O passado de Kay Rala Xanana Gusmão não o torna impoluto e não me pode impedir de o criticar pelo presente, e, por isso faço-o, convicto de que mal aconselhado está a levar Timor-Leste para o abismo.

"Falhámos em garantir a vossa estabilidade, mas com a vossa esperteza ganhámos esta guerra", afirmou Xanana Gusmão, perante o entusiasmo dos manifestantes, que exigem a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
Fonte - LUSA.

Foi assim de forma burlesca que Xanana se dirigiu aos manifestantes, aliás, todo o discurso começando pelas pessoas presentes no improvisado palco, foi burlesco e provinciano, mas o pior é que foi divisionista e de desrespeito pela constituição e poderes instituídos, sendo a manifestação em si, uma provocação à FRETILIN, para que esta tenha de alguma forma, uma reacção que proporcione a Xanana os motivos para a constituição de um Governo de iniciativa presidencial, tão do agrado dos australianos que já estão a construir uma base para aquartelar 3000 homens nos próximos dois anos, sem que o Governo Timorense o tenha autorizado.

De que forma podemos entender, que os desertores tenham passado a uma Frente Nacional para a Justiça e Paz (FNJP), encerrando simbolicamente o Parlamento Nacional e tomando conta da cidade com o argumento; “Se o Parlamento representa o povo, então o povo decide fechá-lo” com o sorriso e as palmadinhas cúmplices de Xanana?

Felizmente, a FRETILIN mostra ter quadros bem preparados e, para já, não embarcaram nesta estratégia. Continuam por agora, com a sua passividade a ser o garante, agora o único, da democracia, da constituição e dos poderes instituídos.

Depois disto e tendo em consideração o passado de Xanana, temos de considerar que ele foi longe demais e mesmo a desbocada Ana Gomes, sua amiga pessoal, tenta, tenta, mas tem evidentes dificuldades em defendê-lo.

Mas para uma melhor compreensão do actual estado de coisas em Timor-Leste, transcrevo aqui, uma excelente entrevista de Nicole Guardiola a Ana Pessoa, Ministra de Estado e da Administração Pública de Timor que o Expresso pública.

Acrescento, que esta mulher poderá vir a ser a nova chefe de Governo de Timor-Leste, isto se, o problema de Xanana for mesmo Alkatiri e não a FRETILIN, e, se assim for, o Governo de Timor-Leste ficará muito bem entregue.

Mas isso é o optimismo a falar por mim, porque o que penso, é que a FNJP (leia-se: Testas-de-Ferro dos interesses de Camberra) e Xanana, tudo farão para demitir o Governo e constituir um outro de iniciativa presidencial, com intenção de preparar terreno propicio a eleições antecipadas, não fosse assim e Xanana teria pedido à população para regressar às suas casas, mas não, convém que o estado de sítio que se vive em Díli permaneça, porque lhe convém.


«Há uma estratégia por detrás de tudo isto»

Ana Pessoa, ministra de Estado e da Administração Pública de Timor-Leste e membro do Comité Central da FRELIMO, é uma mulher de convicções fortes e sem papas na língua. Jurista de formação, acha «inacreditável» que o Presidente Xanana Gusmão tenha exigido a demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri numa carta apensa a gravação de uma reportagem de televisão australiana, mas acha que a crise institucional ainda pode resolver-se pela negociação e no respeito da legalidade e das normas constitucionais.

Convicta, como Alkatiri e Lu-Olo (presidente do Parlamento) de que há forças empenhadas em fazer de Timor-Leste «um Estado falhado», que deve ser posto sob tutela pelo menos até às eleições de 2007, veio a Lisboa pedir o apoio da CPLP.

A ONU é acusada de não ter evitado a politização e instrumentalização das Forças Armadas e de Segurança timorense, que estaria na origem da crise institucional actual...

O principal aspecto positivo das intervenções da ONU é a multilateralidade, que acarreta também consequências negativas, mas não se pode, de maneira nenhuma culpar a ONU de tudo o que acontece agora. Para a constituição das forças policiais, a UNTAET teve assessores de 40 nacionalidades diferentes e isto cria necessariamente confusão. Não há um modelo, uma doutrina, uma estratégia clara, o que é grave para a formação de um exército e de polícias num país como Timor-Leste, sem tradições institucionais e com referências negativas, herdadas da ocupação militar estrangeira.

Os critérios de avaliação para o recrutamento de funcionários, polícia, militares, não foram logo um factor de tensão? Há pessoas que foram excluídas porque não falavam português...

É absolutamente falso, aconteceu mesmo o contrário. Quando eu era ministra da Administração Interna do governo de transição, a UNTAET lamentava-se de não encontrar timorenses qualificados para ocupar lugares na administração pública e fui assistir às entrevistas de selecção. Verifiquei que eram feitas em inglês ou em bahasa indonésio. Explicaram-me que o inglês era a língua de trabalho da ONU. Respondi: 'então contratem intérpretes. Não estão a recrutar funcionários para a ONU mas sim para o Estado timorense, cujas línguas oficiais são o tétum e o português. Saber inglês pode ser uma habilitação suplementar, nunca um critério de selecção. A maioria dos timorenses não fala inglês e muitos não dominam português, porque durante a ocupação indonésia falar português era ser conotado com a guerrilha, dava direito a ser preso, torturado, morto. Até hoje, só se exige o tétum e só recentemente começou a exigir-se provas de português. No meu ministério, só aceito documentos em tétum ou em português. Se vierem em inglês ou em bahasa, voltam para trás.

O facto de haver oficiais da polícia oriundos da polícia indonésia não criou problemas?

O recrutamento da Policia Nacional de Timor-Leste (PNTL) foi inteiramente feito pela UNTAET. Incorporaram mais de 100 agentes e oficiais indonésios, alguns dos quais tinham uma folha de serviços muito má, referenciados como torcionários. Foi o que provocou a primeira divisão entre os chamados «nacionalistas» e o grupo dos «autonomistas», ex-agentes da polícia indonésia que foram incorporados na PNTL em nome da reconciliação nacional. Costumava dizer que a policia foi estruturada para se desestruturar na altura da primeira crise. Foi o que aconteceu.

A criação de forças especiais também criou mal-estar e aparece agora relacionada com grupos paramilitares de autodefesa.
Em Janeiro de 2003, milicianos infiltrados através da fronteira com Timor Ocidental atacaram aldeias, mataram populações indefesas, na região de Atsabe. A nossa polícia, que só tinha uns 15 homens na zona armados com pistolas, não foi capaz de reagir. Fizemos intervir os militares das Forças de Defesa e Segurança (FDSTL) e fomos acusados de violações dos direitos humanos.

Foi nesta altura que se decidiu criar a Reserva Especial da polícia, para actuar fora das zonas urbanas, segundo o modelo da «Jungle Police» da Malásia. Os seus membros foram recrutados no seio da PNTL, deviam ter pelo menos seis meses de serviço e nenhum antecedente disciplinar. Receberam um treino mais puxado, tipo rangers, equipamentos adequados e armas automáticas.

Como aparecem armas nas mãos de civis?

Há armas nas mãos de civis porque o comando da polícia falhou. Os paióis foram roubados, há armas em circulação na posse de pessoas que não sabemos ao certo se são civis ou polícias que despiram as fardas. Não creio que entrou clandestinamente mais armamento em Timor. Há muitas especulações que são aproveitadas, sobretudo pelos australianos, para provar que há descontrolo por parte do governo. Está a fazer-se o levantamento das armas existentes e das que faltam ao inventário. As FDSTL fizeram-no imediatamente, porque estava tudo bem organizado. Na policia não.

As FDSTL não têm problemas?

Têm um comando e quando há comando há disciplina, felizmente.

Quem são os grupos armados que o Rogério Lobato admitiu ter autorizado?

Não sei. Só tenho uma certeza: não são da Fretilin. Como disse o Lu-Olo (presidente da Fretilin e do Parlamento), a Fretilin não tem milícias armadas, não é nem nunca foi um partido terrorista como uma certa imprensa quer fazer crer. Também não conheço o Railos, mas recebi uma mensagem dele, no meu telemóvel, a 12 de Junho. No SMS que recebi por engano (era dirigido a Lu-Olo) Railos autoproclamava-se chefe do «Grupo de Salvaguarda Povo e Nação» e dizia, em tétum, que sabia que a Fretilin não distribuiu armas, mas que quem o fez foi Alkatiri. Julgo que estão a tentar dividir a Fretilin para fazer cair o Governo.

Num artigo de opinião, o seu filho, Loro Ramos Horta, acusa Mari Alkatiri e Xanana Gusmão, de serem responsáveis da actual situação. (ver «Os senhores da Guerra» - Expresso, edição de 10.06.2006)

O meu filho ficou furioso e preocupadíssimo com o que nos poderia acontecer, a mim e ao meu filho pequeno, e telefonou-me para dizer que devia pedir asilo numa embaixada. Depois publicou um artigo horrível e fui eu que lhe telefonei para lhe dizer 'Julgava que tu eras um académico, mas um académico não escreve assim. Podemos ter divergências, mas não baixar até ao insulto. Por outro lado tens obrigação de saber do que estas a falar. Mesmo que quando se discorda tem que haver respeito pelas instituições do país, que custaram tanto sangue e sofrimento'. Sente a necessidade de defender o pai, eu compreendo, mas quem o ler vai pensar «tal pai tal filho».

Foi a Genebra para falar na sessão inaugural da Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Pediu apoio para investigar os recentes acontecimentos de Timor?

O apoio internacional já foi pedido pelas autoridades timorenses competentes.

Mari Alkatiri declarou que as casas incendiadas, saqueadas, foram «operações cirúrgicas»...

Isto é outra história. É bom que se saiba que os incêndios, as casas saqueadas, as ameaças contra pessoas, aconteceram maciçamente depois da chegada das tropas australianas e depois de nós termos ordenado aos militares timorenses para recolher aos quartéis. Toda a gente pedia ao Governo para chamar as FDSTL. Mas depois de terem voltado para os quartéis, já não podiam sair sob pena de serem desarmados pelos australianos.

O facto do embaixador de Timor na ONU, José Luís Guterres, ter sido candidato à presidência da Fretilin e ter criticado publicamente o PM e o Governo não cria uma certa confusão?

Um cidadão não deixa de o ser por ter sido nomeado embaixador. Tem o direito de participar em actividades políticas. Acho que se deveria coibir de certas manifestações públicas, para que a sua lealdade não suscite dúvidas. Ramos Horta fez uma observação neste sentido no Congresso da Fretilin.

A Justiça está em condições de funcionar em Timor-leste?

Depois de tomar o controlo das forças de defesa e segurança, a Austrália e a Nova Zelândia vão querer controlar a Justiça. É aliás um problema antigo. Quando eu era ministra da Justiça, era a Nova Zelândia que tomava conta das cadeias. A uma dada altura, mandei fazer uma inspecção, porque me chegaram rumores de irregularidades. Brindaram-me com um motim de reclusos, que se verificou depois ter sido orquestrado para comprometer o Governo. Os neozelandeses retiraram-se e depois de muita guerra e muita intriga, Portugal ficou encarregue deste sector e da Justiça. Quando deixei a pasta, já tínhamos assinado todos os protocolos de cooperação, para a formação dos magistrados, etc. Mas há quem não veja com bons olhos esta presença portuguesa e faça tudo para obstruir a aprovação das leis, do Código Penal. Agora, os australianos desembarcaram com polícias, investigadores, magistrados. Vão querer tomar conta da Justiça e depois da Administração Pública. Se isto acontecer, será o fim da independência e da soberania de Timor. Não se enganem: há uma estratégia por detrás disso. Fizeram exactamente a mesma coisa nas ilhas Salomão. A pretexto da luta contra os bandos, jogaram a polícia contra os militares e conseguiram por no poder o Governo que queriam. O problema é o tempo, que é curto, e temos menos de um ano até as eleições.

Nicole Guardiola

Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou o cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, e fazemo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de tirar conclusões, ou pela necessidade absurda de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, e processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.

Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"

Enquanto e muito bem, festejamos a vitória de Portugal sobre o México, não nos esquecemos do que se passa por esse mundo.

Muito, mas mesmo muito, haveria para dizer sobre Timor-Leste.

Hoje, especialmente, apetecia-me desancar no Presidente Xanana Gusmão, por emprenhar de propaganda australiana, e, só não o faço, pelo respeito que o passado daquele homem me merece, mas não posso deixar de linkar aqui a voz dos timorenses; que de lá, fazem um blog que acompanha a situação minuto a minuto.


Parlamento Europeu

Uma vez por mês e durante alguns dias, o Parlamento Europeu transfere-se de Bruxelas para Strasbourg por inteiro, com todos os seus colaboradores e toda a sua documentação. A única razão para este desperdício de 200 milhões de euros por ano deve-se à vontade da França. Todos os países da União pagam a conta! Nós também!

Presentemente, um determinado número de membros do Parlamento Europeu, pertencentes a diferentes partidos e países, iniciaram uma acção que visa acabar com este desperdício ridículo. É necessário recolher um milhão de assinaturas para que este assunto possa ser inserido na agenda da Comissão Europeia.

Já se recolheram mais de 380 000 assinaturas, mas é preciso um milhão!

Visite o site http://tinyurl.com/rjyfg e assine para se poder acabar com este abuso ridículo.

Façam copy deste post e divulguem nos vossos blogs ou por e-mail.

Entrada posterior: Já lá estão 623.358 assinaturas. Está quase.

3 + 3 = oitavos-de-final



Com dois golos sem resposta, a selecção portuguesa venceu o Irão.

Deco (63') faz um grande golo a passe de Figo e Cristiano Ronaldo (80') de grande penalidade arruma a questão, materializando em golos a superioridade portuguesa que teve pela frente uma formação iraniana que pouco mostrou.

Já estamos nos oitavos-de-final e com antecipação, agora, resta ajudar Angola e para isso, é necessário ganhar ao México.

Mundial à Borla.

Todos os que gostam de futebol e não querem, ou não podem, pagar as exorbitâncias que a Sportv nos quer cobrar para ver o mundial, têem agora a oportunidade de ver todos os jogos à borla.

A qualidade não é muito boa, mas é aceitável mesmo em full-screen.

Clique AQUI e descarregue o programa zipado para o seu disco, depois é só instalar para ter acesso ao seu TVUPlayer.

Os jogos são transmitidos normalmente no canal ESPN2, onde deve fazer duplo clique, mas também no CCTV-5 ou até no ABC como hoje, que transmite os dois jogos que faltam.

Não se alarmem com os problemas de imagem no inicio, que acontecem enquanto o buffer carrega, porque passados os primeiros minutos tudo fica estabilizado.

Bons jogos.

Dos meus folheios...


O Rei da Ítaca

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão

Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

Sophia de Mello Breyner Andresen



Mundial 2006




Angola já está.
…e vão três pontos.


A Importância da GNR em Timor-Leste

O objectivo imediato dos australianos, é derrubar Francisco Lu’olo e Mari Alkatiri, que são os principais líderes nacionais reafirmados em Congresso da FRETILIN, realizado entre 17 e 20 de Maio e, foi após esta reafirmação de Presidente e Secretário-Geral com 97% dos votos, que dias depois a situação se agravou, com a Austrália a pressionar e a oferecer militares que já estavam preparados, evidenciando um apurado e muito a propósito, espírito vidente.

Mas quais os motivos que estão por detrás de tudo isto?
Serão os que alguma imprensa se presta a passar, como sendo um conflito de origem étnica entre os loromonu (naturais dos dez distritos ocidentais de Timor-Leste) e os lorosae ( naturais dos três distritos orientais), que estarão na origem da deserção de 600 militares, ou será simplesmente o petróleo no mar de Timor?

Vejamos:
Sabemos que a italiana ENI, ganhou o concurso internacional de exploração, que terminou a 19 de Abril, de cinco dos seis blocos para exploração petrolífera no mar de Timor-Leste, tendo a sexta sido ganha pela indiana Reliance Industries e tendo os resultados da comissão de avaliação sido ratificados pelo primeiro-ministro Mari Alkatiri. Perante estes dados, não restava outra solução à Austrália que derrubá-los. E numa tentativa aventureira e golpista criar uma crise para que as coisas não evoluam no sentido que o processo de avaliação indica, já que, Alkatiri está de pedra e cal como Secretário-Geral do Partido do Governo.

Em todo este processo e devido à fragilidade da democracia timorense, estou convencido que Alkatiri, não teve visão estratégica e cometeu um erro político, porque interessaria o investimento diversificado pela Austrália, Indonésia, Malásia, China e Portugal entre outros, proporcionando assim, os meios para o reforço das relações bilaterais através do volume de negócios com esses países. Assim não foi e o resultado está à vista.

Acontece, que a GNR, está presente com a intenção de ajudar os timorenses, os timorenses sabem-no e por isso os diferenciam dos australianos depositando neles e a meu ver bem, as suas esperanças, o que, não é muito bem visto por estes, que correm o risco, devido à esperada eficiência da GNR, verem esvaziada a necessidade da sua permanência em Díli e portanto do centro de decisões. Por isso, não é de estranhar o primeiro diferendo entre a GNR e as tropas australianas, resolvido para já, com um acordo técnico conforme comunicado de Ramos Horta que define no imediato como zona exclusiva de operações da GNR, a zona da ponte e ribeira de Cômoro, a mais problemática de Díli.

Não compreendo são as declarações de Ramos Horta hoje à RTP, manifestando-se disponível para substitui Alkatiri se tiver o apoio da FRETILIN, sabendo que o partido do governo nunca lhe dará apoio, visto ele não ser militante e sabendo também que o presidente da FRETILIN, já afirmou, que eleições só no primeiro semestre de 2007, como está determinado.
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
MINISTÉRIO DA DEFESA
E
MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E COOPERAÇÃO

08 Junho 2006 Para difusão imediata

COMUNICADO DO MINISTRO RAMOS-HORTA

Em virtude de alguma contínua deturpação veículada em certa imprensa sobre o papel e missão da GNR em Timor-Leste, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e Ministro da Defesa, Dr José Ramos-Horta, disse:

“Nunca esteve em causa o acordo celebrado entre Timor-Leste e Portugal ou entre Timor-Leste e Austrália e Nova Zelândia. Timor-Leste ainda não tem qualquer acordo formal com a Malásia mas as autoridades Malasianas e o Comandante do contingente daquele país decidiram de imediato aceitar a cooperação no plano operacional com as outras duas forças, Australiana e Neo Zelandesa.

“Em momento algum as partes Australiana, Neo Zelandesa ou Malasiana questionaram a autonomia operacional de cada força. Desde o início que o Brigadeiro-General Mick Slater, comandante das forças Australianas, afirmou que cada uma das forças convidadas pelo governo de Timor-Leste para ajudar a restabelecer ordem e segurança internas mantêm e manterão sempre a sua autonomia operacional.

“O que foi acordado hoje numa reunião presidida por mim e com a presença dos Embaixadores e Comandantes das quatro forças incluindo GNR, foi:

o objectivo a longo prazo (e aqui a longo prazo significa dias ou semanas) é que a GNR opera como uma força de intervenção táctica em toda a cidade de Díli; de imediato, respondendo a um apelo feito pelo Presidente da República e Governo Timorenses, a GNR operará numa zona exclusiva de operações que cobre a zona da ponte e ribeira de Comoro;Para maximizar a capacidade de intervenção de cada uma das quatro forças e evitarem-se incidentes, haverá de imediato um processo de conhecimento mútuo no plano táctico-operacional entre as quarto forças.

“Agradeço a todos os envolvidos nestas discussões – Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal – a sua solidariedade e determinação em assegurar ordem e segurança para o povo Timorense acima de tudo o mais.”

De que lado estão os australianos?


Como se explica que Alfredo Reinaldo, ex-major e ex-comandante da componente naval das Falintil, Forças de Defesa de Timor-Leste, que abandonou as forças armadas a 4 de Maio e desde essa altura com os seus homens já participou em diversos confrontos que causaram vários mortos, que coloca em causa o Estado de direito do país, que quase todos os dias faz conferências e dá entrevistas, que se assume como comandante de todas as forças militares timorenses nas montanhas, enquanto não obtiver a demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que está aquartelado na pousada de Maubisse que fica a 70 quilómetros de Díli, se dá ao luxo de posar para os repórteres fotográficos ladeado por dois soldados australianos?
Que conclusão retirar, da presença dos australianos no aquartelamento dos revoltosos, quando estes estão em Timor-Leste para apoiar o Estado timorense?

Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar

Sophia De Mello Breyner Andresen.

Continuando a falar de Timor-Leste (Loro Sae)

Palmas para António Costa ministro da Administração Interna, por ter anunciado hoje no Porto, que a totalidade dos 120 homens da GNR que vão em missão para Timor, deverão chegar até ao final desta semana ao terreno de operações e não dia 23 Junho como estava inicialmente previsto e não entendia.
Só não percebi, a questão de se estar a negociar com os operadores o transporte das tropas e equipamento. Sempre pensei que os aviões da Força Aérea serviam exactamente para isso, mas admito que neste particular, algo me esteja a escapar.

Admitindo o meu desconhecimento sobre esta questão de operacionalidade logística, dou palmas, porque finalmente o ministro abriu os olhos, ou alguém lhos abriu, já que e segundo a ministra de Estado, Ana Pessoa, as forças australianas no terreno não actuam e a situação piorou desde que eles entraram. “As tropas australianas apenas patrulham as estradas, e, quando entram nos bairros, assistem impávidos e serenos aos saques”.

Também e segundo as agências noticiosas, uma fonte anónima do governo de Díli, declarou que “bandos armados de catanas, espadas, arcos e flechas e também armas de fogo, atacam pessoas em frente às tropas australianas sem que estas reajam, limitando-se a assistir a toda esta violência”. Porque será? Bem... os populares nas ruas repetem as mesmas críticas “Os australianos só estão a ajudar os criminosos”.

E já agora mais uma interrogação; porque será que a ONU, pediu a Portugal que sejam os seus homens a garantir a segurança do seu chefe de missão, o que irá ser feito por dois elementos do Grupo de Operações Especiais da PSP?

E ainda outra interrogação; porque será que os australianos vão aumentar as forças no terreno de 1300 homens para 1800, sendo este número superior ao que enviaram para o teatro de operações no Iraque? E já agora uma última interrogação; porque será que os australianos pediram apoio logístico aos EUA?

Bem... as repostas a tantas interrogações, estão no que tenho vindo a dizer, ou seja, o “pessimismo” com que vejo as reais intenções dos australianos.

Timor-Leste (Loro Sae). Desenvolvimentos.

Ontem dia 26 segundo o Diário de Noticias de hoje e tal como temíamos, a Austrália resolveu mostrar as garras e assumir a liderança e o comando das forças internacionais, contrariando as garantias dadas por Lisboa, quanto à autonomia da GNR, que supostamente iria restabelecer a ordem na capital timorense, tarefa que agora, será partilhada com Camberra.

No pedido de ajuda em que Dili solicitava a intervenção de Portugal, Malásia, Austrália e Nova Zelândia, as missões estavam definidas e até os locais de intervenção para cada país.

Bem... tudo isso passou. Os matreiros australianos chegaram e resolveram assumir o controlo de tudo como já esperava. Facto, só possível, devido à nossa lenta e titubeante intervenção, como então disse.

Atentemos agora, nas declarações também do mesmo dia do governante australiano John Howard à rádio australiana ABC, segundo o Diário Digital:
“Há um problema significativo de governação em Timor-leste, não vale a pena andarmos a enganar-nos. O país não tem sido bem governado e espero que a experiência, para os que estão em cargos eleitos, de terem necessidade de pedir ajuda do exterior, induza o comportamento apropriado no país”.

Freitas do Amaral, confrontado com estas declarações, reagiu: «Considero uma ingerência nos assuntos internos de Timor-Leste e, pela nossa parte, discordamos desse tipo de declarações por parte de países estrangeiros».

Pois claro. Discordamos. Mas agora, só resta a esperança de que o enviado especial da ONU, Ian Martin, que chega a Díli na segunda-feira, leve na mala a vontade de assumir por parte dos “capacetes azuis” a coordenação dos militares e polícias internacionais no terreno.

Para Loro Sae, as palavras do poeta.

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre.

Timor-Leste (Loro Sae)



Ana Gomes, ex embaixadora de Portugal em Jacarta, afirma que o pedido de Timor-Leste “é uma admissão de falhanço na manutenção da ordem”. Pode até, Ana Gomes ter razão e o primeiro-ministro Alkatiri ter falhado, mas não sei se ponderou outras razões que estão na origem deste conflito e que têem a ver; claro, com a resolução do problema dos militares desmobilizados, mas também com a defesa dos interesses de Timor, incluídos no dossier petróleo e que desagradam à Austrália?
Se terá ponderado, o interesse australiano na desestabilização politica do País, conforme a investigadora australiana Helen Hill dá a entender na sua critica pública, e que podemos ler no DN de Sábado passado e, daí, a intimidação militar como um processo matreiro dos australianos se apoderarem de Timor-Leste?

Este conflito, que envolve forças militares a combater ex forças militares, fez as primeiras vítimas ontem, quando 50 militares revoltosos chefiados pelo major Alfredo Reinaldo, atacaram o quartel-general das Forças Armadas timorenses. Vitimas, que talvez se tivessem evitado com uma pronta resposta ao pedido de Ramos Horta no dia 10 deste mes e agora reiterada com novo pedido de ajuda e apoio militar internacional, aos governos de Portugal, Austrália, Malásia e Nova Zelândia com o conhecimento de Kofi Annan, secretário-geral das Nações Unidas.

Diz o PM José Sócrates após um telefonema de Kofi Annan; que estão reunidas as condições para o envio de um contingente da GNR no quadro de uma missão internacional, com o objectivo de auxiliar Timor a travar a rebelião.
Ficámos portanto à espera da ONU, ou seja; ficámos à espera que a ONU pagasse a nossa responsabilidade histórica de auxilio ao Povo Maubere e por isso a nossa resposta lenta, titubeante e economicista como se impõe, já que, e segundo o Público de hoje, o Chefe do Estádio Maior da Armada, Almirante Melo Gomes repetiu ontem aos jornalistas em Lisboa, que a Marinha está pronta em 48 horas para partir.
Acontece que vamos mandar a GNR, que para além de ser uma força policial, precisa de um mês para partir.

Ciúme




E a suspeita acampou seus negros potros
no deserto campo de batalha.


Abelardo Linares


Under21 – Championship

Portugal 2006

Hoje às 17:15 em Barcelos, o jogo de abertura do Europeu de sub-21.

Sérvia e Montenegro vs. Alemanha é o jogo inaugural e logo de seguida no Estádio Municipal de Braga pelas 19:45, com transmissão na TVI, a estreia da nossa selecção com a França.

Equipas prováveis
Árbitro: Howard Webb [Inglaterra]
Assistentes: Roger East [Inglaterra] e Fermín Ibañez [Espanha]

Portugal
1 Bruno Vale - 2 Nélson - 6 Zé Castro - 13 Rolando - 15 Nuno Morais - 8 Manuel Fernandes - 3 Raul Meireles - 7 Quaresma - 10 João Moutinho - 17 Varela - 9 Hugo Almeida
Treinador: Agostinho Oliveira

França
16 Steve Mandanda - 6 François Clerc - 5 Grégory Bourillon - 2 Lucien Aubey - 4 Jérémy Berthod - 14 Rio Mavuba - 15 Jérémy Toulalan - 17 Bryan Bergougnoux - 11 Julien Faubert - 21 Sinama-Pongolle - 18 Jimmy Briand
Treinador: René Girard


Países participantes:

Portugal – Alemanha – Dinamarca – França – Holanda – Itália – Sérvia e Montenegro – Ucrânia.

Bandeira na janela e força Portugal.

Com o Mundial à porta...

Depois de um suculento bife na Cervejaria Lusitânia, com o fantástico molho “café paris” (o melhor de todos) e uma caneca de Pils, tudo indicava que nada me estragaria a digestão, mas, para mal dos meus pecados, a coisa começou logo ali:
Falava-se numa mesa à minha retaguarda de futebol, bem... não se falava propriamente de futebol, dizia-se mal do espectáculo e de todos os que gostam. A tentação de intervir esteve presente, mas a educação em finta magistral não o permitiu.
Ora, eu GOSTO de futebol. Ponto.

Claro que também eu detesto muito daquilo que o rodeia, mas para mim o futebol não é uma questão têxtil de camisolas para aqui e camisolas para acolá, para mim o futebol é espectáculo e é assim que o vejo, talvez por isso, este ano, o meu lugar de época no Alvalade XXI, ficou muitas vezes vazio.

Gosto do futebol espectáculo à Frank Rijkaard; hino de criatividade e imaginação, ou do futebol táctico à José Mourinho; hino de rigor e concentração, não consigo é gostar do futebol dos que jogam para não perder, como o Koeman; um hino aos medrosos e um erro de casting. Esses, não contam comigo porque os abomino por puro preconceito, como abomino as novelas da TVI, o mesmo preconceito que me previne de não comer ostras e que, nem a sociologia ou a psicologia explicam e, por isso, como disse (mais ou menos isto) um dia o jornalista Ferreira Fernandes, o vejo com a arte de um romance moderno, como Charles Dickens via os bairros pobres de Londres.

Bem... não é difícil antecipar que riram desta última frase, mas que dizer da envolvência que o mestre Scolari criou à volta de selecção nacional no europeu, que dizer do reencontro dos portugueses com a sua bandeira e com o seu país e finalmente, que dizer de meio mundo aplaudir maravilhado a arte do negro Ronaldinho?

É por estas e por outras, que mesmo não concordando com tudo o que o futebol contém, eu GOSTO de futebol. Ponto.
Que venha o Mundial!

Frase do Dia

"Tudo aquilo que algum filho da puta diz que é urgente, é algo que esse imbecil não fez em tempo útil e quer que tu te fodas para fazer em tempo recorde!!!"


Autor: Não sei nem me interessa.

O Momento...

Não tinha sido premeditado, surgira num repente quando inconsciente abriu a gaveta das facas. É desta, pensou enquanto mordia o lábio inferior.
Ouviu vinda do quarto, a voz do Manuel que gritava; Então Marilú, é p’ra hoje? E pensou com os seus botões: ai não que não é, e é já.
A sua mão direita, num gesto repentino, agarrou as facas em molho, enquanto a esquerda, num movimento único, se apoderou do molho de chaves.
Quando franqueava a porta, gritou na direcção do quarto: Manel… venho já, vou ver s'ainda agarro o amolador.

Desafio!


Hoje às 21 horas, terá lugar a 4ª edição dos desafios de criação sob um mote comum.

A publicação dos Contos, será feita em simultâneo e os participantes são:

Ashfixia, Beatriz, Bill, Clarissa, Conteúdo Latente, Do Lado do Mar, Espreitador, Ipslon, Maite, Parrot, Pedro Pinto, Rui Semblano e Vanessa.


Até lá.