Governar de calculadora em punho.

O caso do encerramento de maternidades, segundo um critério técnico no qual o ministro da saúde se escuda, tem feito grande alarido nos media e não é para menos.

Esse critério técnico, determina como risco inaceitável, manter abertas as maternidades onde o número de partos/ano seja inferior a 1500, mesmo que, e isto é factual, algumas sejam maternidades com 0% de acidentes há pelo menos dois anos.

Passava mais uma vez a noticia na televisão e talvez por não conseguir conviver lá muito bem com a burocracia, ou por não me iludir, com essa coisa de uma entidade central definir o que é o risco aceitável, só me vinha à cabeça a questão da descentralização, da desertificação do interior e do que se faz, para criar uma contracorrente, ou seja; NADA!

Depois de acabarem com comboios regulares no interior, com determinadas carreiras regulares de camionagem, ou com escolas, para não falar de alguns Centros de Saúde, chegou a vez das maternidades. E depois, o ministro não quer nem ouvir falar de que este é um caso de contornos economicistas e quer-nos fazer acreditar que esta é uma excelente medida na via da vida acéptica e sem riscos.

Por favor Sr. Ministro...
V.Exa. bem pode tentar convencer-nos do contrário, e tentar criar consensos de que a medida é correcta, mas nós, que observamos e temos a mania de pensar, não podemos concordar. Esta coisa, dos ministros viverem obcecados com as médias e tomarem decisões de calculadora na mão, está a ganhar contornos ridículos e a cada medida que tomam, viver no interior é cada vez mais difícil.

Essa é que é essa... e o que custa, é ver um governo dito socialista, a tomar constantemente medidas atentatórias ao bem-estar dos seus cidadãos.


PS: Desculpem todos a quem não respondi ou visitei, na sequência dos comentários de alguns posts anteriores, mas a falta de tempo é lixada, e infelizmente, abunda cá por estes lados.


14 comentários:

Som do Silêncio disse...

Obrigada pela visita :-)

Beijinho

tb disse...

estimado amigo,até pensei que estavas já em "estágio" para o novo conto que aí vem e que espero com alguma ansiedade. No que respeita às linhas, elas sentem a falta dos maigos mas quando valores mais altos se levantam....sobre o teu post, ai meu amigo hoje não posso dizer nada que estou com um humor medonho!
Beijinhos

PiresF disse...

Som!

De nada. Estamos aí.

Abraço.
........................

TB!

Desculpa amiga, mas o tempo tem sido ingrato.
Depois compenso.

Abração.

Lidiane disse...

Mais ou menos a mesma coisa por aqui.
:(
Só que com histórias diferentes...

harpa disse...

por mim tudo bem....o post é excelente.o ministro é TONTO e INCOMPETENTE e por isso serve bem a política economicista do actual governo que escamoteia verdades...vide ontem dada na tv...

(beijos...e até dia 14...)

Kaos disse...

A culpa também é muito deste liberalismo que com a sua corja de economistas comentadores passa todo o tempo a gritar contra o estado despesista. O povinho ouve e diz que sim com a cabeça, e o governo sente-se na necessidade de mostrar resultados. Corta onde é mais fácil. Quem se lixa acabam sempre por ser os mesmos, mas isto já não é novo. Enquanto não se entender que o objectivo devia ser melhorar a vidas das pessoas e não os números de relatórios isto vai continuar sempre assim

Ramiro Junior disse...

Huumm... Posso até estar falando besteira, mas não seria o caso de alguém tentar freiar Tal medida alegando que vai contra o princípio básico da vida?? Ótima hora do presidente defender a constituição, não?

Qualquer governo é por demais eficiente na arrecadação de impostos. Por que será que sempre falta verba na real a aplicação do recursos arrecadados? Ô.ô

^^

"Endereço diferente no Link de Hj ^^"

Jana disse...

Olha cada vez mais me convenço que quero a minha de peperoni com muzzarela....

E me manda um nariz vermelho de presente!

Obrigada pelas palavras no blog

Beijos

Rui Martins disse...

mas este governo é muito pouco "socialista" e muito, socia-democrata, se não mesmo, uma espécie de "neoliberal moderado"... E este governo continua mais preocupado com contabilidade do que com economia. E está - como os anteriores - dispostos a sacrificar Portugal em troca da UE.

Por mim, começava a preparar o chuto na Europa, especialmente quando nos fecharem a torneira... E virava os olhos para África, Brasil e Timor...

E este processo tem sido muito mal conduzido... em vez de dar o enfoque no nº de partos, devia ter-se dado o enfoque no nº de obstetras por maternidade... Se Lâmego só tem um... como pode a sua maternidade funcionar com segurança?

Mocho Falante disse...

Sabes o que eu penso sobre esta matéria? é que na verdade há um verdadeiro desconhecimento de como a vida no interior é complicada e aqueles que já saouberem como é, esqueceram rapidamente. é um degradar da qualidade de vida que irrita. Mas acabarem eles com os ordenados e regalias luxuosas isso naõ acabam eles

abraços

Manoel Carlos disse...

Mesmo que sejamos economicistas em nossas considerações, ou seja, que atentemos primordialmente para a relação de custo per capita, a concentração urbana representa um grande problema.
No Brasil, onze metrópoles concentram mais de 60% da população do país.
É claro que nossos problemas decorrem do modelo econômico, mas são agravados pela concentração. O custo de um cidadão nas metrópoles é dezessete vezes o custo de um cidadão no interior, aí inclusos os custos de segurança, transportes públicos e outros.

PiresF disse...

Como diz o Rui Martins, este governo está mais preocupado com a contabilidade do que, com a economia, daí o título que dei ao post, e não posso deixar de concordar com a questão do enfoque. É de facto aí, que reside o suposto problema, mas que é resolúvel e da responsabilidade do Governo Central.

O Manuel Carlos, inteligentemente, avança com alguns números que podemos perfeitamente extrapolar para Portugal, já que, revela bem o erro que a desertificação do interior e o economicismo imediato trará como consequência.

Os outros comentários que agradeço, revelam também, como nós supostamente vulgares cidadãos, encaramos mais esta medida.

Só um pequeno esclarecimento ao Ramiro: O PR sendo um liberal e economista, não pode deixar de aprovar a medida. Se estivermos à espera dele, nunca se cumprirá o artigo da constituição que afirma dever ser a educação e a saúde tendencialmente gratuitas, já que, todas as medidas tomadas nos últimos anos são tendencialmente o oposto.

dakidali disse...

Só não se lembram de encerrar o Ministério da Educação e a Assembleia da República.
Beijinhos

Ramiro Junior disse...

Bom, mesmo seguindo essa linha de pensamento, o Estado deveria se sujeitas às leis que deveriam reger a Sociedade. Bom, na teoria tudo é muito belo, mas se ainda está na constiuição, o Estado pode ser forçado a cumprir com o regulamento independente da calculadora ou da falta de recursos. Tenho por mim que é só achar a "oposição certa".