MIL – O começo de algo realmente importante.

Desde que (já tarde, é certo) despertei para o atavismo óbvio e habilidoso da política, recebi alguns convites para aderir a partidos e movimentos, convites que me honraram mas que, por não me rever nos programas e principalmente não me encantarem as suas práticas, em consciência declinei e não me arrependi.
Ontem, por correio electrónico, um bom amigo enviou-me com amável introdução, um alerta do Movimento Internacional Lusófono (MIL).
Hoje, finalmente e em consciência, decidi aderir a este Movimento expressivo da singularidade dos que, com força e determinação não se deixam nivelar e que reputo de extrema importância, não só pela envergadura intelectual dos seus membros, mas também por fazer renascer uma corrente que, teve por trás entre outros, nomes como; António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

Porque em democracia as ideias são a suprema mais valia dos que se esforçam, a minha resposta concordante acabou de seguir. Deixo-vos aqui, a Declaração de Princípios e Objectivos do MIL para que, quem queira, dela faça bom uso.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Declaração de Princípios e Objectivos

O presente texto condensa e concretiza as propostas do Manifesto da Revista “Nova Águia” (novaaguia.blogspot.com) , órgão do M. I. L. Aqui se apresenta um ponto de partida, objecto de consenso entre os promotores do Movimento, destinado a ser aperfeiçoado mediante todas as críticas e sugestões, que solicitamos e agradecemos.
Ao apresentá-lo, fazemos nossas as palavras de Agostinho da Silva, cidadão luso-brasileiro cujo pensamento inspira o M. I. L., na proposta de reorganização de Portugal e do mundo lusófono que redigiu em 1974: “A comunidade a que o propomos é o Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália” – “Proposição”, in Dispersos, Lisboa, ICALP, 1989, p. 617.

1 – O Movimento Internacional Lusófono é um movimento cultural e cívico que visa mobilizar a sociedade civil para repensar e debater amplamente o sentido e o destino de Portugal e da Comunidade Lusófona.
2 - As nações e os 240 milhões de falantes da Língua Portuguesa em todo o mundo constituem uma comunidade histórico-cultural com uma identidade, vocação e potencialidade singular, a de estabelecer pontes, mediações e diálogos entre os diferentes povos, culturas, civilizações e religiões, promovendo uma cultura da paz, da compreensão, da fraternidade e do universalismo à escala planetária.
3 – Os valores essenciais da cultura lusófona constituem, junto com os valores essenciais de outras culturas, uma alternativa viável à crise do actual ciclo de civilização economicista e tecnocrático, contribuindo, com o seu humanismo universalista e sentido cósmico da vida, para uma urgente mutação da consciência e do comportamento, que torne possível uma outra globalização, a do desenvolvimento das superiores possibilidades humanas e da harmonia ecológica, possibilitando a utilização positiva dos actuais recursos materiais e científico-tecnológicos.
4 – As pátrias e os cidadãos lusófonos devem cultivar esta consciência da sua vocação, aproximar-se e assumir-se como uma comunidade fraterna, uma frátria, aberta a todo o mundo. A comunidade lusófona deve assumir-se como uma comunidade alternativa mundial – uma pátria-mátria-frátria do espírito, a “ideia a difundir pelo mundo” de que falou Agostinho da Silva – que veicule ideias, valores e práticas tão universais e benéficas que todos os cidadãos do mundo nelas se possam reconhecer, independentemente das suas nacionalidades, línguas, culturas, religiões e ideologias. A comunidade lusófona deve assumir-se sempre na primeira linha da expansão da consciência, da luta por uma sociedade mais justa, da defesa dos valores humanos fundamentais e das causas humanitárias, da sensibilização da comunidade internacional para todas as formas de violação dos direitos humanos e dos seres vivos e do apoio concreto a todas as populações em dificuldades. Para que isso seja possível, cada nação lusófona deve começar por ser exemplo desses valores.
5 – A identidade e vocação histórico-cultural da comunidade lusófona terá expressão natural na União Lusófona, a qual, pelo aprofundamento das potencialidades da actual Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, constituirá uma força alternativa mundial, a nível cultural, social, político e económico. Sem afectar a soberania dos estados e regiões nela incluídos, mas antes reforçando-a, a União Lusófona será um espaço privilegiado de interacção e solidariedade entre eles que potenciará também a afirmação de cada um nas respectivas áreas de influência e no mundo. Ou seja, no contexto da União Lusófona, a Galiza e Portugal aumentarão a sua influência ibérica e europeia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola e Moçambique, a sua influência africana, o Brasil a sua influência no continente americano e Timor a sua influência asiática, sendo ao mesmo tempo acrescida a presença de cada um nas áreas de influência dos demais e no mundo. Sem esquecer Goa, Damão, Diu, Macau, todos os lugares onde se fale Português e onde a nossa diáspora esteja presente, os quais, embora integrados noutros estados, serão núcleos de irradiação cultural da União Lusófona.
6 - No que respeita a Portugal e à Galiza, este projecto será assumido em simultâneo com o estreitamento de relações culturais com as comunidades autónomas de Espanha, promovendo aí a cultura galaico-portuguesa e contrabalançar a influência espanhola em Portugal. O mesmo deve acontecer entre o Brasil e os países da América do Sul. Galiza, Portugal e Brasil, bem como as demais nações de língua portuguesa, devem afirmar sem complexos os valores lusófonos nas suas respectivas áreas de influência.
7 – A construção da União Lusófona, com os seus valores próprios, exige sociedades mais conscientes, livres e justas nos estados e regiões lusófonos. Em cada um desses estados e regiões, cabe às secções locais do Movimento Internacional Lusófono, dentro destes princípios essenciais e em coordenação com as dos restantes estados e regiões, apresentar e divulgar propostas concretas, adequadas a cada situação particular, pelos meios de intervenção cultural, social, cívica e política que forem mais oportunos.

***

No que respeita a Portugal, a secção portuguesa do Movimento Internacional Lusófono considera fundamentais as seguintes medidas:

I – Promover uma maior participação dos cidadãos na vida pública e política, nomeadamente em torno de um grande projecto para Portugal como o da União Lusófona, que os convoque para uma causa que transcende o imediatismo, o economicismo e os interesses dos partidos e dos grupos em luta pelo poder. Mobilizar os cidadãos indiferentes e descrentes da vida política, a enorme percentagem de abstencionistas e todos aqueles que se limitam a votar, para a responsabilidade de discutirem e criarem o melhor destino a dar à nação.
II - Sensibilizar os cidadãos e as instituições públicas e privadas para a importância e vantagens do projecto da União Lusófona, a nível cultural, social, político e económico. Promover a discussão pública desta proposta e uma cultura da consciência lusófona e universalista que enriqueça a nossa própria integração na União Europeia, tornando-nos parceiros activos na abertura da consciência europeia à cultura planetária.
III - Promover para esse fim formas alternativas de intervenção cultural, social e cívica, que permitam antecipar quanto possível a realidade desejada, sem depender dos poderes instituídos, dentro dos quadros democráticos e legais. Sem rejeitar os habituais meios de intervenção política, o Movimento Internacional Lusófono apela à e apoia a constituição de grupos cívicos ou confrarias laicas que sejam núcleos de discussão, divulgação e realização deste projecto, em Portugal e em todo o espaço lusófono, incluindo a emigração.
IV – Libertar a nossa vida mental, social e política da actual mediocridade, estagnação e submissão a interesses particularistas, partidários e dos grupos económicos, repondo-a ao serviço da cultura e de uma ética do bem comum.
V – Regenerar a democracia em Portugal, reformando o estado segundo modelos que fomentem a ampla participação política da sociedade civil. Recuperar a tradição municipalista portuguesa, promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos de prevenção e controlo dos caciquismos locais.
VI – Assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a que a produção e distribuição da riqueza vise o bem comum e a satisfação das necessidades básicas das populações. Explorar as potencialidades de formas de organização económica cujo objectivo fundamental não seja o lucro financeiro. Oferecer alternativas ao produtivismo e consumismo, fazendo do trabalho não um fim em si, mas um meio para a fruição do tempo livre de modo mais gratificante e criativo.
VII – Promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias locais e respeitando a harmonia ambiental.
VIII - Substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear), por energias renováveis e alternativas (solar, eólica, hidráulica, marmotriz, etc.), superando o paradigma de uma economia baseada no petróleo e nos hidro-carbonetos.
IX - Dar prioridade, em todos os domínios da economia, da política e da investigação, às preocupações ambientais e ecológicas. Proteger os direitos dos animais e promover o seu cumprimento.
X - Assegurar um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua a possibilidade de opção por medicinas alternativas.
XI – Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à educação, tornando esta e a cultura – não só tecnológica, mas filosófica, literária, artística e científica - o investimento estratégico do Orçamento de Estado e da governação. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não a sacrificando a uma mera especialização profissional. Neles haverá uma forte presença da cultura portuguesa e lusófona, bem como das várias culturas planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona e universal, não apenas europeia-ocidental.
XII - Promover sem inibições a cultura portuguesa e lusófona no espaço internacional. Assegurar a tradução para inglês de textos fundamentais da nossa cultura e publicar, em conjunto com as nações lusófonas, uma revista bilingue, português-inglês, destinada a divulgar em todo o mundo os seus aspectos mais singulares e universais. Estreitar relações com os lusófilos estrangeiros e com todos os povos, culturas e movimentos que tenham características e projectos convergentes.
XIII - Implementar o Acordo Ortográfico, importante instrumento da consciência lusófona e da sua afirmação internacional.
XIV – Celebrar acordos com as nações lusófonas que promovam estratégias económicas conjuntas, sobretudo a nível comercial. Facilitar e proteger, mediante o levantamento das barreiras alfandegárias e fiscais, o comércio e a circulação de produtos em todo o mundo lusófono, com urgente destaque para os produtos culturais.
XV – Chegar gradualmente a um acordo que permita a livre-circulação dos cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona.
XVI - Criar um Programa “Agostinho da Silva” que promova a circulação dos estudantes das nações lusófonas, de licenciatura e pós-graduação, nas universidades do espaço lusófono, começando por Portugal e Brasil.

Se quiser aderir a este Movimento ou formar um "Núcleo MIL", envie-nos um mail para mailto:novaaguia@gmail.com. Visite também o nosso blogue: novaaguia.blogspot.com

Eu votei Sócrates…


…e vou ter de viver com essa mágoa para o resto da vida porque sou um quadrúpede que não aprende, o que, me faz sentir culpado pelo estado policial que este nos trouxe, culpado do fundamentalismo corporativista que faz renascer a vocação para a bufaria dos vigilantes da lei e das virtudes, culpado da onda proibicionista e repressiva que varre os direitos individuais para épocas de bufaria pidesca, culpado pelo desprezo com que este estado economicista e taxativo, mina virulentamente a saúde e a educação, culpado do estado ter abandonado as suas funções sociais e arbitrais nas relações de poder desiguais, culpado deste estado omnipresente, culpado, enfim, de tantas e diversas imposições, proibições e obrigações que, peço desculpa por ter votado num tirano que a cada medida vai deixando cair a máscara das deficiências mal emendadas, incapaz que é, de tolerar ou refutar intelectualmente opiniões contrárias preferindo proibi-las. Enquanto nós, bastardos, conhecendo a coisa mas não a compreendendo, lá vamos bebendo chá e comendo bolinhos, em exercício simpático e masoquista por cada cedência que nos promete a subida do Evereste, aceitando de braços cruzados o assalto da besta ao bem estar e à liberdade.

Aqui d’el rei.

A corda a mais que este governo já leva, não nos deixa margem para garbosos textos ao inicio de 2008, mas obriga-nos a uns feixes de luz solar sobre algumas tantas coisas. Aqui vai uma delas, a singelo, tendo como essência e supremo fruto para reflexão, os trinta por cento das freguesias portuguesas que têm nome de santos ou santas ou, no caso de Lisboa, onde das cinquenta e três freguesias existentes, trinta e uma têm nomes católicos.

Em Novembro de 2005, o Ministério da Educação munido de um nascer de sol original e com evidente impudor, envia um oficio a todas as escolas ordenando a remoção dos símbolos religiosos. Em Junho de 2007, através da Associação Cívica República e Laicidade, tenta-se o xico-espertismo de envenenar o Ministério da Saúde para que leve a cabo a mesma intenção nos hospitais públicos e, em Agosto, no âmbito da aplicação do Decreto de Lei 299/2007 da Lei de Bases do Sistema Educativo, que define as normas das novas denominações para os estabelecimentos de educação, acabando com as “EB 1 e EB 2,3” e estabelecendo as escolas Básicas e Secundárias com designações de patrono, toponímia, características geográficas ou históricas do local, escolhas essas a cargo das assembleias escolares, não deixou o governo, qual crepúsculo de uma tarde invernosa onde o sol se encontrava tolhido, de indicar com inquinada parcialidade aos órgãos directivos, para se evitarem as alusões religiosas.
Este “advento” autoritário (quase do foro da psicanálise) da escalada laicista, a dar mostras de um inaceitável fundamentalismo fruto do gene autodestrutivo que algures na história nos apanhou, leva, é certo, ao absoluto entendimento do espírito estruturalmente provinciano da imitação (o progresso artificial quando amado e sentido simultaneamente, é sintoma característico do provinciano) e à tragédia mental deste governo que, não sabe que Portugal não é um estado laico e, muito menos, que as denominações católicas fazem parte da nossa cultura.

Depois do fecho de maternidades e de urgências hospitalares, de escolas e de centros de saúde, enquanto a malta anda preocupada em poder trabalhar, vendendo por baixo à canalha capitalista o valor dos seus braços, puxo a rédea ao impulso tuga de estabelecer paralelismos com o encerramento da Ginjinha do Rossio, com o fim da bifana pingante trincada à porta da tasca, ou o encerramento de todas as portas à faina fumante e completo o conjunto já de si fascinante, aguardando pelo fim dos tradicionais desenhos alusivos ao Natal, dos oito feriados religiosos em vigor e, já agora, das procissões aos santos padroeiros onde, os tais representantes do Estado laico se integram nestes rituais religiosos sempre que se querem mostrar.

Aguardemos portanto, calmamente, o próximo disparate deste nascer ou pôr-do-sol, lembrando a velha historia do sabonete: se apertarmos de menos ele cai, mas se apertarmos de mais ele salta.

Um bom ano novo! Que ele venha sem os erros do velho.


Construção da Noite

No casulo há um homem
Mas o fundo é outro lado;
No casulo de seu tempo
Há um homem
Mas o fundo é outro lado.
É o casulo
Onde o homem foi achado
Mas o fundo é outro lado.
É o terreno
Onde o homem foi lavrado
Mas o fundo é outro lado.
É a treva
Onde o homem foi fechado
Mas o fundo é outro lado.
É o silêncio
De um homem soterrado
Mas o fundo é outro lado
Mas o fundo é outro lado.
É a infância que nasce sobre o morto
É a infância que cresce sobre o morto,
É o sol que madruga no seu rosto,
É um homem que salta do sol-posto
E convoca outros homens para o sonho.
E mistura-se à terra
E mistura-se ao sonho
E o canto recomeça além do sonho,
Além da escuridão, além do lago.
Mas o fundo é o outro lado.

Mas o fundo principia
Sem passado,
Sem os montes, sem os barcos,
Sem o lago.

Tua vida verdadeira é o outro lado,
Tua terra verdadeira é o outro lado,
Tua herança verdadeira é o outro lado.

Tudo cessa
Tudo cessa
Tudo cessa
Mas o mundo
É o outro lado
Que começa.

Carlos Nejar

Será que o ditador Musharraf já pode dormir tranquilo?


Quando há dois meses atrás, Benazir Bhutto, regressa do exílio como líder da oposição e disposta a enfrentar nas urnas o general Musharraf, lutar contra a ditadura e combater os radicais islâmicos, assina a sua sentença de morte.

Marcada para morrer pelos radicais, que ela identifica como partidários do antigo regime militar do general Mohamad Zia ul-Haq, escapa ao primeiro atentado que provoca centena e meia de mortes, para denunciar o aumento da violência dos extremistas fanáticos no Paquistão e as madrassas (escolas religiosas islâmicas) de formarem terroristas, ensinando os alunos a fazer bombas e usarem espingardas, com a complacência do governo de Musharraf.

Benazir Bhutto, filha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto deposto em 1977 pelo golpe militar do general Zia ul-Haq e que viria a ser posteriormente executado em 1979, foi primeira-ministra do Paquistão duas vezes (1988-1990 e 1993-1996), sem que tivesse conseguido completar qualquer dos mandatos.
Destituída por alegados processos de corrupção, má gestão económica, mortes extrajudiciais de presos e acusada juntamente com o seu marido de desvios de fundos públicos, parte mais uma vez para o exílio de onde regressa em outubro, oito anos depois, para ser assassinada hoje (13:16 hora de Lisboa), a tiro, por um suicida que de seguida se fez explodir matando mais vinte pessoas.

Depois do pai, da mãe e dos irmãos, chegou agora, violentamente, o fim da vida da primeira mulher eleita primeira-ministra num país islâmico.
Talvez se tenha também liquidado a última e precária opção democrática do Paquistão, e esperemos que não sobrem só as opções violentas tão ao gosto dos extremistas islâmicos que, podem abrir as portas à guerra civil num país que possui armas nucleares.

Que seja um Bom Natal

História Antiga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga


Adeste Fidelis

Adeste Fideles
Laeti triumphantes
Venite, venite in Bethlehem
Natum videte
Regem angelorum
Venite adoremus, Venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum
Cantet nuncio
Chorus angelorum
Cantet nunc aula caelestium
Gloria, gloria
In excelsis Deo
Venite adoremus, Venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum
Ergo qui natus
Die hodierna
Jesu, tibi sit gloria
Patris aeterni
Verbum caro factus
Venite adoremus, Venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum

Tradicional

Nova Águia – A gestação de algo realmente importante


Quando dias atrás fui alertado por um bom amigo e ex. colega, que faz parte do Conselho de Direcção deste novo projecto, já o seguia fazia tempo com interesse e, confesso, a emoção de assistir à gestação de algo realmente importante no meio cultural português e neste Portugal onde nada acontece que marque o real, que o transforme e o abra como diz José Gil que, penso ser a alternativa ao esgotamento que se advinha da actual civilização economicista, dominante e global, tendo por base o pensamento português na forma que Agostinho da Silva o pensava, multicultural e sem imperialismos, no conceito de uma Pátria abrangente contra o de Nação: […]à maneira portuguesa de ser. […]daquela gente que foi tocada por esta pintura, com que se apresentam formas várias, por toda a parte. E, como diz Paulo Borges: à escala da dimensão lusófona, planetária, pondo-se ao serviço de ideais generosos, universais.
Daí a minha profunda satisfação e deleite em acompanhar o que pode, e se espera venha a ser, um importante movimento de transformação de mentalidades, a exemplo do que aconteceu no século passado com movimentos de cultura e filosofia lusa que deram origem a publicações como a Orpheu e a Seara Nova. Aqui encontramos a base daquilo que se vai seguir e que, se prevê, seja um novo e importante motor do debate de ideias neste inicio do século, devido à transversal crise da sociedade civil onde o reinante “brandos costumes” leva à anestesia e massificação das consciências.

Falo do projecto de renascimento da revista “A Águia (1910-1932)”, que marcou o meio cultural português no inicio do século passado, sob o novo nome “Nova Águia” que, pode espreitar aqui.
A coragem de fazer renascer uma corrente que teve por trás nomes como; Fernando Pessoa, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes, António Sérgio e Jaime Cortesão entre outros, alavanca na envergadura intelectual dos 40 elementos que constituem o Conselho de Direcção e 100 do Conselho Geral que se propõem levar a cabo tamanha, mas desde já credível tarefa, sob a direcção de Paulo Borges, Celeste Natário e Renato Epifânio.
A revista Nova Águia, pelo que agora se anuncia, será semestral, e o primeiro número só sairá no final do primeiro semestre de 2008 o que me deixa simultaneamente ansioso e descontente; ansioso por não ver chegar o dia de cheirar e absorver tal publicação e descontente com a sua espaçada (tão espaçada!) periodicidade.

Recomenda-se vivamente a visita a este espaço.

Reminiscências – Cinema Condes


Inaugurado a 4 de Fevereiro de 1916 no edifício transformado onde funcionou o provisório Teatro Nacional (Teatro da Rua dos Condes), fechou em 1996.

A 17 de Maio de 1947, quando ainda tinha uma distância da primeira fila para o écran de mais de 8 metros devido ao aproveitamento da profundidade de palco, estreia o filme “Capas Negras”, rampa de lançamento no cinema de Amália Rodrigues e que viria a ser um enorme êxito comercial e um dos maiores do cinema português, com 350 exibições, 6 meses em cartaz e cerca de 200 mil espectadores. Entre os anos 50 e 70, foi uma das mais populares salas de cinema de Lisboa, tendo começado a sua decadência sem que os vários aditivos usados conseguissem evitar o desgaste, com a proliferação dos complexos multisalas na década de 80.

Por lá tudo passou; o Conservatório Geral de Arte Dramática, o Club Makavenkos (para que conste, nada tinham de macambúzios, eram uma seita jantante) fundado por Francisco de Almeida Grandela e instalado na cave quando ainda era Teatro, a Rádio Condes lá esteve de 1933 a 1938, altura em que se fundiu com o Clube Radiofónico de Portugal e que (agora uma informação tipo prenda de Natal), foi responsável em Fevereiro de 1934 pela difusão da primeira revista radiofónica - a primeira de Rollim de Macedo. Como qualquer cidadão de bem, foi-se adaptando e evoluindo com o tempo devido às constantes inovações tecnológicas, como é o caso do Cinemascope, altura em que perde as galerias laterais, o fosso de músicos, o foyer da plateia e obriga à reconstrução dos 1º e 2º balcões e da cabina de projecção, para finalmente se vergar ao estrangulador conceito de Cinema-Estúdio.

Ficam muitas memórias para além das matinés que em puto lá papei, como esta que conta Baptista Bastos e que descobri aqui: “…Fiz toda a espécie de disparates por romantismo. Mas também fiz coisas belas, que hoje me arrepiam quando delas falo ou nelas penso. Um dia fui encarregado de lançar uns panfletos no cinema Condes, onde passava o filme ”E tudo o vento levou“. Fui para lá de gabardina, à Humphrey Bogart, escondendo os papéis. Eu estava no 2º Balcão, e havia outro camarada no 1º. Um do lado esquerdo, outro do direito. Lançámos os papéis, estabeleceu-se um burburinho na sala, as luzes acenderam-se, a polícia a apitar, um turbilhão de pessoas a descer pelas escadas, a escapar…”.

Com a compra do edifício pela Bragaparques chegou a temer-se mais um complexo de escritórios ou qualquer merda assim, naquele monumento histórico reconstruído após o terramoto de 1755, felizmente o destino não foi esse, é verdade, e desde o dia 12 de Junho de 2003 é um restaurante de nome internacional, “Hard Rock Café”, conhecido pelas suas peças de colecção (a famosa Memorabilia) onde, entre mais de 30, se destacam o espectacular Cadillac cor-de-rosa de 1959 que pertenceu ao antigo campeão de Indycar, Al Unser Snr e também uma guitarra eléctrica dos Rolling Stones.
A fachada foi restaurada com a traça original e, prestando tributo ao antigo Condes, lá dentro, recriando o ambiente de sala de cinema, estão as cortinas negras de cobertura de tela.
É este o presente concreto que está em cada um de nós.

"Escritores da Liberdade"


Varias vezes o disse, até com justificações desnecessárias para correcto entendimento da coisa que, não sou adepto da cegarrega das correntes. No entanto, este não gostar, não pode ser levado em desmesurada conta porque existem situações; na blogosfera, nos rios e mares, na terra e nos pedregulhos, na vida - mesmo na dos peixes de aquário -, no mundo que conhecemos e no que havemos de continuar a desconhecer devido às descabeladas opiniões com que lhe medimos a temperatura, em tudo, em tudo, enfim… que mesmo não nos apetecendo nada nos levam à excepção.
Este é mais um desses casos onde, com surpresa, vi a GI do “Pequenos Nadas” dar-me o prémio “Escritores da Liberdade” há muito merecido e que, com maior ou menor incidência dos holofotes, me torna parte daquela pequena confraria reconhecida em vida útil e afasta de vez o receio de que, quem me lê não saiba que sou um escritor da liberdade, mas - há sempre um mas -, passou-me no mesmo embrulho, coisa a que já não achei grande piada mas que também não é nenhuma desgraça, esta corrente onde tenho de atribuir apesar de me custar imenso, o prémio ganho com suor e lágrimas - só Deus e eu sabemos, só Deus e eu, caramba - a 5 bloggers merecedores, ou pelo menos que se aproximem disso.
Ora, tal tarefa, não é nada fácil como compreenderão, mas por respeito, com enorme esforço pessoal e depois de longas noites em claro devido à necessária e imprescindível pesquisa por essa blogosfera fora, separando o populismo do trigo que nos dá força e donde irradia a luz do inconformismo, aqui ficam, escolhidos entre um impressionante número de arrojada maltesaria, os cinco eleitos por mérito ou falta de comparência de adversários merecedores deste importante prémio por onde o acordo ortográfico não passou, que o deverão levar sem delongas, sem os habituais agradecimentos ao papá e à mamã, atribuindo-o a outros tantos como castigo.

Arrumados os fait-divers, são eles:


Rui Martins – Quintos







Armazém da Comunidade Vida e Paz, foi assaltado

No inicio de novembro, publiquei aqui uma mensagem sobre a Campanha de Angariação de Meias para os Sem Abrigo de Lisboa da Comunidade Vida e Paz. Soube depois que, o meritório, razoável e benéfico objectivo de angariar 5 mil pares de meias, tinha sido alcançado e largamente ultrapassado devido à onda de solidariedade que mobilizara os que ainda se preocupam com os que nada têem e nos permite continuar a considerar válidas as reflexões sobre o mundo, a humanidade, o mau, o bom, e mais uma série de coisas lixadas como estas.
Estava tudo preparado para de 14 a 16 de dezembro na Cantina 1 da Universidade de Lisboa, poderem também ser servidas 4500 refeições aos Sem-Abrigo. Acontece que, com desassombrado despudor e nenhum principio subjacente ao sentido do valor das coisas na vida de quem nada tem, que me merece profunda indignação, revolta e uma torrente de pensamentos que, embora disparatados, neste momento me parecem muito a propósito, na noite do passado sábado, a uma semana da festa de Natal, o armazém da Comunidade Vida e Paz foi alvo dos malefícios de mão invisível e os 22 mil pares de meias que se destinavam aos Sem-Abrigo, roubados na sua totalidade, assim como, uma catrefada de alimentos destinados às refeições de Natal.

O blog da Sophia Valente, uma das almas do projecto, dá conta disso mesmo. Perante esta intolerável situação, que me escuso a adjectivar para além da incomensurável filha-da-putice, somos de novo requisitados.

Comunidade Vida e Paz
E-mail - vsosophya@hotmail.com
Rua Domingos Bomtempo, n.º 7
1700 – 142 Lisboa

Acordo Ortográfico da língua portuguesa? Claro que sim!

“A partir de Janeiro de 2008, Brasil, Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - terão a ortografia unificada.”

Assim começa uma, das seguramente para cima de meia dúzia de mensagens recebida por correio electrónico, que me desperta deste período ronceiro para tecer algumas considerações à polémica que o Acordo está a gerar aqui e principalmente no Brasil.
Antes, fica aqui um link para os distraídos: aqui mesmo.

Não tendo nada contra o português dos outros países da CPLP, e muito menos contra o de Portugal, nem galões para puxar como alguma aristocracia culta e de diversa plumagem que, opositora do Acordo abre a boca e logo ganha criadagem e vassalos entre as mentes jarretas, confesso que, ainda assim, tacanhamente, tive algumas dúvidas provocadoras de considerações sobre a autonomia da língua e a sua homogeneização porque, não diferimos só na grafia mas também no modo estrutural.
Entendo no entanto, porque posso, e contra os nacionalismos balofos, a emergência estratégica do acordo e reconheço a língua como um organismo vivo que se desenvolve e adapta, e se confirma pela existência de simplificações anteriores, se exemplos fossem necessários para justificar saltos evolutivos, depois, tenho em conta que cada país continuará com os seus particularismos linguísticos, só a escrita será igual nos casos acordado, como aliás, acontece com o francês, o espanhol ou o árabe e, nesse sentido, estou de acordo com o Acordo porque as mudanças pouco atrapalham ou não atrapalham quase nada, e muito menos afectam o deserto cultural da malta da bifana e do coirato (agora fazia o grande sacrifício com uma mini ou duas) e algumas são até interessantes, embora, muita coisa tenha de ser mudada; dicionários, prontuários, manuais escolares etc, etc.
Se não pensarmos nos custos com que, os nossos exímios comerciantes, com o habitual profissionalismo e como quem não quer a coisa tratarão de nos alisar mais o bolso, e retirarmos também a lamecha dimensão afectiva, será inevitável concluir, que as alterações contribuem para um valor mais alto que é a unificação, tendo o nacional objectivo de manter viva uma das línguas mais faladas no mundo, projectando-a internacionalmente.
Convencido que poderíamos até ter ido um pouco mais longe, para além dos ameaços, aqui não se consideram mais teorias, só o Acordo.

Reminiscências - Cinema Apolo 70


Inaugurado em Maio de 1971, o Cinema Apolo 70 homenageava com o seu nome a primeira viagem do homem à lua e, estabelecia paralelismo com a data de inicio da sua construção. O Cinema Apolo 70 não pode ser dissociado do Centro Comercial Apolo 70 onde estava integrado, e que, na época, era um acontecimento na vida lisboeta; pelas suas 41 lojas, o inovador snack bar que as minhas papilas reverenciavam com entusiasmo e o bowling de 4 pistas. Um must de modernidade urbana, incontornável para os lisboetas em geral e particularmente para os alunos do Crisfal, que era logo ali.
Este cinema, um estúdio, para além da envolvência era apreciado pela qualidade dos seus filmes, a que, não era alheio o coordenador de programação na altura, nem mais nem menos, que o conhecido realizador e escritor de teatro e cinema, Lauro António.
Sei e digo-o como curiosidade; estava agendado para o dia 25 de Abril de 1974, o American graffiti de Georges Lucas, mas não consegui saber se chegou a ser exibido.

O Centro Comercial lá continua, mas sem o cinema que um dia terá dado lugar a um restaurante sem ninguém me avisar.

Euro2008


Dificilmente seria melhor para Portugal. O sorteio do nosso contentamento, retirou do grupo (A) as maiores potências do futebol europeu e nem os gregos têem hipótese de nos chatear.
Este grupo, constituído pela anfitriã Suíça com quem jogaremos na 3ª jornada a 15 de junho no Stade Jakob-Park, em Basileia, inicia as hostilidades que, se presumem a esta distancia, estéticas, no dia 7 de junho em Genebra com o Portugal - Turquia no Stade de Genêve, talvez a selecção mais difícil e onde joga o velhinho Hakan Sukur do Galatasaray que vem acompanhado pelos netos, seguindo-se no dia 11, também em Genebra e no mesmo estádio, o República Checa - Portugal, onde teremos oportunidade de por à prova o guarda-redes do Chelsea, Petr Cech.
O grupo da morte ficou no (C), com Holanda, Itália, Roménia e França, vai ser uma farturinha tal que já as pernas me tremem. No grupo (B) temos a outra anfitriã, a Áustria, mais a Croácia, Alemanha e Polónia, e no (D) a Grécia, a Grécia, a Grécia, para quem não se deseja sorte de espécie alguma e se espera que a Maya lhes apareça tanto como a nós, e ainda a Suécia, Espanha e Rússia.

Uma presença na fase final rende a ninharia de 7,5 milhões de euros e o vencedor pode ganhar qualquer coisinha como 23 milhões.

Rússia e Venezuela a votos – números disponíveis

10:00
(Venezuela)
Depois de Juan Carlos I, é agora o povo Venezuelano que manda calar Hugo Chávez.

O NÃO vence nos dois blocos de artigos. O primeiro bloco com 50,7% dos votos, contra 49,29% do SIM e o segundo com 51,05%, contra 48,94%. A abstenção foi de 44,9%.
Chávez reconhece a derrota com um “Não é nenhuma derrota, para mim este é outro “por enquanto”. Preferi assim, foi melhor assim”, a mesma frase de quando falhou o golpe de estado em 1992.
Atribuindo a derrota à abstenção, insiste que a proposta continua viva deixando a porta aberta para tornar a insistir na revisão constitucional.




(Rússia)
Putin vence com 64,1% dos votos e obtém 315 lugares na Duma (câmara baixa do parlamento). Os restantes votos ficaram assim distribuidos: Partido Comunista 11,6% - 57 lugares, Partido Nacionalista LDPR 8,2% - 40 lugares e o Partido da Rússia Justa 7,8% - 38 lugares.

4:20 (Venezuela)
Líderes do NÂO, avançam com dados preliminares que lhes dão a vitória com 54% dos votos.

3:30
Embora vários jornais internacionais acompanhem os escrutínios, em Portugal, nem um só jornal de referência o faz.

3:10 (Venezuela)
Segundo a Reuters, 3 ministros venezuelanos afirmaram que o SIM ganhou.
Sabemos no entanto que, resultados oficiais só podem ser divulgados pelo Concelho Nacional Eleitoral, quando estiverem apurados 90% dos votos.

3:00 (Rússia)
Putin obtém 62,9%, quando estão apurados 54,6% dos votos. O Partido Comunista não vai além dos 11,5%, Partido Nacionalista LDPR 9,1% e o Partido Rússia Justa 7,8%.

2:40 (Rússia)
Com 19,5% dos votos contabilizados, Putin obtém 63,5% dos votos e o Partido Comunista 11,3%. Algumas das ruas de Moscovo, já foram bloqueadas pela polícia com intenção de impedir qualquer manifestação da oposição.

2:25 (Venezuela)
A oposição pede calma ao governo Venezuelano e avisa que o melhor é não se precipitarem. É preciso esperar e o melhor é o governo não tentar antecipar os resultados, diz o dirigente Gerardo Blyde, respondendo a declarações do ministro da informação, William Lara, que sugeria que a oposição reconhecesse já a derrota.

02:15 (Rússia)
Vadim Soloviev, chefe do serviço jurídico do Partido Comunista, afirma que a vaga de violações ao processo eleitoral, ultrapassa todas as normas e regista até agora mais de 10 mil irregularidades.

01:00
Com 12% dos votos apurados, Vladimir Putin e a Rússia Unida, lideram com 62,3% dos votos contra 11,5 do Partido Comunista, enquanto sondagens à boca da urna dão a vitória a Putin com 61% dos votos, Partido Comunista 11,5%, Partido Nacionalista LDPR 8,8% e o Partido Rússia Justa 8,4%. A votação para que estavam convocados 108 milhões de russos, compareceram segundo os dados até agora disponíveis, cerca de 60% dos eleitores, que vão eleger 450 deputados da Duma.
Entretanto, o chefe adjunto do serviço jurídico do PC, Andrey Klytshkov, denuncia enorme quantidade de violações em todo o país, enquanto os observadores das Assembleias parlamentares da OSCE e do Conselho da Europa dizem não terem constatado nenhuma.

Na Venezuela, onde 16 milhões de venezuelanos foram chamados para votar o referendo à reforma constitucional, sondagens à boca da urna, variam entre os 53% a 56% para o SIM e os 44% a 47% para o NÃO. A abstenção ronda os 50%.
Até agora, o Concelho Nacional Eleitoral, não divulgou qualquer resultado oficial.


Os números da Greve da Função Pública…

...em nada diferem dos apresentados pelos sindicatos e Governo em novembro no ano passado. O Governo, navegando à bolina da costumeira miserabilidade, avança na insistência de uma adesão de 22% e os sindicatos contra argumentam com uns retumbantes 80%. A guerra do costume, embora, tenham encerrado mais 919 escolas que anteriormente e a Administração Central reconheça que, em relação à paralisação de 30 de Maio último, houve um aumento na ordem dos 45%.
Sócrates, o homem da engenharia mercantil e da megalómana arte dialéctica , lá da India, diz que encara a greve com tranquilidade, e nós sabemos que está para nascer o dia, que um Governo reconhecerá o impacto real de uma greve.

Petróleo vs. Democracia

Hugo Chávez e Vladimir Putin, dois bons amigos, vão a votos no mesmo dia, no mesmo domingo. Um 2 de Dezembro que se advinha negro para a democracia. Chávez com a cartada de confrontação com os EUA, pretende adquirir legitimidade internacional, nacional e a mobilização política para ver aprovada a revisão constitucional e a sua reeleição por tempo indefinido, e Putin enfrenta as legislativas com o projecto de democracia sem representação, que monopoliza a competição e monopoliza o poder.

Vladimir Putin, segundo observadores internacionais, parece já ganhou, e Chávez para lá caminha, ameaçando que se o resultado do referendo não for reconhecido, estando ele convencido que o “Sim” ganhará, ou for boicotado, fechará emissoras de TV, expulsará jornalistas e suspenderá a exportação de petróleo para os EUA, e se o Rei Juan Carlos I não lhe pedir desculpas pela “agressão” em Santiago do Chile, começará a pensar em acções contra os interesses espanhóis na Venezuela e deixa a ameaça de nacionalizar o BBVA e o Santander. Isto tudo, no discurso de encerramento de campanha ontem à tarde em Caracas.

Ambos põem em causa o pluralismo. São duas protoditaduras em vias de serem instaladas através da “democracia directa” de Chávez e da “democracia dirigida” de Putin.

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 1888-1935)


Fernando Pessoa, um dos maiores símbolos da cultura lusa, que usou os heterónimos Bernardo Soares, Chevalier de Pas, Alexander Search, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos para assinar as suas obras, nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1888, cidade aonde viria a falecer a 30 de Novembro de 1935.
Morreu de cirrose hepática aos 47 anos e os seus restos mortais repousam perto dos poetas Luiz Vaz de Camões e Alexandre Herculano, sob um monólito de mármore no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o mais emblemático monumento português.

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Fernando Pessoa

Manifestação em Caracas contra a reforma chavista.



A avenida Bolívar em Caracas, reduto dos chavistas, foi pequena para a manifestação convocada pelo movimento universitário, contra a reforma constitucional de Hugo Chávez.

Não serão estes fascistas que me pararão… terá pensado o coronel-presidente.

A caminhada de Hugo Chávez, sem meias medidas ou meias palavras

Com protestos de rua em ebulição, a Venezuela prepara-se para no próximo domingo referendar as reformas constitucionais de Chávez e, como as sondagens apontavam a derrota de Chavéz, foram proibidas. Até lá, só se divulga a excelsa opinião do presidente que diz estar convencido de uma vitória por 10 pontos percentuais mínimos, enquanto o movimento estudantil, prepara para hoje dia 29, um mega-protesto na avenida Bolívar, em Caracas, contra a alteração constitucional que prevê a reeleição por tempo indefinido do presidente e aumento dos poderes nos casos de excepção, ou seja e sem espinhas: perpetuação do coronel Chávez na presidência e personalização do poder à boa moda do egípcio Hosni Mubarak, retirando assim, do caldo que alimenta as democracias modernas uma importante característica, que é a alternância regulada pela limitação de mandatos.

A Venezuela é hoje o centro da preocupação da América Latina e devia ser a maior preocupação do Brasil, porque Chávez se arma(*), porque anuncia a intenção de desenvolver um programa nuclear com o apoio técnico do Irão, e porque a sua beligerância verbal é acompanhada de financiamento aos grupos radicais nos países vizinhos, onde já se intrometeu nas eleições internas do Equador, Bolívia e Nicarágua, e, sem sucesso, no Peru e México. Agora tenta a Colômbia na sua caminhada para dominar a América Central.

Os sinais e tiques ditatoriais de Chávez, começaram a ser evidentes quando em 2004 alterou de 20 para 32 os juizes da Corte e nomeou os novos juizes, montando assim uma Corte onde, com a maioria, submete o poder judiciário ao poder executivo, fragilizando a certeza e segurança do sistema e libertando-se do domínio da lei, depois, e já este ano, conseguiu que o Congresso lhe concedesse poderes para governar por decreto e pelo prazo de 18 meses prorrogáveis, a seguir, fechando o cerco, virá o ataque à liberdade de expressão em todo o seu esplendor, começando pela censura à imprensa onde já avança sinais como a ameaça de suspensão de concessões de TV aos canais que lhe desagradem. Prova disso, esta sua afirmação, que põe uma pedra sobre reflexões éticas, morais e políticas na sua relação com a democracia: “Não podemos continuar a permitir que um pequeno grupo de pessoas use um espaço de transmissão que é do Estado”.

Quero só deixar explicito para quem quiser e com o necessário respeito, porque os que não acreditam em nada dificilmente morrerão na dúvida, que os sinais estão todos aí e só não vê quem não quer ver, mas infelizmente alguma esquerda, felizmente só alguma, não quer ver e defendem Chávez com argumentos próprios dos indígenas da luisiânia, que derrubavam as árvores para colher os frutos (isto, que até pode parecer uma ironia, não é).

(*)
Construção de uma fábrica de Fuzis.
compra de 24 caças russos Sukhoi 30, com capacidade de atacar todos os países vizinhos. Podem voar a 2.500 km hora, com capacidade até 3.000 km sem reabastecimento e carregam 8 toneladas de mísseis e bombas inteligentes.
36 blindados brasileiros, com canhões de 1.000 tiros por minuto.

Reminiscências - Cinema Monumental


Inaugurado em 1951, o Cinema Monumental tal como o vêem já não existe, veio abaixo se a memória não estiver na reinação em 1982. Há que, em primeiro lugar, dizer uma coisa: foi uma destruição traumática e muito polémica, protagonizada pelo Presidente da Câmara Nuno Kruz Abecassis (1980-1989. CDS-PP), para dar lugar a um centro comercial com 4 pequenas salas de cinema que, na altura, não me pareceu irazoável questionar.

Por este que agora se recorda, escorrem memórias como o inesquecível Apocalypse Now de Francis Ford Coppola, visto em écran gigante com som surround (lembram-se dos hélis? Pois então… até parecia que nos rasavam a mona) ou as gravações do programa “Curto-Circuito”, que em 1971 eram ali gravadas para a televisão, o Festival da Canção (de retaliação com a Eurovisão) de 1970, e o de 1979 com a Gabriela Schaaf e o Tó Zé Brito entre outros, que levou Manuela Bravo a Israel em defesa de um “sob, sobe, balão sobe”.

Enfim, será hoje um mal menor porque o tempo voa e deixamos de nos importar.

Sporting Clube de Portugal vs. Manchester United


Old Trafford - 27 de Novembro de 2007 pelas 19:45hs
No mínimo, será um jogo didáctico.