O debate que alguns ansiavam fosse um combate de wrestling.

O debate Sócrates vs. Santana tão anunciado pelos media, até poderia ter acontecido não fosse a inabilidade e vacuidade política deste que, mesmo contrariado pela evidência dos factos ainda se julga um tribuno imbatível, mostrando desconhecer que a pose só tem utilidade quando facilita a transmissão. Mais uma vez levado pela obsessão de lavar a imagem, tentou sozinho levar a cabo a tarefa que, consistia em destruir todos os dados percentuais que o governo avançava por inquinação da fonte onde bebiam. Tal empreitada não resultou nem podia resultar, por não ser acção concertada com os seus pares de bancada e, para mal dele, eu sei, protagonizada por discurso desconexo, baralhado, sem conteúdo e no domínio da polémica propriamente dita quando, se exigia, fosse construída no campo argumentativo, mas isso seria pedir-lhe imensamente muito. Assim, o duelo que alguns queriam fosse ao sol, para além de não ter passado de um grande flop, ainda produziu material para a divina comédia nacional.

Gostei da intervenção da Ana Drago. Excelente estratégia e uma forma inteligente de colocar preocupações que são voz corrente.

6 comentários:

hora tardia disse...

a Ana Drago é uma voz fresca densa inteligente e acutilante.


abençoada.


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beijos.


(grata)

paper-life disse...

Concordo com o dito acima.

Quanto ao debate entre o senhor Sócrates e o senhor Santana, fica-me a sensação grave de neste momento quem representa a oposição, não existir. E isso , em democracia, é muito grave.
Bj
(obrigada pelas palavras no meu cantinho)

mac disse...

O mais triste foi ver não a comunicação social a dar destaque a este duelo, pois isso já se esperava de medias sensacionalistas, mas a oposição, sim a oposição, em pleno debate do O.E. também foi a reboque...
Serviram-se do pretenso debate para darem umas piadinhas e umas larachas, mas o facto é que deram importância a um assunto, que não deveria ter tido esta importância...

Susana Charrua disse...

Muito obrigada por ter ido até ao Despertar Consciências dar uma força.
Gostei da sua análise da flopada. Estes políticos são um fracasso que nos arrastam para a mediocridade.
Vamos lá roer~lhes as canelas e pô-los a mexerem-se!

O pensador disse...

O conteúdo do debate foi terrivelmente previsivel!
Falam do passado e mais passado...com mais passado...e só passado....e voltemos ao passado...e a culpa foi do passado...

Essa gente só vive do passado!!!

E o futuro? Nem pó!! Seja para um,como para o outro!
O Sócrates disse que tinha obra para mostrar,mas não disse em que milénio ía fazê-lo!

Julgam-se necessários para o país e mal sabem o desprezo que o povo sente por eles!

Olhem,o Mario Soares também não sabia,mas felizmente que acabou por saber em tempo útil...e da forma mais humilhante!

sucedâneo disse...

O Santana foi (ou é) pobrezinho mas o Sócrates e companhia não lhe ficaram nem um pouco atrás.
Claro que o governo teve a sorte de o discurso de Santana ser atrapalhado: com isso, pode desperdiçar tempo de antena a cascar na lírica em vez de o usar para falar com seriedade sobre o orçamento e as críticas que lhe foram apresentadas.

Aliás, com ou sem duelo, o governo mostrou uma pobreza de espírito democrático, uma pobreza de argumentação...um espectáculo triste, muito triste de se ver. Sócrates e os seus boys não responderam a uma só pergunta que lhes tivessem feito: começavam por insultar os opositores, engonhar, inverter o discurso para gabar as suas políticas e só quando ouviam o presidente da AR dizer "pode concluir" é que inventavam uma meia resposta demagógica e...estúpida.

Não ouvi a Ana Drago, mas ouvi o discurso do Louçã que, quanto a mim, foi o mais contundente e consistente. De arrepiar as espinhas.