A Janela do Pensamento! (Parte II)


Mal refeita ainda, do susto que o seu lindo Persa lhe pregara, deu-se conta que apertava o peito de forma inusitada, o gesto tinha feito subir a camisola e agora evidenciava toda a nudez do seu corpo, tinha ficado encostada à janela tempo demais enquanto se recompunha, sentia o frio exterior através do vidro da janela trespassar-lhe as nádegas, quando se lembrou do médico que morava em frente. Num salto, refugiou-se atrás do reposteiro sentindo o sangue subir-lhe à face, e pensou se ele a teria visto, a vergonha da incerteza fez com que a sua cara ficasse ainda mais quente, devia estar completamente vermelha.
Sentindo-se afogueada, despiu num gesto brusco a camisola de lã, atirando-a para cima da cómoda vitoriana, sem se dar conta que tinha ficado completamente nua.

A curiosidade começava a apoderar-se dela e quando sentiu alguma coragem, num movimento rápido espreitou, tentando perceber se ele estaria lá.
Tinha sido rápida demais, assim não conseguiria ver nada, encheu-se novamente de coragem e então num gesto mais lento e medido voltou a espreitar, verificando com alívio que não estava ninguém.
Ainda bem, pensou! Saiu devagar detrás do reposteiro que lhe tapava a nudez e perscrutou as janelas do médico solteirão que vivia em frente, confirmando definitivamente que este não estava.

Ouviu então, o som de vidros a quebrarem-se que vinha da porta que dava para o jardim das estufas, e pensou que o seu irrequieto Persa teria feito mais alguma. Correu para lá, tentando perceber o que teria ele partido, na pressa, e esquecendo-se que estava descalça, escorregou indo embater na livreira que tapava toda a parede da sala francesa onde no verão recebia os seus amigos.

Recuperava os sentidos, quando sentiu que alguém a deitava com mil cuidados no sofá, sentiu inexplicavelmente medo de abrir os olhos e cerrou-os com força, ouvindo uma voz que enquanto a tapava com um agasalho quente lhe segredava: Já passou, agora está bem, só um pouco machucada no ombro direito, mas não é nada de importante.
Era a voz dele, do médico, que estaria ele a fazer ali, lembrando-se quase de imediato que estava nua e que tinha estado assim nos seus braços enquanto era transportada para o sofá.

Tentou controlar a respiração para que ele não percebesse que ela já tinha acordado, e pensou na situação em que estava. O que seria que ele iria fazer a seguir, e se a beijasse pensando-a inconsciente? Sentiu de novo o sangue subir-lhe á face e pensou que ele iria reparar, então, sentiu que ele lhe punha algo macio e quente em cima do rosto, que seria? De repente sentiu-se sufocar, e num último esforço ergueu-se, tendo ainda visto de relance o seu gato Persa que subia como um raio as escadas de caracol que levavam ao sótão.

Sentou-se finalmente e pensou… Ele há sonhos bem piores, até que o gajo não é nada de se deitar fora, pena o filha-da-puta do gato ter-me acordado logo nesta altura! Deixando então, escapar um longo suspiro, enquanto um sorriso lhe iluminava a cara ainda ensonada.

10 comentários:

Cristina disse...

loooooooooooooool
muito bom!!!! venha a parte III :)))

beijinhos

Heloisa disse...

:'(

Heloisa disse...

Lá pela parte XXVIII a moça deve beijar o médico ¬¬

Bill disse...

Que isso caro amigo Pires, realmente andou a esconder o jogo de nós esse tempo todo =]
Muitoooo bommm =]
Realmente que venha a parte III =]
Ja estou aguardando ancioso e com vontade de matar esse gato maledito hahha =]

Otimo semana pra tu.

[s]s

PiresF disse...

Só agora tive tempo de reler o conto e verifico que o devia ter feito antes, algumas frases precisavam de outra atenção, e mais alguns adornos tinham construído melhor a história.

Prometo duas coisas:
A primeira é que não correrei para postar o próximo conto. A segunda, e a pedido de alguns amigos, ela será finalmente beijada, e... sabe-se lá que mais acontecerá, pois ainda nem pensei como vou pegar no conto de novo para o desenvolver.

Um abraço a todos e um humilde pedido de desculpas, pelas imperfeições (muitas) que verifiquei só agora, com uma segunda leitura.

Rui Martins disse...

Arf! Arf!

eu...sou disse...

pena...um sonho é envolvido pelos desejos do insconsciente...o inconsciente revela-nos os nossos desejos para que eles se tornem conscientes..

Lucília disse...

Tadinho do Persa,Pires!!
Humildes desculpas?????
Beijinho

Meia Lua disse...

Outra vez? Quando é que isso se concretiza?
Há cenas dos próximos capítulos? heheh...

Eremita Baptista disse...

muito bom..tens qualidade...