O Special One, apareceu-me.


Admitindo que para alguns (parece que são às carradas) em oposição à minha infeliz incapacidade de retenção, a leitura de António Lobo Antunes é um prazer puro, e por isso, que não é pouco, chego a ter tremuras e sonhos de tragédias gregas por não me poder placidamente deliciar com aquilo que o senhor escreve, assim, sempre que me cheira a entrevista falada ou escrita ao escritor, lá estou com avidez desmedida e epilepticamente repetida a sorvê-la, pensando talvez, que a humildade legitima me redima de demagogias, falácias, e burrices possíveis no que escrevi em tempos idos aqui.

Ora, a revista Visão desta semana, antecipando o clímax, não só traz na capa o escritor Lobo Antunes como, ao dispor ocular de qualquer passante, esta “brilhante” frase: “Tinha a morte dentro de mim. E é horrível estar grávido da morte”.

Nada a fazer, se religiosamente já largo dinheirinho para a revista todas as quintas-feiras, esta, até a comprava por imensamente muito mais, tal a iguaria se me apresentava. Sorte a minha, eu sei. Chegado a casa depois de ter contrariado a física dos materiais (não me lembro de ter aberto a porta para entrar), nada mais me interessa e parto ansioso para o índice e daí para a entrevista. Pela página 115 (antigo número de emergência) enquanto já frágil (tão frágil!) limpava uma lágrima imperceptível que, a confissão do escritor no anterior parágrafo tinha feito rolar, sou dominado pela surpresa incomensurável e colorida da maravilha ali escarrapachada:

"Ninguém escreve assim. Não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares.
E nada disto tem a ver com vaidade porque, como sabe, sou modesto e humilde."


Parei... fiz reloaded... e num enorme clarão apareceu-me o Mourinho.

Pensamento: São inúmeras, e por vezes imperceptíveis, as maneiras como os afectos dão colorido ao entendimento e o contaminam.
(Francis Bacon, Novum Organom (1620)).

Exemplos e Milagres


Não gostando eu de Santana Lopes na mesma proporção que gosto de futebol (e gosto muito, muito, mas mesmo muito, de futebol), reconheço a lição de dignidade que este deu à “SIC-Noticias” quando, se recusou a continuar a entrevista, interrompida para o directo imbecil da chegada de Mourinho ao aeroporto da Portela.
O mesquinho critério jornalístico e a falta de ética que tudo atropela, foram esta noite, delicadamente, mandados à merda.



A santinha que acompanhou a reflexão de Santana Lopes nesta lição de dignidade, e o Fátima na vitória estético-desportiva sobre o Porto logo na primeira eliminatória da Carlsberg Cup, não quis nada com o árbitro Duarte Gomes (que até deve ser uma pessoa muito regrada e muito certinha) no encontro Estrela – Benfica, quando este, aos 93’, vislumbrou uma mão de contornos suspeitos na cabeça de Wagnão de que ainda se procura o dono.

Matou-os todos?

Ontem, hoje não sei porque não vi, todos os noticiários mostraram o pimpão, mentiroso funcional e assassino, presidente do Irão.
Este Mahmoud Ahmadinejad, perito no adjutório manhoso, proclamava na Universidade da Columbia qual arauto de virtudes, mais esta dantesca inanidade homofóbica: no Irão não há homossexuais.

Esta besta aleivosa e nauseabunda, fazendo uso de um fedorento risinho paneleiro, pretende que, o Ocidente se esqueça disto.

Mas, como este é o tempo das muitas palavras e pouco sentido, fico-me por aqui.
… com o saco de enjoo, evidentemente.

Um post que no fundo, no fundo, podia ser pior.


Se hoje o dia tivesse amanhecido sob uma forte intempérie, ou vá lá, pelo menos uma chuvita a momentos forte, isto faria sentido:

De chávena na mão estanco o passo junto à janela e com o olhar desafio a intempérie que faz das suas lá fora.
Em calhando, hei-de anotar no meu caderno de capa cinza cartonada, os mornos sonhos das manhãs de inverno.


Assim, como o dia amanheceu com o despontar de um sol mais ou menos radioso, mais para mais do que para menos, e nenhum destes requisitos foi preenchido com o recurso a psicotropicos, limito-me a referenciar, o que é uma coisa decente, e já agora aconselhar, o que já é coisa da esfera pessoal mas que me satisfaz, a leitura deste post do Bill que, teve a sorte, ao que parece, de por lá estar a chover.

… no mínimo dos mínimos e quase que posso jurar, o sol andava escondido.

Timor-Leste por onde vais?


Enquanto esperam por Godot, os timorenses viram ser aprovado no passado sábado dia 15 o programa de Governo, onde, se propõe o indonésio e o inglês como línguas de trabalho.

E sabemos que, o indonésio será a língua de negócios e o inglês será a do conhecimento, num país de 925.000 bacanos com 15 ou 16 línguas indígenas (os números dispensam a precisão) e mais duas línguas oficiais; português e tétum.

Ora, não querendo necessariamente ser controverso, mas sendo isto tão verdade como a actividade humana ser a principal responsável pelo recuo dos glaciares, nada se estranha por cá como não se estranhou quando, um fundador respeitado da República Timorense, passou de Presidente a primeiro-ministro (sem ganhar eleições), por decisão do Presidente que foi primeiro-ministro por nomeação deste (sem igualmente ter ganho eleições), e Portugal com o seu desprendimento material (?), que me dá a sensação de estar a ser comido sem azeite biológico, já entrou com 60 milhões de euros do nosso dinheirinho para projectos de cooperação sobre o ensino da língua e, João Gomes Cravinho admite reforçar o apoio, o que, pode parecer tremendamente justo, mas só se compara a uma típica prova cega de vinhos.

Posto isto, só não admira a distracção dos nossos estadistas (digamos assim para não parecer um esbofeteamento verbal) porque sabemos, que quando Galileu demonstrou que a Terra girava, já os bêbados sabiam disso há séculos.

Fala o adepto




Se calhar não devia fazer isto, ou devia faze-lo de forma cândida e menos óbvia mas, o agricultor (?) que comentou os últimos posts suscitou-o, por andar distraído e não saber da inteireza, ou antes, a ponta de um corno da história dos dois clubes e muito menos o que é um adepto de clube que nunca esmorece, embora, às vezes, também ressaque.

Meu caro Zé da Quinta, esta modernice dos benfiquistas odiarem mais o Futebol Clube do Porto do que o Sporting, não está com nada, não me convence e deixa-me desconfiado da patologia e do irreversível quadro clinico lá para as bandas da cesta vermelha que até me aperta o peito e causa ansiedade.
No entanto, estou tranquilamente convencido que devido à instalada mingua de resultados, olham de soslaio a constância do tempo e ressacam da amargura e remorso em que navegam, servindo-se para isso de drible tosco como crianças com medo do monstro das bolachas, por forma a apaziguar ódios conquistados durante anos. Anos esses, que minaram os alicerces fundamentais de um edifício que até podia ser atraente (!?) e de uma convivência saudável, inviabilizando assim, in limine, qualquer possibilidade de diálogo e, embora eu admita deficiente entendimento destas coisas e nas sociedades modernas seja mais ou menos axiomático que, gostos e crenças dos outros devem ser tolerados com alguma candura, o provincianismo, o comportamento soprado e a liberdade de inconsciência com que disparam pseudotranscendentais opiniões, não deixa (abrimos aqui uma excepção para os menores de idade, bêbados e loucos) que se encontrem palavras capazes de substantivar alguma qualidade.

Meu caro Zé da Quinta, os adeptos sportinguistas, são bem diferentes de gajas ou gajos no estádio a gritar o redondo refrão obsessivo e psicopatológico "ninguém pára o Benfica”, embora, no primeiro caso (as gajas) exista o gosto por reinventar formas de estar, esquecem que é contemplando as ruínas que se alimentam as almas românticas. Mas, o futebol continua a ser uma área onde não se concede tréguas ao adversário nem se muda de rival qual maria-vai-com-as-outras, porque adepto que é adepto, tem o clube no coração como uma extensão de virilidade, uma coisa epidérmica que, por exemplo; se revela ao detectar um benfiquista a discursar sobre futebol como um protector band contra aves de rapina, desencadeando um principio activo do tipo deltametrina eficaz contra flebótomos e carraças, principalmente quando, os ouvimos falar dos milhões que são, esquecendo como a lenda nasceu, e é coisa que conto mais à frente com uma risadinha amarga e, no palato, um doce sabor a sangue.

A mim, enquanto adepto e sócio do Sporting não compete a ética, nem disfarçada com manjericão e cebolinho, isso é coisa para o meu excelso presidente. Como adepto, reajo qual “Charlie” emboscado no mato, festejando as vitórias do meu clube e as derrotas do arqui-rival como quem come um tornedó de bife Angus ou umas gambas de Madagáscar, e o meu breviário escorre quente e simples, expresso em tempo de acção e etapas concretas, ao contrário do adepto benfiquista que vivendo em permanente lobbying se situa num plano de realidade diferente onde, os mesmos nomes designam coisas diversas e os factos mudam de tamanho com a alternância das marés. Para além de tudo isso e talvez por ter o pensamento confinado à sala de triunfos passados, é nostálgico e vive em permanente crise de reconquista do poder.

Meu caro Zé da Quinta, depreendo das suas palavras que gostaria de se lastimar comigo ou então que ungíssemos o corpo e de mãos dadas, todos nus, nos fossemos manifestar contra o preço das mortalhas, acontece que, terá de o fazer sozinho, e já agora que acabou o “Fiel ou Infiel” faça também a oração da bunda.

Nota de sachola e risadinha amarga, ao cuidado do Zé da Quinta:

Um dia, o menino de oiro dos milhafres (nesse tempo vocês ainda não sabiam o que era uma águia, qualquer espécime avícola bastava), discutia com uns colegas quem tinha mais adeptos; se o Sporting, se o Benfica, e, passando à prática, perguntou a todos os que estavam ao seu redor o clube a que pertenciam, chegando à óbvia conclusão (e já vai perceber a razão do “óbvia”) que 60% eram benfiquistas. Rapidamente se fez a ponte para o espectro nacional nascendo assim a lenda dos seis milhões. Ora, este drible matemático em tão belos pés, teria porventura algum, embora fraquinho, resquício de credibilidade se a sondagem não tivesse sido feita no restaurante do Benfica, depois do treino da manhã e em dia de cozido à portuguesa bem regado com tinto, onde, o sapiencial Gaspar Ramos qual apóstolo da extinção da verdade e sem a necessária percepção ocular logo encontrou conceito explicativo, enterrando ali a natureza indomável das normas exactas e tornando obesos os bovinos, que é como quem diz; assim se engordou o gado.

E, já que estou com a mão na massa, aqui vai mais uma sem a excessiva saturação das justificações: como sabe, o seu presidente, pessoa que vive na ilusão que a televisão confere sabedoria, movendo substancialmente os músculos suprafaciais perante uma plateia de rolos de lã insegura e desinformada, expôs o estado deplorável dos seus conhecimentos expelindo a mirabolante bacorada de serem o primeiro clube do mundo a ter uma sinfonia.
Ora, chegou-me ao canal aditivo por boca de confiança, que os adeptos do Middlesbrough Football Club naquela manhã de verão ou tarde de inverno, sei lá, quando souberam deste estapafúrdio, ficaram de tal forma devastados que decidiram apanhar o Intercidades e vir até Lisboa prestar a sua homenagem.

Para os dear friends adeptos do Benfica, que se tenham sentido desagradados com este post, declaro que, nunca pretendi insultar a inteligência daquela ínfima minoria de benfarosas que tem uns gramas de ideias próprias .

I’m lovin’it.

Coisas da bola




E Mourinho, depois de um derradeiro confronto com Abramovich sai do Chelsea, onde, deixa dois campeonatos de Inglaterra, duas taças da Liga, uma supertaça inglesa e a tão cobiçada taça de Inglaterra. É para já rendido por Avram Grant, embora se fale no nome de Juande Ramos que no mês passado e por esperar um convite melhor, recusou uma oferta do Tottenham.
Ainda que não se vislumbre o futuro clube de Mourinho, desconfio que, por esta hora mais coisa menos coisa, os dirigentes do Barcelona estarão a fazer contas para contratar o “Special One” embora, para as bandas da luz e por se acharem o eixo do planeta, algumas vozes reclamem já a sua contratação.

E lá saiu o castigo de Scolari; suspensão por quatro jogos e €12.000 de multa. Admito que não esperava tanto.

Nota: O amigo agricultor que não acatou o meu conselho de parar com as reviengas (de pouco refinamento técnico, diga-se) na anterior caixa de comentários, e despuduradamente decidiu manter a bola continuando a sachar a horta, terá daqui a mais um bocadito e em forma de post, a oportunidade de saciar a sede e de poder jogar à rabia.

Sporting 0 – 1 Manchester United



Ok puto, estás perdoado.
…mas não te estiques.


Qual nível europeu?

Este post é sobre o jogo do AC Milan com o Benfica. Quem não gostar de futebol pode passar já para aqui onde, o descomplicado Rui Tavares, nos oferece uma portentosa análise de Maria José Nogueira Pinto.

E vamos lá sem pieguices e as tretas do fair-play, falar daquilo em que, um gajo que gosta de futebol perde uma catrefada de tempo:

Ontem e em canal aberto havia dois programas que tinha interesse em ver; o jogo do AC Milan com o Benfica e o debate entre Marques Mendes e Filipe Menezes. Optei obviamente e sem grandes reflexões sobre o universo e a humanidade pelo jogo, prevendo que o debate entre tais cortexes, seria uma desolação patética como parece que foi e, para aqueles como eu, que julgavam ir assistir a um bom jogo do AC Milan, foi uma desilusão com um resultado longe de traduzir a superioridade dos italianos aquele que, os contemplativos benfarosas arrancaram no Giuseppe Meazza. Uma desgraceira.

Na verdade o que conta é o resultado porque, o objectivo do futebol a par da beleza estética é ganhar, e este foi a derrota dos benfarosas, embora e para quem viu o jogo com olhos de ver, por números enganadores, já que, os pouco inspirados “rossoneri” só falharam nestas alturas: aos 7’ por Inzaghi, 14’ por Inzaghi, 16’ por Pilro, 21’ por Inzaghi, 54’ por Káká, 64’ por Jankulovski, 66’ por Inzaghi, 68’ por Oddo e aos 77’ primeiro por Inzaghi e logo a seguir por Emerson.

Os milanistas, para além dos dois golos e de terem tirado o pé do acelerador perante um adversário fácil e pouco incomodativo, limitaram-se a jogar toda a segunda parte em ritmo de treino e a treinar o keeper da Luz.

PS: O golo de consolo do Nuno Gomes já no último suspiro da partida, é irregular. O Edcarlos está fora de jogo e interfere na jogada. Vi eu com estes que a terra há-de comer.

Foi Assim

Num país onde um semáforo ou um repuxo, paga taxa de rádio e televisão na factura da luz (contribuição para o audiovisual), tudo pode acontecer: assim, o livro da Dra. Zita Seabra, essa voadora do trapézio e extraordinária acrobata insuflável, que passou de dirigente comunista e revolucionária bolchevique durante 24 anos a deputada liberal com conversão ao catolicismo por obra e graça do seu recente baptismo, consegue reunir com desfaçatez, uma enorme desqualificação política e um exibicionismo persistente para se manter na ribalta.

A Dra. Zita Seabra, como é óbvio, tem todo o direito a escrever um livro sobre o balanço dos seus erros e de autonegação, porque afinal todos nós nos enganamos mas, “Foi Assim”, está longe de ser um livro sapiencial, sendo antes, um livro de medo, medo do veredicto da recente consciência adquirida que a impeliu a exorcizar os demónios, tornando-o num bom exemplo do flagrante desprezo pela constância do tempo, do raciocínio lógico, da capacidade de memória e da consciência auto-reflectida, fazendo lembrar o ex. fumador que se torna um fanático anti-tabaco.

Porque os fenómenos dos nossos tempos são mais fáceis de entender do que os do passado, “Foi Assim”, deve ser digerido com cervejas Paulaner em canecas tamanho XL como forma de combater o ressaibiamento, a ressaca, a amargura e o remorso que nos transmite.

Há por aí alguém que explique?

Nós sabemos que um português é a mistura de cristãos, mouros, judeus, romanos, visigodos e celtas, e, também sabemos, que os mouros ocuparam durante sete séculos a Península Ibérica e por alguma razão nós não falamos Árabe. Só não sabemos, a razão do último filme de José Fonseca e Costa ter passado no Brasil com legendas.

Ota ou Alcochete? A mim, tanto me faz.

Enquanto todos andam entretidos com os McCann (existem já teorias de conspiração) e com o Scolari (bem-haja este, só foi pena o gancho de esquerda não ter atingido as fuças do sérvio), eu, porque estive ausente do blogue muito tempo e dá-me gozo ser diferente, vou debruçar-me sobre o raio do novo aeroporto.
Prevendo já que o post vai ser longo, bem posso escrever o que quiser que também ninguém vai ler isto. É só para ficar, como agora se diz, para memória futura.

Ora bem…mesmo que não me assista o direito de imaginar que a CIP, numa manobra concertada, prestou um enorme serviço a Mário Lino mandando fazer o estudo sobre Alcochete, desfazendo assim o nó que este colocara à volta do Governo, fiquei com a pulga atrás da orelha com esta alternativa e, a minha primeira reacção, sabendo como a comunicação e a persuasão pública tinham falhado até aí foi, a de pensar, que ali havia marosca e da grande, já que, a oposição, perdia o seu filão de contestação ao Governo e principalmente, o “honesto” (depois do caso Somague, aceitou um carro para a campanha das directas, cedido por um empresário militante do partido e disse que era alugado) Marques Mendes, para além da liderança da oposição, vê também esvaziada a sua liderança no PSD, onde, a única coisa que lá o prendia era a imagem de seriedade, restando-lhe, para já, agarrar-se à pouco insuflada bóia de salvação que dá pelo nome de TGV, sem ninguém poder garantir que um qualquer mas mais credível respaldo técnico encontrado pelo LNEC, não venha a reequacionar a questão Ota, e mesmo que isso não aconteça, para Sócrates Alcochete também serve, porque a ideia teimosa e cega que se fazia sobre a questão está definitivamente atenuada, e pode então, quando a altura chegar, gerir sem perder a face, a opção que melhor lhe parecer, e que estou convencido, mesmo com a disponibilidade do Ministério da Defesa para encerrar o campo de tiro de Alcochete, ser aquela que há uns anos porreiros a esta parte tem merecido a vénia de todos os governos e onde, já se gastou desde 1998, qualquer coisa como 34 milhões de euros em estudos.

A este fio invisível dos acontecimentos, que une as coisas ao seu principio, dá-se o nome de habilidade e inteligência política a que, o eficaz José Sócrates não é alheio nem o presidente da CIP que só pretendeu (e vamos acreditar no que as pessoas se esforçam por dizer devido aos recursos disponíveis) com a contribuição monetária de alguns empresários, defender o interesse nacional e, acrescento eu, o ponto de vista de um significativo número de políticos de trazer por casa e pela blogosfera, que distribuem gratuitamente e com insistência, carradas de opiniões de vasto e sumarento apoio cientifico. A mim, que só quero viver com um ar mais ou menos respirável, passarinhos no céu, peixinhos no oceano, chuva e sol nas respectivas estações e um aeroporto perto de casa devido ao preço dos taxis, dava-me jeito que a solução Portela + 1 (que é o que vai ser nos próximos dez ou quinze anos e eu gostava de viajar muito durante esse período) fosse para continuar, e tanto me faz que seja com Alcochete ou Ota, desde que a Portela fique para os voos comunitários, mas, ainda assim, adianto; para este governo deve ser o mesmo, porque o que interessa nesta gestão perversa das prioridades políticas é mesmo construir o Aeroporto e o TGV, única via para baixar rapidamente o desemprego e dar um golpe de rins à economia. Disso, depende a reeleição de Sócrates para um segundo mandato, coisa que a oposição há muito percebeu.

Scolari Falhou.

Não estou nada de acordo com as trezentas e noventa e nove opiniões (a maior parte de gente abalizada da imprensa e do desporto nacional que é o futebol) que dizem ter Scolari falhado ao tentar agredir o Dragutinovic, e não concordo porque, quanto a mim, Scolari falhou, não uma, mas duas vezes e aqui é que está o cerne da discussão. Falhou, porque o seu mau boxe não deu para enfiar convenientemente o seu gancho de esquerda no Dragutinovic quando este lhe tentou roubar o relógio, depois, falhou, ao confrontar-se de forma egoísta com o jogador sérvio, só porque este lhe insultou a família quando, o árbitro Markus Merk, tinha acabado de insultar a selecção nacional, o presidente da república, o primeiro ministro, o governo e o povo português (aqui, toca-me a mim e à minha família), validando um golo falso como Judas que, este sim, bem merecia um uppercut que o pusesse K.O.

Assim, só o desculpo, porque ainda ontem o Paulo Bento com toda a tranquilidade e o penteado que o caracteriza, dizia que; “quem nunca errou que atire a primeira pedra” e, tenho uma vaga ideia, vaga, porque longínqua, de já ter errado uma vez, quanto muito e no máximo dos máximos, duas.

Conclusão sem obliquidades morais: Se Zinedine Zidane depois daquela magnifica cabeçada levou dois jogos de suspensão, Scolari, fazendo parte desta praxis desportiva, nem um merece.



Regresso

A preguiça ao sol acabou, os miúdos irrequietos que correm incessantemente desde que o dia nasce até que o sol se põe vão agora para a escola, as leituras lentas, interrompidas às vezes pelo feliz perfume de peixe a grelhar que, se sabia, seria regado convenientemente e sem pressas, terminou.

Assim se renovou a vontade de viver neste tempo que, amiúde, nos ocupa o pensamento e, voltamos embasbacados ao supérfluo, às infâmias, aos enganos, à indelicadeza da contrafacção de noticias com o objectivo de boas performances jornalísticas (bom jornalismo, é outra coisa.) onde, a Maddie, os McCann, a Policia Judiciária, o Ministério Público e o Ocean Club, levam a coroa da “catrefada de horas” neste circo romano, adornado com manhosas entrevistas de rua onde ninguém sabe mais que, o diz-se, diz-se.
A verdade, essa malvada, andará por aí aos trambolhões, embora, alguns, e porque o share a isso obriga, cheguem ao ponto quase espírita de decifrar as mensagens da PJ, como alimento necessário à cascata de lava opinativa com que, prolongam indefinidamente os noticiários.

Assim, mantendo-me nas nuvens, sem querer concretizar e muito menos ser profundo, porque só pretendo um primeiro post pós-férias desengordurado, direi que; a destilação, processo em que se separam os elementos far-se-á a seu tempo e, para já, nem sequer falo de mais este passo em falso da selecção nacional de futebol, nem tão pouco, do caldinho (estilo de boxe) que Felipão mostrou frente a Dragutinovic, preferindo ficar com o fabulástico momento que até dá arrepios na espinha, da selecção nacional de râguebi no jogo inaugural do Campeonato do Mundo contra a Escócia. Os mais atentos, notaram com toda a certeza que, a bandeira nacional lacrimejou e os pelos do meu peito eriçaram-se.

Férias

Ainda em relação ao post anterior, fica aqui a entrevista de Saramago ao Diário de Noticias e, como complemento, a opinião de Edelmiro Momán no Portal Galego da Língua, com o titulo Santo Saramago Naïf: uma visão galega .

Pérolas


Tempos atrás o semanário “Sol” trazia uma sondagem em que, 27% dos portugueses estariam de acordo com a absorção de Portugal pela Espanha. Considerei na altura, que a democracia aliada à burrice, faz daquele povo meio pateta e que se ilude com as luzes, um bom palhaço.
Ora, estes palhaços, longe de serem sociologicamente coerentes por não saberem História, estão sempre a tempo de perguntar aos bascos, aos catalãos e aos galegos, o que pensam dos castelhanos mandarem nas suas terras, outra coisa, são as campanhas organizadas em que a quadrilha deixou de ser uma dança e passou a ser uma razão de existência, e, desta feita, encostados a um prémio Nobel da literatura tornando-o arauto do iberismo, profetizam a total integração de Portugal na Espanha a que este dá voz numa entrevista ao Diário de Noticias, demonstrando um ódio visceral e preconceituoso à História de Portugal e um grave desconhecimento da realidade espanhola levando-o a dizer; ter esta existido de forma mais ou menos pacifica ao longo dos anos. Lavando assim, o sangue derramado por Castela e a sua função na Península ao nível da Grande Sérvia e esquecendo Franco, o ditador que descaracterizou a Catalunha proibindo a língua e os usos, em prol de uma Espanha Una.
Saramago faz jogo sujo, apoiado na maçonaria e no obscuro grupo Prisa que também controla alguma da comunicação social portuguesa, defendendo uma patética tese de paz e união ibérica, esquecendo que Castela é responsável por exorcizar Portugal dos livros de História espanhóis, por descaracterizar Olivença esmagando e humilhando a cultura portuguesa e fazendo crer que Castela aceitaria a língua portuguesa, num discurso de meias verdades, distorcendo a História de tal forma que só merece um vómito.


Outra pérola, esta da intriga barata, dá pelo nome de Felicia Cabrita que, com a cobertura do semanário “Sol”, enquanto o PGR levanta inquérito às declarações de Ana Salgado irmã de Carolina Salgado, esta preciosidade dos “free lancer” do jornalismo caseiro, distorce tudo e assina um artigo que faz manchete, segundo o qual; o PGR abrira um inquérito à equipa de Maria José Morgado e, em subtítulo, afirma que a investigação é acusada de imparcialidade.
Esta pseudonoticia da biógrafa oficial do Sr. Pinto da Costa, mete num saco a Lola mamona que trabalhava na Praça do Chile, e é bem o retrato de que o dia das mentiras, é agora uma constante data nacional.

Cansado me vou, talvez de férias, sei lá.

O Caso Charrua

Afinal, há falta de argumentos para defender ideias defendem-se sentimentos, tarefa que só requer paixão e, nesta lógica, que alguns considerarão pobre mas é o que se arranja, foi o sentimento que levou a superiora do prof. Fernando Charrua, a instaurar o tal processo que, em despacho de ontem, conforme a comunicação social de hoje, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues mandou arquivar.
Parece ter-se enfim concluído: aquilo que Fernando Charrua terá dito, enquadra-se no direito à liberdade de opinião e critica política, logo, naturalmente aceitável por não visar um superior hierárquico directo.

Com a contenção e pudor que o caso merece, mas porque a critica é necessária ao saudável encontro com a minha almofada (não vá o diabo tece-las), acrescentarei:

O essencial da questão e que importa sublinhar é: nenhuma sociedade livre pode sobreviver pela criminalização de opiniões discordantes. O temor e a falta de inscrição dos povos provoca o nascimento das tiranias e, os tiranos, incapazes de tolerar ou refutar intelectualmente opiniões contrárias, preferem proibi-las.
Assim, como pessoa de bem, aqui fica a minha total concordância com a decisão da senhora ministra pelo seu quê de pedagogia política, mesmo não lhe restando outra saída, ou talvez, por isso mesmo.
E pronto, já sinto a luz a descer sobre a minha cabeça.

Pois… agora nem preciso fazer o pedido.

Tenho constatado, e cada vez com mais frequência que, os empregados dos nossos cafés (excepto o Sr. Manuel que me cumprimenta com um “bacalhau” sempre que lá entro) cultivam esse velho charme europeu de que, servir é um verbo indigno que os impede de serem gentis.
Dei-me ao trabalho, e à despesa, e à despesa, e à despesa, de fazer uma experiência com um desses matrecos empregados que invariavelmente tratam toda a gente ao pontapé e, para os quais, não encontro uma palavra capaz de substantivar uma qualidade: comecei a deixar-lhe uma boa gorjeta e, sem espanto meu, não foi preciso muito tempo para o velho rapport feudal, digamos assim, ir pelo cano abaixo e o tal empregado passar a servir-me com um ar mais feliz que Mr. Scrooge ao descobrir que está vivo e é Natal.

Dispensando o supérfluo, o enfeite das palavras vistosas e a vontade de ter vontade de estender isto a outras profissões com desempenhos igualmente infames, estou tentado a concluir que: o secularismo de algumas atitudes está nos pormenores, e um bom serviço depende da forma de pagamento e do hábito do corrupto, determinado, claro está, pela formação a que este está ligado.

…e mais não digo.

O Achado do Espaço Suspenso.

Jaime De La Cruz, homem de estatura mediana, corpo firme, queixo resoluto e já entrado na idade, imigrara dos EUA há 15 anos. Costumava dizer com voz grave e num ingles espanholado que, tinha trocado San José no Condado de Santa Clara por Cascais.
A fortuna que se lhe reconhecia, tinha-a feito em San Francisco, onde adquirira um refinado gosto para os objectos, como o Mercedes 300 SL Gullwing de 54 que usava nos seus passeios pelo Guincho, ou o Aston Martin DB6 que utilizava quando era forçado a deslocar-se a Lisboa.

A história que vos conto, teve a sua origem quando Jaime De La Cruz fazia o habitual passeio matinal de oitocentos metros que, eram duas larguras da Praia da Adraga, sempre que o tempo permitia.

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As vinhas da ira. (desafio sobre... leituras)

Não sou adepto da cegarrega das correntes, em parte, se necessária a justificação para não me tornar ridículo, devido ao ruído que transportam. Porém, não me posso esquivar a esta, por dois, quanto a mim e salvo melhor opinião, importantes motivos: primeiro, foi a amiga Kaotica que me desafiou em altura de boa disposição (caso contrário, corria o risco de ver o seu carro riscado na manhã seguinte) e, depois, mas não menos importante, divulgar livros será sempre um motivo maior para quem gosta de ler, independentemente de gostos ou freudeanismos que, na verdade, devendo ser tidos em consideração, não devem ser levados em desmesurada conta, já que, o acto de ler, é um jogo de caminhos que exige maior ou menor elasticidade e inteligência do leitor que, diga-se em abono da verdade, no meu caso é tão limitada que até chateia.

Na pratica, nada mais farei do que dar continuidade ao que já aqui fiz algumas vezes quando sugeri leituras para férias, ou divulguei alguns autores que, em dado momento, me deram momentos de prazer, alguns, inolvidáveis, mas isso, não quer dizer que, outro leitor os tenha na mesma proporção, é o raio do gosto e a concepção de cada um sobre o que é boa e má literatura, e eu, tenho a minha, evidentemente, que já me levou a criticar autores aplaudidos simplesmente porque não gosto, e este não gostar, não é uma posição explicita, ética, moral ou filosófica, nem alberga qualquer tipo de despeito, é assim como um descontentamento por vezes palpável e latente, embora indefinido por falta de outro fundamento que não seja o gosto e, reconheça-se, este tem pouco apoio devido à sua subjectividade, ou então, é o meu fraco entendimento nestas e noutras coisas que não permite enxergar mais além.

Em consciência direi que, existem livros que me ferem e nos quais não consigo mergulhar e outros que me embalam num doce e suave chapinhar, os que me despertam, interrogam e exigem braçada forte para a sua travessia e os que, esporadicamente, me fazem companhia e me emprestam ideias ou memórias, os que repousam nas prateleiras como mosaicos de influência e os que, embora se insinuem, sabem que nunca comerão na minha mão, sendo por isso impossível, qualquer promiscuidade.

Mas falemos de um que me deu a honra de nele poder mergulhar: As vinhas da ira (1939) de John Steinbeck.

Um título altamente simbólico, para uma obra épica, poética e de insofismável cunho sociopolítico, em que, as vinhas, são o verdejante vale da Califórnia que personifica a fartura, o alimento, o trabalho e o bem-estar e, a ira, que conota uma busca frustada, onde a exploração do homem pelo homem alcança picos de terrível injustiça social, moral e física que, tomando o lugar da esperança, transforma-se em desespero, culminando na luta silenciosa das greves, não por melhores salários, mas, acima de tudo, pelo básico, o próprio alimento.
O tema do romance, ao enfatizar que há ainda muito por fazer: “A busca não acaba nunca” nas palavras do próprio autor, procura reforçar e ampliar a consciência de luta social e a necessidade de continuar essa luta: “Nós não vamos morrer. A gente vai em frente - mudando um pouco talvez - mas indo em frente”.

Boa leitura.

Sunday Bloody Sunday



Sem dúvida, Bono Vox líder dos U2, a mais famosa banda Irlandesa de todos os tempos, é um dos mais mediáticos e mais activo defensor dos direitos humanos.
Sunday Bloody Sunday, é o nome da canção que os U2 compuseram em 1983 em memória da tragédia que se abateu sobre os irlandeses no dia 30 de Janeiro de 1972 quando, durante uma marcha de protesto pelos direitos civis da Northerm Ireland Civil Rights association, após a publicação de um decreto do Governo Britânico que permitia a prisão de elementos suspeitos de terrorismo sem julgamento.


Às 14:50, 10.000 católicos reúnem-se no bairro de Creggan com o objectivo de prosseguirem em protesto até à praça de Guildhall. O 1º Batalhão do Regimento de Pára-quedistas do exército Inglês destacado em Derry, na Irlanda do Norte, recebe ordens para avançar sobre os manifestantes, prender o maior número de desordeiros e dispersar os restantes.
A partir daqui as versões divergem; o exército afirma que foi recebido a tiro disparando em legitima defesa. Os católicos, que foram os Pára-quedistas que iniciaram os disparos indiscriminadamente.

A verdade é que, após 25 minutos de intenso tiroteio, 26 activistas, todos desarmados, tinham sido alvejados. 13 católicos (6 dos quais menores) estavam mortos, tendo 5 deles sido alvejados pelas costas e um 14º viria a falecer posteriormente na sequência dos ferimentos.
O inquérito instaurado após o massacre e que, ficaria conhecido como “Sunday Bloody Sunday”, determinou que o exército agira com “alguma irresponsabilidade”, mas aceitou a alegação de legitima defesa e o caso foi rapidamente encerrado.

A partir deste dia que ficou gravado para sempre na memória de todos aqueles que se manifestam contra a opressão e que lutam pelos direitos humanos, e que, foi crucial na história contemporânea do problema político Irlandês, a violência na Irlanda do Norte aumentou exponencialmente e a questão “Sunday Bloody Sunday” permaneceria como uma ferida aberta durante mais de duas décadas, com os católicos a exigirem um segundo inquérito.




A letra:

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away

How long
How long must we sing this song?
How long, how long?
Tonight we can be as one
Tonight

Broken bottles under children's feet
And bodies strewn across a dead end street
But I won't heed the battle call
It puts my back up against the wall

Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

And the battle's just begun
There's many lost
But tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters torn apart
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

Tonight
Tonight
Tonight
Tonight

Wipe your tears away
Wipe your tears away
Wipe your bloodshot eyes

Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV is reality
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die
The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On a sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday