Comunicado do MIL: Movimento Internacional Lusófono

1. O Presidente do Parlamento Timorense, Fernando Lasama de Araújo, que, enquanto José Ramos-Horta não recuperar do atentado que sofreu, assume, interinamente, a Presidência da República de Timor, manifestou publicamente o seu desejo de "se reforçar o contingente da GNR (Guarda Nacional Republicana)".

2. O nosso Primeiro-Ministro, José Sócrates, considerou "prematuro" falar-se num reforço do contingente da GNR, considerando que: "Qualquer alteração terá que ser equacionada em função da avaliação que a ONU fizer".

3. A GNR tem neste momento em Timor apenas 120 militares, face aos mais de mil da Austrália e aos mais de 200 da Nova Zelândia.

4. O papel das tropas estrangeiras da ONU estacionadas em Timor durante o atentado a José Ramos-Horta e a Xanana Gusmão foi generalizadamente classificado como "inoperante", quando não mesmo como "displicente" - o mesmo já tinha acontecido em outros momentos. Ao invés, o papel da GNR em Timor tem sido unanimemente enaltecido, desde logo pela população timorense.

Face a todos estes factos:

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO exorta o Governo Português a reforçar, de imediato, o contingente da GNR em Timor de modo a garantir as condições de segurança e estabilidade naquele território.
Neste momento, Timor corre o sério risco de se tornar, definitivamente, um "estado falhado", o que será decerto do interesse de alguns países da região, que assim poderão, mais facilmente, explorar, em benefício próprio, os recursos naturais de Timor (falamos, em particular, do petróleo).
Portugal tem a obrigação histórica de defender a independência de Timor - depois de, durante a Monarquia, Primeira República e Estado Novo, ter feito de Timor um mero local de desterro, e de, depois da Revolução de 25 Abril de 1974, ter abandonado Timor à sua sorte, de que resultou a invasão indonésia.

Esperamos que o Governo Português não cometa a indecência de invocar motivos financeiros para inviabilizar essa urgente medida.

A Comissão Coordenadora do MIL

Nota de apresentação:
O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (novaaguia.blogspot.com), projecto que conta já com quase quatrocentas adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges, Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar no nosso blogue (novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.
Em breve, convocaremos uma conferência de imprensa para apresentar, com mais detalhe, este Movimento.

14 comentários:

PiresF disse...

Lusa
Lisboa, 12 Fev


O chefe da missão da ONU em Timor-Leste afirmou hoje estar "impressionado" com a eficiência das autoridades timorenses na reacção à crise desencadeada pelos atentados contra o presidente e o primeiro-ministro do país.

Apontamento: Nem uma palavra sobre a incompetência da ONU, da AFP, da ADF, da ISF, da PNTL, ou da UNPOL.

Lusa
Darwin, Austrália, 12 Fev


O governo australiano ofereceu o reforço do seu contingente militar e policial em Timor-Leste, que foi aceite pelas autoridades de Díli e posteriormente alvo de um pedido formal, disse hoje à Lusa o chefe da diplomacia timorense.

Lusa
Díli, 12 Fev


O navio de guerra australiano "HMAS Perth" está desde o amanhecer de hoje (hora local) ao largo de Díli, Timor-Leste.

"Encontrava-se na área e foi desviado para aqui na sequência da situação". Disse um porta-voz das Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

Apontamento: Já estavam prontos ou andavam por ali a passeio?


Público - Informativo-Notícia
2008-02-12 17:25:00


Austrália reconhece erros do passado e pede desculpa a aborígenes no novo Parlamento
Terça-feira dia 12 de Fevereiro vai ficar na história australiana, uma história que a partir de hoje não falará em dois destinos: o dos aborígenes e o dos cidadãos brancos. O primeiro-ministro do país quis pôr um ponto final na separação entre as duas comunidades através de um pedido oficial de desculpa à chamada "Geração Roubada", evitado e negado pelos seus antecessores.

Apontamento: Era bom que esse “ponto final” fosse posto desde já em Timor, para não terem de vir mais tarde pedir desculpa.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fico atenta e desde já estou disponível para aderir a qualquer acção que seja encetada neste sentido.
Um abraço

isabel mendes ferreira disse...

sempre Generoso.


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vim de lá.

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obrigada.

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não é grave.
:)
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palavras já há tantas...por aí.

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foi mesmo só para aceder e retribuir a gentileza...
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um dia publico nas "teclas".


beijo amigo e reconhecido.

PiresF disse...

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO
Gabinete de Imprensa
_________________________

Dili, 13 de Fevereiro de 2008



O Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão propôs hoje ao Presidente da República interino a prorrogação do estado de sítio em função da análise elaborada pelos serviços competentes do Estado e com o objectivo de continuar a assegurar a segurança e ordem pública.

Esta medida excepcional – para vigorar até ao próximo dia 23 de Fevereiro – não põe em causa os direitos fundamentais dos cidadãos, nem suspende os princípios constitucionais da Nação, mas impõe medidas mínimas de caracter excepcional, como sejam a proibição de manifestação e reunião e o recolher obrigatório entre as 8:00 pm e as 06:00 am,


Apontamento: A Fretilin e o PUN, abstiveram-se. A ausência de qualquer relatório sobre a situação no país após 48 horas de estado de sítio, sustenta esta posição.


Lusa
Lisboa, 13 Fev


O presidente do Parlamento timorense, Fernando "La Sama" de Araújo, vai assumir nas próximas horas a presidência interina do país e ordenar a constituição de uma comissão internacional para investigar os atentados de segunda-feira.

Em declarações hoje à agência Lusa no avião que o transportou de Bali para Díli, Fernando "La Sama" de Araújo disse que pretende que a GNR faça parte dessa comissão.

Apontamento: La Sama, já tinha falado em Lisboa com o comandante-geral da GNR e segundo a Lusa, Luís Amado disse não ter conhecimento da formalização de um pedido nesse sentido a Portugal, mas salientou que quando isso acontecer, o governo português o "apreciará e avaliará" à luz do princípio de apoio ao Estado timorense.

Klatuu o embuçado disse...

Vês, é nestas coisas que eu tenho razão, e um doido com um machado faz sempre falta numa Caixa de Comentários decente: metade daquela gente só lá anda a pavonear o cu, porque as suas responsabilidades patrióticas de cidadania não passam de lamber cadáveres à ceia!!

Abraço, Pires.
Viva Portugal!
Viva Timor livre!

Klatuu o embuçado disse...

P. S. Dei-te uma resposta parabólica que, decerto, vais perceber...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amanhã, dia 14 haverá uma postagem colectiva, de iniciativa do blog LUZ DE LUMA em defesa da inocência e contra a pedofilia. Se quiseres aderir copia a imagem que está no post de hoje no Silêncio Culpado.

No blog solidário Sol Poente http://o-sol-poente.blogspot.com, publiquei hoje uma reportagem do jornal Noticias da Manhã/Primeiro de Janeiro com o nosso amigo Raul do Sidadania.

Abraço

Kaos disse...

Olá Pires.
Estou a organizar um jantar blogosferico em Algés com alguns blogs que conheci recentemente claro seria bom que também tu lá estivesses. A vida tem andado tão sem tempo que já nem para estar com os amigos ele chega. Se quiseres pensa nisso.
um abraço

PiresF disse...

Lusa
Darwin, 14 Fev


O estado de saúde do Presidente da República de Timor-Leste está a evoluir como se esperava, sem que se tenham registado complicações, anunciou hoje o hospital de Darwin, Austrália, no último boletim clínico sobre José Ramos-Horta.

"Não houve complicações e estamos muito satisfeitos com o progresso registado até agora", sublinhou a directora da unidade de cuidados intensivos do Royal Hospital Darwin, Dianne Stephens.

[forum-loriku] 11 Fev - Hernâni Carvalho
Atentado em Timor


Ajudar não é intrometer. Na primeira declaração do primeiro-ministro australiano, após o atentado ao presidente Ramos Horta, a prioridade foi afirmar o envio de mais tropas e polícias australianas para Timor. Ainda mais?

Falar na morte de Alfredo Reinado é falar de um homem leal. O major foi sempre leal a quem o alimentou, sustentou e introduziu na tecitura timorense.

Morreu ao serviço de quem sempre lhe deu cobertura. Provavelmente de forma inglória. Mas foi um agente leal...

A história há-de encarregar-se de o explicar. Timor sofreu apenas mais uma das dores de parto do nascimento de um país. Os que em Lisboa, no passado distante, disseram que a independência de Timor era um disparate e que num passado mais recente se engalanaram para tirar dividendos políticos da dita independência, tornam hoje, nos corredores da política, a dizer à boca pequena que “aquilo nunca teve viabilidade”.

Aquilo é um Povo. E se tem tido mais dores de parto é porque todos querem meter a colher e daí tirar o que melhor houver. Há petróleo e gás natural a mais em Timor. É a ganância de muitos actores internacionais que mais mal tem feito a Timor. Ajudar não é intrometer.

Na primeira declaração do primeiro-ministro australiano, após o atentado ao presidente Ramos Horta, a prioridade foi afirmar o envio de mais tropas e polícias australianas para Timor. Ainda mais?

É interessante cruzar esta afirmação com o lamento do coronel timorense Lehere que afirmou no próprio dia do atentado que as suas forças militares foram impedidas pelos militares australianos de avançar para os locais estratégicos de protecção à cidade.

O relatório internacional feito pelo enviado especial da ONU a Timor falava há meses da urgente necessidade da organização da segurança nacional no território. Falava de uma polícia timorense menorizada e de umas forças armadas sem poder efectivo.

Afinal a quem é que mais interessa que as coisas se mantenham assim em Timor?


[forum-loriku] 14 Fev - Hernâni Carvalho
Atentado em Timor


Depois deste grande auto-golo (ou gol contra) das forças australo-neozelandesas (ANZ), elas deviam sair de Timor, se é que têm algum vestígio de vergonha na cara.

Mandar ainda mais tropa é um grande erro. Primeiro, porque não é preciso. Segundo, porque é mais do mesmo (zero mais zero é igual a zero). Terceiro, porque só reforça a tese da ocupação australiana de Timor.

Com efeito, repete-se o que já tinha acontecido em 2006: a Austrália impõe a presença das suas forças às autoridades timorenses como facto consumado e estas só podem assinar de cruz, sem nenhuma outra alternativa e sem qualquer possibilidade de se opor a este convidado por conta própria. Até o episódio do navio que andava ali perto por acaso, a caçar gambozinos, se repetiu. É mesmo falta de imaginação.

Que bom seria esses senhores voltarem para a "Terra Nullis" e serem substituidos por um batalhão brasileiro e outro português, que poriam tudo na ordem, num ápice. Não era preciso mais.
(bold meu)

PiresF disse...

Ramos-Horta, fazia sempre o seu jogging matinal nos terrenos limítrofes da sua casa. Reinado, homem supostamente capaz de fintar as forças internacionais no terreno, prepararia um ataque sem ter isto em atenção? E atacaria a casa de Xanana sem saber se ele lá estava?

Clavis disse...

e onde estão as FA brasileiras e portuguesas?
Não as vejo onde deviam estar:
em Timor, no lugar dos cúpidos e inábeis aussies.

sa morais disse...

"o papel da GNR em Timor tem sido unanimemente enaltecido, desde logo pela população timorense."

Enquanto que os "outros" têm feito muita mer... Ainda à pouco estive a ler um artigo sobre isso. Uma vergonha! Os australianos tentam fazer de Timor uma Saigão...


Acho que para além da GNR deviamos era ter tropas lá! A obrigação moral é nossa! Já abandonamos Timor uma vez...

Estou solidário com a vossa tomada de posição e amanhã a esta hora sai post no Ideias sobre isto.


Abraço!

Anónimo disse...

afinal é na Associação Agostinho da Silva.
No P.Real.

abraço.





y.

PiresF disse...

Na próxima terça-feira 19, o Comité de Concertação Permanente da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP), reúne-se pelas 10 horas na sua sede em Lisboa, para analisar a situação em Timor-Leste.
Este Comité, que tem como principal atribuição coordenar as actividades da CPLP e supervisionar o funcionamento e desenvolvimento da organização, integra um representante de cada um dos oito estados-membros, sendo actualmente a presidência da responsabilidade da Guiné-Bissau.