Quem percebe o que Deus quis dizer?

O Guardian convidou um intelectual muçulmano, Ziauddin Sardar, para fazer a sua leitura do Corão num blogue do jornal. Sardar defende que os textos sagrados devem ser lidos à luz da época em que se vive - e diz que o vai fazer sem evitar partes polémicas. No blogue participa também uma não-muçulmana, que tentou ler o Corão e já confessou não ter percebido nada.

Alexandra Prado Coelho
(Newsletter Público – Flash)

Creio que é exactamente o contrário daquilo que se deve fazer. A leitura deve sempre ser feita no contexto da sua cultura porque, esta é a única maneira de podermos compreender a mensagem, qualquer mensagem. O texto, qualquer texto, mas neste caso particular em que Deus não escreveu nenhum livro e, o que temos, são interpretações, e interpretações de interpretações de parâmetros particularmente dilatados, necessita de ser interpretado no contexto da sua cultura pois, uma vez que foi composto há muitos anos e foi transmitido de uma forma mais ou menos fixa, contém agora muita coisa que à primeira vista é obscura, irrelevante ou desconcertante. Isto significa que, os leitores têm tendência para abordar o texto com as pressuposições e preocupações do nosso tempo, e podem incorrer no erro de procurar adaptar o significado do texto de acordo com ele.

5 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

....e porém, é fácil de entender o universal.
ou seja uma leitura tem múltiplas leituras...a do seu "espaço" geo.temporal e a da alma. um texto seja ele de antigo recente oriental ou de todos os levantes, vale pelo que Nos diz mas para o ouvirmos necessário é sermos do Mundo.

...digo eu. que bem podia estAR CALADINHA...
:)

particularmente gostei DA FORMA clara como abordou a não compreensão acima descrita.


e boa noite....de todos os "aléms"...neologismo inexistente mas que me apeteceu....

:)


beijo.

Bill disse...

De fato, acaba por escapar da compreensão real, criando uma compreensão nova, no contexto atual (um tanto quanto deturpado), não é exatamente assim que os significados desaparecem? Ou se modificam.

Mesmo a palavra sendo atemporal, muito do significado se perde aos olhos atuais, ainda mais fora da cultura fonte.

Modernidade demais...

[s]s

tb disse...

Porque gostam tanto de complicar o que afinal é tão simples?
Abraços

luma disse...

Touché!! O "intelectual" não sabe ler sem luz! Numa referência à luz da época, por assim dizer! Feliz 2008! Beijus

perplexo disse...

.... é verdade, quantas inter pretações já foram feitas e por quem , e ao serviço de quem , quanto se mutilou DOS LIVROS , se acrescentou, se disse sim, e, ou não, e sempre para o mal... refiro-mo ao funcionamento social do discurso dito religioso e das suas artimanhas políticas, esmagadoras que florescem no inesperado.... agora falam-nos em calendários, sem entrar em preconceito com a nossa convenção europeia de tempo , é claro... fico perplexo.... E o mercado que aproveita, e a quem aproveita de livros. O nosso tempo não é sagrado nem profano nem panteísta ou... é qualquer coisa que nos arreda do nosso rosto, para pertencermos a outros mundos, e neles encontrarmos salvação diária e imortal, matando e matando-nos
na glória dos dias comesinhos ou na glória destes noutros tempos mais adiante. È uma estranheza e tenho pressa, digo... a ciência dita com os olhos atrás noutros olhos , entretanto o mundo moveu-se muito...