Pelé, a enciclopédia viva da técnica individual

Anda por aí uma malta de deficiente entendimento que, em concreto e continuamente, impingem desavergonhadamente o Maradona como o melhor de sempre, escorrendo comparações assim ou assado.
Não querendo ir ao embaraçante extremo de julgar tal entendimento como bom, mau ou onde é que bateram com os cornos para dizerem tamanha asneira, direi com suavidade e em tom de evidente cuidado, que esse entendimento excessivo, é principalmente induzido por não terem visto jogar Pelé, e admito também que, possam ter dúvidas e vacilar entre estes dois grandes futebolistas, mas quem conheceu o futebol de ambos, sabe que a resposta inequívoca e imperecível só pode ser uma: Pelé, evidentemente.

Jogaram os dois 21 anos e, as estatísticas relativamente organizadas e usadas aqui como argumento construtivo, demonstram à saciedade isso mesmo e contribuem para que não morram na dúvida, coisa que pode ser imensamente digna, mas que, podendo, se deve evitar.


Maradona

1 Mundial sub-21 (1979)
1 Campeonato Argentino - Boca Juniors (1981)
1 Taça do Rei - Barcelona (1983)
1 Mundial (1986)
1 Taça de Italia – Napoli (1987)
2 Campeonatos italianos - Napoli (1987 e 90)
1 Taça UEFA - Napoli (1988)
1 Supertaça Italiana - Napoli (1990)
1 Artemio Franchi Cup (1993)

679 jogos - 345 golos
Com a Selecção: 91 jogos - 34 golos


Pelé

3 Mundiais - (1958, 62 e 70)
10 Campeonatos Paulistas - Santos (1958, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69 e 73)
4 Torneios Rio-Sao Paulo - Santos (1959, 63, 64 e 66)
5 Taças Brasil - Santos (1961, 62, 63, 64 e 65)
2 Mundiais Interclubes - Santos (1962 e 63)
2 Taça Libertadores da América - Santos (1962 e 63)
1 Torneio Roberto Gomes Pedrosa - 1968
1 Campeonato Nacional dos Estados Unidos – New York Cosmos (1977)

1375 jogos - 1283 golos
Com a Selecção : 115 jogos (92 oficiais) – 95 golos

Nota final: Se tiverem de comparar Maradona com alguém, façam-no por exemplo com Di Stefano, Cruyff ou Beckenbauer, nunca com Pelé. Pelé está acima de todos os outros, e aos que não percebem concretamente o que estou a dizer, deixo este vídeo na esperança que o sintam.


Tesourinhos no correio

Carlos Barreira da Costa, médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro "A Medicina na Voz do Povo", com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina. E dele não resisti a extrair verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico que decidi compartilhar convosco.

O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos, nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:

"A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece com sua licença espermatozóides".
"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa".
"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho".
"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido".
"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída".
"Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saiam".
"Tenho a língua cheia de Áfricas".
"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor".
"O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas infeccionava-as".
"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor".

As perturbações da fala impacientam o doente:

"Na voz sinto aquilo tudo embuzinado".
"Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta".
"Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais".
"O meu pai morreu de tísica na laringe".

Os "problemas da cabeça" são muito frequentes:

"Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João".
"Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é...".
"Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós".
"Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...".
"A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar".
"Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal".

Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:

"Venho aqui mostrar a parreca".
"A minha pardalona está a mudar de cor".
"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".
"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza".
"Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?"
"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três".
"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada".
"Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos".
"Quando estou de pau feito... a puta verga".
"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".

As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de suportar:

"Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta".
"O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura".
"Já tenho os ossos desclassificados".
"Alem das itroses tenho classificação ossal".
"O meu reumatismo é climático".
"É uma dor insepulcrável".
"Tenho artroses remodeladas e de densidade forte".
"Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala".

O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:

"Tomo um vinho que não me assobe à cabeça".
"Eu abuso um pouco da água do Luso".
"Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool".
"Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem".
"Eu sou um fumador invertebrado".

O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas :

"Fui operado ao panquecas".
"Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina".
"Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo".
"Eu era muito encharcado a essa coisa da azia".
"Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença nem dá um peido".
"Tenho pedra na basílica".
"O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás".
"Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa".
"Fiz uma mamografia ao intestino".
"O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)".

Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:

"Ando a tomar o Esperma Canulado"- Espasmo Canulase.
"Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião" - Sermion.
"Andei a tomar umas injecções de Esferovite" - Parenterovit.
"Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada" - Piprilim.
"Agora estou melhor, tomo o Bate Certo" - Betaserc.
"Tomo o Sigerom e o Chico Bem" - Stugeron e Gincoben.
"Ando a tomar o Castro Leão" - Castilium.
"Tomei Sexovir" - Isovir.
"Tomo uma cábulas à noite".
"Tomei uns comprimidos "jaunes", assim amarelados".
"Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas".
"Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha".
"Estava a ficar com os abéticos no sangue".
"Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações".
"Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor".
"Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua".
"Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas".

O que os doentes pensam do médico:

"Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns".
"Especialista, médico, mas entendido!".
"Não sou muito afluente de vir aos médicos".
"Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores".
"Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém".
"Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer".

Em relação ao doente o humor deve sempre prevalecer sobre a sisudez e o distanciamento. Senão atentem neste "clássico":

"Ó Senhor Doutor, e eu posso tomar estes comprimidos com a menstruação?
Ao que o médico retorque: "Claro que pode. Mas se os tomar com água é capaz de não ser pior ideia. Pelo menos sabe melhor."

Luís Filipe Menezes no bom caminho

Ontem pela manhã, no final da audiência com o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Menezes ameaçava acabar com o pacto de Justiça e, à tarde, garantia que os pactos eram para cumprir.

Embora alguns, à boa moda das confrarias e num tom donde escorrem com puro prazer indícios achincalhantes, digam que está igual a si próprio mantendo-se fiel à sua linha, tipificando-o de forma redutora como predefinido, eu, que não sou tu cá tu lá com os meandros da política e tive alguma dificuldade em memorizar o misterioso; eu sei que tu sabes que eu sei que ele sabe, não posso, mesmo que quisesse muito, muito, concordar.

Numa rápida e sofrível análise (por mera incapacidade, claro.) deste entretanto, que mediou as duas posições e serviu para o primeiro-ministro e o ministro da Justiça lamentarem a posição de Menezes, houve quem, se apressasse a subscrever tal posição.
Assim, e considerando que o incondicional apoio veio do especialista Pedro Santana Lopes, líder da bancada do PSD, não resta dúvida; Menezes encontrou o seu indicativo para o bom caminho, bastando-lhe, ter opinião contrária e assim poupar a hérnia.

Esta via, não sendo inédita e até um pouco trampolineira, entretece nas misteriosas relações de culto e nalguns jogos da playstation, com a vantagem de não requerer o prosaico suor intelectual.

CIP vs. RAVE

Quando em Setembro escrevi aqui, que mesmo fazendo um esforço para acreditar no que as pessoas se esforçam por dizer, o estudo da CIP, feito com a contribuição monetária de alguns empresários em defesa do interesse nacional(?), não garantia, que um qualquer mas mais credível respaldo técnico encontrado pelo LNEC, não viesse a reequacionar a questão OTA.
Então, estava longe de pensar que isso aconteceria tão cedo e pela mão de Carlos Fernandes administrador da RAVE. Desconfiava, porque sou pessoa de vastos e variados defeitos que, só pretendiam calar o ponto de vista de um significativo número de gente, que distribuía gratuitamente mas com insistência, carradas de opiniões de vasto e sumarento apoio cientifico pelos media e pela blogosfera, e nunca alterar a solução OTA.

Os argumentos, pondo em causa a ligação do TGV ao aeroporto de Alcochete, devido a custos não contabilizados pela CIP no valor de 1,700 milhões de euros e outros, começaram ontem a ser esgrimidos num seminário promovido pelo Diário Económico.
Antes do LNEC vir a jogo com os argumentos finais, a CIP, terá agora de se aplicar nos treinos, abrir o jogo e mostrar até onde está disposta a ir na defesa do interesse nacional.

Nem sei porque me preocupo com o left e o right dos auriculares se o som é sempre igual.

Isto a propósito do tal contratinho de 99 anos, já que, quando penso (coisa que faço com alguma leviandade) que o Sócrates está a falar verdade, vem o Louçã com aquele feitio peculiar (achincalhante?), desnudar o percurso estético do homem só para me desiludir e castigar.
Conclusão: são tantas, que já não sei se o Sócrates simplesmente mente ou se, mente simplesmente, só encontrando paralelo com os lugares que descubro para estacionar o carro e, vai-se a ver, são sempre entradas de garagens.

O incidente da XVII Cimeira Ibero-Americana (Por que no te callas!?)

Embora o burlesco ditadorzeco Hugo Chávez, garanta que não será silenciado por ninguém, o certo é, que a atitude sem precedentes de Juan Carlos (que pena não a ter tido noutras alturas e noutros tempos) foi coroada com os elogios dos espanhóis, o apoio da comunidade internacional e o meu aplauso ao interrompê-lo com um expressivo “porque não te calas”, enquanto este, dava largas à palhaçada com a costumeira e virulenta linguagem tentando calar um morno Zapatero.
Enquanto isso, Cavaco Silva, que tinha sido juntamente com Sócrates e Juan Carlos, os únicos a escaparam às invectivas deste marxista de pacotilha que só envergonha a esquerda internacional, contentava-se com a promessa de que os portugueses na Venezuela não serão atacados. Ou seja: continuarão a ser sequestrados, coisa bem diferente e no domínio da guerrilha.

Dia de São Martinho com o necessário serviço cívico


Talvez alguns não saibam e isto não é uma opinião, mas um terço da produção nacional de castanha é transmontana. Devido ao preço dos antidepressivos e também dos bilhetes para a bola, são estas que, hoje domingo e dia de São Martinho, se oferecem (de graça, portanto) durante a tarde a quem passar no Terreiro do Paço.
Soube que são algumas toneladas das quentes e boas, confeccionadas no maior assador do mundo que veio de Vinhais na companhia de um grupo de gaiteiros e de caretos típicos da região, por cortesia do município e a convite da autarquia de Lisboa, mas não consegui saber e era pertinente saber por forma a cobrir todas as possibilidades, se a tradicional água-pé ou a saborosa jeropiga por lá estarão, motivo porque lhes deixo este ensinamento de herança: quem for, vá prevenido contra o embucho.
Este enorme e desproporcionado assador, que me falta competência para avaliar devido a não dominar aquela parte da matemática que dá forma à mecânica dos materiais (nem outra qualquer), reconhecido pelo Guinness World Records no passado dia 1, é uma réplica gigante do usado lá por Trás-os-Montes nos serões outonais e com capacidade para assar uma tonelada do saboroso fruto, o que, transforma qualquer magusto numa mega poesia. Perdão. Mega magustão.

Tudo isto, enquanto noutras hortas (esqueci-me de dizer que o evento tem a colaboração do Ministério da Agricultura) e sem a influência divina, os pedófilos de Cantanhede e Porto de Mós são postos em liberdade, as actividades de enriquecimento curricular vão pondo à mingua alguns professores, o desemprego sobe e a economia abranda, o Amorim multiplica a fortuna (esta vai com uma grande dose de inveja e irritação construtiva) e o Mourinho no exercício de direito de resposta, diz que não agrediu puto nenhum (Embora lhe apetecesse, digo eu).

Artigo composto naquele estilo que tem tanto de bom como de mau mas que, entretém um bocado um gajo enquanto ouve a Serenata de Toselli (aquela dos pius, pius, tázaver meu?).


Solidário com o Cegueira Lusa.

A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.
Que vergonha!!!

José Carreira

Curemos então as mordeduras. Isto, por causa da Tarantela, claro.

No correcto entendimento que tenho desta coisa das correntezas e para não contrariar o Porto Croft, companheiro desta estrada e de impensados caminhos por quem tenho sincera amizade, lá abro o que me estava mais à mão na pagina 161 e leio a 5ª linha que aqui reproduzo:

…tornava-te merecedor de uma cerimónia mais grandiosa, mas nada te apagará…”

Esta é a tal que me pede e que, está inserida no seguinte contexto do “Goor - A Crónica de Feaglar II” do meu amigo Pedro Ventura:

“O teu sofrimento e o valor com que serviste a minha família tornava-te merecedor de uma cerimónia mais grandiosa, mas nada te apagará das nossas memórias…Talvez agora o teu espírito encontre o de Nimel e lhe possas dizer tudo o que nunca pudeste dizer em vida. Adeus, meu amigo. Obrigado por tudo!”

Cumpre-me agora, confesso que com preguiça e pouco propósito cívico, passar a correnteza a cinco amigos. Pedindo desde já desculpa por tê-los metido nisto e, mesmo aos que não se revêm nestas coisas, digo-lhes que espero com absurda e sintomática fé, que cumpram sem espinhas a correnteza como se fosse a dança de S. Vito (por causa das tarantelas, claro).

São eles:

Sá Morais – Ideias Fixas, Bill – Realidade Torta, Isabel Mendes Ferreira - Piano, Madalena Pestana – Não há rios iguais e a Gi – Pequenos Nadas

Vai-nos valendo o sol.




Pois bem… alguns até falam português e outros têm a inglória intenção de o falar. Tudo isto quando, faltar às aulas era motivo para reprovar e não tendência para o carnaval.
Espantoso? Possível? Claro que sim. Conhecemos esta espécie muito fraquinha na substância e, talvez por isso, nem precisamos fazer uso da imaginação para não nos admirarmos que, Cesário, Gil Vicente, Garrett e outros clássicos, estejam fora da avaliação dos que terminam este ano o secundário.
Há que passá-los (os números, eu sei).

Campanha de Angariação de Meias para os Sem Abrigo de Lisboa

Por mão amiga, chegou-me esta mensagem:

Comunidade Vida e Paz, Equipa B - Volta de 4ªFeira.
Somos uma das muitas Equipas de Rua que colabora com a Comunidade Vida e Paz no apoio aos Sem-Abrigo de Lisboa durante a noite.
E todas as noites ouvimos o mesmo pedido: Têm meias? Têm meias? Têm meias?
Pegámos nestes pedidos e decidimos realizar esta Campanha - Junta as tuas meias às minhas... e torna os dias e as noites mais quentes!
Objectivo - Angariar 5000 pares de meias até à noite de Natal!
Para quem estiver interessado em aquecer os dias e as noites - contacte-nos por mail! vsosophya@hotmail.com
Muito Obrigada pela ajuda... e pelas meias!
Sofia Valente
PS: Divulguem por todos os vossos amigos!

As Meias deverão ser entregues ou enviadas para:

Campanha – Aquecer Lisboa com Meias!
Comunidade Vida e Paz
Rua Domingos Bomtempo, nº 7
1700 – 142 Lisboa

O debate que alguns ansiavam fosse um combate de wrestling.

O debate Sócrates vs. Santana tão anunciado pelos media, até poderia ter acontecido não fosse a inabilidade e vacuidade política deste que, mesmo contrariado pela evidência dos factos ainda se julga um tribuno imbatível, mostrando desconhecer que a pose só tem utilidade quando facilita a transmissão. Mais uma vez levado pela obsessão de lavar a imagem, tentou sozinho levar a cabo a tarefa que, consistia em destruir todos os dados percentuais que o governo avançava por inquinação da fonte onde bebiam. Tal empreitada não resultou nem podia resultar, por não ser acção concertada com os seus pares de bancada e, para mal dele, eu sei, protagonizada por discurso desconexo, baralhado, sem conteúdo e no domínio da polémica propriamente dita quando, se exigia, fosse construída no campo argumentativo, mas isso seria pedir-lhe imensamente muito. Assim, o duelo que alguns queriam fosse ao sol, para além de não ter passado de um grande flop, ainda produziu material para a divina comédia nacional.

Gostei da intervenção da Ana Drago. Excelente estratégia e uma forma inteligente de colocar preocupações que são voz corrente.

Há muito, muito tempo, era eu uma criança, que brincava ao baloiço e ao peão.

Embora me lembre da canção que faz o titulo a memória não vai até este anúncio, o que é uma pena mas não é nenhuma desgraça. Lembro-me sim, dos cigarritos de marca Porto que surripiava ao padrinho e serviam para desenvolver o estilo, e quando as moedas no bolso permitiam, razão para exaltar hipotética vitória sobre o desenrascanço e dar azo a varias experiências estéticas, o maço Kentucky, comprado sempre a meias, era fumado numa empreitada que a laranja iria disfarçar. Principalmente a casca que, depois de devidamente manuseada era passada sobre a roupa a bem da nossa saúde, porque as galhetas naquele tempo eram a doer.


Era assim, no tempo em que o tabaco não era indigno e só fazia mal ao bolso.

Esta coisa do contraditório tem que se lhe diga e a democracia também

Pois é meu caro doutor Pedro Santa Lopes, o contraditório é uma coisa muito bonita e há até quem diga, veja só, que faz tanto pela verdade como uma garoupa com um fiozinho de azeite biológico faz pelo estômago e, meu caro doutor, eu sou um defensor do contraditório como o doutor em tempos quis fazer parecer que era com as consequências sobejamente conhecidas e que o professor Marcelo Rebelo de Sousa tão depressa não esquecerá.
Vou por isso e sem mais delongas, ao caso que motiva este diferendo:

O meu caro doutor, tem um blog com caixa de comentários e tudo, e, embora os comentários fiquem sujeitos a aprovação, atitude compreensível em alguém que suscita ódio e admiração em proporções que não pretendo adivinhar nem me interessa, espera-se que esse filtro sirva para evitar canalhices (digamo-lo assim para não alongar a conversa), e não censurar quem só usa do tal e tão apregoado direito que em tempos fez parecer ser-lhe caro e que, de certa forma, define o debatedor honesto. Podia o doutor não ter blog, e tendo-o, podia não ter caixa de comentários que estava no seu pleno direito. Agora meu caro doutor, com a responsabilidade que lhe advém de tudo o que já disse publicamente e (ironia das ironias) defendeu, ter a dita caixa e censurar quem não o festeja é que já não se faz e é um insulto que para já e por consideração a quem me lê, não adjectivo.

Após o congresso, o doutor Pedro Santana Lopes no post encimado pelo titulo "Congresso-I", lastima-se qual estrela mediática pelas “constantes, permanentes, solicitações dos jornalistas” a quem pede “para não entrarem comigo na sala, para não ser dado aquele” espectáculo “”, partindo depois para uma análise sucinta, muito sucinta aliás, do desempenho do doutor Luís Filipe Menezes no congresso e termina com um elogio à coerência, coisa que sinceramente aprecio.

Eu andava a estranhar que, as caixas de comentários do seu blog só reflectissem a opinião de quem lhe passava a mão pelo lombo, ou no mínimo lhe mostrava simpatia. Não encontrava o mais pequeno vestígio de acne e muito menos de opinião contraditória, tudo muito limpo, perfeito, arrumadinho e aplaudido como convém e isso, no blog de alguém tão controverso, dava até que pensar a quem não possuísse lógica dedutiva, assim, nada como a prova e, sem preocupação de estilo num momento insano, comentei o tal post dizendo-lhe que, o que se lhe exigia, não era que falasse no congresso, era que soubesse se ia falar ou não, mínimo exigível para quem pensa liderar a bancada do maior partido da oposição, e terminava com ironia dizendo-lhe que devido a tanto segredar com o doutor Filipe Menezes durante o discurso da doutora Manuela Ferreira Leite, ficava ligado ao impulso que provocou a primeira derrota do líder, rematando com uma referência ao gasto de créditos que havia acumulado com a sua “expontânea” saída da SIC. Tudo isto, dito de forma educada como é hábito dos que tomaram muito chá em pequenos.

Não para meu espanto, mas confirmando o que doentiamente esperava, lá veio a sarrafada ligando o exercício do poder à ideia de indignidade que dá razão aos seus detractores; o comentário, com nefanda liberdade não foi aprovado, ou seja; discordar da sua opinião, não é simples matéria de divergência intelectual mas um pecado intolerável que deve ser proibido, e o grave de tudo isto é a imoralidade de procedimento que alimenta a mentira que daí advém e que em nada o prestigia quando, aparentemente neste exame substantivo se constata que, pretende fazer crer com esta atitude de autoridade judicial, gozar do apreço e simpatia para com tudo o que escreve, atitude que na opinião deste humilde e simples cidadão é, senão politicamente, socialmente reprovável e imbecil porque, enferma de legitimidade, provoca percepções erróneas da realidade e interpretações falseadas.

Termino na inteira liberdade de consciência das pessoas normais, com as suas tão queridas palavras: “as acções ficam para quem as pratica”.

Referendo e futebol (se faz favor)

A dona Idalina e o senhor Fausto*, meus vizinhos, que votam no mesmo partido desde que podem, e porque sim, porque sempre votaram e não é agora que vão mudar, são pessoas de brandos costumes para quem só o presente pontual existe. Para eles, tudo o que é diferente é uma ameaça e em política o conteúdo da sua opinião é a do partido.
Esta leviandade conformista onde a falta de originalidade há muito assentou arraiais é perigosa, e, pela constatação do facto, seria licito considerar um erro que, em questões demasiado complexas, os meus vizinhos (com o devido respeito pelos seus cabelos brancos e sem querer ser insultuoso) que não sabem o nome dos 27 países da união europeia nem tão pouco que são 27, tenham uma palavra decisória em questões onde, a complexidade técnica de certas decisões aponta no caminho da democracia representativa em sua substituição, mas não considero.

A mourama dos partidos dominantes com intenção de não referendar já se perfila, enquanto do outro lado, se desfralda o referendo como bandeira da democracia, estes são os mesmos que não foram chamados a pronunciar-se sobre a livre circulação de pessoas e bens, sobre um governo, um parlamento e uma moeda comuns e, para estes, da mesma forma que a Constituição Europeia era um alvo a abater, o Tratado de Lisboa segue o mesmo caminho com todas as suas 250 páginas negociadas sem referendos.

Confesso relutância em ser favorável ao referendo do tratado de Lisboa porque, devia ser neste caso como em outros de igual complexidade, a favor do funcionamento da democracia representativa por duas razões principais: Quantos portugueses estarão preparados para referendar o tratado? Talvez mil a mil e quinhentos saibam o que está realmente em causa e com razoável honestidade o possa fazer, já com conhecimento de todo o processo e portanto em condições de promover o debate de cidadania, o número não deve ser superior a uma ou duas centenas, logo, qualquer debate sobre questão tão complexa é, em primeiro lugar um absurdo, por se transformar rapidamente numa luta fulanizada e numa grande e pública confusão (para se discutir o tratado, tem de se discutir a Europa), depois, chamar o povo para uma prova de vinhos às cegas é, salvo melhor e fundamentada opinião, antidemocrático. O povo deve ser chamado para aquilo que minimamente entende, para questões de elevada complexidade técnica, existem as incumbências legislativas de exercício de mandato que os deputado têm e dos quais se deve esperar um razoável entendimento do que está em jogo.

Mas gaita… por mais paradoxal que possa parecer depois do que atrás escrevi, este assunto consegue espremer-me algumas considerações mesmo não querendo contribuir com material para a divina comédia nacional, nem sabendo expressar-me melhor e mais curto, é que, estou inconformado com esta coisa estranha e de singular arrojo, de trocarmos decisões por unanimidade onde, os votos dos portugueses eleitos conta mesmo não tendo primos encorpados para o debate de alternativas e esforço de consenso, por votações de maioria qualificada de um Conselho de engenharia política que não é eleito pelo voto do povo, e que, na prática, esta alteração prenhe de imoralidade de procedimentos (países pequenos nem sempre terão comissários) minará os alicerces da convivência política e partirá o clube dos 27 em dois, o dos países ganhadores e o dos países perdedores que, barrados, terão de dar satisfações aos seus eleitores, e mais, mesmo sem estilo o digo; estou convicto que, na primeira decisão que for tomada contra e ao arrepio dos verdadeiros artistas na manipulação da lógica (Reino Unido, França e Alemanha), estes não a aceitarão e vários cenários se poderão então concretizar (escusam de acenar com condutas antidesportivas, porque aqui não se devolve a bola ao adversário nem se fazem chás dançantes), bico-de-obra que só se resolverá no dia em que as eleições nacionais forem substituídas por eleições europeias, até lá, quero que Portugal continue a ter a possibilidade de o seu voto contar para alguma coisa que, não faça deste país, um mero, pequeno e insignificante número, governado por Sir Humphreys.

Chegados aqui sem que eu tenha adjectivado a meia dúzia de palavrões que me acompanhou na escrita do post, perguntarão; onde é que o futebol entra nisto tudo? Não entra, mas embora alguns teimem em dizer e provavelmente acreditar que o futebol é um desporto alienante, talvez até profano quando um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês, eu não concordo. Nestas condições, o futebol é antes de mais um antidepressivo.

Viva o futebol!

* Nomes fictícios.

Mais correio

O poder da vírgula

“Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura”.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de mulher.
Se for homem, certamente a colocou depois de tem.

No correio

"Casamento é um relacionamento a dois, no qual uma das pessoas está sempre certa e a outra é o marido."


Nota: É óbvio que, o gajo que escreveu isto conhece a minha mulher.

A circunstancia que leva alguém a escrever um post como este, é passar-se dos carretos.

Na zona dos chapéus de sol, enquanto sem razão e sentido, a música ambiente, por entre o vozear dos crescidos e os gritos das crianças se fazia ouvir, mastigava eu uma munique da Pans que súbita fome tinha requisitado.
Reparei então que, numa das mesas e com inexplicável tranquilidade, um casal absorvia os ensinamentos de uns livrecos técnicos, não sendo minimamente afectados com a psicose grupal daquela seitinha de adolescentes numa das mesas próximas. Numa outra, com expressão apreensiva liam-se os jornais, enquanto, por detrás, um casal de namorados desafiando uma inexistente timidez, incorria em pecado socialmente intolerável das duas que já tinham sido novas e os olhavam com ar policial e tribunalício e, mais afastada, na zona que não tinha direito a chapéus de sol e onde a intensidade dos raios solares era idêntica, uma mulher, conectada, imperturbável com o obsessivo choro dos gémeos e a audível autoridade da mãe em reparos de matéria de divergência social, aparentemente trabalhava no seu Toshiba.
Embora não estivéssemos ameaçados pelos cabos de alta tensão da REN, ou pelo Al-Zawahiri que faz os franceses retirar da Argélia, e o perigo imediato pudesse vir de uma tenda próxima onde decorriam eliminatórias de um campeonato nacional de Sudoku, fugimos deste quadro psicótico, desconexo e do domínio do imaginário que, só não é estranho, deslocado da expectativa e acompanhando de grandes doses de incompreensão, porque acontece num Centro Comercial, onde a obstinação, vencendo a percepção da realidade, me levou nesta tarde de domingo.
Azar o meu, eu sei.

Acabaram as conversas com a minha dentista


- A partir de agora só falo com estes três dedos. Este diz sim, este diz não e este diz que, ou pára de falar ou me tira a parafernália toda da boca. Decorou?
- Decorei.

Bolas… cansei-me da figura patética e ridícula de ter de lhe responder com o aspirador e outros instrumentos de tortura enfiados na boca e mandei à fava o tratado dos deveres, porque, há dias, que para colher o fruto há que derrubar a arvore. É que, a conversa tinha rumado para o casamento (não me lembro porquê, mas a culpa, embora simples, é certamente das cerejas). Dizia ela, que o casamento era só um papel e acrescentava sentença decidida no tribunal da sua imaginação: é assim e basta, é assim porque é melhor. E eu, devido à total inviabilidade de disputar no terreno racional tamanha ligeireza, nem lhe podia perguntar do que tinha ela medo; se de casar ou de se divorciar.

Os livros e a necessária divulgação



E cá está o lançamento de “Goor – A Crónica de Feaglar II” do Pedro Ventura e é com exuberância que, faço o favor de informar aquelas três pessoas que passam por aqui, o seu lançamento no próximo sábado dia 13, pelas 15:30hs na Livraria Pretexto em Viseu.
…soube também, que este complemento da epopeia terá um apresentador convidado; o Nuno Loureiro; um “outsider” que é um amigo comum e que, se espera, devido ao rigor de análise e á exclusividade do fenómeno, venha num futuro muito próximo a ofuscar (aniquilar, para já, seria pedir muito) o professor Marcelo.

Sobre a primeira parte desta aventura, “Goor – A Crónica de Feaglar I”, falei na altura aqui, porque, por alguma razão obscura me agradou e retive imagens, coisa que nunca me aconteceu com as obras de Saramago. Agora, e já tendo o segundo volume com excelente dedicatória do autor, sorte a minha, eu sei, dou a palavra a quem tem o correcto entendimento da coisa, aproveitando de caminho para informar a internacionalização do Pedro Ventura.

Encontrarão na apreciação de Maria Comesaña, uma galega especialista em literatura portuguesa que, como eu, não é perfeita e não é uma leitora habitual do género fantástico e, por isso, que acaba por ser uma vantagem ao não transportar os vícios do género, que é como quem diz; coisas de arrogância e sobranceria várias. Dizia eu antes de me perder por causa de querer separar o trigo daquela outra coisa que, encontrarão na sua apreciação, motivos vários que os disporão ao esforço, que também é cívico mas essencialmente criterioso, de adquirir esta obra de escrita fantástica.

Diz Maria Comesaña sobre este segundo volume, a que atribuiu quatro estrelas num máximo de cinco:

“Por fin chegou ás nosas mans a segunda parte da Crónica de Feaglar. E se me pedides que vola resuma nunha frase, direi-vos que concordo que as segundas partes non son boas, neste caso, son mellores!”
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