Amalia Bautista


A Partida

Duas mulheres jogavam as cartas.
Eram as duas formosas e perversas.
As duas faziam batota. A partida
prolongava-se mais do que o costume,
a julgar pelos gestos de impaciência
que nenhuma ocultava. Vida e Morte
se chamavam. E tinham apostado
o coração de um homem, como sempre.

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Fios de Seda

Sempre acreditei que eram as palavras
que saíam da minha boca, e que só elas
podiam apaziguar a minha morte.
Hoje sei que da minha boca sai um fio
transparente e tenaz como uma insónia
que te amarrou à minha vida para sempre.


Amalia Bautista nasceu em Madrid em 1962. Jornalista de formação, trabalha como redactora no gabinete de Imprensa do Conselho Superior de Invetigações Científicas.

7 comentários:

Teresa Durães disse...

Não conhecia mas amei os poemas!

Boa noite

a rasar o ceu disse...

excelente o fio. que não de seda....de aço.


obrigada. beijo.

sabr disse...

Fabuloso. Bom dia Pires, abraço.

Maite disse...

PiresF

Dois poemas muito bonitos.
Eu prefiro o segundo...vá-se lá saber porquê!!! :)
Fios de seda, tão delicados e simultanemante tão resistentes. São como as relações entre as pessoas.
A primeira vez que vi um poema desta poetiza foi no Murcon e logo me cativou.

Um bom dia para si :)

pianola / Sonia R. disse...

Se o velho Camarada Mao pensava que a revolução nasce na ponta das espingardas, George Bush pensa que a democracia impõe-se à lei da bala.

Bill disse...

Salve salve...

Eis que conheço mais belas palavras...

"Hoje sei que da minha boca sai um fio
transparente e tenaz como uma insónia
que te amarrou à minha vida para sempre."

Afff bom demais =]

[s]s

Jéssica disse...

Gostei do segundo...*.*