É preciso escrever.

Tudo bem... mas escrever o quê e sobre quê? A não ser que se escreva por escrever que, é o mesmo que escrever sobre nada, tentando por exemplo, o caminho hilariante argumentativo ou, o argumentativo sério, fazendo esforço para que o apresentado pareça parido da facilidade e com algum recorte literário como reflecte o mundo comunicacional em alguns dos seus artigos de opinião e, fácil é, parecer o que se não é, bastando para isso algum jeito e um pequeno bolso de conhecimento que alguns, infelizmente, insistem em não usar deixando adensar o sentido de grandes pensamentos que se presume, com dificuldade é certo, queriam ter tido.

Acontece que, tudo o que me vem à parte que fica entre as orelhas, devido sem dúvida ao analfabetismo funcional, provocado pela insistência em ouvir e ler a nossa comunicação social, já está dito e escarrapachado, e, nalguns casos, até de forma escorreita, notando-se ora aqui, ora ali, algum estudo antecessor.

Ora, sendo assim, tentarei contribuir com algo racional, que, no meu fraco entendimento deve estar sempre presente nas coisas emocionais, sob pena, de se perder o norte e consequentemente a razão.

Vamos lá.

Dias atrás, recebi um email para assinar uma petição com vista à libertação de Luís Gomes, o tal sargento que, segundo a sensibilidade do órgão cardial que bem caracteriza o povo português e no qual evidentemente me incluo, está injustamente preso devido ao caso de sonegação da bebé Esmeralda, mas, não assinei.

Desde logo o caso pareceu-me estranho e suscitou dúvidas sobre a razão da petição, embora esta, por ter sido enviada por um amigo que não costuma fazer julgamentos precipitados, me tenha inicialmente encostado para o lado do sargento Gomes.
Ao jantar trouxe o assunto à mesa e, desde logo, a minha mulher me pareceu bem mais informada e ponderada que outros avaliadores da questão em causa: lembrava-se do caso, não era de agora e já tinha tempo, para além de se lembrar, que o pai biológico há muito que a tentava recuperar, tendo inclusive em determinada altura, recorrido ao programa matinal do Goucha para que o ajudassem a recuperar a criança.

Assim, há falta de melhor para fazer e também, porque o caso nos despertou curiosidade, decidimos acompanhar com mais atenção a historia, infelizmente real, que agora mobiliza, preocupa e sobre a qual já “todos” têm uma opinião formada. A leitura dos vários artigos na comunicação social foi feita, alguns programas na televisão foram vistos e finalmente o acórdão do Tribunal Judicial de Torres Novas foi estudado.

Concluímos então:

1 - Desde Fevereiro de 2003 que a Esmeralda Porto está desaparecida e também que, em 11 de Julho de 2002 (cinco meses após o seu nascimento), Baltazar, o pai biológico que tinha dúvidas sobre a paternidade, declara em tribunal, assumir a paternidade se os testes hematológicos indicarem ser o pai, o que vem a fazer a 24 de Fevereiro de 2003, imediatamente após tomar conhecimento do resultado do exame hematológico, perfilhando a filha Esmeralda a 27 desse mes e manifestando junto do Procurador Adjunto dos Serviços do Ministério Público de Sertã, o desejo de regular o exercício do poder paternal e ficar com a menor à sua guarda e cuidado.

2 - Que de imediato procurou a filha junto da mãe, que a tinha supostamente em seu poder e no entanto, aquela com informações erróneas e equivocas, lhe ocultou o paradeiro, tendo só vindo a saber onde se encontrava, mas não em que circunstâncias, após sucessivas insistências junto do Ministério Público de Sertã que lhe fornece a localização em 12 de Junho de 2003.

3 - É do conhecimento geral que as circunstancias em que o casal Gomes recebe a 28 de Maio de 2002 a pequena Esmeralda das mãos da sua mãe não abonam a seu favor, todos sabemos, não ser assim que se adoptam crianças em Portugal, independentemente de concordarmos ou não com o longo processo burocrático a que os serviços da Segurança Social obrigam.

4 - A 13 de Julho de 2004, é proferida sentença pelo 2º Juízo do Tribunal Judicial da comarca de Torres Novas que determina a atribuição da Esmeralda ao pai Baltazar, sentença a que o casal Gomes tenta interpor recurso, não sendo aceite por falta de legitimidade da parte e, desde essa altura, a Esmeralda que agora em termos práticos dá pelo nome de Ana Filipa, vive em parte incerta, presume-se, com Maria Adelina e conhecendo Luís Gomes o seu paradeiro.

5 - Baltazar fez no entretanto e em vão, diversas tentativas para que a filha lhe fosse entregue, que nesse entretanto, a pequena Esmeralda conheceu cinco residências diferentes entre Torres Novas e o Entroncamento e mais duas, uma em Mação e outra em Estremoz, com os avós adoptivos.

6 - O casal Gomes também não permitiu as visitas da mãe biológica Aidida Porto, facto que a levou a 25 de Novembro de 2003 a pedir a guarda da menina e a regulação do poder paternal junto do Ministério Público acusando o casal Gomes de negarem a sua entrega, de não a receberem e não atenderem o telefone e mais: recorreu aos serviços de um detective particular para descobrir o seu paradeiro e posteriormente disse ter sido mal aconselhada e estar a Esmeralda muito bem com o casal Gomes, para vir agora e mais uma vez, alterar a sua posição, mostrando-se na disposição de recorrer para obter a guarda da Esmeralda.

7 - A Segurança Social de Santarém diz ter o casal Gomes condições morais e económicas para serem bons pais e o Instituto de Reinserção Social diz o mesmo de Baltazar Nunes, ou seja: os relatórios consideram que, quer o casal Gomes, quer o Baltazar, têm condições para dar à Esmeralda o ambiente adequado ao seu desenvolvimento.

Resumindo:

A Esmeralda é entregue ao casal Gomes a 28 de Maio de 2002, tinha então 3 meses. O casal Gomes não inicia nenhum processo de adopção, fica pura e simplesmente com a miúda.
Em 11 de Julho de 2002, tinha então a miúda 5 meses, Baltazar declara em tribunal, assumir a paternidade se os testes hematológicos indicarem ser o pai.
Em Janeiro de 2003, 8 meses depois de a terem, o casal Gomes sabendo que o resultado do exame hematológico sairia em Fevereiro, iniciam o processo de adopção.
A 24 de Fevereiro de 2003, tinha a Esmeralda 1 ano, é conhecido o resultado e começam então as tentativas de Baltazar para ver a filha, coisa que sempre lhe foi negada.
A fuga dura há 4 anos, tendo entretanto a Esmeralda conhecido várias residências.

Perante isto, uma breve e ligeira consideração:

Esta coisa das certezas morais quando esbarram com os factos são uma chatice, mas alguns não têm problemas com isso e, assim, a comunicação social após saber que pessoas diversas mas com o monarca no baixo-ventre, como são; Maria Barroso e Manuela Eanes, estavam do lado do casal Gomes, fazendo uso do dito popular “a cavalo dado não se olha o dente” não teve dúvidas em alinhar a mira com estas e desatar aos tiros no Baltazar. Ora, este alinhamento, teve um efeito mobilizador na população e, não fosse o terem sonegado com intenção ou puro desconhecimento informação fulcral, até se dava de barato a licitude de tal empreendimento, embora, tenha para mim, que sou pessoa de pouco entendimento como já disse, haver crianças com problemas muito maiores que os da Esmeralda (esta, até ver, tem duas famílias que a querem) e não merecem por parte destes tais assomos de preocupação, mas, e aqui é que está o fulcral da história: a coisa cheirava a dramalhão, com todos os ingredientes capazes de fazer chorar as pedras da calçada, só faltava dar um jeitinho.

Uma pergunta:

Será Baltazar o demónio como nos querem convencer e, o sargento Gomes, um santo?

Nota final:

Veremos como isto se resolve, mas, para já, existe um risco efectivo: Se a criança ficar com os pais adoptivos, está criado o procedente para que a venda de crianças prolifere neste país.

O primeiro de 2007

Agradecendo a todos os que comentaram, deixaram mensagens de boas festas e de preocupação com a minha saúde no post abaixo, que originou o pulsão, não de ego mas moral, de informar que; embora a maldita e obstinada constipação tenha por aqui assentado arraiais, não foi o motivo primeiro (embora tenha contribuído com algumas partículas), da minha ausência.
Acontece que (e a coisa sem nuances ou escapadelas é tão prosaica como isto) não me apetece blogar. Os motivos são vários, não carecem de psicanálise e não vêem ao caso, mas como estou com a mão na massa e, sem fazer o balanço terreno e costumeiro destas alturas porque seria desequilibrado e penderia inevitavelmente para o lado da desvergonha, faço simplesmente votos para que o 2007 seja um ano onde a dignidade, a moral e o respeito sejam vitalícios, que a família e a felicidade ocupem por direito o trono da nossa vida e os amigos tirem BI para o resto do nosso caminho.

Para que tudo isto seja possível, e à laia de explicação tipo bilhete em garrafa lançado ao Tejo, basta seguir o conceito de lei universal onde Kant com clareza e exactidão tão bem expressou o carácter autónomo da razão, ou seja: quando decidimos uma acção, seguindo o criticismo das três perguntas básicas da filosofia Kantiana: Que posso saber?, Que hei-de fazer?, Que posso esperar?, devemos perguntar-nos se esta poderia ser tomada como lei universal, se sim, então, atreve-te a servir-te do teu próprio entendimento, tendo em atenção como dizia Voltaire, que a tolerância é o património da razão.

Pronto... fico-me por aqui.

Ai Meu Deus Que Estou Tão Mal

Pois é… afinal o Natal (espirro), não foi a tal épica festa de família que pensei e planeei e, não foi por causa da família, nem por causa das prendas e, muito menos, pela sempre apreciada gastronomia da época, mas (espirro) por causa de uma grandessissima e extraordinária filha-da-puta (desculpem lá o epíteto) de uma enorme de tão grande que era a constipação que me apanhou e que, me confinou praticamente ao perímetro do sofá (espirro, espirro).
Assim, nas garras do vírus, de tal forma fodido dos cornos (lá vai mais uma… mas nenhuma língua é suficientemente viva nestas alturas sem o vernáculo) que até pensamentos iconoclastas me assaltam entre espirros e o retomar da respiração e assim, lá me arrastei nestes dias sem tirar o partido necessário e desejado da mesa, da família, da alegria, enfim… da festa.

Vejo na TV (espirro), que as mortes na estrada aumentaram este ano. Para os inocentes incautos forçados a sair à rua nesta época, fica o pesar dos números, enquanto que, para os desgraçados suicidas que, sob os artifícios do álcool experimentam a histérica sensação da velocidade e provocaram o acto, fica a satisfação de saber que já não fazem mal a mais ninguém (nem espirrei).
Continuando.

Esperando conseguir dar-lhe até ao dia 31 a definitiva naifada lombar, para que, esta extraordinária sensação, comum aos fracos quando perante uma força maior que, amarfanha a faculdade de respirar, (espirro, espirro, espirro. Porra! Isto dá cabo da saúde mental de um gajo), dizia eu ou queria dizer que, ficam já aqui (espirro, espirro… Gaita que não me consigo dedicar ao tricot social em paz) não vá a coisa enveredar por caminhos mais árduos e piorar, os meus desejos veementes e ardorosos de uma excelente passagem de ano, e que, o Novo Ano vos traga o concretizar daqueles sonhos que julgam serem impossíveis.
(espirro, espirro, espirro, recuperando o ar…) Gaita… vou mas é beber uns bagaços e espirrar para outro lado.


Nota: Antes de ir e com esforço a roçar o desumano, mas necessário porque merecido, só mais uma palavrinha:
Ao que parece, o semanário SOL nomeou o blog do Kaos, “WeHaveKaosInTheGarden”, blog da semana.
A única admiração digna de registo, é a imprensa oficial ter reparado num blog que não é alinhado com as “famílias dominantes” da blogosfera e não a sua qualidade que, eu próprio, já tinha referenciado como um dos seis melhores blogs temáticos de 2006 aqui.

Daqui e com um grande abraço, parabéns Kaos!

Boas Festas!


Porque pais natais comuns, pluralizados e substantivos há muitos, mas Pai Natal de nome próprio há só um, estruturalmente composto morfo-sintáctico, se é que, alguém, ainda sabe que raio é isto e percebe o palavrão que enobrece o substantivo comum...

Mas em frente, sem nuances ou escapadelas que o post está no inicio e não convém tergiversar porque acrescenta linhas ao texto.

Ora, sendo assim, o São Nicolau não tem par, ele é o The One and Only, e, para os incautos amantes da verdade ou consequência que podem ter a tentação de me contradizer, vão já aqui de seguida e sem adulações as palavras de Machado de Assis:

"Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir."

Nem mais, digo eu que faço este post como escovo um fato novo, para desejar a todos em geral e em particular aos leitores desta tasca; a festa da vossa vida e que, o Pai Natal não seja “unhas-de-fome” e vos encha a meia e a mesa, com aqueles presentes que vos farão felizes que, entretanto, eu vou comer em excesso, rir em excesso, conviver em excesso e esperar que o Pai Natal seja excessivamente gastador.

Agradecimento especial ao Jorge PG, pela cedência do São Nicolau.

Uma esperança chamada Maria

Findava o ano de 75 quando o mundo desabou sobre ela. O partido, que tinha sido até aí a sua vida, a sua razão de existir e que, a desviara de paixões, contrárias então à moral proletária, pela mão de um seu recrutado na Faculdade de Direito de Lisboa: o “Camarada Veiga” que assinava no “Luta Popular” dirigido pelo Fernando Rosas, um artigo duríssimo com o titulo “Fogo sobre a renegada Morgado”, faria com que, o divórcio se consumasse.

O “Camarada Veiga”, opositor da Linha Negra de Saldanha e, empedernido militante da Linha Vermelha liderada pelo “educador da classe operária”, não sabia então, que prestava um serviço (talvez o único mas que se agradece), ao povo português.

Maria, desiludida com o partido e com o rumo da democracia, desilusão consolidada por uma breve passagem pela cadeia das “Mónicas”, tornando-a e ao seu marido Saldanha Sanches que foi para ao Forte Militar de Elvas, nos primeiros presos políticos pós 25 de Abril, em vez de se entregar aos lavores, encontra refúgio nos estudos candidatando-se ao Centro de Estudos Judiciários.

Optando pela magistratura do Ministério Público, a justiça passa a ser a sua nova paixão, enquanto, o antes empedernido militante “Camarada Veiga”, trocava a Linha Vermelha do "educador da classe operária" pelo laranja de outro partido, aonde, se viria a destacar nos jogos de bastidores.

Maria viria a ser mais tarde, uma arguta directora nacional adjunta da Policia Judiciária. O “Camarada Veiga” primeiro ministro de Portugal. Maria tem a sua fase áurea quando chefia o DCICCEF - departamento de combate ao “colarinho branco” que, pôs em andamento, vários mal cheirosos, sinistros, escandalosos e melindrosos processos neste país, granjeando-lhe então o merecido titulo de “Dama de Ferro”, mas que, no reverso da medalha, a puseram com uma abstrusa acção administrativa, na prateleira. O “Camarada Veiga” numa altura extremamente difícil para o país e depois de várias tropelias, prefere abandona-lo a troco de um lugar de prestigio na U.E., entregando-o ao inverosímil e absurdo Santana que se viria a revelar um impensável governante

Hoje, enquanto o “Camarada Veiga”, prepara o terreno na procura de um tacho pós-presidência da U.E., a Maria que trocou as gangas por Ana Salazar, é convidada pelo aparentemente empenhado, novo procurador-geral da República para sua adjunta, com a difícil tarefa, de dirigir e coordenar a investigação de tudo o que esteja relacionado com o processo “Apito Dourado”.

Veremos se a deixam, desta vez, terminar o trabalho, porque os negócios escuros do futebol e a arrogância das suas subespécies, têm agora à perna, uma mulher com eles no sitio.

O Ser e o Ter

Esta é uma época em que a caixa de correio electrónico (fica bem, assim à portuguesa) se enche de mensagens recorrentes mas de boa intenção em louvor da celebração do nascimento de Cristo que, não fossem os ajustes do Papa Gregório e já se teria celebrado, provavelmente com os calores de Agosto, mas que, para o caso, pouco importa, porque já não celebramos o Cristo histórico, mas sim o Místico que está para além do tempo e transporta uma mensagem de amor e de exemplo. Outras ainda, em louvor da família e, como também é hábito, centradas com saudosismo no Ser e nas suas virtudes. Por isso, se o Ser, pode hoje considerar-se fronteira do nosso imaginário consentâneo com o nosso passado, como o “era uma vez” ou “em tempos que já lá vão” dando também lugar a fonemas fascinantes como o “antigamente” ou o no ”meu tempo”, o Ter é real, porque nos ocupa e ocupa o presente e, por isso, a minha reflexão sobre este, sem a presunção de tentar ser profundo, porque não tenho estaleca para essas coisas.

Embora o Ter carregue consigo uma carga nefasta, não creio que o seja, mas, ainda assim, não o consigo dissociar de um sentimento de impunidade minador dos alicerces morais da sociedade onde, alastra a convicção de que tudo é permitido e se alarga à esfera da marginalidade remetendo, segundo alguns mais cépticos, para segundo plano a teoria de Hobbes sobre “o instinto de conservação dos homens”.

Sendo hoje a vida em sociedade comparada a um vulcão em actividade, e isso nem está em discussão, quando os prazeres são de vício e as necessidades sempre crescentes, por isso; se multiplicam os assaltos, os homicídios, os crimes económicos, a corrupção etc, etc, numa frequência de ilicitudes reveladora do desrespeito generalizado das normas civilizacionais como; os padrões éticos, as regras de cortesia, ou o respeito pela lei social que, impunemente coabita com a violência do próprio estado em favor dos grupos dominantes e isso, provoca no simples cidadão, sentimentos de inveja ao assistir ao enriquecimento dos seus iguais e encontrando na indigna imoralidade de procedimentos a explicação, o que, vai dar ao mesmo (mais coisa menos coisa) do que já escrevia o Eça em 1871.

“Se é triste envelhecer num mundo que se conhece, é muito mais triste envelhecer num mundo que não se conhece e de que não se gosta” como dizia Chateaubriand (uma citação assim en passant, fica sempre bem).

Assim, sendo eu, nesta festa por tradição de família, um consumista, por mais espantoso que à primeira vista pareça, o Ter, tem também inegáveis virtudes, como a possibilidade de reinventar plataformas, que não sendo do foro ou equivalente ao Ser, nos permitem a ponte para algum conforto e portanto uma melhor qualidade de vida e aqui é que está o concreto da coisa.

Só um exemplo, que embora pareça mal amanhado, não o é: O crédito. Esse malfadado a que os portugueses arrojadamente se atiram sem medo e que, não sendo uma herança genética, bem usado, repito; bem usado e não a ajavardar, pode trazer a almejada qualidade de vida (se algum bancário me ler, pensará que somos colegas. Não, não somos, embora o possa parecer numa interpretação simplista) Sabemos que, os nossos pais (caso dos mais velhos), ou os nossos avós (caso dos mais novos), levavam toda uma vida a juntar uns dinheiros (só de pensar nisso, as tremuras atacam-me as pernas), para um dia, puderem comprar a almejada casa de sonho, dos seus sonhos, que invariavelmente eram pequenos, concluindo, também invariavelmente ao fim de uma vida, que pouco usufruto dela tirariam. Seria para os filhos, diziam então (não sabendo que estes, a primeira coisa que faziam, era engendrar como desbaratar aquilo tudo).
Hoje, o minador Ter, permite através desta plataforma que, se passem as mesmas dificuldades, mas, e isto é substancial, que se passe a vida com algum conforto e assim, sem megalomanias, podendo mais cedo e em vida útil usufruir de algo que antes nos estava vedado.

Como dizia Albert Einstein [...] O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantes, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade.[...]

Eu sei, que isto precisava de ser mais desenvolvido, mas além de não ter tempo para isso, ultrapassei a página A4 o que, é uma chatice para quem quer desenvolver alguma coisa na blogosfera.
Por isso, continuemos a ser miseráveis, mas já agora com conforto, e que o Pai Natal vos traga muitos presentes.

O Natal da Dona Amélia

O que se falou na altura, foi que o filho mais novo da Maria Ruiva, o Joaquim Sesta, o viu. – Disse Amélia com o vagar das gentes serranas, enquanto se balouçava na cadeira comprada um ano antes em terras de Espanha e que, não se revelara tão cómoda como então lhe parecera. Edite, a irmã mais nova cinco anos, sentada no escano atiçava o borralho onde assentara a panela com as feijocas… momento depois, seguindo o fumo que saía pelo tecto de telha-vã, foi dizendo sem emoção, como se de uma ladainha se tratasse:- Foi quando andava a encher os balaios nas terras do Zé Pedro e desde esse escusado dia, nunca mais ninguém o viu.

Continuar a ler.

Obras primas da confusão

Eu sei que a noticia, a sondagem ou lá que raio era aquilo, já foi há uns tempos… mas, na altura não escrevi nada sobre isso e agora vem a propósito porque, um obra prima da confusão, enquanto eu fazia o que os homens não gostam de fazer, que é esperar à porta das lojas de gajas, enquanto as mulheres fazem as compras, não se calava com a merda da tal noticia ou sondagem ou lá que raio era aquilo, que o jornal SOL, aqui há atrasado publicou, e, despuduradamente afirmava; que a haver erro, era por defeito.
Dizia o obra prima da confusão que, quanto a ele, eram muitos mas muitos mais, os que queriam que esta merda de país fosse absorvida pelos espanhóis, pois só assim, os portugueses podiam aspirar a uma vida melhor. (palavras textuais desse caridoso ser humano, que falava muito a sério)

Dizia então esse jornal, segundo me recordo que; 27% dos portugueses estariam de acordo com a absorção de Portugal pela Espanha e eu, talvez por ser obviamente estúpido, não entendo uma merda dessas.

Eu sou um republicano que felizmente não sofre do estigma das monarquias absolutistas de 1700 e, por isso, nada me custa elogiar as actuais monarquias espanhola ou luxemburguesa, onde a figura do Rei é de rara capacidade nas relações humanas, porque sou, mesmo com todos os seus defeitos e acima de tudo, um incondicional apoiante da democracia. Por isso não tenho preconceitos sobre os referendos, ou até, em discutir o tal artigo da Constituição da República que exclui a opção do sistema monárquico.

Provavelmente terá (o obra prima da confusão) ouvido falar na globalização e até que a Europa caminha para a união na diversidade cultural, mas daí, a querer entregar o comando ou a representação do que é nosso à Espanha; puta-que-pariu… que a história bem nos ensina e por isso aconselha os que pensam um nico, que já antes assim se iniciou; primeiro com a esperança, que deu lugar à angústia e que resultou na inevitável rejeição de tal solução e portanto, este cruzar de influências, deve sim reforçar o melting pot e a identidade portuguesa.

Infelizmente, estes tipos de sociologia simples, devido a terem puxado muito pela cabeça, estão longe de ser sociologicamente coerentes, caso contrário, veriam as águas poluídas que no verão chegam pelo Guadiana à barragem do Alqueva, veriam como eles impunemente destruem as nossas reservas marinhas com as suas frotas pesqueiras, veriam a cooperação do mercado espanhol aos nossos produtos e serviços e, depois, aqueles que por incapacidade não conseguissem calcular as consequências de tal acto e ainda pensassem que; sendo nós parte de Espanha, esses problemas se resolveriam, perguntassem aos bascos, perguntassem aos catalãos e perguntassem aos galegos, o que pensam dos castelhanos mandarem nas suas terras há séculos?

felizmente, tomara Espanha resolver os problemas dos movimentos independentistas que têm, a querer arranjar mais alguns… mas nós, temos que aguentar esta cambada de obras primas da confusão que, no encosto de um qualquer corrimão, para além de nos exporem ao ridículo dessas noticias, sondagens ou lá que raio era aquilo (que muito devem ter feito rir lá por terras de Espanha), assumem alto e em bom som como se falassem para a posteridade, que gostavam de ser “comidos pelos espanhóis” (para não fazer uso do vernáculo e dizer outra coisa que bem mereciam).

Valha-nos o futebol, que é o único sitio onde estes inanes e outros também, aprendem o Hino Nacional e, se o nosso problema, for de manifesta falta de estaleca para governar, então, que se recorra ao outsourcing e se contrate um alemão com provas dadas ou até um irlandês, para vir fazer umas horas.

Regressado para o devir

A criança olhou na sua direcção e desviou desinteressada a atenção. Não tinha ainda estrutura para desenvolver o subjectivo do enigma que era um estranho aventurar-se a entrar no seu bairro. Tivesse, e depressa correria para casa.
Fernando viu-o e percebeu que o desinteresse resultava de ainda não ter adquirido o traço fino do aguilhão que vicia a memória, ganhá-lo-ia rapidamente, sabia-o bem, tão bem, como conhecia aquele bairro. A memória não actua separada, é alimentada por um campo que por sua vez alimenta a sua base de informação, e sabia que perderia também a noção de segurança; ganhando conhecimento sobre a precariedade da existência.

Outros ventos

Sem tempo para agir e sem vontade para renunciar.
É este estado de indefinido rumo a que me encontro preso no fio invisível que une todas as coisas indizíveis e onde, a esperança apesar de tudo se mantém essencial, embora, plácida e frugal.
À priori não se trata de insanidade e, por isso, se entende que o quadro clínico é reversível, já que, a constatação do facto é racional não necessitando de leitura peneirada, especial ou peculiar, da qual se deve guardar asséptica distância a fim de manter o mais longe possível, o contraditório cansativo no subterfúgio dos pormenores que no seu corolário aqui conduziram.

Com parcimónia de meios e sem mais delongas, até já, que bem pode ser amanhã ou depois. Quem sabe o futuro?…

Por enquanto, fiquem com Quinto Horácio e “Arte Poética”

"Há quem discuta se o bom poema vem da arte se da natureza: cá por mim, nenhuma arte vejo sem rica intuição e tão-pouco serve o engenho sem ser trabalhado: cada uma destas qualidades se completa com as outras e amigavelmente devem todas cooperar. [...]"

Nota a propósito de qualquer coisa que nem eu sei o quê, por isso, digamos que é uma nota de mero acaso.

Hoje foi dia de dentista. Dentista nova, também ela tão nova que se a visse na rua lhe daria entre 18 e 20.
Cá vai a conversa abreviada:

- Não sôtora, não quero isso. Cheguei à conclusão, sem pretender necessariamente qualificar quem me tenta convencer, que de tão caro é um roubo.
- Então tá bem… temos várias hipóteses mas só vou considerar as melhores quatro para o seu caso: Hipótese A: a que você não quer e de que eu não abdico como sendo a apropriada. Hipótese B: tal e tal só para manter as coisas aceitáveis enquanto você decide avançar para a hipótese A. Hipótese C, tal e coisa, coisa e tal, resolve para já o problema, mas mais tarde vai ter de considerar a hipótese A. Hipótese D: Ok resolve, mas vai andar o resto da vida com problemas que com a hipótese A nunca terá.

- A sôtora até parece estar a jogar à rabia, mas se a D resolve… quanto custa?
- Não digo e vou-lhe marcar já uma consulta para o director clinico.
- Para quê? Nem o conheço…desiste assim?
- Não! Precisamente por isso.
- Já reflectiu sobre democracia e totalitarismo?
- Já e também já fiz importantes reflexões éticas.

Nota com propósito a propósito disto: Enquanto Friedman, colocava a liberdade económica à frente da liberdade política, a sôtora, coloca os meus dentinhos à frente da minha liberdade de decisão. Mas é para bom fim.

Directo para a farmácia: Outra miúda como a primeira que, no fim de aviar o receituário sem que eu proferisse palavra, excepto o boa tarde inicial, diz:

- Estão aqui dois medicamentos comparticipados e dois que o não são, tirei fotocopia da receita que vai junta com a factura para dedução nos impostos e os medicamentos vão com esta etiqueta com a prescrição que a doutora colocou na receita. Mais alguma coisa Sr Pires?

Nota tipo rodapé: Ainda ontem li numa revista, um professor de Harvard que garantia, estar a despontar uma nova geração de gajas cheias de estaleca a que ele chama de geração Alfa; bonitas e com uma data de neurónios que vão pôr, nós os gajos, às aranhas.

Mas claro, isso é lá pelos EU. Em Portugal, já andem aí.

Mário Cesariny morreu

Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar

Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar

Nado-morto às quatro morto a nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar

Radiograma, Mário Cesariny

Nota: Via Arrastão com o meu aplauso pela escolha.

Interrupção voluntária da gravidez.

A pergunta é esta:

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

E a minha resposta é obviamente Sim!

O debate faz-se já há algum tempo na blogosfera, assim como, nos meios de comunicação tradicionais. Uns são pelo Não e outros são pelo Sim e, até aqui, tudo bem, a argumentação dialéctica com conteúdo de opinião sendo a favor ou discordante sempre foi por mim dignificada. O mesmo já não acontece quando, intencionalmente, se deturpam factos científicos com intenção de esgrimir, com base da manipulação linguística, argumentos panfletários.

Assim, não tendo eu qualquer resíduo de dúvida, em escolher entre um embrião de 10 semanas e a hipótese real da vida de um ser humano de pleno direito, afirmo, que a actividade cerebral só se manifesta a partir dos 120 dias, aquilo que o córtex emite às 10 semanas é a actividade eléctrica que qualquer planta emite e nunca ondas cerebrais que representem de alguma forma consciência.

Esta afirmação, é alicerçada nos livros de referência da especialidade como o “Electroencephalography: Basic Principles, Clinical Applications, and Related Fields”, segundo o qual, também, e passo a citar:

«An EEG involves measuring varying electrical potential across a dipole, or separated charges. To get scalp or surface potentials from the cortex requires three things: neurons, dendrites, and axons, with synapses between them. Since these requirements are not present in the human cortex before 19-24 weeks of gestation, it is not possible to record "brain waves" prior to 19-24 weeks.»

Posto isto meramente a título de esclarecimento e, já tendo este país, novelas, concursos e palhaçadas a mais, eu que sou católico, ainda espero a entrada da igreja nesta contenda, sabendo com os exemplos do passado recente, ir esta servir-se da falta de domínio da narrativa filosófica ou teológica que a maioria tem, para nos colocar em contradição e, por isso, o mínimo que se pede, é que refinem a discussão no campo da competência e do conhecimento.

Nestes tempos moralmente dissolutos, em que todos os meios são lícitos para atingir um fim passando mesmo pelos grandes exercícios de virtude, era bom que imperasse a sensatez. A vitória do Não, não acabará com o aborto, porque estes continuarão a ser feitos independentemente de qualquer lei, mas contribuirá decisiva e dramaticamente para esterilizar e matar muitas mulheres.

Os melhores dos melhores



Alguns amigos, aliás, grandessíssimos amigos, tiveram a feliz, indiscutível e meritória ideia (passo o brilhante por causa dos narcisos), de nomear entre outros, a minha Rua dos Contos para o melhor blog temático de 2006.

Essas nomeações, por mim apreciadas devidamente (vénia), decorrem no âmbito do concurso lançado pelo Geração-Rasca que termina a 7 de Dezembro. Ora, tendo já (que tenha dado conta), três nomeações (3) para melhor blog temático e uma (1) para melhor blogger (cof, cof, cof…) não podia deixar de os presentear com a minha cândida mas obviamente importante (desculpem a franqueza, mas a falsa modéstia é pecado) votação, já que, só a lembrança seria motivo bastante para o meu excelso agradecimento e consequente nomeação, porque, se isso não bastasse, sempre levariam a chancela por mérito próprio. Sendo assim, o, dois em um, justifica-se e impõe-se.

Mas não é só por isso que, podendo até ser confundido com um crente em contradição, me apresento a este concurso: Apresento-me, na tentativa de colocar um pauzinho na engrenagem. Acontece que, já estou farto de ver sempre as mesmas hortas arvorarem os seus prémios e é aqui que reside o fulcro da questão; como se isto da bloga fosse uma questão de famílias dominantes, que evidenciam os mesmos defeitos, incluindo alguns, onde a prática do pedantismo e do onanismo intelectual, não permite a fecundação. (leia-se, refinamento técnico do contraditório no domínio da polémica, onde, os argumentos cobrem todas as possibilidades.)

Ó pá, caraças… fui desafiado.

Por culpa do Outsider e da Kaotica, apanhei com uma correnteza que anda para aí. Se não fossem amigos especiais e merecedores de toda a atenção, lhes diria que sim mas que também, assim, lá vou ter de nomear, com esforço diga-se de passagem, alguns comportamentos que a muito custo fui desenterrar e que, para alguns, mal intencionados sem dúvida, podem até ser considerados como obsessivos.

Como o convite foi duplo, ficam cinco das minhas manias para cada um. Aqui vai:

1 – Tem dias, felizmente poucos digo eu, que sou um bocado parvo e outros que sou só um bocadinho.

2 – Quando os gémeos se apresentam como falsos, tento sempre descortinar se será só um ou se serão os dois.

3 – Estou convicto que todas as esquinas dos meus móveis, são inimigas dos dedos mindinhos dos meus pés.

4 – Nunca comprarei papel higiénico reciclado. (não acho a coisa lá muito segura).

5 – Quando num restaurante me dizem que já não há o vinho que quero, mas que há um outro tal e tal praticamente igual, nunca aceito. (não vou dar uma de frouxo com aquele gajo que não conheço de lado nenhum).

6 – Acho que os adolescentes que fazem as parvoíces que eu fazia na idade deles, são todos uma cambada de estúpidos.

7 – Invariavelmente apetece-me dar cabo dos calcanhares, daquela gente que guarda o lugar na fila da caixa do supermercado, enquanto, outra gente, anda a fazer o resto das compras.

8 – Quando aparece a mensagem, dirija-se ao multibanco mais próximo, nunca vou. (é um processo de desobediência às novas tecnologias, em que gosto de pensar que sou pioneiro).

9 – Quando alguém pede um café em chávena escaldada, fico expectante à espera de o ver queimar-se. (esse momento ainda não surgiu, mas eu não sou de desistir das coisas).

10 – Posso dividir o resto, mas não abro mão do meio da torrada.

11 – Esta é à borla. Tenho a mania de não passar estas correntes adiante. Gosto de pensar que a minha importância é tal, que a coisa morre aqui e, por isso, compenso-os com este recente e belo pôr de sol.


Divulgação.

Amanhã, Sábado dia 18, no âmbito do Fórum Fantástico 2006, decorre no Auditório IPJ do Parque das Nações e pelas 14:00hs. a apresentação do livro do Pedro Ventura “Goor – A Crónica de Feaglar” de que, já fizemos aqui referência.

Este livro, que corporiza a forma literária do romance, com processos narratológicos bem medidos, boa planificação da caracterização das personagens e também na elaboração de diálogos, abre-nos os sentidos no lúdico caminho da conceptualização da escrita fantástica, onde, a acção, acaba por estar sempre presente; num país, numa sociedade fantástica e num mundo em mudança. Mas não se trata só disso; o Pedro Ventura não foge da sua concepção moral e filosófica, embora não pretenda fazer declarações morais, pregar filosofias ou proferir juízos de valor, mas simplesmente contar uma bem engendrada história.

Este é um livro, que não sendo um dos enredos de Hamlet ou uma metamorfose Kafkiana, é extremamente colorido, inventivo e cheio de belas imagens, e, sendo o primeiro livro do autor, que se revela já como um exímio contador de histórias, deixou-me deveras surpreendido e expectante sobre o segundo que, espero desde já.

Eu não falto, não falte também o leitor deste blog.

Uma breve explicação.

O autor deste blog, adoptou como diria o Eça: “Uma lentidão de frade que se regala”.

É verdade, este blog deixou de ser repentista e reactivo em excesso, embora, as questões reactivas sejam de difícil resolução porque, entroncam na reflexão e na lógica interna do autor que sou eu, e, assim, se cria campo para a dúvida legítima e também do fundamento em exercê-la.

O problema é de fartura: fartura de fait divers, fartura de soft-core, fartura de parte da civilização em que vivo, fartura da vulgaridade e fartura de coisíssima nenhuma que, dá cabo da sanidade que ainda resta – ou se pensa que resta –. Embora a sabedoria dos anos explique tais coisas, tenho dificuldade de convivência com a dualidade permanente da dialéctica dos fainantes que, ao contrário do fluxo e refluxo que lhe dava uma natural grandeza, passou a ser o sustento de alguns ilustres de pouca confiança, que nos enganam e convencem, por nos deixarmos levar pelo fedor das fezes do refinamento técnico e palavroso, de uma ralé que vive na gandaia politica.

Mas tudo isto que para alguns não passará de uma frugal escaramuça de variante diletante, está preso por um fio de nylon invisível que une o efeito à causa e que, estando na origem, não permite refazer a trama que se exige e almeja. Os factos e pormenores desta excessiva saturação, necessitam de uma nova sementeira de ideias de forma a combater esta má safra, em que, campeiam os pimpões e mentirosos funcionais peritos em adjutórios manhosos, que, a toda a hora, produzem inanidades e as saboreiam sem pensar.

Que me desculpem os amigos, mas, por enquanto, só tenho disposição para a bisca lambida.

A performance do nevoeiro.

Navegando à bolina pelos jornais da nossa televisão, deparo na insistência com que noticiam, casos de hospitais, escolas e demais repartições públicas em que, este segundo dia de greve teve adesões a rondar os oitenta, noventa e até, vejam lá, uns retumbantes cem porcento.

Os sindicatos reclamam uma adesão relevante e não abrem mão de uns oitenta por cento – mais coisa menos coisa – e, no polo oposto, o governo sintomático e miserabilista, não vai além dos doze - ou será catorze? -, bem, já me confundi, mas é escolher um número ao acaso que também não é importante, se tivermos em consideração que as greves que contam são as expontâneas e não as organizadas pelos sindicatos, como dizia no dia anterior, na sua já costumeira e megalómana arte dialéctica o Sr. Primeiro Ministro, embora, não tenha percebido se estava a referir-se às de combustão e a lançar-nos algum desafio.

Enfim… continuando, vamos lá para bingo.

Os funcionários públicos em particular e o restante espectro eleitoral em geral - excepto os que leram Freud -, ouvem, e para além de se interrogarem sobre o grau de escolaridade dos que escrevem as noticias em rodapé, acreditam que foi desta que criaram as paraolimpíadas da matemática.

Depois disto, entre a cirrose e o álcool, escolho o que me dá prazer.

A Lenda de São Martinho.


Reza a lenda que no século IV às portas de Amiens, num dia de Outono tempestuoso, um soldado romano de nome Martinho, deparou no seu caminho com um mendigo seminu e cheio de frio. Martinho, conhecido pela sua generosidade, sofreou o seu cavalo e tirando a capa vermelha que o protegia, com a espada cortou-a ao meio, estendendo-lhe uma das partes.

Sacudindo rédeas prosseguiu o seu caminho quando outro pobre encontrou, ao qual estendeu a parte restante ficando ele exposto à tormenta. Quando, de repente, como por milagre, a tempestade se desfez e o Sol brilhou resplandecente.

Desde então, todo o ano por volta do 11 de Novembro, interrompesse o frio e surgem dias de calor. É o “Verão de S. Martinho” de dias amenos, numa altura de chuva e frio.

Falta-me a vontade de ter vontade.

Existem na nossa vida, factos, acontecimentos, circunstâncias, enfim, várias coisas - digamos assim -, umas relevantes outras nem por isso, mas que nos marcam e, sinceramente, não me recordo mesmo fazendo um esforço no sentido de factorizar qualquer agente empírico ou experimental, que tenha contribuído para esta condição que, resulta na falta de pachorra para os livros do António Lobo Antunes.

E logo o António Lobo Antunes (!?), que deu ao mundo em geral e em particular aos portugueses, obras como “Os Cus de Judas” ou o seu mais recente “Ontem não te vi em Babilónia”. Um escritor agraciado com quatro prémios literários e, de quem, tantos gostam e elogiam a começar por ele que se compara a Faulkner e a Scott Fitzgerald, que analisa a sua prosa com pérolas como: “É óbvio que estou a escrever cada vez melhor” e a quem, a desatenta academia de Estocolmo não presta o respeito e a outorga devida, o que, o leva a partilhar com o mundo em geral e em particular com os portugueses, este profundo sentimento: "Honestamente, se tivesse de escolher um escritor escolhia-me a mim". Ora, se este honesto sentimento/desabafo não fosse suficiente, bastaria esta sua consideração: “Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto”, que só por si, é merecedora de profunda reflexão e reconsideração da teimosia que mantenho.

Mas vejamos: Não se trata de falta de respeito por quem escreve e, muito menos, de alguma tentativa de abate de tão erudito autor, porque, não faço parte de nenhuma das matilhas uivantes que só escrevem por estarem mal com a vida e, assim, recentram o equilíbrio do seu alter-ego, não! Eu sei que a escrita pode ser um exercício catártico, no sentido emocional de traumatismos recalcados e exteriorização de sintomas que a psicanálise explica e, também, que muitas vezes, muitos autores, se estão nas tintas para a criação de cumplicidades com os leitores, já que, o objectivo da escrita, se encontra no âmbito da purgação de paixões por meio da arte que lhes permite expandirem-se ficticiamente, o que, torna dolorosa, tediante e enfadonha a sua leitura, por vezes, insuportável até.

Finalmente e para terminar, fica uma das suas geniais frases, que é um exemplo do porquê de não o conseguir ler: “É mais sensual uma mulher vestida do que uma mulher despida. A sensualidade é o intervalo entre a luva e o começo da manga”.

Juro que tentei, aliás, tentei uma, duas, três vezes e, conclui, que me falta a vontade de ter vontade de ler um livro deste grande escritor português.

Cenas bué-da-más.

Andava a anhar há bué da time, estava passadunte e não queria desatinar, foi então, que tive a alta fézada duma cena baita bacana.
Meti os calcantes e fui por aí ver as cenas que os cromos do antidesmancho andavam a dizer na bloga e, dei logo de olhos numa cena bué-da-má, mas não bufo a tasca porque não merecem publicidade, por isso, fica aqui, só um coche do que se passou:

Duas damas, armadas em dótoras que até parecia que usavam aquela baita bacana de farda branca, diziam algumas cenas desatinadas, como; os dentes de leite se começarem a formar na 7ª semana e na 10ª os dentes definitivos e por este andar táva a ver que na 15ª vinham os molares e quando o puto nascesse já vinha com a cena dos sisos, e pensei logo que távamos a caminho duma ganda party.
Deixei um recado para as damas fazerem uso da testa em vez da medula, debitando algumas coisas que o people sabe, como as baitas viagens das garinas com cheta às espanhas, os vãos de escada com muita aguinha quente p’ras sem cheta, etc, que eu queria era que pusessem na testa que a cena era de saúde pública e esperar para ver.

Como os comment ficavam na prisa de quarentena, fiquei um coche a ver se a cena dava à luz, enquanto isso, não parava de pensar que ia ser uma ól naite long, assim uma cena de curte tótil sempre a bombar que até me deu p’ra cantar aquela cena do “Gado caprino... tá-se bem! Gado bovino... pode ser!”

Como a cena táva demorada, dei de frosques e passei por lá um coche depois, mas já sem a mesma pica, e, fico bué-da-lixado porque, em vez das chavalas me responderem era um cromo bué da convencido que vinha debitar cenas e me insultava. Mas tá-se bem, o cromo queria defender as damas e não me deixava curtir, não tinha sido ele que tinha debitado aquelas cenas chungas e eu não queria desatinar com ele porque, mén que é mén defende sempre a sua dama, mesmo que a cena seja bué-da-fatela e, por isso, só meti pontos nos is da conversa do cota, acho que era, porque me chamou V. Exa. e a partir daí desbundei com o Exa. p’ra todo o lado, mas o mitra começou a armar-se em melga e a tirar da púcara cenas que eu não debitei, que até parecia um bófia a afiambrar e então tive de agarrar no chanato e cortar-lhe as bases, dizendo-lhe p’ra não abusar da interpretação e dizer cenas que o je não disse e, só aí, é que ele axandrou e mordeu o esquema.

Ainda lá voltei no outro dia, mas já táva uma baita desbunda. Havia um mano que sabia das coisas e começou a afiambrar nas chavalas ponto por ponto, até dizia, que se lhe mostrassem onde viram certas cenas, que ia para a praça do comércio engolir dúzias de chapéus, e, o bué da cena que deixa um gajo a anhar, é que o mano era do lado deles. Foi aqui que comecei a abardinar e decidi bazar.
Acho que não ponho lá mais os chispes.

“Pão por Deus“ ou “Trick or Treat”?

Nem sou nada destas tretas dos Halloween de enraizamento duvidoso, que equivale a dizer com o hábito de pensamento razoável que me caracteriza (cof, cof), tradição por tradição, mesmo que pagã, prefiro a nacionalmente genuína, onde, ainda se pede o pão, embora, por Deus, que os tempos e a religião trataram de lhe juntar.
Causam-me no entanto estranheza, estas reviengas importadas com o mesmo sentido e idêntico objectivo.

Mas enfim… já que a prática se generaliza em largas franjas da sociedade, onde, do velho ao catraio todos dançam a mesma música, já agora, e sem pretender ser sociologicamente coerente, sigo para a pista correndo o risco de parecer manipulável e indo às origens da tradição que, segundo consta, é geneticamente Céltica.

E assim, no entendimento desta coisada toda, que venha então o espirito de Samhaim para a grande festa dos demónios e dos espíritos dos mortos, ainda que, por ser mais adequado, lhe chame Dia de Todos os Santos e condescenda no folclore da abóbora anglo-saxónica chispando fogo à porta de casa, no arguto intuito, de trocar as voltas aos espíritos vagueantes da noite sem luz, conseguindo com esta colorida artimanha, que eles saiam do círculo.


Nota: No meio do nevoeiro está a resposta e se este post lhe trouxe indecisões ou hesitações filosóficas, a culpa não é minha, aliás, a única culpa que me pode ser imputada e que é pública, é a do aumento da electricidade.