Em nome da solidariedade e porque temos de ser uns para os outros.

Recebi esta mensagem com pedido expresso de reenvio e, presumivel intenção, de todos juntos podermos combater a tal falta de profissionalismo que continua a emperrar Portugal.
Sendo uma pessoa intrinsecamente solidária não podia deixar de me envolver, assim, além do reenvio solicitado, segue a sua publicação na esperança que os srs. da ASAE leiam e nos sosseguem como sempre fazem.
Nem só as ginjinhas deste país merecem ser encerradas!
PiresF


Sexo em grupo, não se deixem enganar!

Há quinze dias deparei-me com uma promoção de uma orgia aberta a todos "os cavalheiros, senhoras e casais de bom gosto", a decorrer numa moradia na Maia.
Na altura, como a publicidade me suscitava algumas dúvidas contactei por e-mail a organização (segue o e-mail enviado):

Ex.mos senhores
Venho por este meio contactar-vos para solicitar alguns esclarecimentos adicionais acerca da orgia que v. Exª intenta organizar na Maia. O texto promocional, cuja versão remeto em anexo, sobre a supracitada orgia levantou-me algumas dúvidas, e gostaria que V. EXª ou alguém devidamente mandatado para o efeito se dignasse a esclarecê-las:
1º- que providências foram tomadas para acautelar possíveis discriminações no usufruto das pessoas participantes, ao abrigo do disposto no artigo 4º da lei nº 134/99, de 28/08;
2º se foram implementadas medidas preventivas para assegurar que o acto penetrante apenas deverá ocorrer por parte de indivíduos do sexo masculino em indivíduos do sexo feminino;
3º se vai ser garantida a igualdade de acesso à orgia a minorias étnicas e religiosas como judeus, islâmicos, testemunhas de Jeová, mormóns ou hindus e não apenas à maioria católica; e se será assegurada a liberdade de expressão religiosa na utilização de símbolos como crucifixos, velas, fato e gravata no caso dos mórmons ou o véu islâmico (recordo que devem ter a atenção à utilização de carnes de porco em algumas fantasias caso se verifique a participação de judeus);
4º se está assegurado o não uso de palavras e expressões atentatórias à dignidade e direitos da mulher.
Desde já agradeço a atenção dispensada e fico a aguardar por uma resposta breve
Melhores cumprimentos
JP


A resposta não se fez esperar:

Olá JP
Tudo garantido. Inscreve-te que vai ser uma loucura, já temos mais de 25 inscritos. Vai já ao site e efectua a tua inscrição e respectivo pagamento.
Abraço
R.

Embora a mensagem fosse curta, fiquei mais sossegado e inscrevi-me.


No dia 14 de Fevereiro, pelas 20 horas, dirigi-me acompanhado da minha esposa à morada que me foi indicada por telemóvel. Um senhor abriu-nos a porta e encaminhou-nos para junto dos outros participantes. Ao chegarmos à sala, a primeira surpresa: apenas se encontravam homens, mais concretamente, 25 homens.
Passado pouco tempo, um senhor perguntou muito educadamente: "será que não se inscreveram mais gajas?". Nós encolhemos os ombros e ninguém sabia responder.
Eu e a minha esposa conversamos com uns senhores da Trofa muito simpáticos e até falamos da questão do aborto e descobrimos que eles também votaram "Não" como nós.
O tempo passava e ninguém aparecia. Um jovem, que mais tarde vim a saber que era de Ovar, levantou-se e disse que era melhor chamarem alguém. O porteiro entrou e mostrou uma cara surpreendida. "Então, ainda não começaram?". As pessoas ficaram indignadas. "O sr. porteiro deve estar a brincar connosco, então isto só tem aqui uma senhora, como quer que façamos uma orgia? Isto é uma vergonha!", disse um dos senhores da Trofa. O porteiro disse que não havia quotas mínimas para mulheres e para homens. O senhor da Trofa levantou-se, "está a brincar comigo, querem quotas no parlamento e aqui, que é onde deviam existir, não existem. Estou indignado e alguém vai ter que pagar por isso". "Pois, mas o Sr. R. está no estrangeiro e só volta daqui a 15 dias".
As pessoas ficaram estupefactas e não sabiam o que fazer. "O chato disto é que para além de ser difícil que todos obtenham um orgasmo, como se tratava de uma orgia eu vinha a contar ter três ou quatro orgasmos e agora acontece-me isto” , disse o senhor da Trofa. Todos concordaram, era uma vergonha!
O porteiro disse para estarmos à vontade, que ele não podia fazer nada. Os senhores olharam para mim e para a minha esposa expectantes. Tomei então a palavra: "estou tão indignado como todos os presentes. Acima de tudo considero uma falta de respeito e mais uma vez uma manifestação da atitude pouco profissional que caracteriza a sociedade portuguesa. É graças a amadorismos destes, à falta de empenho dos responsáveis na operacionalização dos projectos e na implementação dos mesmos que Portugal está no estado actual". O senhor da Trofa concordou comigo e propôs fazermos uma carta a denunciar aquela situação, depois via-se a quem é que a iríamos enviar. Entretanto, o jovem de Ovar perguntou "avançamos ou não?".
Claro que todos esperavam pela minha resposta. "Eu não quero boicotar, estou solidário com todos vocês, também porque estou na mesma situação. Eu e a minha esposa participamos, mas tem que ficar claro que iremos reclamar e actuar nas devidas instâncias. É que isto não pode ser assim, eles vão vê-las e haverão de aprender".
O certo é que as coisas avançaram, um pouco de forma desorganizada, mas veio ao de cima o espírito de entreajuda e a solidariedade que caracteriza o povo português. Devo realçar que foram todos de uma boa educação extraordinária e valeu-nos a liderança de um senhor de Moreira de Cónegos, que se mostrou expedito e no final todos lhe demos os parabéns. É nestes momentos que se vêem os líderes. Ele depois confidenciou que trabalhava em organização de eventos. Naquele momento, todos sentimos orgulho em ser portugueses e houve mesmo um momento bonito em que cantamos o hino e um senhor de Nine colocou uma bandeira portuguesa atada ao pescoço. Não mentirei se disser que me vieram as lágrimas aos olhos. Lembro-me que, por descuido, um senhor de Rio Tinto pisou-me uma virilha, mas de imediato foi-me buscar gelo e pediu-me imensas desculpas. Outro senhor de Vila das Aves fez-me uma massagem quando tive um torcicolo. Tudo decorreu com o máximo de civismo.
Contudo, tivemos muitos problemas que julgo que a organização deveria assumir e ser penalizada por isso. O sr. de Nine apresentava, no final, sérios sintomas de uma constipação, porque a casa não tinha qualquer aquecimento. A minha esposa desenvolveu todos os esforços para que tudo corresse pelo melhor, mas muitas vezes tínhamos de aguardar sem roupa no hall de entrada a falar de futebol, porque tudo ficava muito confuso na sala de estar.
O jovem de Ovar sentiu-se mal e afirmava que não iria conseguir, mas o senhor de Rio Tinto fez-lhe um chá de camomila e disse para ele não ter complexos que aquilo devia ser do fígado.
Já no final, para quem pretendia repetir tivemos que pôr a Joana com quatro e cinco senhores ao mesmo tempo, porque como disse o sr. de Moreira de Cónegos, "a este ritmo nem às seis da manhã saímos daqui e se todos quiserem repetir, nem às onze". E depois ficava muito tarde para quem era de longe. O jovem de Ovar até perguntou se ninguém queria experimentar nada entre homens, "não é que eu queira, é só uma ideia, a coitada da Joana bem precisa de uma mãozinha, ela vai ficar estafada". "É verdade", disse o senhor da Trofa, "tens uma esposa cinco estrelas, uma senhora, houvesse mais como ela neste país". Os homens enviavam olhares duvidosos para um e para o outro lado, mas realmente tínhamos que deixar de ser egoístas e pensar um pouco na Joana. Então o pessoal começou a entreter-se uns aos outros. O sr. da Trofa foi muito simpático e carinhoso e até reparou que eu tinha caspa, recomendou-se um champô que costuma comprar na farmácia e não deixa o cabelo muito seco.
Deste modo, peço a todos que reenviem esta denúncia para que possamos combater a falta de profissionalismo que continua a emperrar Portugal. Na qualidade de usufrutuário de um serviço, senti-me enganado. Todos os dias ouvimos o governo falar de modernidade, de desenvolvimento e de simplificação. Mas não foi isso que eu testemunhei neste bacanal. Acima de tudo, urge garantir quotas mínimas de mulheres nas orgias.
JP

HELPDESK

Portugal no Euro 2008




Já está! Depois de um atribulado percurso, conseguimos ontem, num jogo que não deu para atingir o orgasmo devido à performance de alguns jogadores, mas onde a equipa das quinas mandou e foi nitidamente superior à equipa nórdica, a desejada qualificação para o Euro-2008. Agora só falta percorrer os cerca de 2000 quilómetros que nos separam de Basileia, para no dia 7 de julho de 2008 assistirmos à abertura da fase final.
Obrigado aos jogadores, ao seleccionador luso Sr. Luiz Felipe Scolari e toda a sua equipa técnica (FPF incluída), por mais uma vez nos levarem ao grande palco do futebol europeu.
Termino com um considerando (ainda pensei num apelo à inteligência, mas desisti) para os jornalistas que na sala de imprensa e no final do jogo, entrevistaram o Sr. Scolari. Vão tomar banho! E outro, este com nítida consternação porque roça a imoralidade, para os donos do futebol e, do fair play após Heysel, que não se qualificaram. Deviam ter-se esforçado mais um bocadinho para não nos privarem de uma das duas selecções (a outra é a Holanda) que está sempre ao nosso alcance.

PS: Para quem gosta de debates na blogosfera, sugiro um realmente interessante entre o Daniel Oliveira do Arrastão e o Pedro Magalhães do Margens de Erro, sobre Hugo Chávez e a Venezuela. Comecem no Daniel Oliveira, depois a resposta do Pedro Magalhães, depois o Daniel Oliveira, depois o Pedro Magalhães e, até ver, outra vez o Daniel Oliveira.

E então o Putin? O Putin, porra!

Alguns poderão ser tentados a julgar este post um caso clínico (e se o é, meu Deus, se o é), mas a vontade de o fazer, nasceu depois do “Prós e Contras” desta semana e de ter, devido a estar desprevenido, começado a pensar que, quando a indiana Mittal comprou o gigante do aço europeu, a Arcelor, imaginava o murro no excesso de confiança russo que pensava ter mobilizado influencias políticas capazes de levar a Severstahl a concluir com êxito a operação, e quando já iniciava os festejos (enfim, feitios), veio a lembrança, que se esta ofensiva de Putin tinha falhado, o mesmo não se podia dizer da Gazprom, o seu ex-libris, que já controla o abastecimento de gás natural e petróleo da Europa central e, podemos também preocuparmo-nos com a preparação da Avtovac no ataque à indústria automóvel, e ataques a sectores da navegação e aviação, não esquecendo o armamento onde começa a haver agitação na actividade da Rosoboronexport, a maior empresa Russa de exportação de armas, numa das mais poderosas campanhas para dominar o espaço económico a ocidente da Rússia.

Ora, como se isto fosse pouco e não bastasse, parece que esta merda está sempre a evoluir, agora o perigo está no Chávez, esse palrador abrutalhado que quase me provoca convulsões, com o seu gás, o seu petróleo e a ameaça dos duzentos dólares, e nós à espera que a salvação venha do petróleo do Brasil, e a fazer figas para que estes mandem o marxista de pacotilha tomar no cu mais às suas cantorias.

Até lá, por forma a não perdermos a esperança e recuperarmos o equilíbrio interior, proponho um exercício que não procura pôr à prova a capacidade de retenção, mas placidamente lavar-nos das correntes intelectuais que todos os dias nos atingem.

Leiam com calma este índice de localidades com nomes cómicos, que não é ficção, do nosso Portugal.

A-da-Gorda (Mafra), Aguçadoura (Póvoa de Varzim), Aliviada (Marco de Canaveses), Anais (Ponte de Lima), Angústias (Paredes de Coura), Às dez (Angra do Heroísmo), A-Ver-O-Mar (Póvoa de Varzim), Anais (Ponte de Lima), Bagaceira (Calheta), Baleia (Mafra), Bexiga (Tomar), Bicha (Gondomar), Bicho (Santo Tirso), Bico (Amares), Buraca (Amadora), Cabeçudos (Marvão), Cabrão (Ponte de Lima), Cabrões (Santo Tirso), Cama Porca (Alhandra), Campa do Preto (Maia), Casal de Água de Todo o Ano (Abrantes), Casal Mil Homens (Leiria), Catraia do Buraco (Belmonte), Cemitério (Paços de Ferreira), Cepos (Arganil), Chiqueiro (Lousã), Coina (Barreiro), Coito (Várias), Colhões (Coimbra), Cornalheira (Meda), Coxo (Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras), Crucifixo (Tramagal), Deserto (Alcoutim, Coruche e Estremoz), Endiabrada (Aljezur e Odemira), Esgaravatadouro (Monchique), Focinho de Cão (Aljustrel), Garanhão (Ponte da Barca), Hospício (Azeitão), Imaginário (Caldas da Rainha), Jerusalém do Romeu (Mirandela), Mal Lavado (Odemira), Malhou (Alcanena), Mata Porcas (Lagos e Monchique), Matacães (Torres Vedras), Monte dos Tesos (Avis), Namorados (Castro Verde e Mértola), Paitorto (Mirandela), Paixão (Celorico de Basto e Vieira do Minho), Paraíso (Vários) Passado (Vila Verde), Paus (Resende), Pedaço Mau (Vila Nova de Ourém), Penso (Sernancelhe), Pés Escaldados (Arganil), Picha (Pedrógão Grande), Pobreza (Caminha), Porca (Ponte de Lima), Porreiras (Paredes de Coura), Presa dos Mouros (Lagoa), Punhete (Valongo), Purgatório (Albufeira), Quinta de Comichão (Guarda), Rabo de Porco (Penela), Rata (Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela), Rato (Barcelos e Vila Nova de Famalicão), Ratoeira (Vila Nova de Cerveira), Rego do Azar (Ponte de Lima), Rio Seco dos Marmelos (Ferreira do Alentejo), Rossas (Ancas), Sarilhos Pequenos (Moita), Senhora do Alívio (Baião), Sítio das Solteiras (Tavira), Terra da Gaja (Lousã), Traseiros (Oliveira de Azeméis), Vacalouras (Castanheira de Pêra), Vaginha (Vagos), Vale da Rata (Almodôvar), Vale de Mortos (Beja), Vale do Porco (Mogadouro), Venda da Gaita (Pedrógão Grande), Venda da Porca (Estremoz), Venda das Pulgas (Mafra), Venda das Raparigas (Alcobaça), Venda dos Pretos (Leiria), Vergas (Vagos), Vila Nova do Coito (Santarém), Vinha da Desgraça (Coruche), Violência (Paredes de Coura).

Pelé, a enciclopédia viva da técnica individual

Anda por aí uma malta de deficiente entendimento que, em concreto e continuamente, impingem desavergonhadamente o Maradona como o melhor de sempre, escorrendo comparações assim ou assado.
Não querendo ir ao embaraçante extremo de julgar tal entendimento como bom, mau ou onde é que bateram com os cornos para dizerem tamanha asneira, direi com suavidade e em tom de evidente cuidado, que esse entendimento excessivo, é principalmente induzido por não terem visto jogar Pelé, e admito também que, possam ter dúvidas e vacilar entre estes dois grandes futebolistas, mas quem conheceu o futebol de ambos, sabe que a resposta inequívoca e imperecível só pode ser uma: Pelé, evidentemente.

Jogaram os dois 21 anos e, as estatísticas relativamente organizadas e usadas aqui como argumento construtivo, demonstram à saciedade isso mesmo e contribuem para que não morram na dúvida, coisa que pode ser imensamente digna, mas que, podendo, se deve evitar.


Maradona

1 Mundial sub-21 (1979)
1 Campeonato Argentino - Boca Juniors (1981)
1 Taça do Rei - Barcelona (1983)
1 Mundial (1986)
1 Taça de Italia – Napoli (1987)
2 Campeonatos italianos - Napoli (1987 e 90)
1 Taça UEFA - Napoli (1988)
1 Supertaça Italiana - Napoli (1990)
1 Artemio Franchi Cup (1993)

679 jogos - 345 golos
Com a Selecção: 91 jogos - 34 golos


Pelé

3 Mundiais - (1958, 62 e 70)
10 Campeonatos Paulistas - Santos (1958, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69 e 73)
4 Torneios Rio-Sao Paulo - Santos (1959, 63, 64 e 66)
5 Taças Brasil - Santos (1961, 62, 63, 64 e 65)
2 Mundiais Interclubes - Santos (1962 e 63)
2 Taça Libertadores da América - Santos (1962 e 63)
1 Torneio Roberto Gomes Pedrosa - 1968
1 Campeonato Nacional dos Estados Unidos – New York Cosmos (1977)

1375 jogos - 1283 golos
Com a Selecção : 115 jogos (92 oficiais) – 95 golos

Nota final: Se tiverem de comparar Maradona com alguém, façam-no por exemplo com Di Stefano, Cruyff ou Beckenbauer, nunca com Pelé. Pelé está acima de todos os outros, e aos que não percebem concretamente o que estou a dizer, deixo este vídeo na esperança que o sintam.


Tesourinhos no correio

Carlos Barreira da Costa, médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro "A Medicina na Voz do Povo", com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina. E dele não resisti a extrair verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico que decidi compartilhar convosco.

O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos, nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:

"A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece com sua licença espermatozóides".
"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa".
"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho".
"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido".
"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída".
"Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saiam".
"Tenho a língua cheia de Áfricas".
"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor".
"O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas infeccionava-as".
"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor".

As perturbações da fala impacientam o doente:

"Na voz sinto aquilo tudo embuzinado".
"Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta".
"Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais".
"O meu pai morreu de tísica na laringe".

Os "problemas da cabeça" são muito frequentes:

"Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João".
"Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é...".
"Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós".
"Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...".
"A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar".
"Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal".

Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:

"Venho aqui mostrar a parreca".
"A minha pardalona está a mudar de cor".
"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".
"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza".
"Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?"
"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três".
"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada".
"Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos".
"Quando estou de pau feito... a puta verga".
"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".

As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de suportar:

"Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta".
"O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura".
"Já tenho os ossos desclassificados".
"Alem das itroses tenho classificação ossal".
"O meu reumatismo é climático".
"É uma dor insepulcrável".
"Tenho artroses remodeladas e de densidade forte".
"Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala".

O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:

"Tomo um vinho que não me assobe à cabeça".
"Eu abuso um pouco da água do Luso".
"Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool".
"Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem".
"Eu sou um fumador invertebrado".

O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas :

"Fui operado ao panquecas".
"Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina".
"Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo".
"Eu era muito encharcado a essa coisa da azia".
"Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença nem dá um peido".
"Tenho pedra na basílica".
"O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás".
"Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa".
"Fiz uma mamografia ao intestino".
"O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)".

Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:

"Ando a tomar o Esperma Canulado"- Espasmo Canulase.
"Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião" - Sermion.
"Andei a tomar umas injecções de Esferovite" - Parenterovit.
"Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada" - Piprilim.
"Agora estou melhor, tomo o Bate Certo" - Betaserc.
"Tomo o Sigerom e o Chico Bem" - Stugeron e Gincoben.
"Ando a tomar o Castro Leão" - Castilium.
"Tomei Sexovir" - Isovir.
"Tomo uma cábulas à noite".
"Tomei uns comprimidos "jaunes", assim amarelados".
"Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas".
"Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha".
"Estava a ficar com os abéticos no sangue".
"Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações".
"Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor".
"Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua".
"Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas".

O que os doentes pensam do médico:

"Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns".
"Especialista, médico, mas entendido!".
"Não sou muito afluente de vir aos médicos".
"Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores".
"Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém".
"Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer".

Em relação ao doente o humor deve sempre prevalecer sobre a sisudez e o distanciamento. Senão atentem neste "clássico":

"Ó Senhor Doutor, e eu posso tomar estes comprimidos com a menstruação?
Ao que o médico retorque: "Claro que pode. Mas se os tomar com água é capaz de não ser pior ideia. Pelo menos sabe melhor."

Luís Filipe Menezes no bom caminho

Ontem pela manhã, no final da audiência com o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Menezes ameaçava acabar com o pacto de Justiça e, à tarde, garantia que os pactos eram para cumprir.

Embora alguns, à boa moda das confrarias e num tom donde escorrem com puro prazer indícios achincalhantes, digam que está igual a si próprio mantendo-se fiel à sua linha, tipificando-o de forma redutora como predefinido, eu, que não sou tu cá tu lá com os meandros da política e tive alguma dificuldade em memorizar o misterioso; eu sei que tu sabes que eu sei que ele sabe, não posso, mesmo que quisesse muito, muito, concordar.

Numa rápida e sofrível análise (por mera incapacidade, claro.) deste entretanto, que mediou as duas posições e serviu para o primeiro-ministro e o ministro da Justiça lamentarem a posição de Menezes, houve quem, se apressasse a subscrever tal posição.
Assim, e considerando que o incondicional apoio veio do especialista Pedro Santana Lopes, líder da bancada do PSD, não resta dúvida; Menezes encontrou o seu indicativo para o bom caminho, bastando-lhe, ter opinião contrária e assim poupar a hérnia.

Esta via, não sendo inédita e até um pouco trampolineira, entretece nas misteriosas relações de culto e nalguns jogos da playstation, com a vantagem de não requerer o prosaico suor intelectual.

CIP vs. RAVE

Quando em Setembro escrevi aqui, que mesmo fazendo um esforço para acreditar no que as pessoas se esforçam por dizer, o estudo da CIP, feito com a contribuição monetária de alguns empresários em defesa do interesse nacional(?), não garantia, que um qualquer mas mais credível respaldo técnico encontrado pelo LNEC, não viesse a reequacionar a questão OTA.
Então, estava longe de pensar que isso aconteceria tão cedo e pela mão de Carlos Fernandes administrador da RAVE. Desconfiava, porque sou pessoa de vastos e variados defeitos que, só pretendiam calar o ponto de vista de um significativo número de gente, que distribuía gratuitamente mas com insistência, carradas de opiniões de vasto e sumarento apoio cientifico pelos media e pela blogosfera, e nunca alterar a solução OTA.

Os argumentos, pondo em causa a ligação do TGV ao aeroporto de Alcochete, devido a custos não contabilizados pela CIP no valor de 1,700 milhões de euros e outros, começaram ontem a ser esgrimidos num seminário promovido pelo Diário Económico.
Antes do LNEC vir a jogo com os argumentos finais, a CIP, terá agora de se aplicar nos treinos, abrir o jogo e mostrar até onde está disposta a ir na defesa do interesse nacional.

Nem sei porque me preocupo com o left e o right dos auriculares se o som é sempre igual.

Isto a propósito do tal contratinho de 99 anos, já que, quando penso (coisa que faço com alguma leviandade) que o Sócrates está a falar verdade, vem o Louçã com aquele feitio peculiar (achincalhante?), desnudar o percurso estético do homem só para me desiludir e castigar.
Conclusão: são tantas, que já não sei se o Sócrates simplesmente mente ou se, mente simplesmente, só encontrando paralelo com os lugares que descubro para estacionar o carro e, vai-se a ver, são sempre entradas de garagens.

O incidente da XVII Cimeira Ibero-Americana (Por que no te callas!?)

Embora o burlesco ditadorzeco Hugo Chávez, garanta que não será silenciado por ninguém, o certo é, que a atitude sem precedentes de Juan Carlos (que pena não a ter tido noutras alturas e noutros tempos) foi coroada com os elogios dos espanhóis, o apoio da comunidade internacional e o meu aplauso ao interrompê-lo com um expressivo “porque não te calas”, enquanto este, dava largas à palhaçada com a costumeira e virulenta linguagem tentando calar um morno Zapatero.
Enquanto isso, Cavaco Silva, que tinha sido juntamente com Sócrates e Juan Carlos, os únicos a escaparam às invectivas deste marxista de pacotilha que só envergonha a esquerda internacional, contentava-se com a promessa de que os portugueses na Venezuela não serão atacados. Ou seja: continuarão a ser sequestrados, coisa bem diferente e no domínio da guerrilha.

Dia de São Martinho com o necessário serviço cívico


Talvez alguns não saibam e isto não é uma opinião, mas um terço da produção nacional de castanha é transmontana. Devido ao preço dos antidepressivos e também dos bilhetes para a bola, são estas que, hoje domingo e dia de São Martinho, se oferecem (de graça, portanto) durante a tarde a quem passar no Terreiro do Paço.
Soube que são algumas toneladas das quentes e boas, confeccionadas no maior assador do mundo que veio de Vinhais na companhia de um grupo de gaiteiros e de caretos típicos da região, por cortesia do município e a convite da autarquia de Lisboa, mas não consegui saber e era pertinente saber por forma a cobrir todas as possibilidades, se a tradicional água-pé ou a saborosa jeropiga por lá estarão, motivo porque lhes deixo este ensinamento de herança: quem for, vá prevenido contra o embucho.
Este enorme e desproporcionado assador, que me falta competência para avaliar devido a não dominar aquela parte da matemática que dá forma à mecânica dos materiais (nem outra qualquer), reconhecido pelo Guinness World Records no passado dia 1, é uma réplica gigante do usado lá por Trás-os-Montes nos serões outonais e com capacidade para assar uma tonelada do saboroso fruto, o que, transforma qualquer magusto numa mega poesia. Perdão. Mega magustão.

Tudo isto, enquanto noutras hortas (esqueci-me de dizer que o evento tem a colaboração do Ministério da Agricultura) e sem a influência divina, os pedófilos de Cantanhede e Porto de Mós são postos em liberdade, as actividades de enriquecimento curricular vão pondo à mingua alguns professores, o desemprego sobe e a economia abranda, o Amorim multiplica a fortuna (esta vai com uma grande dose de inveja e irritação construtiva) e o Mourinho no exercício de direito de resposta, diz que não agrediu puto nenhum (Embora lhe apetecesse, digo eu).

Artigo composto naquele estilo que tem tanto de bom como de mau mas que, entretém um bocado um gajo enquanto ouve a Serenata de Toselli (aquela dos pius, pius, tázaver meu?).


Solidário com o Cegueira Lusa.

A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.
Que vergonha!!!

José Carreira

Curemos então as mordeduras. Isto, por causa da Tarantela, claro.

No correcto entendimento que tenho desta coisa das correntezas e para não contrariar o Porto Croft, companheiro desta estrada e de impensados caminhos por quem tenho sincera amizade, lá abro o que me estava mais à mão na pagina 161 e leio a 5ª linha que aqui reproduzo:

…tornava-te merecedor de uma cerimónia mais grandiosa, mas nada te apagará…”

Esta é a tal que me pede e que, está inserida no seguinte contexto do “Goor - A Crónica de Feaglar II” do meu amigo Pedro Ventura:

“O teu sofrimento e o valor com que serviste a minha família tornava-te merecedor de uma cerimónia mais grandiosa, mas nada te apagará das nossas memórias…Talvez agora o teu espírito encontre o de Nimel e lhe possas dizer tudo o que nunca pudeste dizer em vida. Adeus, meu amigo. Obrigado por tudo!”

Cumpre-me agora, confesso que com preguiça e pouco propósito cívico, passar a correnteza a cinco amigos. Pedindo desde já desculpa por tê-los metido nisto e, mesmo aos que não se revêm nestas coisas, digo-lhes que espero com absurda e sintomática fé, que cumpram sem espinhas a correnteza como se fosse a dança de S. Vito (por causa das tarantelas, claro).

São eles:

Sá Morais – Ideias Fixas, Bill – Realidade Torta, Isabel Mendes Ferreira - Piano, Madalena Pestana – Não há rios iguais e a Gi – Pequenos Nadas

Vai-nos valendo o sol.




Pois bem… alguns até falam português e outros têm a inglória intenção de o falar. Tudo isto quando, faltar às aulas era motivo para reprovar e não tendência para o carnaval.
Espantoso? Possível? Claro que sim. Conhecemos esta espécie muito fraquinha na substância e, talvez por isso, nem precisamos fazer uso da imaginação para não nos admirarmos que, Cesário, Gil Vicente, Garrett e outros clássicos, estejam fora da avaliação dos que terminam este ano o secundário.
Há que passá-los (os números, eu sei).

Campanha de Angariação de Meias para os Sem Abrigo de Lisboa

Por mão amiga, chegou-me esta mensagem:

Comunidade Vida e Paz, Equipa B - Volta de 4ªFeira.
Somos uma das muitas Equipas de Rua que colabora com a Comunidade Vida e Paz no apoio aos Sem-Abrigo de Lisboa durante a noite.
E todas as noites ouvimos o mesmo pedido: Têm meias? Têm meias? Têm meias?
Pegámos nestes pedidos e decidimos realizar esta Campanha - Junta as tuas meias às minhas... e torna os dias e as noites mais quentes!
Objectivo - Angariar 5000 pares de meias até à noite de Natal!
Para quem estiver interessado em aquecer os dias e as noites - contacte-nos por mail! vsosophya@hotmail.com
Muito Obrigada pela ajuda... e pelas meias!
Sofia Valente
PS: Divulguem por todos os vossos amigos!

As Meias deverão ser entregues ou enviadas para:

Campanha – Aquecer Lisboa com Meias!
Comunidade Vida e Paz
Rua Domingos Bomtempo, nº 7
1700 – 142 Lisboa

O debate que alguns ansiavam fosse um combate de wrestling.

O debate Sócrates vs. Santana tão anunciado pelos media, até poderia ter acontecido não fosse a inabilidade e vacuidade política deste que, mesmo contrariado pela evidência dos factos ainda se julga um tribuno imbatível, mostrando desconhecer que a pose só tem utilidade quando facilita a transmissão. Mais uma vez levado pela obsessão de lavar a imagem, tentou sozinho levar a cabo a tarefa que, consistia em destruir todos os dados percentuais que o governo avançava por inquinação da fonte onde bebiam. Tal empreitada não resultou nem podia resultar, por não ser acção concertada com os seus pares de bancada e, para mal dele, eu sei, protagonizada por discurso desconexo, baralhado, sem conteúdo e no domínio da polémica propriamente dita quando, se exigia, fosse construída no campo argumentativo, mas isso seria pedir-lhe imensamente muito. Assim, o duelo que alguns queriam fosse ao sol, para além de não ter passado de um grande flop, ainda produziu material para a divina comédia nacional.

Gostei da intervenção da Ana Drago. Excelente estratégia e uma forma inteligente de colocar preocupações que são voz corrente.

Há muito, muito tempo, era eu uma criança, que brincava ao baloiço e ao peão.

Embora me lembre da canção que faz o titulo a memória não vai até este anúncio, o que é uma pena mas não é nenhuma desgraça. Lembro-me sim, dos cigarritos de marca Porto que surripiava ao padrinho e serviam para desenvolver o estilo, e quando as moedas no bolso permitiam, razão para exaltar hipotética vitória sobre o desenrascanço e dar azo a varias experiências estéticas, o maço Kentucky, comprado sempre a meias, era fumado numa empreitada que a laranja iria disfarçar. Principalmente a casca que, depois de devidamente manuseada era passada sobre a roupa a bem da nossa saúde, porque as galhetas naquele tempo eram a doer.


Era assim, no tempo em que o tabaco não era indigno e só fazia mal ao bolso.

Esta coisa do contraditório tem que se lhe diga e a democracia também

Pois é meu caro doutor Pedro Santa Lopes, o contraditório é uma coisa muito bonita e há até quem diga, veja só, que faz tanto pela verdade como uma garoupa com um fiozinho de azeite biológico faz pelo estômago e, meu caro doutor, eu sou um defensor do contraditório como o doutor em tempos quis fazer parecer que era com as consequências sobejamente conhecidas e que o professor Marcelo Rebelo de Sousa tão depressa não esquecerá.
Vou por isso e sem mais delongas, ao caso que motiva este diferendo:

O meu caro doutor, tem um blog com caixa de comentários e tudo, e, embora os comentários fiquem sujeitos a aprovação, atitude compreensível em alguém que suscita ódio e admiração em proporções que não pretendo adivinhar nem me interessa, espera-se que esse filtro sirva para evitar canalhices (digamo-lo assim para não alongar a conversa), e não censurar quem só usa do tal e tão apregoado direito que em tempos fez parecer ser-lhe caro e que, de certa forma, define o debatedor honesto. Podia o doutor não ter blog, e tendo-o, podia não ter caixa de comentários que estava no seu pleno direito. Agora meu caro doutor, com a responsabilidade que lhe advém de tudo o que já disse publicamente e (ironia das ironias) defendeu, ter a dita caixa e censurar quem não o festeja é que já não se faz e é um insulto que para já e por consideração a quem me lê, não adjectivo.

Após o congresso, o doutor Pedro Santana Lopes no post encimado pelo titulo "Congresso-I", lastima-se qual estrela mediática pelas “constantes, permanentes, solicitações dos jornalistas” a quem pede “para não entrarem comigo na sala, para não ser dado aquele” espectáculo “”, partindo depois para uma análise sucinta, muito sucinta aliás, do desempenho do doutor Luís Filipe Menezes no congresso e termina com um elogio à coerência, coisa que sinceramente aprecio.

Eu andava a estranhar que, as caixas de comentários do seu blog só reflectissem a opinião de quem lhe passava a mão pelo lombo, ou no mínimo lhe mostrava simpatia. Não encontrava o mais pequeno vestígio de acne e muito menos de opinião contraditória, tudo muito limpo, perfeito, arrumadinho e aplaudido como convém e isso, no blog de alguém tão controverso, dava até que pensar a quem não possuísse lógica dedutiva, assim, nada como a prova e, sem preocupação de estilo num momento insano, comentei o tal post dizendo-lhe que, o que se lhe exigia, não era que falasse no congresso, era que soubesse se ia falar ou não, mínimo exigível para quem pensa liderar a bancada do maior partido da oposição, e terminava com ironia dizendo-lhe que devido a tanto segredar com o doutor Filipe Menezes durante o discurso da doutora Manuela Ferreira Leite, ficava ligado ao impulso que provocou a primeira derrota do líder, rematando com uma referência ao gasto de créditos que havia acumulado com a sua “expontânea” saída da SIC. Tudo isto, dito de forma educada como é hábito dos que tomaram muito chá em pequenos.

Não para meu espanto, mas confirmando o que doentiamente esperava, lá veio a sarrafada ligando o exercício do poder à ideia de indignidade que dá razão aos seus detractores; o comentário, com nefanda liberdade não foi aprovado, ou seja; discordar da sua opinião, não é simples matéria de divergência intelectual mas um pecado intolerável que deve ser proibido, e o grave de tudo isto é a imoralidade de procedimento que alimenta a mentira que daí advém e que em nada o prestigia quando, aparentemente neste exame substantivo se constata que, pretende fazer crer com esta atitude de autoridade judicial, gozar do apreço e simpatia para com tudo o que escreve, atitude que na opinião deste humilde e simples cidadão é, senão politicamente, socialmente reprovável e imbecil porque, enferma de legitimidade, provoca percepções erróneas da realidade e interpretações falseadas.

Termino na inteira liberdade de consciência das pessoas normais, com as suas tão queridas palavras: “as acções ficam para quem as pratica”.

Referendo e futebol (se faz favor)

A dona Idalina e o senhor Fausto*, meus vizinhos, que votam no mesmo partido desde que podem, e porque sim, porque sempre votaram e não é agora que vão mudar, são pessoas de brandos costumes para quem só o presente pontual existe. Para eles, tudo o que é diferente é uma ameaça e em política o conteúdo da sua opinião é a do partido.
Esta leviandade conformista onde a falta de originalidade há muito assentou arraiais é perigosa, e, pela constatação do facto, seria licito considerar um erro que, em questões demasiado complexas, os meus vizinhos (com o devido respeito pelos seus cabelos brancos e sem querer ser insultuoso) que não sabem o nome dos 27 países da união europeia nem tão pouco que são 27, tenham uma palavra decisória em questões onde, a complexidade técnica de certas decisões aponta no caminho da democracia representativa em sua substituição, mas não considero.

A mourama dos partidos dominantes com intenção de não referendar já se perfila, enquanto do outro lado, se desfralda o referendo como bandeira da democracia, estes são os mesmos que não foram chamados a pronunciar-se sobre a livre circulação de pessoas e bens, sobre um governo, um parlamento e uma moeda comuns e, para estes, da mesma forma que a Constituição Europeia era um alvo a abater, o Tratado de Lisboa segue o mesmo caminho com todas as suas 250 páginas negociadas sem referendos.

Confesso relutância em ser favorável ao referendo do tratado de Lisboa porque, devia ser neste caso como em outros de igual complexidade, a favor do funcionamento da democracia representativa por duas razões principais: Quantos portugueses estarão preparados para referendar o tratado? Talvez mil a mil e quinhentos saibam o que está realmente em causa e com razoável honestidade o possa fazer, já com conhecimento de todo o processo e portanto em condições de promover o debate de cidadania, o número não deve ser superior a uma ou duas centenas, logo, qualquer debate sobre questão tão complexa é, em primeiro lugar um absurdo, por se transformar rapidamente numa luta fulanizada e numa grande e pública confusão (para se discutir o tratado, tem de se discutir a Europa), depois, chamar o povo para uma prova de vinhos às cegas é, salvo melhor e fundamentada opinião, antidemocrático. O povo deve ser chamado para aquilo que minimamente entende, para questões de elevada complexidade técnica, existem as incumbências legislativas de exercício de mandato que os deputado têm e dos quais se deve esperar um razoável entendimento do que está em jogo.

Mas gaita… por mais paradoxal que possa parecer depois do que atrás escrevi, este assunto consegue espremer-me algumas considerações mesmo não querendo contribuir com material para a divina comédia nacional, nem sabendo expressar-me melhor e mais curto, é que, estou inconformado com esta coisa estranha e de singular arrojo, de trocarmos decisões por unanimidade onde, os votos dos portugueses eleitos conta mesmo não tendo primos encorpados para o debate de alternativas e esforço de consenso, por votações de maioria qualificada de um Conselho de engenharia política que não é eleito pelo voto do povo, e que, na prática, esta alteração prenhe de imoralidade de procedimentos (países pequenos nem sempre terão comissários) minará os alicerces da convivência política e partirá o clube dos 27 em dois, o dos países ganhadores e o dos países perdedores que, barrados, terão de dar satisfações aos seus eleitores, e mais, mesmo sem estilo o digo; estou convicto que, na primeira decisão que for tomada contra e ao arrepio dos verdadeiros artistas na manipulação da lógica (Reino Unido, França e Alemanha), estes não a aceitarão e vários cenários se poderão então concretizar (escusam de acenar com condutas antidesportivas, porque aqui não se devolve a bola ao adversário nem se fazem chás dançantes), bico-de-obra que só se resolverá no dia em que as eleições nacionais forem substituídas por eleições europeias, até lá, quero que Portugal continue a ter a possibilidade de o seu voto contar para alguma coisa que, não faça deste país, um mero, pequeno e insignificante número, governado por Sir Humphreys.

Chegados aqui sem que eu tenha adjectivado a meia dúzia de palavrões que me acompanhou na escrita do post, perguntarão; onde é que o futebol entra nisto tudo? Não entra, mas embora alguns teimem em dizer e provavelmente acreditar que o futebol é um desporto alienante, talvez até profano quando um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês, eu não concordo. Nestas condições, o futebol é antes de mais um antidepressivo.

Viva o futebol!

* Nomes fictícios.

Mais correio

O poder da vírgula

“Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura”.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de mulher.
Se for homem, certamente a colocou depois de tem.

No correio

"Casamento é um relacionamento a dois, no qual uma das pessoas está sempre certa e a outra é o marido."


Nota: É óbvio que, o gajo que escreveu isto conhece a minha mulher.