Sr. Ferreira, o Sr. não está a ver que assim nunca mais temos a lei do aborto aprovada! Até os italianos que têm o Vaticano dentro de casa resolveram o problema, e nós, agora que temos a maioria na assembleia, andamos a desperdiçar esta oportunidade que é transversal a toda a sociedade e que por falta dela, todos os anos duas mil mulheres vão a Espanha fazer os abortos que cá não são permitidos.
– Queres tu dizer, que os meios justificam os fins. Olha que essa é uma via de dois sentidos na qual não vislumbro nem ética nem direito ao pluralismo de ideias.
– Ó Sr. Ferreira, mas o Sr. não vê que esta lei é tremendamente injusta para as mulheres, é uma lei hipócrita e que devia ser alterada fosse como fosse?
– Que é injusta e hipócrita e que deve ser alterada não tenho dúvidas, parece-me até evidente ser um fundamentalismo de catecismo, agora não entro é nessa de alterar de qualquer maneira, acho que a politica tem de ser séria, a ética tem de estar sempre presente, nós podemos não concordar, mas os defensores do não têm as suas razões, e em democracia é assim, temos de respeitar a opinião dos outros. O mal foi a lei ter sido referendada em 98 e ter perdido. O mal foi só terem ido votar trinta por cento dos eleitores. Agora terá de o ser de novo, e nos termos anteriormente submetidos ao voto popular.
– Já vi que o Sr. Ferreira não sai dessa, mas eu continuo a pensar que devia ser votada de uma vez por todas no parlamento, e calar logo essa canalha hipócrita que andam para aí armados em grandes moralistas, que se formos a ver bem, as mulheres deles devem fazer parte das duas mil que todos os anos têm condições económicas para ir a Espanha abortar e depois querem armar-se em moralistas aqui no burgo.
– Está bem Alzirinha, provavelmente até tens razão, mas eu continuo a pensar que as ideias terão de ser sempre um fim e não um meio, nunca deverão ser o objecto mas sim o sujeito da dignidade das nossas acções. Sabes, como povo temos uma capacidade infinita para varrer o lixo para debaixo da alcatifa, demitirmo-nos das nossas responsabilidades em lugar de as enfrentar. Queremos é ficar de consciência tranquila.
– Está bem Sr. Ferreira, fique lá o Sr. com a sua, que eu fico com a minha.
Acontece que eu não acho que o aborto seja uma questão moral, mas sim social e de saúde pública.
Até amanhã e desculpe lá o tempo que lhe roubei.
– Não roubaste nada Alzirinha, eu dei-to, até amanhã.
Hmmmmm!... Mas que raio, ás vezes ainda fico com dúvidas daquilo que penso, bolas! …

O Manifesto II

Não queria falar do manifesto de Cavaco Silva, creio que já disse tudo o que tinha a dizer sobre o homem em posts anteriores, mas devido à dificuldade que tive em entender este manifesto, vou ter de falar mais uma vez, que espero e quero seja a última.

A dificuldade a que me refiro, advém do facto de este manifesto mais parecer um programa de governo que de um candidato à Presidência da República.

Depois, o homem diz querer ser cooperante com o governo, mas também me pareceu querer ser ele próprio o chefe do governo.

(Aqueles que arquearam a sobrancelha num gesto interrogativo, vão ler o programa e logo vêm. Podem encontrá-lo aqui em pdf.)

A dificuldade aumentou quando tentei identificar a área politica onde posicionar este manifesto, já que me pareceu mais um programa socialista do que neo-liberal como esperava, e isto porque vários trechos do manifesto pareciam retirados do programa do governo, principalmente o programa económico.

A estratégia parece-me montada: O distanciamento da direita liberal foi evidente, mas a intenção também o é.

Concluo, que finalmente percebi o refrão de uma cançoneta portuguesa que a minha Mãe trauteava, e que era assim:

A mim não me enganas tu, a panela ao lume, mas o arroz está cru.

Privilégios dos Magistrados

– Bom dia ó Ferreira! Então que me dizes desta greve dos magistrados?
– Sou contra, como é evidente.
– Mas olha que eles estão a fazer uma barulheira danada!
– Já se estava à espera. Ninguém gosta de perder privilégios, e os deles vou-te contar...
– Mas são assim tantos?
– Vou-te só dar um exemplo ó ZéManel: sabias que os Srs. Juízes recebem 700 Euros mensais de subsídio de renda de casa?
– Já tinha ouvido dizer qualquer coisa.
– E sabias que se houver dois magistrados, um casal, recebem 1400 Euros, mesmo que habitem em casa própria, comprada ou herdada?
– Essa não sabia.
– E sabias que as reformas dos magistrados aposentados ou jubilados, incorporam esse subsídio?
– O subsídio da renda de casa conta para a reforma?
– Conta, conta, e mais, esse subsídio está isento de IRS, é portanto limpinho.
– Ó Ferreira, mas quem é que fez isso? Alguém aprovou!
– Claro que sim, faz parte de um acórdão do STA, o mesmo que dizer, dos magistrados. E como já te disse não entra nos descontos do IRS, mas entra nas reformas.
– Ó Ferreira, eu cá não me importava nada de ter esse subsidiozito.
– Acho que ninguém se importava de ter esse privilégio, esse e outros que os gajos têm.
– Pois é, a malta é que não sabia destas coisas.
– Olha, já agora dou-te outro exemplo: Sabias que os magistrados do Supremo Tribunal Administrativo, do Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional que morem fora de Lisboa ou Grande Lisboa recebem também ajudas de custo por cada dia de sessão nos respectivos tribunais?
– Mas isso também os membros do Governo recebem.
– Pois recebem, acontece é que os magistrados têm viagens totalmente gratuitas em todos os transportes públicos terrestres e fluviais, incluindo os comboios Alfa.
– Ah! Mas assim é incompreensível.
– Pois é ZéManel, por isso é que eu estou contra. Custa muito perder privilégios, mas ele há privilégios tão incompreensíveis que não lembram a ninguém.
– Ó Ferreira, mas como é que tu sabes essas merdas todas?
– Porque leio pá, e se tu lesses os artigos do António Marinho no Expresso, também sabias.

O Manifesto.

– Sente-se, sente-se Sr. António, então como vai ser?
– O Costume!
– Muito bem.
...cinco minutos depois.
– Então Ferreira, que me diz?
– Do quê?
– Do Soares, homem de Deus!
– Que é que quer que lhe diga?
– Bolas que você hoje está a fazer-se esquerdo. Gostou ou não gostou?
– Eu bem me parecia ao que você tinha vindo, mas olhe que não tem razões para estar aí de peito inchado.
– Então não?
– Não?
– Então diga lá homem, desembuche!
– Que é que quer que lhe diga? O homem está velho e nós não devemos dizer mal dos velhinhos.
– Quer o Ferreira dizer, que o manifesto não presta?
– Não senhor, nada disso. O manifesto é bom, está bem escrito, foi só mal lido é o que foi.
– De facto ele enganou-se algumas vezes, mas o que interessa é o que está no manifesto. Ó Ferreira, viu quando o homem se atirou aos jornalistas? Um autêntico animal político, não há como ele.
– Vi sim senhor, até vi que para responder a duas perguntas do Jornal público, tiveram que lhas fazer quatro vezes.
– Quatro, como assim?
– Então: primeiro por insistência dele, em vez de duas perguntas numa, a miúda fez as duas, depois o gajo perguntou qual era a primeira, a seguir à resposta da primeira, perguntou qual era a segunda e a meio da resposta, voltou a perguntar dizendo que não tinha percebido. Contou Sr. António?
– No que você repara..., mas tirando essas pequenas coisas foi impecável.
– Lá isso foi, tirando isso e mais umas pequeninas coisas.
– Então?
– Olhe, não percebi aquela do Supremo Tribunal Constitucional.
– Então? O homem concerteza que juntar o Tribunal Constitucional e o Supremo Tribunal da Justiça, que esses gajos não querem é fazer nenhum.
– Concerteza quer, mas não lhe parece que isso é Bushismo à portuguesa?
– Bolas homem, lá está você com essas coisas da estranja só para me desarmar.
– Pronto, pronto Sr. António, já está. Quer que passe por água?
– Não, quero é ir-me embora. Quanto é que lhe devo?
– É só o cortezinho simples. Próximo!

O Sindicato dos Putos

Vai ser criado um Sindicato das Crianças, onde grupo de pessoas irão assumir a voz destas. A ideia é representar um grupo de pessoas que são alvos de várias medidas, mas que nunca têm ninguém que as represente.

TSF Online.

O H5N1, em Diálogo.

– Olha que é ele… o Ferreira! Não me digas que andas nos arranjos lá em casa.
– Nada disso. O que eu queria era falar contigo.
– Espera aí um bocadinho. Pronto Senhor António, aqui tem os parafusinhos, dê lá cumprimentos à D. Isaura, e as melhoras, adeus. Espere aí que eu abro a porta, adeusinho, até amanhã.
– Pronto ó Ferreira, diz lá.
– Ó Zé Manel, já ouviste falar da gripe aviária?
– Não ouço eu outra coisa pá, então não sabes que o meu cunhado vende pintos nas feiras? O gajo não se cala. Querem proibir a venda e aquilo é o ganha-pão da família, não sei como vai ser?
– Escuta…, não sei se é verdade, mas ouvi dizer que uns Gansos Patolas e umas Gaivotas apareceram mortas em Peniche?
– Ó Ferreira, os únicos de que ouvi falar, foi do tal papagaio em Inglaterra e de um pato na Suécia, parece que falaram também de um Cisne, mas era lá para a Croácia ou o raio que parta.
– Pois…, mas parece que é verdade.
– Ó Ferreira, não vais também tu ficar alarmado, vais? Olha que o Sócrates já disse, que tinha comprado um porradão de vacinas.
– O Sócrates, o Sócrates, nem sei como é que vocês ainda acreditam nesse gajo?
– Ó Ferreira, com estas coisas não se brinca pá, é um caso de saúde pública.
– Pois não Zé Manel, mas aquela grande carola não pára. A vacina ainda não foi inventada, e o gajo já comprou um porradão delas.
– Não foi inventada?
– Pois não pá, o gajo confundiu o Tamiflu não-sei-das-quantas com a vacina, e aquilo não é vacina nenhuma, que eu ouvi um Médico na TVI, a dizer que aquilo só se toma depois de um gajo apanhar essa tal gripe.
– Deves estar no gozo, então o Primeiro-ministro ia dizer uma bacorada dessas.
– Não ia, já disse.
– É pá, e agora?
– Foi por isso que eu cá vim. Tu ainda andas com a Isaurinha da Farmácia?
– Ás vezes, já não é nada como era, mas porquê?
– Era para ver se ela me arranjava umas caixitas do tal Tamiflu. Dá-lhe lá uma palavrinha.
– Até calha bem, assim tenho uma desculpa para lá ir.
– Ok Zé Manel, depois bate-me ali no vidro. Até logo.
– Até logo ó Ferreira.

Conversas de Amigos

Há posts que os leitores se limitam a entrar e dizer boa-noite, outros são simplesmente informativos, e há os que proporcionam não raras vezes a discussão de ideias, por vezes até um pouco acaloradas. Esta conversa ficcionada que agora publico, foi provocada pela “discussão” que teve lugar nos comentários do post "A Candidatura Zero Ideias" do dia 21, aproveitei parte do que ali se disse, para montar esta conversa, que podia muito bem ser uma conversa de amigos.

Esclareço, que alterei partes do que se disse, pelo que este post não corresponde à troca de ideias que ali teve lugar. O post lá continua com os comentários que então foram feitos.

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– Ó Ferreira, afinal não percebeste nada!
– Percebi, percebi, não percebi foi no sentido que tu querias que eu percebesse.
– Não percebeste não! O homem só fez a apresentação da candidatura, não apresentou programa nenhum pôrra, percebeste agora?
– Pois foi Aniceto. Então quer dizer, e seguindo o teu raciocínio, que as apresentações são para mandar recados para o interior dos partidos e não para apresentar ideias? Se é assim, acho uma perda de tempo, parar um país inteiro à hora do jantar.
– Perda de tempo? Perda de tempo é este teu post pá, todo ele muito fraquinho, escreves uma série de linhas mas vai-se ver... não dizes nada, nem isto, nicles.
– Ó Aniceto pá, não digas isso, eu faço o que posso, mas só sai o que sei, é como no poema do Nemésio, aquele do Pilriteiro.
– Digo, digo, e digo mais: foi uma canalhice tua teres baseado o teu post em ofensas físicas para falares mal do gajo.
– Canalha? Canalhice? O que aí vai ó Aniceto, vê lá mas é se fazes um bocado de recuo, que me estás a provocar.
– Não recuo coisa nenhuma, o que está dito, está dito.
– Sendo assim, digo-te que eu só quis demonstrar, que o homem que quer ser nosso presidente e que portanto vai ter uma imagem pública aquém e além fronteiras, não pode espumar da boca. Fica feio, é desagradável para quem vê, percebes? Estás a ver o gajo a falar com a Rainha Sofia e ela a virar a cara para o lado enojada!?
– Percebo! Mas ó Ferreira, a competência não se mede pelo excesso de saliva.
– Claro que não, mas para isso era preciso que o homem fosse competente.
– Ok. Ferreira, podes não concordar com as ideias do homem, escusavas era de ser tão brejeiro.
– Brejeiro eu!? Quais ideias? Ó Aniceto, ainda estamos a falar do mesmo homem, não estamos?
– Claro que estamos, parece que o sol te fez mal.
– Bem, Aniceto, a única ideia que ele deixou, é que não faz ideia nenhuma, tem talvez uma vaga ideia. Pelo menos foi o que percebi como resposta à pergunta do jornalista sobre a interrupção voluntária da gravidez.
– Está bem, até posso concordar que o discurso foi fraco, mas aguarda mais algum tempo para o homem apresentar o programa e depois logo falas.
– Ó Aniceto, estás-te a passar, até parece que eu tenho estado no estrangeiro e não conheço o homem. Ó pá, eu estive cá durante os dois mandatos do gajo, estava era à espera, que depois de tanto tempo a pensar, o gajo apresenta-se qualquer coisa, qualquer ideia nova, como o gajo está na mesma, fiquei desiludido.
– Lá estás tu, já que sabes tanto, porque não dás tu as ideias.
– Porque não sou candidato, essa é boa ó Aniceto. Quem se candidata é que tem de mostrar que tem ideias, para conquistar e ficar com o nosso voto.
– Tens razão, na verdade também não tens de ser tu a apresentar ideias.
– Pois.
– E o Sampaio ó Ferreira, votaste nele, achas que governou bem, achas? Eu cá não acho, porque não fazem o meu género as jogadas politicas.
– Mhhhh!... Deves estar a falar do Lopes, mas não te vou dar troco que isso não era uma conversa, eram logo duas. Olha, eu gostei do Sampaio, não com tudo o que ele fez, mas no somatório final dos dois mandatos, até acho que foi um bom presidente.
– Eu também acho que o Cavaco não é um herói salvador, não estou à espera que ele resolva tudo, pelo menos em dois tempos, mas olha: achei muito nobre, ele ter suspendido a sua filiação do partido, porque não nos devemos esquecer que o cargo de presidente devia ser apartidário.
– Pois devia, dizes bem, pois devia.
– Mas ó Ferreira, afinal, porque é que não gostas do homem?
– Porque tenho memória pá, e lembro-me que foi ele que conseguiu a efeméride de juntar as duas centrais sindicais numa greve, que foi ele, que conseguiu, que milhares de camionistas fechassem a fronteira de Vilar Formoso, que conseguiu que a classe médica estivesse em greve durante quatro dias, que foi ele, que fez aprovar a Lei de Bases que acabou com a reforma agrária, que provocou o buzinão na ponte, queria dar-nos cabo dos feriados, Já chega ou queres mais?
– Olha, vem ali a Isilda.
– Olá… então, andas por aqui a fazer tempo, ou à espera do namorado?
– Nem uma coisa, nem outra, estava ali a ouvir a conversa, porque vocês falam alto pra carago e olha que também não gosto do gajo, nem dele, nem do meu chefe, nem de me levantar cedo.
– E estás no teu direito, ou não estivéssemos numa democracia.
– Olha, eu até acho o Soares um senhor, mas não sei se será um bom presidente.
– Pois eu sei. Sei que também não será.
– Devia era haver sangue novo, estes gajos já cheiram a mofo e a naftalina.
– Eu acho que cheiram a mais, cheiram à merda que já fizeram, mas não sei... esta minha rinite alérgica ás vezes incomoda-me um bocado.
– Ó Ferreira, eu não posso obrigar ninguém a pensar como eu, mas também não admito que me queiram obrigar a mudar de opinião.
– Comigo estás descansada que estás muito bem assim, desde que não votes Cavaco.
– Nesse nem pensar! Bem, tenho de ir, até amanhã.
– Até amanhã Isilda! Vai pela esquerda, que na direita chove. Boa moça esta Isilda, não achas ó Aniceto? Olha este olha, onde vais tão apressado ó Raimundo?
– A lado nenhum, só agora é que ouvi de que tratava a vossa conversa.
– E então?
– Eu estou contigo. Mourinho para Presidente.
– É pá, isto é um ninho da esquerda, a Isilda até diz que o Soares é um senhor, só se for dos diamantes.
– Espera aí um bocadinho ó Aniceto, que já te atendo, não te vás embora. Ó Raimundo, essa coisa do Mourinho à presidência não me cheira lá muito bem, o homem sabe de futebol, lá isso sabe, é poliglota, é inteligente, dá nos cornos aos ingleses como ninguém, mas daí a presidente… Nã, o gajo é muito cagão, olha, só se fosse para presidente do nosso Sporting, com a massa que o gajo tem e com aquela carola para o futebol, estás a ver…
– Já vais?
– Melhor dizendo, já fui.
– Desculpa lá ó Aniceto, estavas a dizer o quê do Soares?
– Do Soares já disse, mas quem deve ter muito a dizer é o policia que é obrigado a estar 24 horas por dia à porta dele e nem uma cadeira tem para se sentar, já para não falar dos outros dois que ele mandou à merda. Mas não é disso que eu quero falar: eu já percebi que não gostas do Cavaco e eu não sou de todo de esquerda, mas respeito todas as ideias e acho que o debate é fundamental.
– Finalmente estamos a ficar esclarecidos
– Claro, porque eu acho que existe muita hipocrisia em torno da esquerda, para eles ideias diferentes ou são fascistas, ou são de asquerosos e perigosos capitalistas. É a assimetria deste país, admite-se com facilidade que existam partidos terroristas como o MRPP e depois as manifestações dos terroristas da Frente Nacional, são recebidas à pedrada, onde é que está a liberdade? Eu posso não gostar, mas respeito.
– Ó Aniceto, eu sou defensor do direito à opinião e do pluralismo de ideias, mas em relação ás ideologias extremistas, alto e pára o baile, que com esses não sou pôrra de democrata nenhum.
– Ok ó Ferreira, ainda havemos de acabar esta conversa, mas agora não dá para continuar porque estou com pressa. Está aí o Ricardo, fica à conversa com ele.
– Comigo? Eu acho que vocês já discutiram tudo.
– Vá lá Ricardo, não te acanhes, diz lá o que pensas.
– Então, sendo assim, cá vai: Eu acho que este governo precisa de rédeas urgentemente, está a estender-se como um polvo a todos os sectores da administração pública, altos cargos do Estado, Sector empresarial, enfim... um despotismo partidário que pouco esclarece os cidadãos e não raras vezes os confunde, merece um factor de equilíbrio, que neste momento apenas perspectivo num órgão de Estado como é o PR.
– Acho que tens razão, concordo contigo.
– Por isso acho que o Cavaco é acima de tudo um voto útil na e para a democracia e um não ao absolutismo burocrático-partidário que o PS a pouco e pouco instala no nosso país...
– Pronto, pronto Ricardo, ias tão bem e agora estragas-te tudo, lá vem outro com o Cavaco. Ó pá, eu já disse que não gosto do gajo.
– Mas porquê? Vá diz-me, que essa coisa do não gosto, não gosto e pronto, é para meninos.
– Já que insistes, e aqui que ninguém nos ouve, cá vai: Ricardo, eu tenho receio daquele homem, o Cavaco na minha opinião tem tiques Salazaristas, é um tecnocrata puro e sem ideologia, e gajos que como ele e à boa maneira portuga que dizem “a minha politica é o trabalho” e pouco dados a ter dúvidas e a enganarem-se, cheiram-me mal à distância. Depois é um homem arrogante nos modos, e ao contrário do Salazar, foi até um pouco promissor Ministro das Finanças no tempo do Sá Carneiro, lembras-te? Só foi líder do PSD en passant, revela sistematicamente não dar crédito aos partidos, que são a base da nossa democracia, quer se goste ou não, logo, não posso concordar que seja ele o nosso voto útil, mais, qualquer um que na segunda volta se perfile contra ele, esse sim, será voto útil, pelos motivos atrás invocados.
– Pôrra Ferreira, falas que te desunhas, fiquei até sem tempo para te responder. Tenho que ir ali à loja da Arlinda antes feche, noutra altura continuamos a conversa.
– Então apressa-te pá, que ela deve estar quase a fechar.
– Até amanhã.


Aqueles que como eu, estiverem interessados em saber mais sobre a arte de bem fotografar, encontram aqui no Viagens em terra alheia, algumas dicas que o Zedtee resolveu, e à borla, oferecer.

Sabedoria.

Começo a ficar preocupado. Acabei de ouvir o Jerónimo de Sousa, na generalidade, dizer na SIC-noticias algumas das coisas que eu disse de Cavaco Silva no anterior post.
Será que estou a falar como o Partido Comunista, ou aquilo que eu disse é pensamento corrente na esquerda portuguesa?

A Candidatura Zero Ideias

Finalmente! O Desejado, O Homem dos Tabus, falou. E o país descansou. Era o mesmo que já conhecíamos e que foi derrotado pelo Sampaio

Nervoso como sempre perante as câmaras, a preocupação latente com as partidas que a saliva lhe prega nos cantos da boca, a falta de fôlego para falar durante uns míseros 7-8 minutos e finalmente o Oásis do copo de água salvador.

Quem pensava que o retiro sebástico a que a figura se votou nos últimos tempos, trouxesse à liça ideias novas, deve ter ficado com um grandessíssimo melão.

O discurso que levou meses a preparar, era todo ele, um lugar comum, o mesmo que os portugueses fazem diariamente encostados no balcão de qualquer tasca, entre copos de três.

Ideias, nicles.

À noitinha na SIC-noticias, a roda de analistas políticos. Lá estava entre estes o Luís Delgado, na mesma…

Sporting – A Sucessão

Nada tenho contra o Paulo Bento, excepto ele ser benfiquista, o que não é pouco.
Sou, talvez por conhecer aquele puto - que se sentava a fazer os tpc no restaurante do pai, no qual eu era presença diária -, um seguidor da sua carreira.

Acompanhei a sua entrada no futebol profissional aos 19 anos, no Estrela da Amadora, vindo do Futebol Benfica que militava nos distritais, tendo como primeiro treinador profissional o João Alves de quem parece ser amigo até hoje.

Depois foi o Guimarães, o Benfica clube do seu coração, o Oviedo e finalmente o Sporting na época 2000/2001 de Lazslo Boloni, até à época 2003/2004 em que se despediu devido a ser pouco utilizado pelo Fernando Santos, tendo em boa hora, acabado por ficar no Sporting como treinador dos miúdos, e logo no primeiro ano sagra-se Campeão Nacional de Juniores.

Excelente pessoa, trabalhador, educado, inteligente, homem do futebol, e a quem os sócios e adeptos sportinguistas nada apontam de negativo desde que decidiu vestir profissionalmente a nossa camisola.
Excelente carreira como jogador e promissor inicio da carreira de treinador.

Mas tirar daqui a ilação, de que está preparado para treinar o futebol sénior do Sporting, é no mínimo uma inconsciência dos actuais dirigentes e uma amostra da capacidade de gestão de Filipe Soares Franco, e é, exactamente por isso, urgente anteciparmos as eleições para que apareçam listas de dirigentes com gente que não seja do reinado de Roquete & Cia.

Esta artimanha da sucessão, já usada com Dias da Cunha não nos convence mais, pelo menos aos pluralistas. A monarquia vigente que nos últimos anos tomou conta do destino do meu clube está acabada e é altura de encerrar o ciclo.
Estamos fartos de ver os poucos dirigentes que percebem de futebol, afastarem-se destas direcções, estamos fartos de em nome das finanças do clube, vermos os nossos jovens jogadores vendidos apressadamente para mais tarde serem contratados pelos nossos rivais.
É tempo de por um ponto final nisto.
Queremos que o Bettencourt avance! Queremos que o Ribeiro Telles avance!
Enfim, queremos que aqueles que gostam de futebol e do Sporting, e que já mostraram capacidade de gestão no futebol, avancem para a direcção do meu clube.

Nós, os sócios descontentes deste nosso, e grande Sporting, certamente estaremos lá com os nossos votos, para os apoiar.

Lendo o Correio II


A redacção que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de pessoal na Volkswagen.
A pessoa foi aceite e o seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade.

Eu limitei-me a corrigir algum português, e aqui fica tal como me chegou ao correio pela mão do amigo Aníbal de Sousa:


Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.

Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.

Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.

Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.

Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada.

Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.

Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.

Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir meus lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.

Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.

Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um"para sempre" pela metade.

Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.

Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...

Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"

Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência.... "Experiência... " Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"

Lendo o Correio I

Esta é uma redacção feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco - Recife) e que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.


"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco à tona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: óptimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a movimentar-se: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois géneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objecto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular: ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício.Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjectivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois olharam-se, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.

Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objectos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

O Malucos da minha Cidade

Aqui à uns anos na zona de Alvalade em Lisboa, mesmo no fim da Av. de Roma, existia o Hospital Júlio de Matos, – parece que ainda existe, mas agora é um Hospital mais abrangente nas especialidades – apelidado por nós de Hospital dos Malucos, e lembro-me hoje à distância, com saudades talvez um pouco mórbidas, de que alguns dos seus hóspedes, os “pacíficos”, andavam pelas imediações a cravar moedas, que, salvo raras excepções do copito de tinto, se destinavam quase todas a ser gastas em café, segundo se constava com o fim de neutralizar as doses de medicamentos que estes eram obrigados a ingerir no Hospital.

As histórias engraçadas que estes protagonizavam, corriam de boca em boca e eram invariavelmente motivo de incontidas gargalhadas. Eu pessoalmente lembro-me de algumas que hoje ao recordá-las ainda me fazem sorrir, e algumas que eu presenciei, não serão nunca esquecidas, como aquela, daquele maduro, que mesmo em frente à empresa onde eu trabalhava, e na altura de chuvas, aproveitava as poças de água proporcionadas pelo afundamento dos nossos passeios de calçada portuguesa, para se lavar por baixo, independentemente de quem passava, baixava as calças e tchap, tchap, tchap, já está. Calças acima e lá ia ele. Ou daquele outro, que passeava Av. da Igreja abaixo e acima, ali em frente ao Nova Lisboa, e que de repente embicava direito a algum incauto menos prevenido e lhe pregava um valente estalo, ou aquela, que numa linda manhã de sol, parou todo o trânsito na segunda circular, teimando em passear de um lado para o outro naquela via rápida, vestida só com uma malinha de mão e um chapéu de palha.

Mas não pensem que era só naquela zona que coisas destas aconteciam, desde que me lembro, se contam histórias dos malucos da nossa da nossa cidade e cada uma mais engraçada que outra. Ontem, ao folhear um livro do António Alçada Baptista, deparei-me com estas duas histórias, que, de tão bem contadas aqui transcrevo, para que as apreciem com o mesmo gozo com que eu as apreciei.

O Primo de Rivera

Uma vez, aí pelas seis da tarde, hora em que o Chiado pululava de gente, entrei na Brasileira e estava o Pedra e um tipo numa mesa. Mal me viu chamou-me, mandou-me sentar e apresentou-me o companheiro:
- António, conheces aqui o meu amigo Maurício?
- Muito prazer, disse eu estendendo-lhe a mão.
- Agora diz com franqueza: não é igual ao primo de Rivera?
Eu, o que havia de dizer: - De facto, dá uns ares...
- E é aqui sentado. Agora havias de o ver marchar.
Voltou-se para o Maurício e disse-lhe:
- Ó Maurício tem paciência, dá só ali uma volta à estátua do Chiado.
O Maurício levantou-se, aprumou-se e, entre aquela gente toda, marchou impecável da Brasileira à estátua deu a volta e regressou. Sentou-se à nossa mesa e o Pedra, para mim:
- Então, não é igual ao Primo de Rivera?

Outra não menos engraçada.

O Miraculado

[...] Quando voltava vi à porta da Brasileira, o Pedra e mais duas pessoas. Antes de atravessar a rua, estava em frente ao Ramiro Leão e ele, quando me viu, esfrega as mãos e diz-me satisfeito:
- Tem sido um sábado...
Cheguei ao pé deles. Um era o Maurício Primo de Rivera e o outro era um advogado, já de certa idade, que me apresentou:
- Conheces aqui o Dr. Alípio?
E eu: - Não. Muito prazer.
Continua o Pedra:
- Aqui onde o vez, miraculado. Ó Doutor, conte-lhe lá o milagre.
Ele não se fez rogado:
- O Colega não soube? Uma vez, estava na Praia de Santa Cruz com o Adelino Palma Carlos. Veio uma onda e levou-me. O Adelino, que queria que eu saísse do redemoinho, berrou-me: - Ó Alípio, faz-te ao mar! Nisto, apareceu-me Nosso Senhor Jesus Cristo...
O Pedra interrompeu: - Em fato de banho?
- Não homem, em vestes sagradas!
Continuou a história: - Depois, Nosso Senhor disse-me: - Ó Alípio faz-te à terra! Eu então fiz-me à terra e salvei-me.

Gestão

Gerar recursos

Ao seguirem o que acreditam ser ordens de topo, muitos tendem a concentrar-se em trabalhar dentro das restrições orçamentais e de recursos – interiorizando a ideia de que “não se pode fazer”.Já os gestores eficazes desenvolvem estratégias inventivas para ultrapassar limitações reais ou imaginadas. Traçam formas para contornar as restrições ao desenvolverem e agirem de acordo com estratégias de longo prazo, ao fazerem trade-offs e quebrar ocasionalmente regras para atingirem os seus objectivos.

Gerir as exigências

A maioria dos gestores sente-se esmagada pelas exigências. Pensam que os negócios não se fazem sem eles, permitindo que as exigências reais ou imaginadas do trabalho diário toldem o seu discernimento.Os gestores eficazes controlam as suas tarefas e as expectativas dos principais stakeholders de forma proactiva, o que lhes permite atingir objectivos estratégicos em vez de terem de apagar fogos.
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Extractos da Economia Pura.

Presunção e água benta…

Morais Sarmento, depois da não concordância e critica veemente da dissolução do Governo PSD/PP de que fazia parte, vem agora, com a arrogância e presunção que se lhe conhece, convencido já da vitória de Cavaco Silva, cozinhar a vingança.

Em entrevista (que pode ler na integra aqui) a André Macedo e Miguel Pacheco do Diário Económico, diz que não lhe basta um Presidente decorativo, exige que ele dissolva o Governo se o primeiro-ministro se desviar das balizas impostas por Belém, defendendo um sistema em que o Presidente assume quase tanto protagonismo como o primeiro-ministro.

Defende um programa presidencial que se sobreponha à acção do governo, balizando-o. Propõe que o mandato presidencial passe de 5 para 10 anos, legitimado já nas próximas eleições presidenciais, e defende a actuação da dissolução imediata do governo, no caso deste não cumprir com as referências predeterminadas.

É caso para dizer: Quem mas faz paga-mas que a politica é a arte do possível, e é caso para pedir ao Sr. Morais Sarmento que tenha contenção, que não transforme a politica numa conversa de mesa de café entre bagaços e chalaças.

A aristocracia de comportamentos

Uma aristocracia de comportamentos, com padrões de referência de valores ético-politicos e deontológicos.
Assim se pode definir a democracia, e estes são valores intrínsecos.

Quem me conhece, sabe que sempre me identifiquei com a esquerda politica, mas também sabe, que não renego o elogio a quem o merece, esteja em que área politica estiver.

Por isso, Marques Mendes ao tomar a atitude de afastar os candidatos, Isaltino e Valentim, é merecedor do elogio de quem acompanha com apreensão a degradação do panorama político português.
Executou um dos nobres valores da democracia: A ética politica. Passando do mero discurso retórico à prática, com grande coragem diga-se.
Assim se dignifica a politica.

Parabéns por isso.