Férias

Ainda em relação ao post anterior, fica aqui a entrevista de Saramago ao Diário de Noticias e, como complemento, a opinião de Edelmiro Momán no Portal Galego da Língua, com o titulo Santo Saramago Naïf: uma visão galega .

Pérolas


Tempos atrás o semanário “Sol” trazia uma sondagem em que, 27% dos portugueses estariam de acordo com a absorção de Portugal pela Espanha. Considerei na altura, que a democracia aliada à burrice, faz daquele povo meio pateta e que se ilude com as luzes, um bom palhaço.
Ora, estes palhaços, longe de serem sociologicamente coerentes por não saberem História, estão sempre a tempo de perguntar aos bascos, aos catalãos e aos galegos, o que pensam dos castelhanos mandarem nas suas terras, outra coisa, são as campanhas organizadas em que a quadrilha deixou de ser uma dança e passou a ser uma razão de existência, e, desta feita, encostados a um prémio Nobel da literatura tornando-o arauto do iberismo, profetizam a total integração de Portugal na Espanha a que este dá voz numa entrevista ao Diário de Noticias, demonstrando um ódio visceral e preconceituoso à História de Portugal e um grave desconhecimento da realidade espanhola levando-o a dizer; ter esta existido de forma mais ou menos pacifica ao longo dos anos. Lavando assim, o sangue derramado por Castela e a sua função na Península ao nível da Grande Sérvia e esquecendo Franco, o ditador que descaracterizou a Catalunha proibindo a língua e os usos, em prol de uma Espanha Una.
Saramago faz jogo sujo, apoiado na maçonaria e no obscuro grupo Prisa que também controla alguma da comunicação social portuguesa, defendendo uma patética tese de paz e união ibérica, esquecendo que Castela é responsável por exorcizar Portugal dos livros de História espanhóis, por descaracterizar Olivença esmagando e humilhando a cultura portuguesa e fazendo crer que Castela aceitaria a língua portuguesa, num discurso de meias verdades, distorcendo a História de tal forma que só merece um vómito.


Outra pérola, esta da intriga barata, dá pelo nome de Felicia Cabrita que, com a cobertura do semanário “Sol”, enquanto o PGR levanta inquérito às declarações de Ana Salgado irmã de Carolina Salgado, esta preciosidade dos “free lancer” do jornalismo caseiro, distorce tudo e assina um artigo que faz manchete, segundo o qual; o PGR abrira um inquérito à equipa de Maria José Morgado e, em subtítulo, afirma que a investigação é acusada de imparcialidade.
Esta pseudonoticia da biógrafa oficial do Sr. Pinto da Costa, mete num saco a Lola mamona que trabalhava na Praça do Chile, e é bem o retrato de que o dia das mentiras, é agora uma constante data nacional.

Cansado me vou, talvez de férias, sei lá.

O Caso Charrua

Afinal, há falta de argumentos para defender ideias defendem-se sentimentos, tarefa que só requer paixão e, nesta lógica, que alguns considerarão pobre mas é o que se arranja, foi o sentimento que levou a superiora do prof. Fernando Charrua, a instaurar o tal processo que, em despacho de ontem, conforme a comunicação social de hoje, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues mandou arquivar.
Parece ter-se enfim concluído: aquilo que Fernando Charrua terá dito, enquadra-se no direito à liberdade de opinião e critica política, logo, naturalmente aceitável por não visar um superior hierárquico directo.

Com a contenção e pudor que o caso merece, mas porque a critica é necessária ao saudável encontro com a minha almofada (não vá o diabo tece-las), acrescentarei:

O essencial da questão e que importa sublinhar é: nenhuma sociedade livre pode sobreviver pela criminalização de opiniões discordantes. O temor e a falta de inscrição dos povos provoca o nascimento das tiranias e, os tiranos, incapazes de tolerar ou refutar intelectualmente opiniões contrárias, preferem proibi-las.
Assim, como pessoa de bem, aqui fica a minha total concordância com a decisão da senhora ministra pelo seu quê de pedagogia política, mesmo não lhe restando outra saída, ou talvez, por isso mesmo.
E pronto, já sinto a luz a descer sobre a minha cabeça.

Pois… agora nem preciso fazer o pedido.

Tenho constatado, e cada vez com mais frequência que, os empregados dos nossos cafés (excepto o Sr. Manuel que me cumprimenta com um “bacalhau” sempre que lá entro) cultivam esse velho charme europeu de que, servir é um verbo indigno que os impede de serem gentis.
Dei-me ao trabalho, e à despesa, e à despesa, e à despesa, de fazer uma experiência com um desses matrecos empregados que invariavelmente tratam toda a gente ao pontapé e, para os quais, não encontro uma palavra capaz de substantivar uma qualidade: comecei a deixar-lhe uma boa gorjeta e, sem espanto meu, não foi preciso muito tempo para o velho rapport feudal, digamos assim, ir pelo cano abaixo e o tal empregado passar a servir-me com um ar mais feliz que Mr. Scrooge ao descobrir que está vivo e é Natal.

Dispensando o supérfluo, o enfeite das palavras vistosas e a vontade de ter vontade de estender isto a outras profissões com desempenhos igualmente infames, estou tentado a concluir que: o secularismo de algumas atitudes está nos pormenores, e um bom serviço depende da forma de pagamento e do hábito do corrupto, determinado, claro está, pela formação a que este está ligado.

…e mais não digo.

O Achado do Espaço Suspenso.

Jaime De La Cruz, homem de estatura mediana, corpo firme, queixo resoluto e já entrado na idade, imigrara dos EUA há 15 anos. Costumava dizer com voz grave e num ingles espanholado que, tinha trocado San José no Condado de Santa Clara por Cascais.
A fortuna que se lhe reconhecia, tinha-a feito em San Francisco, onde adquirira um refinado gosto para os objectos, como o Mercedes 300 SL Gullwing de 54 que usava nos seus passeios pelo Guincho, ou o Aston Martin DB6 que utilizava quando era forçado a deslocar-se a Lisboa.

A história que vos conto, teve a sua origem quando Jaime De La Cruz fazia o habitual passeio matinal de oitocentos metros que, eram duas larguras da Praia da Adraga, sempre que o tempo permitia.

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As vinhas da ira. (desafio sobre... leituras)

Não sou adepto da cegarrega das correntes, em parte, se necessária a justificação para não me tornar ridículo, devido ao ruído que transportam. Porém, não me posso esquivar a esta, por dois, quanto a mim e salvo melhor opinião, importantes motivos: primeiro, foi a amiga Kaotica que me desafiou em altura de boa disposição (caso contrário, corria o risco de ver o seu carro riscado na manhã seguinte) e, depois, mas não menos importante, divulgar livros será sempre um motivo maior para quem gosta de ler, independentemente de gostos ou freudeanismos que, na verdade, devendo ser tidos em consideração, não devem ser levados em desmesurada conta, já que, o acto de ler, é um jogo de caminhos que exige maior ou menor elasticidade e inteligência do leitor que, diga-se em abono da verdade, no meu caso é tão limitada que até chateia.

Na pratica, nada mais farei do que dar continuidade ao que já aqui fiz algumas vezes quando sugeri leituras para férias, ou divulguei alguns autores que, em dado momento, me deram momentos de prazer, alguns, inolvidáveis, mas isso, não quer dizer que, outro leitor os tenha na mesma proporção, é o raio do gosto e a concepção de cada um sobre o que é boa e má literatura, e eu, tenho a minha, evidentemente, que já me levou a criticar autores aplaudidos simplesmente porque não gosto, e este não gostar, não é uma posição explicita, ética, moral ou filosófica, nem alberga qualquer tipo de despeito, é assim como um descontentamento por vezes palpável e latente, embora indefinido por falta de outro fundamento que não seja o gosto e, reconheça-se, este tem pouco apoio devido à sua subjectividade, ou então, é o meu fraco entendimento nestas e noutras coisas que não permite enxergar mais além.

Em consciência direi que, existem livros que me ferem e nos quais não consigo mergulhar e outros que me embalam num doce e suave chapinhar, os que me despertam, interrogam e exigem braçada forte para a sua travessia e os que, esporadicamente, me fazem companhia e me emprestam ideias ou memórias, os que repousam nas prateleiras como mosaicos de influência e os que, embora se insinuem, sabem que nunca comerão na minha mão, sendo por isso impossível, qualquer promiscuidade.

Mas falemos de um que me deu a honra de nele poder mergulhar: As vinhas da ira (1939) de John Steinbeck.

Um título altamente simbólico, para uma obra épica, poética e de insofismável cunho sociopolítico, em que, as vinhas, são o verdejante vale da Califórnia que personifica a fartura, o alimento, o trabalho e o bem-estar e, a ira, que conota uma busca frustada, onde a exploração do homem pelo homem alcança picos de terrível injustiça social, moral e física que, tomando o lugar da esperança, transforma-se em desespero, culminando na luta silenciosa das greves, não por melhores salários, mas, acima de tudo, pelo básico, o próprio alimento.
O tema do romance, ao enfatizar que há ainda muito por fazer: “A busca não acaba nunca” nas palavras do próprio autor, procura reforçar e ampliar a consciência de luta social e a necessidade de continuar essa luta: “Nós não vamos morrer. A gente vai em frente - mudando um pouco talvez - mas indo em frente”.

Boa leitura.

Sunday Bloody Sunday



Sem dúvida, Bono Vox líder dos U2, a mais famosa banda Irlandesa de todos os tempos, é um dos mais mediáticos e mais activo defensor dos direitos humanos.
Sunday Bloody Sunday, é o nome da canção que os U2 compuseram em 1983 em memória da tragédia que se abateu sobre os irlandeses no dia 30 de Janeiro de 1972 quando, durante uma marcha de protesto pelos direitos civis da Northerm Ireland Civil Rights association, após a publicação de um decreto do Governo Britânico que permitia a prisão de elementos suspeitos de terrorismo sem julgamento.


Às 14:50, 10.000 católicos reúnem-se no bairro de Creggan com o objectivo de prosseguirem em protesto até à praça de Guildhall. O 1º Batalhão do Regimento de Pára-quedistas do exército Inglês destacado em Derry, na Irlanda do Norte, recebe ordens para avançar sobre os manifestantes, prender o maior número de desordeiros e dispersar os restantes.
A partir daqui as versões divergem; o exército afirma que foi recebido a tiro disparando em legitima defesa. Os católicos, que foram os Pára-quedistas que iniciaram os disparos indiscriminadamente.

A verdade é que, após 25 minutos de intenso tiroteio, 26 activistas, todos desarmados, tinham sido alvejados. 13 católicos (6 dos quais menores) estavam mortos, tendo 5 deles sido alvejados pelas costas e um 14º viria a falecer posteriormente na sequência dos ferimentos.
O inquérito instaurado após o massacre e que, ficaria conhecido como “Sunday Bloody Sunday”, determinou que o exército agira com “alguma irresponsabilidade”, mas aceitou a alegação de legitima defesa e o caso foi rapidamente encerrado.

A partir deste dia que ficou gravado para sempre na memória de todos aqueles que se manifestam contra a opressão e que lutam pelos direitos humanos, e que, foi crucial na história contemporânea do problema político Irlandês, a violência na Irlanda do Norte aumentou exponencialmente e a questão “Sunday Bloody Sunday” permaneceria como uma ferida aberta durante mais de duas décadas, com os católicos a exigirem um segundo inquérito.




A letra:

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away

How long
How long must we sing this song?
How long, how long?
Tonight we can be as one
Tonight

Broken bottles under children's feet
And bodies strewn across a dead end street
But I won't heed the battle call
It puts my back up against the wall

Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

And the battle's just begun
There's many lost
But tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters torn apart
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

Tonight
Tonight
Tonight
Tonight

Wipe your tears away
Wipe your tears away
Wipe your bloodshot eyes

Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV is reality
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die
The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On a sunday, bloody sunday
Sunday, bloody sunday


Glaciar



Palmas para o espectáculo, se não pensarmos no porquê e respectivas consequências.

E foi um happening.

A história conta-se em poucas palavras e decorre lá por volta de 1971: com o Coliseu dos Recreios a abarrotar, José Manuel Osório canta o Romance de Pedro Soldado (poema de Manuel Alegre publicado originalmente em 1965, que nos fala da guerra e da morte por via da guerra colonial que se iniciara em 1961) nisto, alguém interrompe o espectáculo e proíbe-o de cantar.
Era o odiado e tristemente célebre capitão Maltês que, capitaneava nesses malfadados tempos, violentas cargas da Policia de Choque em Lisboa e não só.
Ary dos Santos salta para o palco e grita: “Se estão proibidas as intervenções políticas cantadas eu vou fazer uma intervenção política rimada”. Dito e feito; o poema que antes fora proibido a José Manuel Osório cantar, foi ali declamado.

Nota: O capitão Maltês devia estar informado que, os discos de José Manuel Osório eram passados por Manuel Alegre na Rádio Voz da Liberdade da Argélia, quanto a Ary dos Santos, não devia ter instruções e não era pago para pensar.


Romance de Pedro soldado

Já lá vai Pedro Soldado
num barco da nossa armada
e leva o nome bordado
num saco cheio de nada.

Triste vai Pedro Soldado.

Branda rola não faz ninho
nas agulhas do pinheiro
nem é Pedro marinheiro
nem no mar é seu caminho.

Nem anda a branca gaivota
pescando peixes em terra
nem é de Pedro essa rota
dos barcos que vão à guerra.

Nem anda Pedro pescando
nem ao mar deitou a rede
no mar não anda lavrando
soldado a mão se despede
do campo que se faz verde
onde não anda ceifando
Pedro no mar navegando.

Onde não anda ceifando
já o campo se faz verde
e em cada hora se perde
cada hora que demora
Pedro no mar navegando.

E já Setembro é chegado
já o Verão vai passando.
Não é Pedro pescador
nem no mar vindimador
nem soldado vindimando
verde vinha vindimada.

Triste vai Pedro Soldado.
E leva o nome bordado
num saco cheio de nada.

Soldado número tal
só a morte é que foi dele.
Jaz morto. Ponto final.
O nome morreu com ele.

Deixou um saco bordado
e era Pedro Soldado.

A superlativa Maria Callas

Se existem árias que ficam para toda a vida, esta incrível Casta Diva, da Norma de Vincenzo Bellini, supera tudo o que é possível imaginar.


A festa da Taça


No palco do Jamor e sob chuva persistente, 37.600 espectadores assistiram a uma final da Taça de Portugal, digna, bem disputada e de entrega total, com um Belenenses astuto a jogar num 4x2x3x1, congestionando o meio-campo ao mesmo tempo que controlava Miguel Veloso, entupindo assim os caminhos para a sua baliza e retirando fluidez ao losango sportinguista, a estratégia de Jesus, não fosse o tal pormenor, quase atirava o jogo para prolongamento.

O Sporting, depois de uma recta final de campeonato excelente, mas sem uma exibição eloquente, contou com um Romagnoli inspirado e, depois de ter proporcionado a Costinha grandes defesas aos 30', 37', 53', 63' e 70' lá marcou já no lavar dos cestos, com o inevitável “levezinho”, a dar o melhor seguimento aos 87´ ao centro rasteiro de Miguel Veloso, marcando com classe o golo que, 5 anos depois daquela final com o Leixões sob o comando de Bölöni, valeu a conquista da 14ª Taça de Portugal. Um merecido prémio à irreverência da juventude da cantera leonina e ao seu mentor Paulo Bento que, bem mereceu aquele banho de champanhe que a rapaziada lhe proporcionou.

Pelo caminho, ficou aos 2´ um pénalti de Nivaldo sobre João Moutinho que Pedro Proença ignorou. Para o ano há mais.

Foi Desta!

Ele há fins-de-semana que merecem ser guardados a sete chaves, assim, e com a contenção possível, este foi o que se pode chamar, um fim-de-semana de verão, onde o sol brilhou e as estrelas estiveram no lugar. Não bastava a vitória natural por 6-0 do Sporting e veio logo de seguida a eliminação da Taça de Portugal do vigésimo clube mais rico do mundo numa autentica barbárie que, culminou em apoteose com a vitória indiscutível do “sim” no referendo, iluminando a noite e fazendo-me duvidar do merecimento de tanto num único e singelo fim-de-semana, receando inclusive, verificar a minha performance no euromilhões que, é costume fazer só há segunda-feira.

Para aqueles que acompanharam as campanhas e, portanto, me perceberão, estou deveras contente por finalmente os filhos do Vasco Lobo Xavier deixaram de estar abandonados e, o meu sincero obrigado aos Gatos Fedorentos que desmontaram brilhantemente e sem espinhas, o trunfo de partida para a segunda fase da campanha do não.

Por um SIM claro, no dia 11

E cá estamos de novo fazendo uma pausa neste retiro sabático com um tema fracturante; o binómio Sim/Não, que neste momento divide a sociedade portuguesa.

A manipulação linguística, as figuras de estilo de acentuado cariz paternalista, os desabafos taciturnos de má relação com a morte que as sociedades cultivam devido à limitada concepção que fazem da vida terrena (aqui, a minha incompreensão quanto à posição de alguns sacerdotes da igreja católica), a irrazoabilidade da propaganda de carácter claramente acintoso, procuram encontrar argumentos para rebater o óbvio: Existe aborto clandestino. E existe porque o ordenamento jurídico-penal a isso obriga e, a coisa, é tão simples e directa como isto não tendo forma ou engenho de se contornar.

Compreendendo isso, os movimentos do Não traçaram nos últimos dias um novo azimute porque o douto professor Marcelo Rebelo de Sousa se lembrou de fazer uso da medula e dizer umas quantas parvoíces, porque estapafúrdias que, bem mereceram ser ridicularizadas pelo RAP num brilhante sketch dos Gatos Fedorentos.
A partir desse inexplicável momento do prof sabe-tudo-tudo-tudo, começou a formar-se uma sub corrente no Não (com Paulo Portas, Marques Mendes e Ribeiro e Castro na linha da frente) que defende a manutenção da lei com o seu incumprimento através de um artificio jurídico (!?) ora, isto não faz obviamente sentido nenhum, porque se o direito à vida deve ser protegido mas quem o viola não pode ser punido, é no mínimo um direito que deixa de existir e, portanto, um contra-senso inconstitucional e ilegal obrigando o Primeiro-ministro a deixar a demagogia que lhe é tão cara, para dizer algo acertadíssimo contra este Nim: “se o Não ganhar, o aborto não será despenalizado”.

Já agora:

Diz o Pedro Mexia, pessoa por quem tenho apreço intelectual mesmo estando no lado errado, tentando centrar o problema no campo da ética o seguinte: "o aborto é sempre um mal, que no entanto admitimos em certas condições para evitar um mal que consideramos maior".

Pois... é isso mesmo que nós dizemos com uma diferença, é que o problema não é ético, centrando-se sim, no campo do direito e da política e essa é a posição de quem vota Sim, logo, se o Pedro Mexia recentrar a questão como deve, terá de votar Sim, já que, as razões éticas não devem permitir excepções (acho que o Aristóteles explica esta coisa), mas supondo que mesmo assim a dúvida o apoquente dir-lhe-ei que, e segundo o “Electroencephalography: Basic Principles, Clinical Applications, and Related Fields”, a actividade cerebral só se manifesta a partir dos 120 dias e aquilo que o córtex emite às 10 semanas é actividade eléctrica, a mesma que qualquer planta emite, coisa que de forma alguma representa consciência como entenderá.

Mas vamos ao que interessa.

Os defensores do Não, fazendo uso dos pressupostos da propriedade jurídica, defendem que o zigoto (ovo) e a blástula (um embrião com 64 células) são seres humanos de pleno direito. Para estes, interessa tão-somente, preserva-lo e defende-lo.
Não interessa se é ou não biologicamente dependente da progenitora e indissociável desta, se é desejado como um projecto de investimento afectivo e, não interessando também, que a mulher possa decidir ser ou não, hospedeira de uma interacção celular, visto a reprodução de organismos vivos ser implacável e biológica ao contrário do acto “fortuito” que o provoca.
O que interessa ao Não é que este não pode ser removido, queira a mãe muito, pouco, ou assim-assim. O que interessa ao Não é que esta seja obrigada pela força da lei, a amar desde logo o zigoto, a bem ou a mal e a usar de beneplácito.

Ora, sendo assim, e estou convencido que é, é-me licito questionar a legitimidade de tal pretensão e interrogar se, a interrupção de uma gravidez não desejada profundamente não poderá ser um acto legitimo, e, prossegui-la, num apego desmedido à vida, um erro egoísta e grosseiro.

O Sim, defende a despenalização do aborto até às dez semanas por opção da mulher desde que, praticado em estabelecimento de saúde autorizado como em meu entender poderia bem ser às doze, mas foi este o tempo que, devido ao condicionalismo fisiológico da concepção o parlamento decidiu aprovar como o suficiente para reflexão dos possíveis futuros progenitores, e, é esta a alteração que se pretende das normas jurídicas em vigor, logo, o sofisma que o Não ergue bem alto, sobre a contradição da penalização daí em diante é uma grande e enormíssima parvoíce que não merece o meu tempo.

E para terminar:

Já diziam os defensores do Não há oito anos que esta lei era aceitável para resolver o problema do aborto clandestino, ora, segundo dados da Associação para o Planeamento da Família, só em 2006 foram feitos 18.000 o que, demonstra bem a sua eficácia, e mais; a mesma Associação revela que, 27% das mulheres que o praticaram, foram internadas para tratar complicações.

É preciso escrever.

Tudo bem... mas escrever o quê e sobre quê? A não ser que se escreva por escrever que, é o mesmo que escrever sobre nada, tentando por exemplo, o caminho hilariante argumentativo ou, o argumentativo sério, fazendo esforço para que o apresentado pareça parido da facilidade e com algum recorte literário como reflecte o mundo comunicacional em alguns dos seus artigos de opinião e, fácil é, parecer o que se não é, bastando para isso algum jeito e um pequeno bolso de conhecimento que alguns, infelizmente, insistem em não usar deixando adensar o sentido de grandes pensamentos que se presume, com dificuldade é certo, queriam ter tido.

Acontece que, tudo o que me vem à parte que fica entre as orelhas, devido sem dúvida ao analfabetismo funcional, provocado pela insistência em ouvir e ler a nossa comunicação social, já está dito e escarrapachado, e, nalguns casos, até de forma escorreita, notando-se ora aqui, ora ali, algum estudo antecessor.

Ora, sendo assim, tentarei contribuir com algo racional, que, no meu fraco entendimento deve estar sempre presente nas coisas emocionais, sob pena, de se perder o norte e consequentemente a razão.

Vamos lá.

Dias atrás, recebi um email para assinar uma petição com vista à libertação de Luís Gomes, o tal sargento que, segundo a sensibilidade do órgão cardial que bem caracteriza o povo português e no qual evidentemente me incluo, está injustamente preso devido ao caso de sonegação da bebé Esmeralda, mas, não assinei.

Desde logo o caso pareceu-me estranho e suscitou dúvidas sobre a razão da petição, embora esta, por ter sido enviada por um amigo que não costuma fazer julgamentos precipitados, me tenha inicialmente encostado para o lado do sargento Gomes.
Ao jantar trouxe o assunto à mesa e, desde logo, a minha mulher me pareceu bem mais informada e ponderada que outros avaliadores da questão em causa: lembrava-se do caso, não era de agora e já tinha tempo, para além de se lembrar, que o pai biológico há muito que a tentava recuperar, tendo inclusive em determinada altura, recorrido ao programa matinal do Goucha para que o ajudassem a recuperar a criança.

Assim, há falta de melhor para fazer e também, porque o caso nos despertou curiosidade, decidimos acompanhar com mais atenção a historia, infelizmente real, que agora mobiliza, preocupa e sobre a qual já “todos” têm uma opinião formada. A leitura dos vários artigos na comunicação social foi feita, alguns programas na televisão foram vistos e finalmente o acórdão do Tribunal Judicial de Torres Novas foi estudado.

Concluímos então:

1 - Desde Fevereiro de 2003 que a Esmeralda Porto está desaparecida e também que, em 11 de Julho de 2002 (cinco meses após o seu nascimento), Baltazar, o pai biológico que tinha dúvidas sobre a paternidade, declara em tribunal, assumir a paternidade se os testes hematológicos indicarem ser o pai, o que vem a fazer a 24 de Fevereiro de 2003, imediatamente após tomar conhecimento do resultado do exame hematológico, perfilhando a filha Esmeralda a 27 desse mes e manifestando junto do Procurador Adjunto dos Serviços do Ministério Público de Sertã, o desejo de regular o exercício do poder paternal e ficar com a menor à sua guarda e cuidado.

2 - Que de imediato procurou a filha junto da mãe, que a tinha supostamente em seu poder e no entanto, aquela com informações erróneas e equivocas, lhe ocultou o paradeiro, tendo só vindo a saber onde se encontrava, mas não em que circunstâncias, após sucessivas insistências junto do Ministério Público de Sertã que lhe fornece a localização em 12 de Junho de 2003.

3 - É do conhecimento geral que as circunstancias em que o casal Gomes recebe a 28 de Maio de 2002 a pequena Esmeralda das mãos da sua mãe não abonam a seu favor, todos sabemos, não ser assim que se adoptam crianças em Portugal, independentemente de concordarmos ou não com o longo processo burocrático a que os serviços da Segurança Social obrigam.

4 - A 13 de Julho de 2004, é proferida sentença pelo 2º Juízo do Tribunal Judicial da comarca de Torres Novas que determina a atribuição da Esmeralda ao pai Baltazar, sentença a que o casal Gomes tenta interpor recurso, não sendo aceite por falta de legitimidade da parte e, desde essa altura, a Esmeralda que agora em termos práticos dá pelo nome de Ana Filipa, vive em parte incerta, presume-se, com Maria Adelina e conhecendo Luís Gomes o seu paradeiro.

5 - Baltazar fez no entretanto e em vão, diversas tentativas para que a filha lhe fosse entregue, que nesse entretanto, a pequena Esmeralda conheceu cinco residências diferentes entre Torres Novas e o Entroncamento e mais duas, uma em Mação e outra em Estremoz, com os avós adoptivos.

6 - O casal Gomes também não permitiu as visitas da mãe biológica Aidida Porto, facto que a levou a 25 de Novembro de 2003 a pedir a guarda da menina e a regulação do poder paternal junto do Ministério Público acusando o casal Gomes de negarem a sua entrega, de não a receberem e não atenderem o telefone e mais: recorreu aos serviços de um detective particular para descobrir o seu paradeiro e posteriormente disse ter sido mal aconselhada e estar a Esmeralda muito bem com o casal Gomes, para vir agora e mais uma vez, alterar a sua posição, mostrando-se na disposição de recorrer para obter a guarda da Esmeralda.

7 - A Segurança Social de Santarém diz ter o casal Gomes condições morais e económicas para serem bons pais e o Instituto de Reinserção Social diz o mesmo de Baltazar Nunes, ou seja: os relatórios consideram que, quer o casal Gomes, quer o Baltazar, têm condições para dar à Esmeralda o ambiente adequado ao seu desenvolvimento.

Resumindo:

A Esmeralda é entregue ao casal Gomes a 28 de Maio de 2002, tinha então 3 meses. O casal Gomes não inicia nenhum processo de adopção, fica pura e simplesmente com a miúda.
Em 11 de Julho de 2002, tinha então a miúda 5 meses, Baltazar declara em tribunal, assumir a paternidade se os testes hematológicos indicarem ser o pai.
Em Janeiro de 2003, 8 meses depois de a terem, o casal Gomes sabendo que o resultado do exame hematológico sairia em Fevereiro, iniciam o processo de adopção.
A 24 de Fevereiro de 2003, tinha a Esmeralda 1 ano, é conhecido o resultado e começam então as tentativas de Baltazar para ver a filha, coisa que sempre lhe foi negada.
A fuga dura há 4 anos, tendo entretanto a Esmeralda conhecido várias residências.

Perante isto, uma breve e ligeira consideração:

Esta coisa das certezas morais quando esbarram com os factos são uma chatice, mas alguns não têm problemas com isso e, assim, a comunicação social após saber que pessoas diversas mas com o monarca no baixo-ventre, como são; Maria Barroso e Manuela Eanes, estavam do lado do casal Gomes, fazendo uso do dito popular “a cavalo dado não se olha o dente” não teve dúvidas em alinhar a mira com estas e desatar aos tiros no Baltazar. Ora, este alinhamento, teve um efeito mobilizador na população e, não fosse o terem sonegado com intenção ou puro desconhecimento informação fulcral, até se dava de barato a licitude de tal empreendimento, embora, tenha para mim, que sou pessoa de pouco entendimento como já disse, haver crianças com problemas muito maiores que os da Esmeralda (esta, até ver, tem duas famílias que a querem) e não merecem por parte destes tais assomos de preocupação, mas, e aqui é que está o fulcral da história: a coisa cheirava a dramalhão, com todos os ingredientes capazes de fazer chorar as pedras da calçada, só faltava dar um jeitinho.

Uma pergunta:

Será Baltazar o demónio como nos querem convencer e, o sargento Gomes, um santo?

Nota final:

Veremos como isto se resolve, mas, para já, existe um risco efectivo: Se a criança ficar com os pais adoptivos, está criado o procedente para que a venda de crianças prolifere neste país.

O primeiro de 2007

Agradecendo a todos os que comentaram, deixaram mensagens de boas festas e de preocupação com a minha saúde no post abaixo, que originou o pulsão, não de ego mas moral, de informar que; embora a maldita e obstinada constipação tenha por aqui assentado arraiais, não foi o motivo primeiro (embora tenha contribuído com algumas partículas), da minha ausência.
Acontece que (e a coisa sem nuances ou escapadelas é tão prosaica como isto) não me apetece blogar. Os motivos são vários, não carecem de psicanálise e não vêem ao caso, mas como estou com a mão na massa e, sem fazer o balanço terreno e costumeiro destas alturas porque seria desequilibrado e penderia inevitavelmente para o lado da desvergonha, faço simplesmente votos para que o 2007 seja um ano onde a dignidade, a moral e o respeito sejam vitalícios, que a família e a felicidade ocupem por direito o trono da nossa vida e os amigos tirem BI para o resto do nosso caminho.

Para que tudo isto seja possível, e à laia de explicação tipo bilhete em garrafa lançado ao Tejo, basta seguir o conceito de lei universal onde Kant com clareza e exactidão tão bem expressou o carácter autónomo da razão, ou seja: quando decidimos uma acção, seguindo o criticismo das três perguntas básicas da filosofia Kantiana: Que posso saber?, Que hei-de fazer?, Que posso esperar?, devemos perguntar-nos se esta poderia ser tomada como lei universal, se sim, então, atreve-te a servir-te do teu próprio entendimento, tendo em atenção como dizia Voltaire, que a tolerância é o património da razão.

Pronto... fico-me por aqui.

Ai Meu Deus Que Estou Tão Mal

Pois é… afinal o Natal (espirro), não foi a tal épica festa de família que pensei e planeei e, não foi por causa da família, nem por causa das prendas e, muito menos, pela sempre apreciada gastronomia da época, mas (espirro) por causa de uma grandessissima e extraordinária filha-da-puta (desculpem lá o epíteto) de uma enorme de tão grande que era a constipação que me apanhou e que, me confinou praticamente ao perímetro do sofá (espirro, espirro).
Assim, nas garras do vírus, de tal forma fodido dos cornos (lá vai mais uma… mas nenhuma língua é suficientemente viva nestas alturas sem o vernáculo) que até pensamentos iconoclastas me assaltam entre espirros e o retomar da respiração e assim, lá me arrastei nestes dias sem tirar o partido necessário e desejado da mesa, da família, da alegria, enfim… da festa.

Vejo na TV (espirro), que as mortes na estrada aumentaram este ano. Para os inocentes incautos forçados a sair à rua nesta época, fica o pesar dos números, enquanto que, para os desgraçados suicidas que, sob os artifícios do álcool experimentam a histérica sensação da velocidade e provocaram o acto, fica a satisfação de saber que já não fazem mal a mais ninguém (nem espirrei).
Continuando.

Esperando conseguir dar-lhe até ao dia 31 a definitiva naifada lombar, para que, esta extraordinária sensação, comum aos fracos quando perante uma força maior que, amarfanha a faculdade de respirar, (espirro, espirro, espirro. Porra! Isto dá cabo da saúde mental de um gajo), dizia eu ou queria dizer que, ficam já aqui (espirro, espirro… Gaita que não me consigo dedicar ao tricot social em paz) não vá a coisa enveredar por caminhos mais árduos e piorar, os meus desejos veementes e ardorosos de uma excelente passagem de ano, e que, o Novo Ano vos traga o concretizar daqueles sonhos que julgam serem impossíveis.
(espirro, espirro, espirro, recuperando o ar…) Gaita… vou mas é beber uns bagaços e espirrar para outro lado.


Nota: Antes de ir e com esforço a roçar o desumano, mas necessário porque merecido, só mais uma palavrinha:
Ao que parece, o semanário SOL nomeou o blog do Kaos, “WeHaveKaosInTheGarden”, blog da semana.
A única admiração digna de registo, é a imprensa oficial ter reparado num blog que não é alinhado com as “famílias dominantes” da blogosfera e não a sua qualidade que, eu próprio, já tinha referenciado como um dos seis melhores blogs temáticos de 2006 aqui.

Daqui e com um grande abraço, parabéns Kaos!

Boas Festas!


Porque pais natais comuns, pluralizados e substantivos há muitos, mas Pai Natal de nome próprio há só um, estruturalmente composto morfo-sintáctico, se é que, alguém, ainda sabe que raio é isto e percebe o palavrão que enobrece o substantivo comum...

Mas em frente, sem nuances ou escapadelas que o post está no inicio e não convém tergiversar porque acrescenta linhas ao texto.

Ora, sendo assim, o São Nicolau não tem par, ele é o The One and Only, e, para os incautos amantes da verdade ou consequência que podem ter a tentação de me contradizer, vão já aqui de seguida e sem adulações as palavras de Machado de Assis:

"Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir."

Nem mais, digo eu que faço este post como escovo um fato novo, para desejar a todos em geral e em particular aos leitores desta tasca; a festa da vossa vida e que, o Pai Natal não seja “unhas-de-fome” e vos encha a meia e a mesa, com aqueles presentes que vos farão felizes que, entretanto, eu vou comer em excesso, rir em excesso, conviver em excesso e esperar que o Pai Natal seja excessivamente gastador.

Agradecimento especial ao Jorge PG, pela cedência do São Nicolau.

Uma esperança chamada Maria

Findava o ano de 75 quando o mundo desabou sobre ela. O partido, que tinha sido até aí a sua vida, a sua razão de existir e que, a desviara de paixões, contrárias então à moral proletária, pela mão de um seu recrutado na Faculdade de Direito de Lisboa: o “Camarada Veiga” que assinava no “Luta Popular” dirigido pelo Fernando Rosas, um artigo duríssimo com o titulo “Fogo sobre a renegada Morgado”, faria com que, o divórcio se consumasse.

O “Camarada Veiga”, opositor da Linha Negra de Saldanha e, empedernido militante da Linha Vermelha liderada pelo “educador da classe operária”, não sabia então, que prestava um serviço (talvez o único mas que se agradece), ao povo português.

Maria, desiludida com o partido e com o rumo da democracia, desilusão consolidada por uma breve passagem pela cadeia das “Mónicas”, tornando-a e ao seu marido Saldanha Sanches que foi para ao Forte Militar de Elvas, nos primeiros presos políticos pós 25 de Abril, em vez de se entregar aos lavores, encontra refúgio nos estudos candidatando-se ao Centro de Estudos Judiciários.

Optando pela magistratura do Ministério Público, a justiça passa a ser a sua nova paixão, enquanto, o antes empedernido militante “Camarada Veiga”, trocava a Linha Vermelha do "educador da classe operária" pelo laranja de outro partido, aonde, se viria a destacar nos jogos de bastidores.

Maria viria a ser mais tarde, uma arguta directora nacional adjunta da Policia Judiciária. O “Camarada Veiga” primeiro ministro de Portugal. Maria tem a sua fase áurea quando chefia o DCICCEF - departamento de combate ao “colarinho branco” que, pôs em andamento, vários mal cheirosos, sinistros, escandalosos e melindrosos processos neste país, granjeando-lhe então o merecido titulo de “Dama de Ferro”, mas que, no reverso da medalha, a puseram com uma abstrusa acção administrativa, na prateleira. O “Camarada Veiga” numa altura extremamente difícil para o país e depois de várias tropelias, prefere abandona-lo a troco de um lugar de prestigio na U.E., entregando-o ao inverosímil e absurdo Santana que se viria a revelar um impensável governante

Hoje, enquanto o “Camarada Veiga”, prepara o terreno na procura de um tacho pós-presidência da U.E., a Maria que trocou as gangas por Ana Salazar, é convidada pelo aparentemente empenhado, novo procurador-geral da República para sua adjunta, com a difícil tarefa, de dirigir e coordenar a investigação de tudo o que esteja relacionado com o processo “Apito Dourado”.

Veremos se a deixam, desta vez, terminar o trabalho, porque os negócios escuros do futebol e a arrogância das suas subespécies, têm agora à perna, uma mulher com eles no sitio.

O Ser e o Ter

Esta é uma época em que a caixa de correio electrónico (fica bem, assim à portuguesa) se enche de mensagens recorrentes mas de boa intenção em louvor da celebração do nascimento de Cristo que, não fossem os ajustes do Papa Gregório e já se teria celebrado, provavelmente com os calores de Agosto, mas que, para o caso, pouco importa, porque já não celebramos o Cristo histórico, mas sim o Místico que está para além do tempo e transporta uma mensagem de amor e de exemplo. Outras ainda, em louvor da família e, como também é hábito, centradas com saudosismo no Ser e nas suas virtudes. Por isso, se o Ser, pode hoje considerar-se fronteira do nosso imaginário consentâneo com o nosso passado, como o “era uma vez” ou “em tempos que já lá vão” dando também lugar a fonemas fascinantes como o “antigamente” ou o no ”meu tempo”, o Ter é real, porque nos ocupa e ocupa o presente e, por isso, a minha reflexão sobre este, sem a presunção de tentar ser profundo, porque não tenho estaleca para essas coisas.

Embora o Ter carregue consigo uma carga nefasta, não creio que o seja, mas, ainda assim, não o consigo dissociar de um sentimento de impunidade minador dos alicerces morais da sociedade onde, alastra a convicção de que tudo é permitido e se alarga à esfera da marginalidade remetendo, segundo alguns mais cépticos, para segundo plano a teoria de Hobbes sobre “o instinto de conservação dos homens”.

Sendo hoje a vida em sociedade comparada a um vulcão em actividade, e isso nem está em discussão, quando os prazeres são de vício e as necessidades sempre crescentes, por isso; se multiplicam os assaltos, os homicídios, os crimes económicos, a corrupção etc, etc, numa frequência de ilicitudes reveladora do desrespeito generalizado das normas civilizacionais como; os padrões éticos, as regras de cortesia, ou o respeito pela lei social que, impunemente coabita com a violência do próprio estado em favor dos grupos dominantes e isso, provoca no simples cidadão, sentimentos de inveja ao assistir ao enriquecimento dos seus iguais e encontrando na indigna imoralidade de procedimentos a explicação, o que, vai dar ao mesmo (mais coisa menos coisa) do que já escrevia o Eça em 1871.

“Se é triste envelhecer num mundo que se conhece, é muito mais triste envelhecer num mundo que não se conhece e de que não se gosta” como dizia Chateaubriand (uma citação assim en passant, fica sempre bem).

Assim, sendo eu, nesta festa por tradição de família, um consumista, por mais espantoso que à primeira vista pareça, o Ter, tem também inegáveis virtudes, como a possibilidade de reinventar plataformas, que não sendo do foro ou equivalente ao Ser, nos permitem a ponte para algum conforto e portanto uma melhor qualidade de vida e aqui é que está o concreto da coisa.

Só um exemplo, que embora pareça mal amanhado, não o é: O crédito. Esse malfadado a que os portugueses arrojadamente se atiram sem medo e que, não sendo uma herança genética, bem usado, repito; bem usado e não a ajavardar, pode trazer a almejada qualidade de vida (se algum bancário me ler, pensará que somos colegas. Não, não somos, embora o possa parecer numa interpretação simplista) Sabemos que, os nossos pais (caso dos mais velhos), ou os nossos avós (caso dos mais novos), levavam toda uma vida a juntar uns dinheiros (só de pensar nisso, as tremuras atacam-me as pernas), para um dia, puderem comprar a almejada casa de sonho, dos seus sonhos, que invariavelmente eram pequenos, concluindo, também invariavelmente ao fim de uma vida, que pouco usufruto dela tirariam. Seria para os filhos, diziam então (não sabendo que estes, a primeira coisa que faziam, era engendrar como desbaratar aquilo tudo).
Hoje, o minador Ter, permite através desta plataforma que, se passem as mesmas dificuldades, mas, e isto é substancial, que se passe a vida com algum conforto e assim, sem megalomanias, podendo mais cedo e em vida útil usufruir de algo que antes nos estava vedado.

Como dizia Albert Einstein [...] O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantes, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade.[...]

Eu sei, que isto precisava de ser mais desenvolvido, mas além de não ter tempo para isso, ultrapassei a página A4 o que, é uma chatice para quem quer desenvolver alguma coisa na blogosfera.
Por isso, continuemos a ser miseráveis, mas já agora com conforto, e que o Pai Natal vos traga muitos presentes.

O Natal da Dona Amélia

O que se falou na altura, foi que o filho mais novo da Maria Ruiva, o Joaquim Sesta, o viu. – Disse Amélia com o vagar das gentes serranas, enquanto se balouçava na cadeira comprada um ano antes em terras de Espanha e que, não se revelara tão cómoda como então lhe parecera. Edite, a irmã mais nova cinco anos, sentada no escano atiçava o borralho onde assentara a panela com as feijocas… momento depois, seguindo o fumo que saía pelo tecto de telha-vã, foi dizendo sem emoção, como se de uma ladainha se tratasse:- Foi quando andava a encher os balaios nas terras do Zé Pedro e desde esse escusado dia, nunca mais ninguém o viu.

Continuar a ler.

Obras primas da confusão

Eu sei que a noticia, a sondagem ou lá que raio era aquilo, já foi há uns tempos… mas, na altura não escrevi nada sobre isso e agora vem a propósito porque, um obra prima da confusão, enquanto eu fazia o que os homens não gostam de fazer, que é esperar à porta das lojas de gajas, enquanto as mulheres fazem as compras, não se calava com a merda da tal noticia ou sondagem ou lá que raio era aquilo, que o jornal SOL, aqui há atrasado publicou, e, despuduradamente afirmava; que a haver erro, era por defeito.
Dizia o obra prima da confusão que, quanto a ele, eram muitos mas muitos mais, os que queriam que esta merda de país fosse absorvida pelos espanhóis, pois só assim, os portugueses podiam aspirar a uma vida melhor. (palavras textuais desse caridoso ser humano, que falava muito a sério)

Dizia então esse jornal, segundo me recordo que; 27% dos portugueses estariam de acordo com a absorção de Portugal pela Espanha e eu, talvez por ser obviamente estúpido, não entendo uma merda dessas.

Eu sou um republicano que felizmente não sofre do estigma das monarquias absolutistas de 1700 e, por isso, nada me custa elogiar as actuais monarquias espanhola ou luxemburguesa, onde a figura do Rei é de rara capacidade nas relações humanas, porque sou, mesmo com todos os seus defeitos e acima de tudo, um incondicional apoiante da democracia. Por isso não tenho preconceitos sobre os referendos, ou até, em discutir o tal artigo da Constituição da República que exclui a opção do sistema monárquico.

Provavelmente terá (o obra prima da confusão) ouvido falar na globalização e até que a Europa caminha para a união na diversidade cultural, mas daí, a querer entregar o comando ou a representação do que é nosso à Espanha; puta-que-pariu… que a história bem nos ensina e por isso aconselha os que pensam um nico, que já antes assim se iniciou; primeiro com a esperança, que deu lugar à angústia e que resultou na inevitável rejeição de tal solução e portanto, este cruzar de influências, deve sim reforçar o melting pot e a identidade portuguesa.

Infelizmente, estes tipos de sociologia simples, devido a terem puxado muito pela cabeça, estão longe de ser sociologicamente coerentes, caso contrário, veriam as águas poluídas que no verão chegam pelo Guadiana à barragem do Alqueva, veriam como eles impunemente destruem as nossas reservas marinhas com as suas frotas pesqueiras, veriam a cooperação do mercado espanhol aos nossos produtos e serviços e, depois, aqueles que por incapacidade não conseguissem calcular as consequências de tal acto e ainda pensassem que; sendo nós parte de Espanha, esses problemas se resolveriam, perguntassem aos bascos, perguntassem aos catalãos e perguntassem aos galegos, o que pensam dos castelhanos mandarem nas suas terras há séculos?

felizmente, tomara Espanha resolver os problemas dos movimentos independentistas que têm, a querer arranjar mais alguns… mas nós, temos que aguentar esta cambada de obras primas da confusão que, no encosto de um qualquer corrimão, para além de nos exporem ao ridículo dessas noticias, sondagens ou lá que raio era aquilo (que muito devem ter feito rir lá por terras de Espanha), assumem alto e em bom som como se falassem para a posteridade, que gostavam de ser “comidos pelos espanhóis” (para não fazer uso do vernáculo e dizer outra coisa que bem mereciam).

Valha-nos o futebol, que é o único sitio onde estes inanes e outros também, aprendem o Hino Nacional e, se o nosso problema, for de manifesta falta de estaleca para governar, então, que se recorra ao outsourcing e se contrate um alemão com provas dadas ou até um irlandês, para vir fazer umas horas.