Florbela Espanca




Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Ser poeta!

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

8 comentários:

Valkye disse...

Ah.. amo a delicada e sutil forma de Florbela escrever.
Poemas lindos.

Anónimo disse...

Florbela Espanca bom para a alma =]

[s]s

Ana disse...

Mais palavras para quê?! São dos meus poemas favoritos....fico sempre a pensar na grandeza do espírito que escreve sentimentos assim...Ela tinha essa grandeza!

Nina disse...

Aaaamooo demais essa mulher, você nem sabe o quanto!
Incrível uma mulher carregar ao mesmo tempo tanta dor e beleza na alma, né?
=]
Arrasou, PiresF...

Eremita Baptista disse...

boa escolha...genial poetisa...abraços.

Rui Martins disse...

Florbela e Pessoa, cada qual na sua própria maneira de ser, são sem duvida os dois maiores poetas portugueses de sempre.

à boleia disse...

que bela homenagem... Obrigada!

Anónimo disse...

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