Ota ou Alcochete? A mim, tanto me faz.

Enquanto todos andam entretidos com os McCann (existem já teorias de conspiração) e com o Scolari (bem-haja este, só foi pena o gancho de esquerda não ter atingido as fuças do sérvio), eu, porque estive ausente do blogue muito tempo e dá-me gozo ser diferente, vou debruçar-me sobre o raio do novo aeroporto.
Prevendo já que o post vai ser longo, bem posso escrever o que quiser que também ninguém vai ler isto. É só para ficar, como agora se diz, para memória futura.

Ora bem…mesmo que não me assista o direito de imaginar que a CIP, numa manobra concertada, prestou um enorme serviço a Mário Lino mandando fazer o estudo sobre Alcochete, desfazendo assim o nó que este colocara à volta do Governo, fiquei com a pulga atrás da orelha com esta alternativa e, a minha primeira reacção, sabendo como a comunicação e a persuasão pública tinham falhado até aí foi, a de pensar, que ali havia marosca e da grande, já que, a oposição, perdia o seu filão de contestação ao Governo e principalmente, o “honesto” (depois do caso Somague, aceitou um carro para a campanha das directas, cedido por um empresário militante do partido e disse que era alugado) Marques Mendes, para além da liderança da oposição, vê também esvaziada a sua liderança no PSD, onde, a única coisa que lá o prendia era a imagem de seriedade, restando-lhe, para já, agarrar-se à pouco insuflada bóia de salvação que dá pelo nome de TGV, sem ninguém poder garantir que um qualquer mas mais credível respaldo técnico encontrado pelo LNEC, não venha a reequacionar a questão Ota, e mesmo que isso não aconteça, para Sócrates Alcochete também serve, porque a ideia teimosa e cega que se fazia sobre a questão está definitivamente atenuada, e pode então, quando a altura chegar, gerir sem perder a face, a opção que melhor lhe parecer, e que estou convencido, mesmo com a disponibilidade do Ministério da Defesa para encerrar o campo de tiro de Alcochete, ser aquela que há uns anos porreiros a esta parte tem merecido a vénia de todos os governos e onde, já se gastou desde 1998, qualquer coisa como 34 milhões de euros em estudos.

A este fio invisível dos acontecimentos, que une as coisas ao seu principio, dá-se o nome de habilidade e inteligência política a que, o eficaz José Sócrates não é alheio nem o presidente da CIP que só pretendeu (e vamos acreditar no que as pessoas se esforçam por dizer devido aos recursos disponíveis) com a contribuição monetária de alguns empresários, defender o interesse nacional e, acrescento eu, o ponto de vista de um significativo número de políticos de trazer por casa e pela blogosfera, que distribuem gratuitamente e com insistência, carradas de opiniões de vasto e sumarento apoio cientifico. A mim, que só quero viver com um ar mais ou menos respirável, passarinhos no céu, peixinhos no oceano, chuva e sol nas respectivas estações e um aeroporto perto de casa devido ao preço dos taxis, dava-me jeito que a solução Portela + 1 (que é o que vai ser nos próximos dez ou quinze anos e eu gostava de viajar muito durante esse período) fosse para continuar, e tanto me faz que seja com Alcochete ou Ota, desde que a Portela fique para os voos comunitários, mas, ainda assim, adianto; para este governo deve ser o mesmo, porque o que interessa nesta gestão perversa das prioridades políticas é mesmo construir o Aeroporto e o TGV, única via para baixar rapidamente o desemprego e dar um golpe de rins à economia. Disso, depende a reeleição de Sócrates para um segundo mandato, coisa que a oposição há muito percebeu.

4 comentários:

Odysseus disse...

Temos que pensar a nível do País e aí Alcochete é a decisão mais acertada. Os milhões que se poupam é evidente. Bom regresso ao activo amigo!

legivel disse...

... que os teus posts possam ser para memória futura, tudo bem. Na parte que me toca, leio-os porque são textos inteligentes e bem estruturados que reflectem o exercício de cidadania que infelizmente rareia entre nós, por destino, desânimo e iliteracia, mais talhados para a opinião seguidista a reboque dos media ou de uma qualquer figura pública ou política. Parabéns por mais este.

abraço.

Anónimo disse...

et voilá.



de acordo.


embora para mim prefira a Portela....sempre fica ao lado de casa (quase)...:))))
o resto?

quem? o Sócrates? o Mario Lino? hum hum desconheço... sorry.


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beijo.

hoje para saudar o seu regresso só brinco, embora este seu post seja para levar mt a sério...aliás vou fazer copy paste e enviá-lo a um amigo...não posso dizer o nome...:)))mas sei que vai gostar...

bem Regressado.
boa Noite LUCIDEZ!!!!!!!!!!


/imf.

tb disse...

Bem vindo, amigo!
Gosto de te ler mesmo que seja longa a exposição.
E tens toda a razão em ler as entrelinhas das teias que tecem... :)
Grande abraço