Esta coisa do contraditório tem que se lhe diga e a democracia também

Pois é meu caro doutor Pedro Santa Lopes, o contraditório é uma coisa muito bonita e há até quem diga, veja só, que faz tanto pela verdade como uma garoupa com um fiozinho de azeite biológico faz pelo estômago e, meu caro doutor, eu sou um defensor do contraditório como o doutor em tempos quis fazer parecer que era com as consequências sobejamente conhecidas e que o professor Marcelo Rebelo de Sousa tão depressa não esquecerá.
Vou por isso e sem mais delongas, ao caso que motiva este diferendo:

O meu caro doutor, tem um blog com caixa de comentários e tudo, e, embora os comentários fiquem sujeitos a aprovação, atitude compreensível em alguém que suscita ódio e admiração em proporções que não pretendo adivinhar nem me interessa, espera-se que esse filtro sirva para evitar canalhices (digamo-lo assim para não alongar a conversa), e não censurar quem só usa do tal e tão apregoado direito que em tempos fez parecer ser-lhe caro e que, de certa forma, define o debatedor honesto. Podia o doutor não ter blog, e tendo-o, podia não ter caixa de comentários que estava no seu pleno direito. Agora meu caro doutor, com a responsabilidade que lhe advém de tudo o que já disse publicamente e (ironia das ironias) defendeu, ter a dita caixa e censurar quem não o festeja é que já não se faz e é um insulto que para já e por consideração a quem me lê, não adjectivo.

Após o congresso, o doutor Pedro Santana Lopes no post encimado pelo titulo "Congresso-I", lastima-se qual estrela mediática pelas “constantes, permanentes, solicitações dos jornalistas” a quem pede “para não entrarem comigo na sala, para não ser dado aquele” espectáculo “”, partindo depois para uma análise sucinta, muito sucinta aliás, do desempenho do doutor Luís Filipe Menezes no congresso e termina com um elogio à coerência, coisa que sinceramente aprecio.

Eu andava a estranhar que, as caixas de comentários do seu blog só reflectissem a opinião de quem lhe passava a mão pelo lombo, ou no mínimo lhe mostrava simpatia. Não encontrava o mais pequeno vestígio de acne e muito menos de opinião contraditória, tudo muito limpo, perfeito, arrumadinho e aplaudido como convém e isso, no blog de alguém tão controverso, dava até que pensar a quem não possuísse lógica dedutiva, assim, nada como a prova e, sem preocupação de estilo num momento insano, comentei o tal post dizendo-lhe que, o que se lhe exigia, não era que falasse no congresso, era que soubesse se ia falar ou não, mínimo exigível para quem pensa liderar a bancada do maior partido da oposição, e terminava com ironia dizendo-lhe que devido a tanto segredar com o doutor Filipe Menezes durante o discurso da doutora Manuela Ferreira Leite, ficava ligado ao impulso que provocou a primeira derrota do líder, rematando com uma referência ao gasto de créditos que havia acumulado com a sua “expontânea” saída da SIC. Tudo isto, dito de forma educada como é hábito dos que tomaram muito chá em pequenos.

Não para meu espanto, mas confirmando o que doentiamente esperava, lá veio a sarrafada ligando o exercício do poder à ideia de indignidade que dá razão aos seus detractores; o comentário, com nefanda liberdade não foi aprovado, ou seja; discordar da sua opinião, não é simples matéria de divergência intelectual mas um pecado intolerável que deve ser proibido, e o grave de tudo isto é a imoralidade de procedimento que alimenta a mentira que daí advém e que em nada o prestigia quando, aparentemente neste exame substantivo se constata que, pretende fazer crer com esta atitude de autoridade judicial, gozar do apreço e simpatia para com tudo o que escreve, atitude que na opinião deste humilde e simples cidadão é, senão politicamente, socialmente reprovável e imbecil porque, enferma de legitimidade, provoca percepções erróneas da realidade e interpretações falseadas.

Termino na inteira liberdade de consciência das pessoas normais, com as suas tão queridas palavras: “as acções ficam para quem as pratica”.

Referendo e futebol (se faz favor)

A dona Idalina e o senhor Fausto*, meus vizinhos, que votam no mesmo partido desde que podem, e porque sim, porque sempre votaram e não é agora que vão mudar, são pessoas de brandos costumes para quem só o presente pontual existe. Para eles, tudo o que é diferente é uma ameaça e em política o conteúdo da sua opinião é a do partido.
Esta leviandade conformista onde a falta de originalidade há muito assentou arraiais é perigosa, e, pela constatação do facto, seria licito considerar um erro que, em questões demasiado complexas, os meus vizinhos (com o devido respeito pelos seus cabelos brancos e sem querer ser insultuoso) que não sabem o nome dos 27 países da união europeia nem tão pouco que são 27, tenham uma palavra decisória em questões onde, a complexidade técnica de certas decisões aponta no caminho da democracia representativa em sua substituição, mas não considero.

A mourama dos partidos dominantes com intenção de não referendar já se perfila, enquanto do outro lado, se desfralda o referendo como bandeira da democracia, estes são os mesmos que não foram chamados a pronunciar-se sobre a livre circulação de pessoas e bens, sobre um governo, um parlamento e uma moeda comuns e, para estes, da mesma forma que a Constituição Europeia era um alvo a abater, o Tratado de Lisboa segue o mesmo caminho com todas as suas 250 páginas negociadas sem referendos.

Confesso relutância em ser favorável ao referendo do tratado de Lisboa porque, devia ser neste caso como em outros de igual complexidade, a favor do funcionamento da democracia representativa por duas razões principais: Quantos portugueses estarão preparados para referendar o tratado? Talvez mil a mil e quinhentos saibam o que está realmente em causa e com razoável honestidade o possa fazer, já com conhecimento de todo o processo e portanto em condições de promover o debate de cidadania, o número não deve ser superior a uma ou duas centenas, logo, qualquer debate sobre questão tão complexa é, em primeiro lugar um absurdo, por se transformar rapidamente numa luta fulanizada e numa grande e pública confusão (para se discutir o tratado, tem de se discutir a Europa), depois, chamar o povo para uma prova de vinhos às cegas é, salvo melhor e fundamentada opinião, antidemocrático. O povo deve ser chamado para aquilo que minimamente entende, para questões de elevada complexidade técnica, existem as incumbências legislativas de exercício de mandato que os deputado têm e dos quais se deve esperar um razoável entendimento do que está em jogo.

Mas gaita… por mais paradoxal que possa parecer depois do que atrás escrevi, este assunto consegue espremer-me algumas considerações mesmo não querendo contribuir com material para a divina comédia nacional, nem sabendo expressar-me melhor e mais curto, é que, estou inconformado com esta coisa estranha e de singular arrojo, de trocarmos decisões por unanimidade onde, os votos dos portugueses eleitos conta mesmo não tendo primos encorpados para o debate de alternativas e esforço de consenso, por votações de maioria qualificada de um Conselho de engenharia política que não é eleito pelo voto do povo, e que, na prática, esta alteração prenhe de imoralidade de procedimentos (países pequenos nem sempre terão comissários) minará os alicerces da convivência política e partirá o clube dos 27 em dois, o dos países ganhadores e o dos países perdedores que, barrados, terão de dar satisfações aos seus eleitores, e mais, mesmo sem estilo o digo; estou convicto que, na primeira decisão que for tomada contra e ao arrepio dos verdadeiros artistas na manipulação da lógica (Reino Unido, França e Alemanha), estes não a aceitarão e vários cenários se poderão então concretizar (escusam de acenar com condutas antidesportivas, porque aqui não se devolve a bola ao adversário nem se fazem chás dançantes), bico-de-obra que só se resolverá no dia em que as eleições nacionais forem substituídas por eleições europeias, até lá, quero que Portugal continue a ter a possibilidade de o seu voto contar para alguma coisa que, não faça deste país, um mero, pequeno e insignificante número, governado por Sir Humphreys.

Chegados aqui sem que eu tenha adjectivado a meia dúzia de palavrões que me acompanhou na escrita do post, perguntarão; onde é que o futebol entra nisto tudo? Não entra, mas embora alguns teimem em dizer e provavelmente acreditar que o futebol é um desporto alienante, talvez até profano quando um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês, eu não concordo. Nestas condições, o futebol é antes de mais um antidepressivo.

Viva o futebol!

* Nomes fictícios.

Mais correio

O poder da vírgula

“Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura”.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de mulher.
Se for homem, certamente a colocou depois de tem.

No correio

"Casamento é um relacionamento a dois, no qual uma das pessoas está sempre certa e a outra é o marido."


Nota: É óbvio que, o gajo que escreveu isto conhece a minha mulher.

A circunstancia que leva alguém a escrever um post como este, é passar-se dos carretos.

Na zona dos chapéus de sol, enquanto sem razão e sentido, a música ambiente, por entre o vozear dos crescidos e os gritos das crianças se fazia ouvir, mastigava eu uma munique da Pans que súbita fome tinha requisitado.
Reparei então que, numa das mesas e com inexplicável tranquilidade, um casal absorvia os ensinamentos de uns livrecos técnicos, não sendo minimamente afectados com a psicose grupal daquela seitinha de adolescentes numa das mesas próximas. Numa outra, com expressão apreensiva liam-se os jornais, enquanto, por detrás, um casal de namorados desafiando uma inexistente timidez, incorria em pecado socialmente intolerável das duas que já tinham sido novas e os olhavam com ar policial e tribunalício e, mais afastada, na zona que não tinha direito a chapéus de sol e onde a intensidade dos raios solares era idêntica, uma mulher, conectada, imperturbável com o obsessivo choro dos gémeos e a audível autoridade da mãe em reparos de matéria de divergência social, aparentemente trabalhava no seu Toshiba.
Embora não estivéssemos ameaçados pelos cabos de alta tensão da REN, ou pelo Al-Zawahiri que faz os franceses retirar da Argélia, e o perigo imediato pudesse vir de uma tenda próxima onde decorriam eliminatórias de um campeonato nacional de Sudoku, fugimos deste quadro psicótico, desconexo e do domínio do imaginário que, só não é estranho, deslocado da expectativa e acompanhando de grandes doses de incompreensão, porque acontece num Centro Comercial, onde a obstinação, vencendo a percepção da realidade, me levou nesta tarde de domingo.
Azar o meu, eu sei.

Acabaram as conversas com a minha dentista


- A partir de agora só falo com estes três dedos. Este diz sim, este diz não e este diz que, ou pára de falar ou me tira a parafernália toda da boca. Decorou?
- Decorei.

Bolas… cansei-me da figura patética e ridícula de ter de lhe responder com o aspirador e outros instrumentos de tortura enfiados na boca e mandei à fava o tratado dos deveres, porque, há dias, que para colher o fruto há que derrubar a arvore. É que, a conversa tinha rumado para o casamento (não me lembro porquê, mas a culpa, embora simples, é certamente das cerejas). Dizia ela, que o casamento era só um papel e acrescentava sentença decidida no tribunal da sua imaginação: é assim e basta, é assim porque é melhor. E eu, devido à total inviabilidade de disputar no terreno racional tamanha ligeireza, nem lhe podia perguntar do que tinha ela medo; se de casar ou de se divorciar.

Os livros e a necessária divulgação



E cá está o lançamento de “Goor – A Crónica de Feaglar II” do Pedro Ventura e é com exuberância que, faço o favor de informar aquelas três pessoas que passam por aqui, o seu lançamento no próximo sábado dia 13, pelas 15:30hs na Livraria Pretexto em Viseu.
…soube também, que este complemento da epopeia terá um apresentador convidado; o Nuno Loureiro; um “outsider” que é um amigo comum e que, se espera, devido ao rigor de análise e á exclusividade do fenómeno, venha num futuro muito próximo a ofuscar (aniquilar, para já, seria pedir muito) o professor Marcelo.

Sobre a primeira parte desta aventura, “Goor – A Crónica de Feaglar I”, falei na altura aqui, porque, por alguma razão obscura me agradou e retive imagens, coisa que nunca me aconteceu com as obras de Saramago. Agora, e já tendo o segundo volume com excelente dedicatória do autor, sorte a minha, eu sei, dou a palavra a quem tem o correcto entendimento da coisa, aproveitando de caminho para informar a internacionalização do Pedro Ventura.

Encontrarão na apreciação de Maria Comesaña, uma galega especialista em literatura portuguesa que, como eu, não é perfeita e não é uma leitora habitual do género fantástico e, por isso, que acaba por ser uma vantagem ao não transportar os vícios do género, que é como quem diz; coisas de arrogância e sobranceria várias. Dizia eu antes de me perder por causa de querer separar o trigo daquela outra coisa que, encontrarão na sua apreciação, motivos vários que os disporão ao esforço, que também é cívico mas essencialmente criterioso, de adquirir esta obra de escrita fantástica.

Diz Maria Comesaña sobre este segundo volume, a que atribuiu quatro estrelas num máximo de cinco:

“Por fin chegou ás nosas mans a segunda parte da Crónica de Feaglar. E se me pedides que vola resuma nunha frase, direi-vos que concordo que as segundas partes non son boas, neste caso, son mellores!”
Continuar a ler.

Com duas rajadas se matou o homem e criou o mártir.

No 40º aniversário da execução sumária de Che Guevara, remando contra a maré que incomodada com a sua memória tenta desmontar o mito, recordo:
Quando o sargento Mario Terán no dia 9 de Outubro de 1967, baixou a cabeça fugindo ao olhar daquele cuja morte lhe fora encomendada por Felix Rodrigues, um operacional cubano que trabalhava para a CIA, e se conteve para não vomitar, foi a voz de Che que o chamou à realidade: “Acalme-se e faça bem a pontaria. Vai matar um homem!”


Tributo às palavras que escorrem quentes.

Há quem despreze bons momentos? Há. Mas quem o faz, merecendo respeito, não merece que se perca tempo a falar do assunto, é coisa lá dessas pessoas que, estando, não estão, de facto, não indo preguiçosamente além da emoção ligeira. (Ponto final, para que não pareça que estou a querer ser profundo).
Por isso, porque posso, mas principalmente por aquilo que, com sentido gosto, chamo a vossa atenção; não percam este post inteligente com o sugestivo titulo “Púbis rosado” e, principalmente, não simulem, escutem o complemento de forma admiravelmente clara em mp3 que, se revelará, quiçá por alguma razão aparentemente obscura, um delicioso, inteligente e equilibrado prato principal, onde a grosseria e a ignorância não são acompanhamentos.

O Special One, apareceu-me.


Admitindo que para alguns (parece que são às carradas) em oposição à minha infeliz incapacidade de retenção, a leitura de António Lobo Antunes é um prazer puro, e por isso, que não é pouco, chego a ter tremuras e sonhos de tragédias gregas por não me poder placidamente deliciar com aquilo que o senhor escreve, assim, sempre que me cheira a entrevista falada ou escrita ao escritor, lá estou com avidez desmedida e epilepticamente repetida a sorvê-la, pensando talvez, que a humildade legitima me redima de demagogias, falácias, e burrices possíveis no que escrevi em tempos idos aqui.

Ora, a revista Visão desta semana, antecipando o clímax, não só traz na capa o escritor Lobo Antunes como, ao dispor ocular de qualquer passante, esta “brilhante” frase: “Tinha a morte dentro de mim. E é horrível estar grávido da morte”.

Nada a fazer, se religiosamente já largo dinheirinho para a revista todas as quintas-feiras, esta, até a comprava por imensamente muito mais, tal a iguaria se me apresentava. Sorte a minha, eu sei. Chegado a casa depois de ter contrariado a física dos materiais (não me lembro de ter aberto a porta para entrar), nada mais me interessa e parto ansioso para o índice e daí para a entrevista. Pela página 115 (antigo número de emergência) enquanto já frágil (tão frágil!) limpava uma lágrima imperceptível que, a confissão do escritor no anterior parágrafo tinha feito rolar, sou dominado pela surpresa incomensurável e colorida da maravilha ali escarrapachada:

"Ninguém escreve assim. Não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares.
E nada disto tem a ver com vaidade porque, como sabe, sou modesto e humilde."


Parei... fiz reloaded... e num enorme clarão apareceu-me o Mourinho.

Pensamento: São inúmeras, e por vezes imperceptíveis, as maneiras como os afectos dão colorido ao entendimento e o contaminam.
(Francis Bacon, Novum Organom (1620)).

Exemplos e Milagres


Não gostando eu de Santana Lopes na mesma proporção que gosto de futebol (e gosto muito, muito, mas mesmo muito, de futebol), reconheço a lição de dignidade que este deu à “SIC-Noticias” quando, se recusou a continuar a entrevista, interrompida para o directo imbecil da chegada de Mourinho ao aeroporto da Portela.
O mesquinho critério jornalístico e a falta de ética que tudo atropela, foram esta noite, delicadamente, mandados à merda.



A santinha que acompanhou a reflexão de Santana Lopes nesta lição de dignidade, e o Fátima na vitória estético-desportiva sobre o Porto logo na primeira eliminatória da Carlsberg Cup, não quis nada com o árbitro Duarte Gomes (que até deve ser uma pessoa muito regrada e muito certinha) no encontro Estrela – Benfica, quando este, aos 93’, vislumbrou uma mão de contornos suspeitos na cabeça de Wagnão de que ainda se procura o dono.

Matou-os todos?

Ontem, hoje não sei porque não vi, todos os noticiários mostraram o pimpão, mentiroso funcional e assassino, presidente do Irão.
Este Mahmoud Ahmadinejad, perito no adjutório manhoso, proclamava na Universidade da Columbia qual arauto de virtudes, mais esta dantesca inanidade homofóbica: no Irão não há homossexuais.

Esta besta aleivosa e nauseabunda, fazendo uso de um fedorento risinho paneleiro, pretende que, o Ocidente se esqueça disto.

Mas, como este é o tempo das muitas palavras e pouco sentido, fico-me por aqui.
… com o saco de enjoo, evidentemente.

Um post que no fundo, no fundo, podia ser pior.


Se hoje o dia tivesse amanhecido sob uma forte intempérie, ou vá lá, pelo menos uma chuvita a momentos forte, isto faria sentido:

De chávena na mão estanco o passo junto à janela e com o olhar desafio a intempérie que faz das suas lá fora.
Em calhando, hei-de anotar no meu caderno de capa cinza cartonada, os mornos sonhos das manhãs de inverno.


Assim, como o dia amanheceu com o despontar de um sol mais ou menos radioso, mais para mais do que para menos, e nenhum destes requisitos foi preenchido com o recurso a psicotropicos, limito-me a referenciar, o que é uma coisa decente, e já agora aconselhar, o que já é coisa da esfera pessoal mas que me satisfaz, a leitura deste post do Bill que, teve a sorte, ao que parece, de por lá estar a chover.

… no mínimo dos mínimos e quase que posso jurar, o sol andava escondido.

Timor-Leste por onde vais?


Enquanto esperam por Godot, os timorenses viram ser aprovado no passado sábado dia 15 o programa de Governo, onde, se propõe o indonésio e o inglês como línguas de trabalho.

E sabemos que, o indonésio será a língua de negócios e o inglês será a do conhecimento, num país de 925.000 bacanos com 15 ou 16 línguas indígenas (os números dispensam a precisão) e mais duas línguas oficiais; português e tétum.

Ora, não querendo necessariamente ser controverso, mas sendo isto tão verdade como a actividade humana ser a principal responsável pelo recuo dos glaciares, nada se estranha por cá como não se estranhou quando, um fundador respeitado da República Timorense, passou de Presidente a primeiro-ministro (sem ganhar eleições), por decisão do Presidente que foi primeiro-ministro por nomeação deste (sem igualmente ter ganho eleições), e Portugal com o seu desprendimento material (?), que me dá a sensação de estar a ser comido sem azeite biológico, já entrou com 60 milhões de euros do nosso dinheirinho para projectos de cooperação sobre o ensino da língua e, João Gomes Cravinho admite reforçar o apoio, o que, pode parecer tremendamente justo, mas só se compara a uma típica prova cega de vinhos.

Posto isto, só não admira a distracção dos nossos estadistas (digamos assim para não parecer um esbofeteamento verbal) porque sabemos, que quando Galileu demonstrou que a Terra girava, já os bêbados sabiam disso há séculos.

Fala o adepto




Se calhar não devia fazer isto, ou devia faze-lo de forma cândida e menos óbvia mas, o agricultor (?) que comentou os últimos posts suscitou-o, por andar distraído e não saber da inteireza, ou antes, a ponta de um corno da história dos dois clubes e muito menos o que é um adepto de clube que nunca esmorece, embora, às vezes, também ressaque.

Meu caro Zé da Quinta, esta modernice dos benfiquistas odiarem mais o Futebol Clube do Porto do que o Sporting, não está com nada, não me convence e deixa-me desconfiado da patologia e do irreversível quadro clinico lá para as bandas da cesta vermelha que até me aperta o peito e causa ansiedade.
No entanto, estou tranquilamente convencido que devido à instalada mingua de resultados, olham de soslaio a constância do tempo e ressacam da amargura e remorso em que navegam, servindo-se para isso de drible tosco como crianças com medo do monstro das bolachas, por forma a apaziguar ódios conquistados durante anos. Anos esses, que minaram os alicerces fundamentais de um edifício que até podia ser atraente (!?) e de uma convivência saudável, inviabilizando assim, in limine, qualquer possibilidade de diálogo e, embora eu admita deficiente entendimento destas coisas e nas sociedades modernas seja mais ou menos axiomático que, gostos e crenças dos outros devem ser tolerados com alguma candura, o provincianismo, o comportamento soprado e a liberdade de inconsciência com que disparam pseudotranscendentais opiniões, não deixa (abrimos aqui uma excepção para os menores de idade, bêbados e loucos) que se encontrem palavras capazes de substantivar alguma qualidade.

Meu caro Zé da Quinta, os adeptos sportinguistas, são bem diferentes de gajas ou gajos no estádio a gritar o redondo refrão obsessivo e psicopatológico "ninguém pára o Benfica”, embora, no primeiro caso (as gajas) exista o gosto por reinventar formas de estar, esquecem que é contemplando as ruínas que se alimentam as almas românticas. Mas, o futebol continua a ser uma área onde não se concede tréguas ao adversário nem se muda de rival qual maria-vai-com-as-outras, porque adepto que é adepto, tem o clube no coração como uma extensão de virilidade, uma coisa epidérmica que, por exemplo; se revela ao detectar um benfiquista a discursar sobre futebol como um protector band contra aves de rapina, desencadeando um principio activo do tipo deltametrina eficaz contra flebótomos e carraças, principalmente quando, os ouvimos falar dos milhões que são, esquecendo como a lenda nasceu, e é coisa que conto mais à frente com uma risadinha amarga e, no palato, um doce sabor a sangue.

A mim, enquanto adepto e sócio do Sporting não compete a ética, nem disfarçada com manjericão e cebolinho, isso é coisa para o meu excelso presidente. Como adepto, reajo qual “Charlie” emboscado no mato, festejando as vitórias do meu clube e as derrotas do arqui-rival como quem come um tornedó de bife Angus ou umas gambas de Madagáscar, e o meu breviário escorre quente e simples, expresso em tempo de acção e etapas concretas, ao contrário do adepto benfiquista que vivendo em permanente lobbying se situa num plano de realidade diferente onde, os mesmos nomes designam coisas diversas e os factos mudam de tamanho com a alternância das marés. Para além de tudo isso e talvez por ter o pensamento confinado à sala de triunfos passados, é nostálgico e vive em permanente crise de reconquista do poder.

Meu caro Zé da Quinta, depreendo das suas palavras que gostaria de se lastimar comigo ou então que ungíssemos o corpo e de mãos dadas, todos nus, nos fossemos manifestar contra o preço das mortalhas, acontece que, terá de o fazer sozinho, e já agora que acabou o “Fiel ou Infiel” faça também a oração da bunda.

Nota de sachola e risadinha amarga, ao cuidado do Zé da Quinta:

Um dia, o menino de oiro dos milhafres (nesse tempo vocês ainda não sabiam o que era uma águia, qualquer espécime avícola bastava), discutia com uns colegas quem tinha mais adeptos; se o Sporting, se o Benfica, e, passando à prática, perguntou a todos os que estavam ao seu redor o clube a que pertenciam, chegando à óbvia conclusão (e já vai perceber a razão do “óbvia”) que 60% eram benfiquistas. Rapidamente se fez a ponte para o espectro nacional nascendo assim a lenda dos seis milhões. Ora, este drible matemático em tão belos pés, teria porventura algum, embora fraquinho, resquício de credibilidade se a sondagem não tivesse sido feita no restaurante do Benfica, depois do treino da manhã e em dia de cozido à portuguesa bem regado com tinto, onde, o sapiencial Gaspar Ramos qual apóstolo da extinção da verdade e sem a necessária percepção ocular logo encontrou conceito explicativo, enterrando ali a natureza indomável das normas exactas e tornando obesos os bovinos, que é como quem diz; assim se engordou o gado.

E, já que estou com a mão na massa, aqui vai mais uma sem a excessiva saturação das justificações: como sabe, o seu presidente, pessoa que vive na ilusão que a televisão confere sabedoria, movendo substancialmente os músculos suprafaciais perante uma plateia de rolos de lã insegura e desinformada, expôs o estado deplorável dos seus conhecimentos expelindo a mirabolante bacorada de serem o primeiro clube do mundo a ter uma sinfonia.
Ora, chegou-me ao canal aditivo por boca de confiança, que os adeptos do Middlesbrough Football Club naquela manhã de verão ou tarde de inverno, sei lá, quando souberam deste estapafúrdio, ficaram de tal forma devastados que decidiram apanhar o Intercidades e vir até Lisboa prestar a sua homenagem.

Para os dear friends adeptos do Benfica, que se tenham sentido desagradados com este post, declaro que, nunca pretendi insultar a inteligência daquela ínfima minoria de benfarosas que tem uns gramas de ideias próprias .

I’m lovin’it.

Coisas da bola




E Mourinho, depois de um derradeiro confronto com Abramovich sai do Chelsea, onde, deixa dois campeonatos de Inglaterra, duas taças da Liga, uma supertaça inglesa e a tão cobiçada taça de Inglaterra. É para já rendido por Avram Grant, embora se fale no nome de Juande Ramos que no mês passado e por esperar um convite melhor, recusou uma oferta do Tottenham.
Ainda que não se vislumbre o futuro clube de Mourinho, desconfio que, por esta hora mais coisa menos coisa, os dirigentes do Barcelona estarão a fazer contas para contratar o “Special One” embora, para as bandas da luz e por se acharem o eixo do planeta, algumas vozes reclamem já a sua contratação.

E lá saiu o castigo de Scolari; suspensão por quatro jogos e €12.000 de multa. Admito que não esperava tanto.

Nota: O amigo agricultor que não acatou o meu conselho de parar com as reviengas (de pouco refinamento técnico, diga-se) na anterior caixa de comentários, e despuduradamente decidiu manter a bola continuando a sachar a horta, terá daqui a mais um bocadito e em forma de post, a oportunidade de saciar a sede e de poder jogar à rabia.

Sporting 0 – 1 Manchester United



Ok puto, estás perdoado.
…mas não te estiques.


Qual nível europeu?

Este post é sobre o jogo do AC Milan com o Benfica. Quem não gostar de futebol pode passar já para aqui onde, o descomplicado Rui Tavares, nos oferece uma portentosa análise de Maria José Nogueira Pinto.

E vamos lá sem pieguices e as tretas do fair-play, falar daquilo em que, um gajo que gosta de futebol perde uma catrefada de tempo:

Ontem e em canal aberto havia dois programas que tinha interesse em ver; o jogo do AC Milan com o Benfica e o debate entre Marques Mendes e Filipe Menezes. Optei obviamente e sem grandes reflexões sobre o universo e a humanidade pelo jogo, prevendo que o debate entre tais cortexes, seria uma desolação patética como parece que foi e, para aqueles como eu, que julgavam ir assistir a um bom jogo do AC Milan, foi uma desilusão com um resultado longe de traduzir a superioridade dos italianos aquele que, os contemplativos benfarosas arrancaram no Giuseppe Meazza. Uma desgraceira.

Na verdade o que conta é o resultado porque, o objectivo do futebol a par da beleza estética é ganhar, e este foi a derrota dos benfarosas, embora e para quem viu o jogo com olhos de ver, por números enganadores, já que, os pouco inspirados “rossoneri” só falharam nestas alturas: aos 7’ por Inzaghi, 14’ por Inzaghi, 16’ por Pilro, 21’ por Inzaghi, 54’ por Káká, 64’ por Jankulovski, 66’ por Inzaghi, 68’ por Oddo e aos 77’ primeiro por Inzaghi e logo a seguir por Emerson.

Os milanistas, para além dos dois golos e de terem tirado o pé do acelerador perante um adversário fácil e pouco incomodativo, limitaram-se a jogar toda a segunda parte em ritmo de treino e a treinar o keeper da Luz.

PS: O golo de consolo do Nuno Gomes já no último suspiro da partida, é irregular. O Edcarlos está fora de jogo e interfere na jogada. Vi eu com estes que a terra há-de comer.

Foi Assim

Num país onde um semáforo ou um repuxo, paga taxa de rádio e televisão na factura da luz (contribuição para o audiovisual), tudo pode acontecer: assim, o livro da Dra. Zita Seabra, essa voadora do trapézio e extraordinária acrobata insuflável, que passou de dirigente comunista e revolucionária bolchevique durante 24 anos a deputada liberal com conversão ao catolicismo por obra e graça do seu recente baptismo, consegue reunir com desfaçatez, uma enorme desqualificação política e um exibicionismo persistente para se manter na ribalta.

A Dra. Zita Seabra, como é óbvio, tem todo o direito a escrever um livro sobre o balanço dos seus erros e de autonegação, porque afinal todos nós nos enganamos mas, “Foi Assim”, está longe de ser um livro sapiencial, sendo antes, um livro de medo, medo do veredicto da recente consciência adquirida que a impeliu a exorcizar os demónios, tornando-o num bom exemplo do flagrante desprezo pela constância do tempo, do raciocínio lógico, da capacidade de memória e da consciência auto-reflectida, fazendo lembrar o ex. fumador que se torna um fanático anti-tabaco.

Porque os fenómenos dos nossos tempos são mais fáceis de entender do que os do passado, “Foi Assim”, deve ser digerido com cervejas Paulaner em canecas tamanho XL como forma de combater o ressaibiamento, a ressaca, a amargura e o remorso que nos transmite.

Há por aí alguém que explique?

Nós sabemos que um português é a mistura de cristãos, mouros, judeus, romanos, visigodos e celtas, e, também sabemos, que os mouros ocuparam durante sete séculos a Península Ibérica e por alguma razão nós não falamos Árabe. Só não sabemos, a razão do último filme de José Fonseca e Costa ter passado no Brasil com legendas.