Um novo rumo para Portugal - Parte XII



Agostinho da Silva, era um homem inesperado e a sua lógica era outra, como diz António Alçada Baptista, quando relembra os amigos (1) e começa assim a falar dele:

Não posso deixar de lembrar Agostinho da Silva, porque ele foi um homem-referência na minha geração. A minha amizade vinha da admiração que me merecia um homem diferente, um homem como ainda não há.

Ele fez e ensinou tudo exactamente ao contrário daquilo que queria que a gente fizesse: num mundo que nos incitava a acumular riqueza, ele viveu no maior despojamento; num mundo que nos entusiasmava com o trabalho e as realizações, ele aconselhava a ociosidade; num tempo de internacionalização das nações, ele defendia e acarinhava os valores da Pátria e tudo aquilo que podia significar uma identidade nacional. E fazia isso sem espírito de cruzada: tudo parecia emanar naturalmente da constituição do ser humano para assim se reintegrar na ordem inscrita no universo primordial.

[…] Agostinho da Silva ajudou a fundar Universidades, fez respeitar Portugal e falou sobre o sonho do mundo da Língua Portuguesa e do que ele podia significar numa época onde afloram tantos indícios de deixarmos uma civilização do poder para uma civilização de diálogo e de cultura. Por todos os lados onde passou deixou uma espécie de rasto de luz e de lenda, como quem, ao mesmo tempo, acredita e desconfia sobre se aquilo que dizia estava certo.

[…] Estas pessoas são raras mas são necessárias porque nós precisamos de ir vendo como serão os homens do futuro. Essas pessoas ensinam-nos que é possível existir de outra maneira e ter com o mundo e com os outros uma relação diferente. Termos sido contemporâneos de Agostinho da Silva é um motivo de esperança: ficamos com a prova de que estes homens são possíveis, que são feitos da mesma matéria que nós e que, possivelmente, só nos falta acrescentar um pequeno suplemento de alma para lhe imitarmos a vida.


(1) - Pesca à linha Algumas memórias da Editorial Presença, p. 205-206.

Sinais dos tempos?


Bem... eu não tenho pena dele, quero mais é que ele se dane, mas já tenho pena, dos pais, dos irmãos, dos avós, dos cunhados, dos tios, dos sobrinhos, dos amigos da família e até dos vizinhos deste indígena, palhaço e mentecapto.

Mas valerá a pena criticar este palhaço mentecapto? Com certeza não e, talvez seja preferível, passar a mão pela cabeça da Margarida Rebelo Pinto e dizer-lhe calmamente ao ouvido: vá lá... a critica é necessária e deves procurar aprender com ela, não fiques triste.
Sabes... a escrita não é uma criação espontânea, por mais original que penses ser e ás vezes te falte o tempo para pensar.

Um novo rumo para Portugal - Parte XI



George Agostinho Baptista da Silva, de seu nome completo, aprende a ler aos 4 anos, é fundador do Centro de Estudos de filologia da Universidade de Lisboa. É bolseiro em França e Espanha onde aprofunda conhecimentos em história, filosofia e literatura.

Lança em Portugal uma série de opúsculos de teor enciclopédico e em 1943, um desses cadernos, "O Cristianismo", provoca alguma celeuma nos meios católicos mais conservadores. O envio de uma carta ao cardeal patriarca de Lisboa e os acontecimentos anteriores levam à sua detenção no Aljube. Um grupo de sacerdotes de Braga promove, entretanto, uma autêntica cruzada contra a sua pessoa, que culmina com a sua excomunhão.

Cansado de Portugal, emigra para o Brasil na busca de novos caminhos.
Com o entusiasmo e o vanguardismo que sempre caracterizaram o seu percurso, ajuda a fundar universidades e cria diversos centros de estudos portugueses, regressando a Portugal em 1969, onde ao longo de mais de duas intensas décadas continua a lutar pela união da comunidade de língua portuguesa no mundo.
Dominando quinze línguas, o seu universalismo cultural eleva-o a cidadão do mundo.

Quando inquirido por Luís Machado, na sua última conversa tornada pública, (1) sobre o seu antieuropeísmo, respondeu que realmente não morre de amores pela Europa, adiantando: Mas será que a Europa julga que pode governar sem a Península, sobretudo sendo ela, como é, duplamente mediterrânica? É bom lembrarmo-nos que foi essa Península que construiu o Bundest Bank e outras coisas de grande dimensão.
[…] Talvez seja realmente menos pró-europeu, porque entendo que cabe à Península comandar essa união, sem a menor hesitação, e não só deve como pode fazê-lo.


(1) – A Última Conversa, Agostinho da Silva, da casa das Letras

Ainda Bilderberg...

Ainda e acerca do comentário que fiz aqui neste post, relacionado com a Associação secreta que dá pelo nome de Bilderberg e que, funciona como um governo-sombra mundial, acontece, que quase todos os que participam nas suas reuniões, ascendem a altos postos.

Na última reunião que teve lugar em Stresa, (Milão) em 2004, estiveram como então disse e, a convite do Balsemão que é membro permanente e pertence ao comité Steering; Santana Lopes e José Sócrates.
Santana Lopes, dois meses depois era primeiro-ministro, Sócrates pouco tempo depois, secretário-geral do PS, e cerca de um ano depois primeiro-ministro.

Para aqueles que acharam normal a vinda de Bill Gates a Portugal, as condecorações que recebeu e, a aparente cumplicidade com Sócrates, tenham presente que ele faz parte do grupo, e a sua mulher, Melinda Gates Co-fundadora da Fundação Gates, participou em 2004, tal como Santana Lopes e José Sócrates na reunião de Stressa.



Sabem que símbolo é este que aparece na imagem acima e que aparece nas notas de dólar americanas?
É o símbolo dos “Iluminati” e aparece também no logótipo do “Information Awareness Office” e é o mesmo que irá aparecer nos futuros Bilhetes de identidade norte-americanos e para quem não viu, veja, o vídeo “Masters Of Terror de Alex Jones”

As palavras que aparecem por baixo do Símbolo são:
Nuvus Ordo Seclorum, ou seja: Nova Ordem Mundial.

Um novo rumo para Portugal - Parte X



Não foi Pessoa mais feliz que Vieira, ele que também julgou ver sinais de uma transformação no “subconsciente nacional”, prenúncio do próximo advento de D. Sebastião à decaída Pátria e primeiro passo para o estabelecimento do Quinto Império. Mas D. Sebastião não apareceu e o Quinto Império, essa era famosa de civilização cristã universal sob a égide da Lusitânia, continuou envolta nas sombras do mito.(1)

Mais tarde, Agostinho da Silva agarra de novo na ideia, e chega mesmo a dizer (o que me deu um extraordinário gozo ouvir) que, “Portugal é o futuro do mundo.”


Agostinho da Silva, para uns, um homem referência, para outros, um místico utópico, é sem dúvida ambas, e um Homem Extra-Ordinário como lhe chamou Eduardo Lourenço (2). Segundo este, Agostinho da Silva, se foi “místico”, foi-o de um misticismo “sulfuroso” pela natureza naturalista da sua visão do mundo e da vida. Não se instalou na excepção, pregou e viveu no combate à ideia de excepção, em todos os domínios, numa espécie de anarquismo profético e radioso, no fundo mais próximo de Rousseau que de qualquer figura clássica da família “mística”.


(1) - Vida e Obra de Fernando Pessoa, Vol. II, João Gaspar Simões da Livraria Bertrand, 1950.
(2) – A Última Conversa, Agostinho da Silva, da casa das Letras

Uma Série de Luxo!




Noves vitórias seguidas e seis jogos sem sofrer golos.

Tamiflu, o grande negócio.

Porque hoje é domingo, e não acreditando eu na tão apregoada pandemia aviária, porque já a discuto em blogs desde o ano passado e, fartei-me do histerismo sobre o assunto, decidi partilhar com os que por aqui passam, o que penso.

Não sei se sabem, mas o virus aviário (H5N1) foi descoberto há 9 anos no Vietnam e desde então morreram 100 pessoas em todo o mundo. Estes números demonstram, só por si, que este virus não é lá grande coisa em termos de eficácia, ou seja: não é nenhum papão como nos querem fazer crer.

Sendo assim, porque se fala então, tanto neste virus?

Bem… estou convencido que por um lado são questões comerciais e por outro o emprenhar crónico de que sofre a Europa quando os norte-americanos decidem fecundá-la, e nada mais. Senão vejamos: quem lançou o alerta sobre o H5N1 foram os norte-americanos. Até aqui nada de extraordinário, dirão alguns, mas se juntarmos mais uma pequena informação, talvez não seja bem assim. Vejamos esta: O Tamiflu é um antiviral humano, que alivia alguns sintomas de gripe comum e mesmo para essa função é questionado por uma parte da comunidade científica, e no caso do H5N1 segundo dizem também, apenas alivia a doença.
Quem diz isto? A revista espanhola Dsalud considerada uma das melhores do género, no seu último editorial.

Agora juntemo-lhes mais uma informação: O Tamiflu é comercializado pelos laboratórios Roche, que comprou a patente à Gilead Sciences Inc em 1996, logo na altura em que aparece a gripe aviária e que, por coincidência, o seu presidente era Donald Rumsfeld actual secretário da defesa dos USA e que é hoje o seu principal accionista.

Depois do alarme dado pelos norte-americanos, as vendas passaram de 254 milhões em 2004, para 1000 milhões em 2005, e tudo isto porque os amigos de Rumsfeld; Bush e Cheney decidiram que o Tamiflu é a solução para a pandemia que ainda não se produziu e que em 9 anos ceifou o astronómico número de 100 vidas humanas em todo o mundo.

Bem…eles não acertaram quando disseram que no Irak havia armas de destruição maciça, mas a Europa acredita que eles agora podem acertar na pandemia. (!?)

Aqueles que chegaram até este ponto no texto e se interrogam, porque não ficou então a Gilead Sciences Inc com o bolo todo, pensem antes assim: Como é que iriam aprovar uma coisa destas quando a cabeça de cartaz (Rumsfeld) era o maior accionista? O golpe seria fazerem o negócio por fora, então recebe quando vende a patente e sabemos que recebeu também agora a titulo de retroactivos 62,5 milhões de dólares e mais 18,2 milhões extras pelas vendas superiores às contabilizadas entre 2002 e 2003.

Cá por mim, quando o Pentágono no passado mês de Outubro, veio dizer que Rumsfeld se absteve na votação, é porque alguém os está a apertar, porque existem outras evidências como por exemplo: quando os laboratórios compraram a patente, compraram também 90% da produção mundial de anis estrellado que é a base do Tamiflu e que só existe na China fundamentalmente e em pequenas quantidades no Laos e na Malásia.

Bem…será que uma operação desta envergadura para um antiviral, não vos parece despropositado?

Um novo rumo para Portugal - Parte IX


Segundo Fernando Pessoa o lugar de cabeça do Quinto Império estava reservado a Portugal, como podemos ler no prefácio do “Quinto Império” obra de Augusto Ferreira Gomes em parceria com António Maria Pereira editado em 1934, em que Pessoa expõe a sua interpretação da profecia de Bandarra.

A esperança do quinto Império, tal qual em Portugal a sonhamos e concebemos, não se ajusta, por natureza, ao que a tradição figura como o sentido da interpretação dada por Daniel ao sonho de Nabucodonosor.
Nessa figuração tradicional, é este o seguimento dos impérios: o Primeiro é o da Babilónia, o Segundo o Medo-Persa, o Terceiro o da Grécia e o quarto o de Roma, ficando o Quinto, como sempre, duvidoso. Nesse esquema, porém, que é de impérios materiais, o último é plausivelmente entendido como sendo o Império de Inglaterra. Desse modo se interpreta naquele país; e creio que, nesse nível, se interpreta bem.
Não é assim no esquema português. Este, sendo espiritual, em vez de partir, como naquela tradição, do Império material de Babilónia, parte, antes, com a civilização em que vivemos, do império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro império, o Segundo é o de Roma, o Terceiro o da Cristandade, e o Quarto o da Europa – isto é, da Europa laica de depois da Renascença. Aqui o Quinto Império terá que ser outro que o inglês, porque terá que ser de outra ordem. Nós o atribuímos a Portugal, para quem o esperamos.
A chave está dada, clara e obscuramente, na primeira quadra do Terceiro Corpo das Profecias de Bandarra, entendendo-se que Bandarra é um nome colectivo, pelo qual se designa, não só o vidente de Trancoso, mas todos quantos viram, por seu exemplo, à mesma Luz. Este Terceiro Corpo não é, nem poderia ser, do Bandarra de Trancoso. Dizemos, contudo, que é do Bandarra.

A quadra é assim:

Em vós que haveis de ser quinto
Depois de morto o segundo,
Minhas profecias fundo
Nestas letras que VOS pinto.

Passando depois Pessoa à interpretação minuciosa da quadra, que por ser longa, não se transcreve aqui.

Reflexões.

Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Vivem o dia-a-dia na máxima de Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade.

A mentira em si, pode até não ser patológica, pode até ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões, mas é patológico, o desejo que temos de sermos enganados ou a nossa infinita capacidade para fingir que a mentira é verdade. Só que, ninguém leva a mal porque já estamos habituados, aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões.

Aristóteles dizia que quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e a predisposição, para sermos enganados e isso é normal, talvez por isso, porque teimamos em viver num pequeno teatro, Portugal é um mentiroso compulsivo, porque mente a si próprio e mente ao mundo e isso significa, que em Portugal não existem boas razões para falar verdade.

Mas será que não existem mesmo?

Será que, encerrámos o ciclo do mar e nos reduzimos a nós próprios e à nossa dimensão como país?

Será que, o movimento dos cravos, que no dia 25 de Abril saiu à rua para os plantar nos canos das espingardas, foi mentira?

Será que, a mobilização impar e esplendorosa naqueles dias de Setembro, de um povo que mobilizou o mundo em torno de uma causa humanista como foi Timor, é mentira?

Será que, a unanimidade de pensamento e objectivo, que pôs todo um povo de acordo, num gesto redentor de todos os erros, é de somenos?

CLARO QUE NÃO! Portugal a espaços mostra a fibra das suas gentes, a fibra dos que venceram o Adamastor, e faz-nos acreditar, e faz-nos ter orgulho de sermos portugueses.

Um novo rumo para Portugal - Parte VIII


Fernando Pessoa, sugestionado por António Vieira e pelo profeta Bandarra, convenceu-se que o mito sebástico teria uma nova encarnação, que o faz, em louvor ao Presidente-Rei escrever esta quadra:

Flor alta do paul da grei
Antemanhã da Redenção,
Nele uma hora encarnou El-Rei
Dom Sebastião.

Comecemos, por ser importante, a descrever Pessoa pelas suas próprias palavras, quanto à sua religiosidade e patriotismo; podemos ler numa nota biográfica do poeta escrita em 30 de Março de 1935, como introdução ao poema intitulado: “À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais”, só publicado em 1940 pela Editorial Império, o seguinte:

Posição religiosa: Cristão gnóstico, e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta na Maçonaria.


Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católica-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: “Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação”.

O insólito, ou talvez não...

Enquanto almoçava, vejo chegar um carro; parar na praça de táxis e o acompanhante do condutor sair em passo apressado na direcção da churrasqueira do lado.
Passados uns quinze minutos, este regressa com os franguinhos e lá se vão.
Enquanto ali estiveram, os táxis que chegavam tinham evidentemente de manobrar na fila para os contornar, e isto não mereceria grande atenção da minha parte, se a insólita situação não fosse provocada por quem devia dar o exemplo; a PSP.
Pois...

Frases soltas no meu correio.

Nunca desistas do sonho.
Se não o encontrares numa pastelaria, procura na próxima.

Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam.
Não é bonito, mas é profundo.

Errar é humano.
Colocar a culpa em alguém, então nem se fala.

Alguns matrimónios terminam bem, outros duram toda a vida.

É pior ter Parkinson do que Alzheimer, porque mais vale um gajo esquecer-se de pagar a imperial do que entorná-la.


Autor: Um amigo do Parkinson, creio… não me lembro.

Um novo rumo para Portugal - Parte VII



Na História do Futuro podemos ler o seguinte:

Tudo que abraça o mar, tudo que alumia o sol, tudo o que cobre, e rodeia o sol, será sujeito a este Quinto Império: não por nome ou título fantástico, como todos que até agora se chamaram impérios do mundo; senão por domínio, e sujeição verdadeira. Todos os reinos se unirão em um ceptro, todas as cabeças obedecerão a uma suprema cabeça, todas as coroas se rematarão em um só diadema, e esta será a peanha da cruz de Cristo. (1)

É este o império espiritual do padre António Vieira, implantado sob a Cruz e que, no rasto do sapateiro de Trancoso cujas profecias datavam de 1554, predizia o mito sebástico vinte e quatro anos antes da batalha de Alcácer Quibir.

Antes do Padre António Vieira, já Francisco Paula nas cartas proféticas a Simão Ximenes, Nostradamus nas Centúrias, e Bandarra, no terceiro corpo, procuraram explicar o sonho de Nabucodonosor na interpretação de Daniel, atribuindo-lhe um sentido favorável ao Ocidente.



(1) – História do Futuro, Oficina de António Pedrozo Garlam, ano de 1728, p. 32-33.

Sporting não desarma.


Nani, aos 48 minutos, materializou a "entrada de leão" na segunda parte da partida na cidade do Lis, que garantiu a oitava vitória consecutiva sportinguista.

Novo Conto no A Rua dos Contos.
Confira, clicando na imagem aí na coluna do lado esquerdo.

Um novo rumo para Portugal - Parte VI



No seu livro “História do Futuro” de 1718, o padre António Vieira expunha ser ele também mensageiro da loja branca e senhor do segredo divino, num misto de ocultismo e de cristianismo de sentimento sebástico de concepção ocultista e cristã do Império das raças e sub-raças, com a esperança de que o Quinto Império anunciado para depois do segundo é o império espiritual português. É sua a sublimar frase “Para se avaliar a esperança, há-se de medir o futuro.”

A “História do Futuro”, é um manancial de profecias, ao profeta Daniel, intérprete do sonho de Nabucodonosor onde vai colher o fundamento do mito do Quinto Império e que o padre António Vieira no sermão de acção de graças pelo nascimento do príncipe D. João assim descreve:

Nabucodonosor, aquele grande monarca, pôs-se uma noite a considerar se o seu império seria perpétuo, ou se depois dele sucederiam outros no mundo; e adormecendo com estes pensamentos viu aquela famosa estátua tantas vezes pregada nos púlpitos, cuja cabeça era de oiro, o peito de prata e o ventre de bronze, e daí até aos pés de ferro. Viu mais que uma pedra caída do alto, dando nos pés da estátua, a derrubava e fazia em pó, e a mesma pedra crescendo se aumentava e dilatava em um monte de tanta grandeza que enchia toda a terra. Este foi o sonho de que Nabucodonosor totalmente se esqueceu, até que o profeta Daniel lho trouxe outra vez à memória e lhe declarou a significação dele. A cabeça de oiro – diz Daniel – significa o primeiro império, que é o dos Assírios, a que hão-de suceder os Persas; o peito de prata significa o segundo império, que é o dos Persas, a que hão-de suceder os Gregos; o ventre de bronze significa o terceiro império, que é o dos Gregos, a que hão-de suceder os Romanos; o demais de ferro até os pés significa o quarto império, que é o dos Romanos, a que há-de suceder o da pedra, que derribou a estátua: porque ele é o último; e assim como a pedra se levantou à altura e se estendeu à grandeza de um monte que encheu todo o mundo, assim este império dominará o mesmo mundo, e será reconhecido e obedecido de todo ele. (1)



(1) – Estudo biográfico e crítico, Hernâni Cidade. Vol. I, p.218-219 da Agência geral das colónias, Lisboa 1940.

Amanhã às 21 horas



Está em curso, mais um desafio de escrita. Desta vez o mote, é esta foto de Chema Madoz.

Os participantes são: Clarissa, Conteúdo Latente, Ipslon, Beatriz, Ashfixia, e claro, este vosso amigo que publicará na Rua dos Contos.

Vamos publicar em simultâneo.

Última hora: A Maite, mostrou interesse em participar, contando desde já com o meu voto.

Aguardo que os outros participantes se manifestem.

Mar Português





Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Um novo rumo para Portugal - Parte V


Padre António Vieira, considerado um dos maiores prosadores da língua portuguesa, professor de teologia, missionário e diplomata, figura superlativa da nossa cultura.
Acusado de heresia, devido a uma carta enviada ao bispo do Japão, intitulada “Esperanças de Portugal, quinto império do mundo, primeira e segunda vida D’el-rei D. João IV”. É preso em Coimbra pelo santo ofício durante seis meses sendo depois indultado.


É um espírito complexo e vigoroso, paladino dos direitos humanos, patriota esforçado, utopista, visionário e politicamente realista. O padre António Vieira foi o sebastianista criador da ideia do Quinto Império, uma nova era sob a égide temporal de Portugal.
Virtuoso da língua portuguesa, arrastava multidões com os seus dialécticos sermões, obras dramáticas e calculadas com exactidão para que provocassem as reacções desejadas no público.
(1)

Espanta-nos desde logo a sua personalidade multifacetada: o insigne orador, que mereceu o título de “O Crisóstomo Português”; o conselheiro real e diplomata a quem D. João IV gabava a “lábia”; o missionário imbuído de profunda religiosidade, o “Payassu” (“O Padre Grande”), como o alcunharam os Índios.

Em todos os textos de feição visionária – sejam eles a História do Futuro, o Livro Anteprimeiro (prólogo explicativo daquela), as Esperanças de Portugal, a Clavis Prophetarum ou mesmo a Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício – se procura explicar o verdadeiro sentido das profecias de Bandarra, as quais, infalíveis em tantos pormenores, haviam também de o ser na consumação do Quinto Império: um império universal, totalizante, harmónico, onde coubessem todas as raças e todas as culturas, unidas espiritualmente num único reino cristão e católico.
(2)



(1) – Do dicionário de autores da língua portuguesa – Amigos do livro – Editores.
(2) – Sermões escolhidos, Padre António Vieira da Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses.

Horário de trabalho

Hoje, não resisto a contar-lhes uma pequena história do António Alçada Baptista, que se lê na p.148 do seu “A pesca à linha Algumas memórias”.


Um amigo, diplomata brasileiro, foi colocado na Embaixada do Brasil na Holanda. Chegou à noite e, logo na manhã seguinte, telefonou para a Embaixada para combinar com o Embaixador a sua apresentação. Atendeu o porteiro, um português imigrado que assegurava a guarda daquela casa.
O diplomata perguntou:
- O Senhor Embaixador está?
- O senhor Embaixador não está.
E, como ele sabia como se compunha o quadro da Embaixada foi perguntando, um por um, pelos vários titulares. Não estava nenhum.
Admirado perguntou:
- Então, de manhã não trabalham?
Resposta do porteiro:
- Não. De manhã não vêem. À tarde é que não trabalham.

Um novo rumo para Portugal - Parte IV


Roberto Carneiro, na introdução do livro de Rui Marques refere o seguinte:
[…] No que ao encontro de diferentes interessa, cinco séculos de regulação eurocêntrica dos destinos da humanidade legaram-nos, paradoxalmente, uma região em crise identitária e de projecto onde: não se vislumbra a emergência de “melting pot” e o modelo social europeu privilegia os incumbentes.
[…] A Europa e por maioria de razão Portugal, não pode desistir de ser laboratório do mundo, cadinho de civilização, farol de futuro.
Descobrir e redescobrir infatigavelmente o lugar do universal na civilização e a importância do diálogo entre culturas faz parte do pulsar mais profundo do espírito europeu. O espírito científico grego, a democracia ateniense, o culto normativo romano, o sentido igualitário cristão, o encontro de povos na empresa dos descobrimentos, são todas elas dimensões históricas do legado europeu, vertentes de cariz genuinamente universal.

David Landes, no seu livro “A riqueza e a pobreza das nações” a propósito do Portugal de quinhentos em que vários cientistas e especialistas estrangeiros, constituíam um factor essencial para os sucessos da navegações, refere que: “quando os portugueses conquistaram o Atlântico Sul, estavam na vanguarda da técnica da navegação. Um empenho em aprender com cientistas estrangeiros, muitos deles judeus, fizera que os conhecimentos adquiridos fossem directamente traduzidos em aplicações práticas”

Tanto Rui Marques, como
Rui Martins, são grandes defensores do multiculturalismo como regra para uma nova sociedade universal, percorrendo caminhos já antes percorridos desde António Vieira até Agostinho da Silva, e que, para uma melhor compreensão, em futuros posts resumiremos, o que foi, o pensar desses que marcaram e marcam o novo pensamento português.

Uma imagem e um poema.



NADA NOS FAÇA DOR
Nada nos canse de olhar,
Vivemos no torpor
De observar e ignorar.

Com o vago pensamento
De ir indo na corrente
Vivemos o momento
Irresponsavelmente.

Fernando Pessoa

27-6-1916



Nota suplementar às 3 da manhã.
O blog A Sombra, publica hoje dois posts que merecem a nossa atenção.


O primeiro: “Ok. Now blame Canada. For real
É uma petição contra a caçada anual de focas no Canadá.


O segundo: “Acção afirmativa ou negativa?”
Está relacionado, com a problemática de quotas para as minorias étnicas.

Confiram clicando no nome dos posts.