Constrangido vejo-te, que de bailarina nada tens, na pista de um concurso de dança para figuras públicas. Algumas, pouco públicas como vem sendo hábito neste tipo de programas e, talvez por isso, Tu, generosa, de sobrecasaca e botas de montar deixaste-te arrastar para o salon.Desde logo, confesso, ansiei que tirasses dali a autora do Adeus Princesa, um dos melhores romances portugueses dos últimos anos, a ponto de me apetecer gritar para que saísses e só não o fazer por ser imbecil e escusado.
E, no entanto, não sou adepto dos aristocratas da cultura, dos que só se dão com os seus pares e entretecem misteriosas relações próprias das sociedades secretas, mas não aprecio, de todo, os que hoje, angelicais, vergam à confraria do elogio duvidoso e tentam parecer o que não são. Não se responde à loucura com a coragem, nestes casos é sempre preferivel um “pare por favor, tenho de ir ali comprar cigarros”.
Clara Pinto Correia, bióloga, escritora, professora universitária, especialista em História das Ciências, historiadora da ciência portuguesa e parte importante da inteligência deste país, prestava-se a um triste espectáculo. Talvez se divertisse, não sei… mas ela sabe que é uma característica da natureza humana esperar que alguém escorregue para depois pisá-lo bem pisado, ela sabe e já provou dessa voragem que, com brutalidade, cilindra a qualidade e devora como Saturno os seus filhos.








