Um novo rumo para Portugal - Parte IV


Roberto Carneiro, na introdução do livro de Rui Marques refere o seguinte:
[…] No que ao encontro de diferentes interessa, cinco séculos de regulação eurocêntrica dos destinos da humanidade legaram-nos, paradoxalmente, uma região em crise identitária e de projecto onde: não se vislumbra a emergência de “melting pot” e o modelo social europeu privilegia os incumbentes.
[…] A Europa e por maioria de razão Portugal, não pode desistir de ser laboratório do mundo, cadinho de civilização, farol de futuro.
Descobrir e redescobrir infatigavelmente o lugar do universal na civilização e a importância do diálogo entre culturas faz parte do pulsar mais profundo do espírito europeu. O espírito científico grego, a democracia ateniense, o culto normativo romano, o sentido igualitário cristão, o encontro de povos na empresa dos descobrimentos, são todas elas dimensões históricas do legado europeu, vertentes de cariz genuinamente universal.

David Landes, no seu livro “A riqueza e a pobreza das nações” a propósito do Portugal de quinhentos em que vários cientistas e especialistas estrangeiros, constituíam um factor essencial para os sucessos da navegações, refere que: “quando os portugueses conquistaram o Atlântico Sul, estavam na vanguarda da técnica da navegação. Um empenho em aprender com cientistas estrangeiros, muitos deles judeus, fizera que os conhecimentos adquiridos fossem directamente traduzidos em aplicações práticas”

Tanto Rui Marques, como
Rui Martins, são grandes defensores do multiculturalismo como regra para uma nova sociedade universal, percorrendo caminhos já antes percorridos desde António Vieira até Agostinho da Silva, e que, para uma melhor compreensão, em futuros posts resumiremos, o que foi, o pensar desses que marcaram e marcam o novo pensamento português.

14 comentários:

Anónimo disse...

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hydrocodone

PiresF disse...

Como todo o ser humano também eu gosto da adulação, e por isso, decidi não fazer delete deste comentário, que é spam, mas correctíssimo no que diz.

Bem-hajas ó hydrocodone.

Rui Martins disse...

Spamíssimo. Então o tipo lê tuga, mas não sabe escrever?...

Adiante.

Rui Marque e Moi divergimos num ponto. Ele defende uma espécie de uniculturalismo, uma fusão de culturas no mesmo Melting Pot que Roberto Carneiro defende para a Europa. Essa não é a minha posição. Acredito pelo contrário num multiculturalismo, em que as diversas culturas permanecem diversas e autónomas, embora evoluam e se transformem (como sempre foi), mas mantendo sempre a sua identidade. Defendo a Coexistência e o Intercâmbio por oposição à União e Absorção e Aculturação, fenómenos que sempre ocorrem sobre os Fracos e a partir dos Fortes.

PiresF disse...

De facto, Rui Marques preconiza a diluição das culturas, por achar ser esse um traço acessório dos valores essenciais, e nesse aspecto creio que também Agostinho da Silva era da mesma opinião, pelo menos é essa a interpretação que faço da sua célebre frase; “Portugal tem de ser o Brasil da Europa”.

TheOldMan disse...

É na fusão das culturas que se encontra o futuro da humanidade e não na sua separação.

E essa fusão acontecerá a seu tempo; por mais que possa demorar. Disso não tenho dúvida alguma.

;-)

PiresF disse...

Pois é OldMan, também o creio inevitável.
Neste caso, creio estar Rui Marques com a razão.

Era uma vez um Girassol disse...

Que dupla fantástica, os Rui's!!!!
Quantos precisaríamos desta fibra intelectual?
Percebi a diferença entre as duas correntes de pensamento relativamente à questão do multiculturalismo,depois do comentário do Rui Martins.
Identifico-me com esta última.
Novos pensadores...PRECISAM-SE!
Bjs

paper life disse...

"Defendo a Coexistência e o Intercâmbio por oposição à União e Absorção e Aculturação, fenómenos que sempre ocorrem sobre os Fracos e a partir dos Fortes." Rui Martins

10/9/05

Exemplozinho Melting Pot.

Cá fico à espera dos novos posts.

:)

PiresF disse...

Girassol e Paper Life!

Acreditem que me está a dar um enorme prazer, ver que na blogosfera há pessoas a acompanhar estes posts.
Quando tomei a iniciativa de divulgar o “novo” pensamento de Portugal, pela mão destes dois amigos, não esperava sequer (para além de uma levíssima esperança) que as pessoas se dessem ao trabalho de os ler, já que, a blogosfera parece estar destinada, ao supérfluo e à escrita fácil e imediata, que não necessita de grandes raciocínios.
Agora, congratulo-me por não ter desistido.
A minha vénia, senhoras e também para os cavalheiros que acompanham.
Eheheh!...

Maite disse...

Caro PiresF
Li os posts sobre este tema. Penso que Portugal tem muitas condições, geográficas, históricas e sociais que apontam no sentido de poder ser uma nação de eleição. No entanto, penso que é no respeito entre todas as culturas (respeitando a sua diversidade) que está a mais valia para um mundo melhor. E quando falo de respeito não falo de aceitação pura e simples mas de co-responsabilização.

Boa noite para si

RS disse...

Pois, os judeus... E com razão Landes os menciona, mas não fossem os estudos e instrumentos árabes (trazidos para e apreciados no Al-Andalus) e o quando teriam acontecido os "nossos" Descobrimentos? Mais cedo não eram, certamente.

Landes tem toda a razão ao apontar as razões que conduziram ao declínio da civilização árabe e à ascensão da Europa, mas ainda assim penso que menospreza um pouco o enorme impulso dado pelos árabes a essa mesma Europa.
Sim, menciona a tradução dos gregos e a sua reintrodução numa Europa bárbara pelo Crescente luminoso, mas é um facto que isso continua a ser uma espinha na garganta dos "ocidentais" que clamam hoje superioridades descabidas.

Um abraço,
RS

nota:
Bom artigo.

PiresF disse...

Maite!

Bem …eu estou convencido, que mais tarde ou mais cedo, mais tarde claro, a diluição de culturas se dará, para dar lugar a uma amalgama de todas elas, esse processo será inevitável.
Então e nesse caso, a importância da língua, ganhará uma dimensão extraordinária que interessará preservar.

Um abraço.
………………………….

Rui Semblano!

E está o meu amigo cheio de razão, mas estou convencido que a importância que Lands lhes dá tem a ver com a importância dos cientistas e físicos criptojudeus que nos começaram a abandonar ainda em 1600, e em 1700, tanto eles como outros estrangeiros já tinham fugido, sem que uma única vos discordante viesse ocupar-lhes o lugar.

Já agora e para quem ler este comentário, diz também Roberto Carneiro sobre Rui Marques: (…) Ele demonstra, com eloquência, como se pode compaginar, em linguagem Poppriana, uma “engenharia utópica” – dos valores e do sonho – com uma “engenharia gradualista, passo a passo”.

Um abraço.

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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