Desígnios Nacionais


Notícia recebida por correio electrónico e mais importante que todas as eleições.

Encontra-se em subscrição uma petição que tem por objectivo tornar oficial o idioma português na ONU, à semelhança do que já sucede com o Árabe, Chinês,Espanhol, Francês, Inglês e Russo.

Enquanto português e herdeiro de um legado linguístico e cultural, com quase nove séculos de existência, que ao longo da sua história teve o condão de espalhar-se pelos vários cantos do Mundo, creio que esta é uma iniciativa merecedora da atenção de todos nós:

http://www.petitiononline.com/AB5555/petition.html

Boas Noticias!


O Conselho de Ministros, aprovará amanhã o novo modelo de concurso do Ministério da Educação. Segundo o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, este novo modelo prevê a colocação de professores por um período de três anos já para o ano lectivo 2006/2007 e de quatro a partir de 2009.
Esperamos que a máquina esteja afinada, a tempo dos próximos concursos que começam já no final de Fevereiro.

As sondagens da Marktest para o DN e TSF, revelam Manuel Alegre com 13,9% dos votos contra os 13,5% de Mário Soares, o que, só vem reforçar a ideia que já tinha, do erro de Sócrates com a sua aposta em Soares.

O desleixo matou o Leandro!

No dia 2, pelas seis horas da manhã, Patrícia, mãe de Leandro um bebé de seis meses, colocou-lhe o biberão na boca, ajeitou as almofadas para o amparar e foi à sua vida, talvez dormir não sei, o facto é que só voltou a ver o bebé de seis meses, pelas catorze horas, quando este já estava morto, segundo os médicos por asfixia.
Tinham passado oito horas, sem que esta “mãe” se dignasse pelo menos espreitar o bebé.
O desleixo matou o Leandro.

PS: Quando me lembro, das vezes que critiquei a minha mulher, por não deixar já com nove anos, a minha filha andar sozinha de elevador. Só me resta fazer-lhe uma vénia e agradecer-lhe todos os cuidados que sempre teve.
Mães galinhas? Antes assim.

Assim foi! Em jeito de diário.

Mais um fim-de-semana que passou e mais uma festa, desta vez de aniversário da filha mais nova. Cá estiveram os familiares, os amigos de longa data, que também já são família e as amiguinhas da aniversariante. Tudo correu bem e teria terminado melhor, não fosse aquela primeira parte do meu Sporting, que para finalizar o dia, teimou na primeira parte em sofrer dois golos sem resposta do Braga. No entanto, o sinal de recuperação evidenciado já na segunda parte, deixa antever trabalho sério e por consequência renova a esperança na capacidade para outros voos desta jovem equipa.
Ainda podemos ser uma surpresa neste campeonato. Essa é que é essa. Estamos aí.

O domingo, passou-se a arranjar o blog, visitar amigos da blogosfera, leitura de jornais e alguma televisão, para constatar que no reino do fado tout va très bien. Afinal, os portugueses fartaram-se de gastar dinheiro, batendo até alguns recordes, tais foram as quantidades de dinheiro levantadas, ou o elevado número de mensagens enviadas neste período. Só um pequeno, mas por certo relevante gráfico no Expresso Economia, estraga este aparente ressurgimento do poder de compra. Estava lá bem escarrapachado; a queda das poupanças familiares pelo quinto ano consecutivo, o que quer dizer, que cada vez mais se dá menos importância ao dinheiro, que neste caso quer também dizer; ao futuro económico das famílias. Havendo para hoje, amanhã logo se vê. Nem que seja com crédito malparado.

Jantar em casa de amigos.


Após o jantar, Rodrigo, devido ao hábito, levantou a mesa e deu uma ajuda inicial ás mulheres com as coisas de cozinha. Eu, deambulei pela sala até reparar numa folha esquecida no aparador. Olhei em volta, e como não estava ninguém, lancei-lhe um olhar curioso. Li o que agora reproduzo de memória:

31 De Dezembro de 2005

- Porra! Não gosto de bacalhau espiritual.
- Está bem. Mas eu, é que faço a comida.
- E eu, é que pago.
- Lá estás tu, com a merda do eu é que pago...
- E tu com a merda, do eu é que faço...
- Poizé.
- Poizé, mas podias ter um pouco mais de consideração.
- Para a próxima fazes tu.
- Como? Faço e pago?
- Lá estás tu, com o pagas...
- Claro, sou eu que pago.
- E sou eu que faço.
- Merda, mais ó fazes.
- Vai para o raio que te parta!
- Vai tu! Ingrata...
- Sempre com o paga, com o paga...
- E tu? Sempre com o fazes, com o fazes... É a tua obrigação.
- Ai é? Então quero ter fim-de-semana.
- Claro! E passas a fazer quarenta horas semanais, com avaliação de produtividade.
- ...
- E numa escala de 1 a 5, talvez tenhas 2.
- ...
- Um sofrível, percebes?
- ...
- ...
- Eu também te quero avaliar.
- Pois.


Não resisti, tirei a caneta do bolso, e escrevi no final da folha:

Todas as cartas de amor são ridículas.
A.C.

Espreitador.

Presidenciais!


As presidenciais estão aí, são já no próximo dia 22.
Tempos atrás, quando os candidatos se começaram a perfilar, publiquei algumas opiniões pessoais. Desde esse dia, tenho tecido alguns comentários aos candidatos, e na última vez que o fiz, declarei-me votante no Manuel Alegre, e assim continuo determinado a votar.
Vários foram os comentários aos posts que fui publicando; porém, pela sua qualidade, um ficou-me na memória e hoje fui procurá-lo.
Depois de o reler, e pela oportunidade agora ganha, achei pertinente trazê-lo à ribalta.
Aqui fica.


A crise de liderança no mundo contemporâneo é a crise do sistema de valores dominante. O sistema capitalista é ilógico, irracional, imoral, indefinível e inteorizável. Desde o Patriarca Abraão (o primeiro grande capitalista e esclavagista de que há memória), que tal sistema se tem revelado incapaz, sequer, de matar a fome ao mundo (só nos EUA, segundo o Salvation Army, há 15 milhões de pessoas que dependem da sopa diária da caridade) e não é preciso ir procurar famintos ao Burkina Fasso.

As palavras 'liberdade', 'democracia', 'paz', 'desenvolvimento', 'economia', têem hoje significados pervertidos, corrompidos, prostituídos. São necessárias novas palavras para as ideias primordiais que elas sustentavam. E é preciso separar essas palavras pervertidas de adjutores manhosos. É por isso que se procura fazer crer que 'capitalismo', é sinónimo de 'democracia', por exemplo. Mas, se atentarmos um pouco, mesmo sendo nós muito distraídos, podemos ver que, de facto, esses termos são antónimos.

Nós, portugueses, também vivemos uma crise 'gramatical', como, de resto, todo o mundo contemporâneo.
Mas, mais do que falta de palavras, lexicalmente puras, falta-nos a coragem de ter ideias.
Somos forçados a discutir apenas a aparência das coisas. Só os malucos (subversivos) se dispõem, ante o espanto geral, a querer ver o fundo das coisas.

Na aparência há dois candidatos perfilados à presidência da República. Um (MS) tem o perfil adequado de um monarca, uma experiência considerável da gestão do sistema e uma dimensão planetária e ninguém, nesse aspecto, se lhe pode comparar. O outro (CS) é um campónio, sem tacto político nem cultura e é praticamente desconhecido além-fronteiras.

Mas, que dizer destas alternativas, senão citar Bocage "Há-de sair! Há-de sair!"

A.S.

O Reencontro



Encostado num canto da livraria, folheava um dos volumes do "Desassossego" de Pessoa, quando deu pela sua presença. Fazia talvez três anos que a não via, estava mais magra e tinha mudado a cor do cabelo. Este era agora negro.
Continuava senhora daquela beleza serena de que se lembrava, talvez mais pálida que antes, mas aquela palidez que a outra mulher daria um aspecto doente, sempre lhe ficara bem.


Este é o início de mais um conto, que poderás ler aqui, no “A Rua dos Contos”.

Está na hora, de fazer a apresentação deste novo blog, que é um blog de contos, a que decidi chamar “A Rua dos Contos”, e tem como função, alojar as histórias que escrevo, como se, de um livro virtual, se tratasse.

O responsável gráfico e também administrador é o meu amigo Bill. Amigo de terras de além-mar e dono do blog "Realidade Torta", que convido a visitarem.

Torço para que gostem do novo blog, tanto como eu. Todos os que estavam linkados no “espreitador” serão linkados no “A Rua dos Contos” sem excepção, e agradeço que os comentários aos contos sejam feitos, e não aqui.
A vossa opinião, que se pretende sincera e critica, como compreenderão, continua a ser de capital importância para mim e gostaria que ficasse junto com o motivo.

O “espreitador” continuará, como um blog de pensamentos, curiosidades e critica, onde será sempre feita a apresentação dos novos contos que surgirem.

A todos, que se dignarem visitar a minha segunda casa, que é assim, como uma casa de campo, o meu sincero obrigado.




Que me quereis,
se me não dais
o que é tão meu?

(Eugénio de Andrade)






No Outro Lado!





Era noite cerrada quando se decidiu! Não lhe apetecia estar em casa, e achou que era uma hora como outra qualquer para sair e dar uma volta. Não contara com a chuva, que o apanhou já longe e obrigou a procurar abrigo num vão de escada, daquela viela escura.
Acendeu um cigarro e encostou-se de forma a não se visto por quem passasse. Aquele, não era um lugar agradável, principalmente, numa noite escura e chuvosa como esta.

Foi, ao acender o segundo cigarro, que reparou em algo estranho que até aí lhe passara despercebido; a porta, lá ao fundo do seu lado direito estava entreaberta, o que lhe aguçou a curiosidade. Enquanto se movimentava silenciosamente na sua direcção, pensou, que provavelmente não encontraria ninguém, quanto muito, algum janado, que teria ali encontrado refúgio para a ressaca.

Entreabriu a porta, com mil cuidados para que não rangesse, espreitou, e viu uma sala pequena e nua com quatro portas de diferentes cores. Certificou-se não existir nada nem ninguém na sala, e entrou para um pequeno e exíguo espaço. Ficou admirado, quando uma das quatro portas, a amarela, se abriu num convite. Com a curiosidade a empurrá-lo, aproximou-se. Já na soleira, tentou perscrutar o interior dando um passo em frente para ver melhor, quando, a porta de súbito se fechou e num segundo a sala ficou inundada de luz dourada, tão forte que o obrigou instintivamente a cerrar os olhos.

Incrédulo, notou que já não estava na saleta... Estava agora, bem no meio de um campo dourado de trigo, extenso, até onde a vista alcançava.
Percorreu-o, em vão, durante o que lhe pareceram horas, à procura de uma saída, mas a porta por onde entrara desaparecera sem rasto, e a paisagem tinha começado a mudar, já cansado, aproveitou para beber daquele braço de água que serpenteava a paisagem. Saciada a sede, sentou-se na convidativa sombra de um imenso cipreste que casava com a margem do ribeiro, adormecendo profundamente.

Acordou, com o frio da água que lhe molhava a cara, e em pânico verificou que o ribeiro tinha coberto toda a paisagem e o arrastava para longe. O cipreste, onde tinha descansado, já se não vislumbrava, tudo à sua volta era um mar imenso.
Sentiu que a água ganhava uma consistência viscosa e se enrolava ao seu corpo como uma serpente, lutou para nadar dali para fora, porém, não via como, a paisagem era toda mar e as suas cores mudavam a cada minuto, sentiu-se terrivelmente desconfortável quando a água se avermelhou e lhe pintou os olhos, tentou limpá-los, mas os braços não obedeceram. Fez um derradeiro esforço, cerrando-os furiosamente para os abrir num repente, e foi, quando, viu uma parede branca junto a si.
Bem ao longe alguém chamava o seu nome, redobrou então, a vontade de alcançar a parede branca na esperança de se agarrar, e ouviu de novo, agora mais perto: Bernardo! Bernardo... Era o seu nome proferido com evidentes sinais de ansiedade. Pareceu-lhe a voz de Luciana. Tentou erguer a cabeça acima da água viscosa que o abraçava, quando a ouviu com nitidez dizer: Não te mexas Bernardo, os paramédicos já te estão a meter na ambulância.
Só então, Bernardo se lembrou daquela curva que a sua mota não fez.

Espreitador

Um conto de fadas...

Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga: Queres casar comigo? Ela respondeu: NÂO! E o rapaz viveu feliz para sempre, caçou, foi à pesca, teve sempre tempo para ver os jogos na Sport TV, bebeu a cerveja que aguentou, curtiu com N gajas e voltou para casa sempre à hora que lhe apeteceu.

FIM

Conto de autor desconhecido.

Hoje é dia de Maplismo. Viva o Exercício!

E cá estamos, dia 26, frente à TV, vendo o desenrolar das notícias, e entre algumas coisas importantes também algumas pérolas, que já vimos, e se repetem todos os anos.

O graduado de Natal da GNR, com a velha conversa dos malefícios do copito a mais, mas este ano com uma excelente inovação no nome da operação: “Natal/Ano Novo”.
Muitos neurónios devem ter sido queimados neste baptismo.

Em repetição, revemos o acordeonista lá do Minho dizer, que só é acordeonista por causa das gajas.
“… Antes, ia para as festas com o meu fatinho, relóginho de bolso, anel no dedo, calcinha vincada, sapato ilustrado, (não, não é erro, é mesmo ilustrado) mas as raparigas nem para mim olhavam, depois, com o acordeão, até faziam fila”.
Aqui está um bom substituto, para os litros de cerveja com que os mais novos iludem a falta de jeito.

A alegada “missão de libertação do Iraque” não é desejada pelos iraquianos.
Esta foi a conclusão brilhante a que agora chegou, o responsável das tropas norte-americanas no Iraque, general Peter Pace.

Missão cumprida!

É sempre com grande alegria que se prepara o Natal e com alívio que vemos os últimos familiares irem embora.

Final do dia, presentes distribuídos, barrigas cheias, conversas em dia, mas a gajada da família acha que não chega e parecem querer ficar para o dia seguinte. Alguém sugere uma canjinha para assentar o estômago, mas acaba por se contentar, com restos do almoço e uns salgadinhos feitos na hora.
Finalmente, com os estômagos mais uma vez aconchegados para a viagem, e sem ser necessário empurrá-los porta fora, lá se vão os últimos não residentes dos dezanove convivas.
Prá semana há mais, o Ano Novo também é cá em casa, desta vez com menos gente, que os jovens têem mais que fazer.

O Maneirinho.



Dircelina, lembrava-se bem daquele dia, tinha chegado com a maleta de mão, e por companhia trazia a sua cor negra, a pouca escolaridade e o estigma de um país em guerra. Vinha para trabalhar, neste, que era visto por lá, como a árvore das patacas, e por via disso, a esperança tinha-lhe feito companhia durante toda a viagem, e já antes, nos preparativos que antecederam a partida a aconchegara, lhe soprara quente no peito e lhe dissera em surdina: vais conseguir.
Para trás ficava a família; mãe, duas filhas pequenas e quatro irmãos, um deles estropiado e que era tudo o que a guerra não tinha levado, mas nisso não quis pensar, aquela, era a altura das grandes tarefas o momento que ambicionou e não tinha receio de confrontar, para isso, contava com outra grande amiga: a vontade inabalável de vencer.

Aquele emprego, que um antigo amigo do seu pai lhe arranjara, não era o que pensava, esteve para o recusar, não o fez por causa da fome miserável que já há dez dias e dez noites a acompanhava, mas hoje, dez anos passados, sabia que tinha ganho a grande prova. A tristeza do primeiro dia em que se deitou com um cliente e depois todos os outros que seguiram, eram passado, assim como as lágrimas que abriram sulcos nas suas faces de ébano. O desejo dos homens, pelo seu corpo esguio e musculado do trabalho na sanzala, tinha-lhe garantido uma posição privilegiada entre as escravas do Maneirinho, e desde muito cedo traçara o seu plano.

A vinda da família, acontecera já depois de ter conseguido casar-se com o Maneirinho, a seguir, foi um passo, até o convencer a investir o dinheiro ganho com a escravatura e outros expedientes, num restaurante que ela e a mãe passaram a gerir, por fim, ele começou a gostar daquele chá que com receita da sua avó a mão lhe ensinou a fazer, e que provocava no Maneirinho o estado esfusiante de alucinada embriaguez, e foi nesse estado que o convenceu ser ele capaz com a força do querer, parar o rápido Lisboa-Sintra.
Ainda lhe notou a incerteza no olhar, quando no meio da linha viu o comboio aproximar-se, mas ela, postada no apeadeiro, deu-lhe a força que faltava, gritando-lhe, és capaz meu querido, tu és capaz de tudo.

Equívocos!


Aquele era um bar diferente, apreciou com agrado as ânforas espalhadas pelos cantos, reparou nos quadros que decoravam as paredes, verificando, que estes emolduravam folhas com profecias, revelações e até conselhos. Olhou para Isabel, sua companheira de há cinco anos, e viu nos seus olhos imediata aprovação pela escolha. Mentalmente, agradeceu à Clara sua colega, a informação. Tinha recorrido a ela, solicitando-lhe um sítio engraçado para levar Isabel. Tinham perdido o hábito de sair e porque as suas vidas atravessavam uma fase difícil, sentiu necessidade de um ambiente diferente para desanuviar da tensão, que teimava à demasiado tempo permanecer entre os dois.

Junto ao balcão, ajudou Isabel a subir para um tripó forrado a couro negro e acomodou-se noutro a seu lado, com os olhos, procurou o empregado para pedir as bebidas, e deu de chapa com uns olhos negros que o fitavam. Reparou que era uma mulher belíssima que não soube precisar a idade, andaria entre os trinta e os quarenta. Influenciado pelo ambiente da decoração, o olhar penetrante da mulher lembrava-lhe as pitonisas que costumavam ler oráculos, ela sentava-se no topo direito do balcão, os cabelos tão negros como os olhos davam-lhe um ar misterioso e ao mesmo tempo belo, e ele, enquanto tentava captar a atenção do empregado, reparou que esta continuava a olhá-lo.
Sentiu-se um pouco incomodado, e o receio que Isabel percebesse surgiu, ele não conseguia desviar os olhos daquela mulher.

Isto tinha logo de lhe acontecer quando estava com a Isabel, já era azar. O olhar da mulher não se desviava e pareceu-lhe vê-la sorrir. Nessa altura, ficou definitivamente incomodado pela presença da Isabel, e a situação piorou quando a viu pedir uma caneta com que escreveu num cartão. Olhando na sua direcção, entregou-o ao empregado enquanto lhe segredava qualquer coisa. Era para si pensou, e em pânico tentou manter a postura, e esperar para ver como o empregado lho entregaria sem que Isabel percebesse. Reparou que o copo de Isabel estava praticamente vazio, despejou o seu num gole rápido com o objectivo de renovar as bebidas e proporcionar ao empregado a entrega disfarçada do cartão, assim fez, e seguindo os movimentos daquele, reparou que colocava o cartão, de forma habilidosa por baixo de um dos copos, viu-o aproximar-se e enganar-se, tinha posto o do cartão à frente da Isabel, olhou instintivamente para o topo do balcão, e viu que a pitonisa dos olhos negros lhe sorria, não devia ter reparado que o empregado tinha trocado os copos e que agora o cartão estava bem debaixo do copo da Isabel.

Por uns momentos sentiu-se perdido, até que, Isabel lhe disse: Querido, vou à casa de banho. Ficou aliviado, estava ali o momento oportuno para retirar o cartão e quem sabe combinar alguma coisa. Enquanto seguia com o olhar Isabel que se afastava, viu que aquela mulher belíssima de olhos negros se levantava, aproveitando a oportunidade para se acercar dele, mas, contrariado reparou que não o fez, em vez disso, sorriu-lhe, e seguiu na mesma direcção da Isabel.
Aproveitando o momento, retirou o cartão de debaixo do copo e leu-o, acto contínuo, sentiu uma tontura, leu novamente sem acreditar no que lia, o cartão, em duas linhas dizia:
Quero-te agora. Casa de banho.

Alegre Vs. Soares Vs. Cavaco.

Não, não vou falar do debate, se bem que o título o sugira.
Hoje, em conversa com um amigo falávamos exactamente da mediocridade destes debates, como poderíamos falar do nosso desalento por serem estes os contendores perfilados. Começámos a tergiversar sobre algumas das coisas que têem sido ditas e elegemos duas situações, que, pela sua qualidade caricata, mereceram atenção e até alguma reflexão.

A primeira foi em resposta à pergunta de um jornalista, que após o debate de Soares com Cavaco, queria saber a opinião de Alegre:
“Não sei, não posso comentar porque não vi tudo, deu-me o sono e fui dormir”.
Esta não resposta, respondida com esta agudeza, mereceu o nosso sorriso cúmplice como se de um knock-out ao primeiro assalto se tratasse, ganhou logo, o prémio do dizer sem dizer, quando muitos nem conseguem dizer, dizendo.

Seguiu-se uma outra, que a uma diatribe de Soares, Alegre, responde assim:
“Se lê-se como antes lia, com certeza perceberia, que era uma metáfora”.
Reparem bem, no propósito do verbo no passado e digam se não merece de facto um primeiro prémio qualquer, fosse lá do que fosse. Alguém dizer a Soares, que enverga a capa da cultura como se de uma segunda pele se tratasse, que ele, agora, está lá bem junto de uma massa anónima de leitores que lê sem ler, porque lê a metro ou ao quilo, sugere duas reflexões.

A primeira: Coragem para o desafio de peito aberto, os pontos nos iii do recado, como só um homem de pensamento agudo poderia fazer.
A segunda: A aristocracia das palavras e a classe intelectual do conhecimento.

Não só por isto, mas porque também, este homem, poeta de setenta anos, e arejado, tem para já o meu voto.

PS: É claro que falámos de Cavaco, e até relembrámos a sua “brilhante” tirada, frente ao Jerónimo: “Olhe que não, olhe que não”. Que os jornalistas querem fazer crer, que o homem com isto até tem espírito e não é tão cinzento como o pintam.
Mas a piada, de tão estafada, nem ao Herman nos seus piores dias lembraria.


Não entres assim comigo nesta água escura, estamos na Foz do Arelho e isto não é um verso traduzido do irlandês, menos ainda um título de romance, sequer uma paráfrase, é o mar da Foz, o Atlântico em estado puro, o mar mais bravo e mais íntimo que conhecemos, o nosso mar, há ondas de dois ou três metros, aquele corveiro está com certeza cheio de robalos, não entres assim comigo nesta água escura.

Cão Como Nós, Manuel Alegre da Planeta DeAgostini p.61.

António Lobo Antunes

(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)


Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas,. creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisanas e pão de Ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

Cortesia do amigo Anibal.

Malandro não estrilha, muda de esquina! (Final)



Vera medindo bem a situação e depois de pensar um pouco, disse que sim, que lhes lançava as cartas, mas que seria a última vez que o fazia, é que, tinha começado a ficar assustada com a sua capacidade para interpretar tudo o que as cartas lhe diziam, por isso, queria pôr de parte aquela actividade, esta seria portanto a ultima vez e só o fazia em consideração ao Leonardo, mas agradecia que este nunca mais lhe pedisse o mesmo. Dito isto, pediu-lhes para entrarem na salinha privada que ficava no fundo do bar, que ela já lá iria com o Tarot.

Leonardo e Sérgio, acomodaram-se na sala, e enquanto esperavam por Vera, Leonardo foi-lhe dizendo, se ele agora tinha percebido a razão de tantos homens visitarem a casa de Vera, este, consternado, dizia que sim, que pensara ser outra coisa, que nunca imaginara uma coisa daquelas e por aí adiante, até Vera chegar com as cartas.
Contou-as e verificou que estavam as 78 necessárias, baralhou-as, e perguntou qual queria ser o primeiro. Leonardo prontificou-se de imediato, começariam com ele. Vera, mostrou então o que sabia fazer e Sérgio bebia as palavras com que Vera acompanhava o ritual, como se, de um ser divino e omnipotente se tratasse, até chegar a sua vez.

Depois de baralhadas as cartas, Vera disse-lhe em tom muito sério e de olhos nos olhos: Tome atenção, eu não sei muito bem como isto funciona, mas funciona, agora, o mais importante é que acredite em tudo o que lhe vou dizer através das cartas, depois é consigo, que eu lavo daí as minhas mãos. Sérgio assentiu de imediato com um abanar de cabeça, só queria que Vera começasse logo, e ouviu com sofreguidão todas as banalidades que ela lhe dizia, até ao momento em que parou e se mostrou muito pensativa. Leonardo perguntou em tom preocupado: Não é aquilo que eu estou a pensar, pois não? Vera continuou calada, voltou a mexer nas cartas, baralhou de novo e voltou a lançá-las, voltando a ficar calada com os olhos fixos na mesa. Leonardo perguntou com voz assustada: É a torre que te preocupa? Vera olhou para ele com as mãos a tremer e disse: A Torre e a Caveira, eu sabia que nunca mais deveria mexer-lhes, e agora? Nesta altura, Sérgio, que ora olhava para um, ora olhava para outro, quis saber o que é que se passava, o que é que as cartas tinham de tão mau? Vera mostrava-se relutante, Sérgio insistia, queria saber, fosse lá o que fosse, tinha o direito de saber já que era com ele.

Leonardo, tomando o comando da conversa disse: deixe Verinha, eu digo-lhe, a culpa é minha que o meti e a si nesta encrenca, a Verinha não se preocupe, só fez o que sabe fazer, não tem culpa das coisas serem o que são, a Verinha é simplesmente o saber interpretativo das cartas, um veículo, nada mais. Virando-se então para Sérgio, com cara de pesar e depois de alguns segundos a pensar como lhe daria a noticia, disse-lhe: A Torre com a Caveira, representam a morte à pergunta que a Vera lhes fez, e a ti, saiu-te duas vezes, não há que enganar.
Sérgio estarrecido balbuciou: E agora, o que é que eu faço? Deve haver uma maneira, ela que faça a pergunta de outra forma? Não há nada a fazer, respondeu Leonardo, não há como fugir. O meu conselho é que tenhas cuidado com tudo, até a atravessares a rua para não seres atropelado. Dito isto, baixou a cabeça e elevou as mãos que se enterraram nos cabelos.

Sérgio levantou-se em estado de choque, branco como a cal, balbuciou qualquer coisa imperceptível e saiu.
Passados uns minutos e depois de terem a certeza que ele tinha desaparecido, desataram numa gargalhada pegada, recordando os tempos em que se divertiam a pregar estas partidas, aos bicéfalos anácronos dos seus colegas de liceu. Mas isso, era quando a Verinha ainda se chamava Rafael, tinha sido antes da operação de mudança de sexo que ela fizera na Holanda, mas também ninguém sabia, ela só mudara para o seu prédio depois disso acontecer e o Jacinto nunca o diria a ninguém. Ainda recordaram como ela se tinha livrado dele, quando decidiu deixar a prostituição. A ideia de lhe dizer que tinha Sida devido à vida que levava, tinha sido sua.
Por volta das cinco da madrugada, Leonardo despediu-se de Vera e saiu. Enquanto percorria os dois quarteirões que o separavam de casa, olhou para a janela do Sérgio que ficava logo no primeiro, constatando com um sorriso sacana, que a luz ainda estava acesa.

Fim.

Malandro não estrilha, muda de esquina!


Leonardo raramente saía, e quando o fazia preferia a companhia dos amigos, decididamente, não tinha o hábito nem gostava de sair sozinho pela noite.
Hoje, tinha-se aventurado a entrar naquele bar que abrira a semana passada a dois quarteirões da sua casa. Inicialmente, a ideia era ver o aspecto com que ficara, comer qualquer coisa e regressar a casa ainda a horas de acabar aquele trabalho que tinha de ser entregue amanhã sem falta na reunião das nove.

Mas o inesperado aparece quando menos se espera e as coisas não aconteceram assim. Mal entrou, e ainda os seus olhos tentavam absorver a decoração do lugar, ouviu o seu nome gritado de uma mesa no fundo da sala. Olhou, e viu a mão levantada do Sérgio, seu vizinho de rua que o convidava a aproximar.

Sentou-se e logo o Sérgio se debruçou sobre a pequena mesa que os separava para lhe dizer algo sem que os clientes mais próximos ouvissem.
Sabes de quem é esta merda? Sei! E então que me dizes? Sem o deixar responder continuou: já viste o dinheirão que a puta fez à conta dos papalvos que recebia lá em casa, enquanto o Jacinto ia trabalhar?
Estás a querer dizer que ela, a Verinha... Sim pá, a puta andava nas lides enquanto o Jacinto ia trabalhar, tanto assim, que quando o gajo soube pirou-se que nunca mais ninguém o viu. Vendo que ele não reagira continuou: agora olha, o resultado está à vista, vê bem o dinheirame que a puta fez!
Calma Sérgio, tens a certeza do que estás a dizer? Estás a medir bem o que dizes? Então pá, estás a fazer-te de parvo ou quê, ela morava no teu prédio, com certeza também lá foste e agora estás a ver para onde foi a massa, mas é mesmo assim, esquece essa merda que a gaja vem aí.

Olá Leonardo, afinal sempre veio ver o meu barzinho! Claro Verinha, o tempo não é muito e eu não costumo sair à noite, só a minha querida me faria quebrar os hábitos, mas olhe, já estou arrependido. Não me diga isso Leonardo, e fazendo um gesto que abarcava toda a casa perguntou: está assim tão mau? Leonardo então, olhando de frente o Sérgio respondeu: Não Verinha, o bar até está melhor do que alguma vez pensei, agora a Verinha é que merecia outra sorte com os clientes.

Nesse momento já ela acompanhava o seu olhar na direcção do Sérgio, este, sentindo-se incomodado mostrou intenção de se levantar, mas Leonardo agarrando-lhe o braço obrigou-o a permanecer, e olhando para Vera continuou: Diga-me aqui só para nós que muito a estimamos, como é que as cartas lhe renderam tanto dinheiro? Vera, compreendeu de imediato as intenções de Leonardo e decidiu entrar no jogo.

Que isto não saia daqui, só vos conto a vocês porque são pessoas honestas e acredito que saibam guardar um segredo, bem, o Leonardo está mais ou menos a par, mas o Sr. não sabe e eu vou-lhe contar em atenção a ele: aquela clientela que eu tinha era tudo gente abastada como sabe o Leonardo, homens de negócios que nada faziam sem eu lhes deitar as cartas, depois, como eu os orientava nas aplicações que faziam na bolsa, foram passando a palavra aos amigos mais chegados, estes a outros e sabem como são estas coisas, até que, me apareceu lá em casa um industrial do norte, o merceeiro como lhe chamo, e o coitadinho estava desesperado porque os negócios lá por Espanha estavam a ir de mal a pior, eu deitei-lhe as cartas e dei-lhe alguns conselhos que o levaram a ter de novo êxito, ele como retribuição, deu-me um chorudo cheque com que abri aqui o barzinho, e foi assim.
Leonardo olhou então para o Sérgio, que a essa altura já parecia um tomate e disse: A Verinha seria uma grande amiga se deitasse as cartas para nós, que também somos filhos de gente e precisamos de alguma sorte, isto se o Sérgio concordar como é evidente. Sérgio, que até aí permanecera calado e com os olhos enfiados no copo de cerveja, ainda tentou perguntar se o tal merceeiro era aquele gajo dono da..., mas Leonardo fazendo-lhe sinal para se calar, assentiu de imediato com um gesto de concordância, dizendo: esse mesmo em que estás a pensar.

(continua).

Desencontros (Parte II e última)


Quando Fabrício entrou, já Marta sentada à mesa da cozinha terminava o pequeno-almoço. Fabrício viu-a e ficou contente ao pensar que teria a sua companhia. Cumprimentou-a, fazendo um esforço para que não parecesse seco nem ansioso, a primeira preocupação foi tentar não demonstrar sentimentos que a levassem a sair dali.

Marta olhou-o, e pareceu-lhe que tinha dormido mal, estava com um ar cansado, lembrou-se que também ela deveria estar assim, ficara na sala depois de ele se recolher até altas horas, não tinha sono e apeteceu-lhe ouvir aquele CD que tinha comprado na semana anterior, numa das suas saídas sem destino e com o único propósito de não ficar em casa ao pé dele, era o último disco do seu cantor romântico preferido, o Dear Heather do Cohen, e aos primeiros acordes de Go no more, pensou, no quanto a sua vida se tinha transformado, o que antes lhe parecia uma vida normal e estável, estava agora a revelar-se exactamente o contrário, começava a acreditar que gostava dele, ainda que tudo fizesse para combater os sentimentos que teimavam em assaltá-la, a voz de Cohen enchia o espaço à sua volta e ao som de Because of finalmente as lágrimas soltaram-se.

Cohen, já há muito se tinha calado quando ela percebeu o silêncio que reinava, tinha mergulhado em mil pensamentos e nem dera por isso, lembrava-se da curiosidade que sentiu em saber o que ele estaria a fazer sozinho no quarto, e como tentara espreitá-lo em vão, visto ele ter fechado a porta, ainda sentiu a tentação de bater, mas conteve-se.

Absorvida por estes pensamentos ouviu a sua voz: - Marta! Marta, que se passa? Estás bem? - Estou sim, respondeu. Desculpa, estava imersa em pensamentos parvos. – Alguma coisa em que possa ajudar, perguntou Fabrício. – Não meu querido, não podes. Deu-se conta nesse instante de como o havia tratado, mas agora nada havia a fazer, estava dito.
Fabrício tinha recebido aquele meu querido directo no coração, ela nunca tinha usado aquela palavra com ele, se bem que a usasse com alguns amigos mais chegados, mas com ele tinha imenso cuidado de não proferir qualquer tipo de intimidade ou carinho. Atrapalhado, começou a tratar do café virando-lhe as costas, e os pensamentos da noite anterior começavam agora a martelar-lhe o cérebro. Recordava-se porque se tinha retirado mais cedo dando a desculpa, do Lobo Antunes lhe dar sono, uma mentira inocente que se ela o conhecesse teria logo detectado, ele adorava Lobo Antunes, jamais se imaginaria a adormecer lendo-o, e isso provava que ela nem sabia minimamente do que ele gostava. Quando chegou ao quarto não se conteve, chorou como uma criança infeliz, tal a desilusão que sentia com o rumo da sua vida, lembrava-se de lhe parecer ouvi-la junto à sua porta, mas imaginou-se a enlouquecer, o quarto dela ficava na ala oposta do seu, só poderia estar com alucinações.

O zumbido da chaleira da água para o café, trouxe-o de novo à realidade e com um olhar de soslaio verificou se ela ainda lá estava. Estava. Não se tinha mexido e sentiu-se contente por isso, talvez ela ficasse enquanto tomava o pequeno-almoço.

Enquanto se sentava, ela perguntou-lhe: - Desde quando é que o Lobo Antunes te dá sono? Ele não esperava aquela pergunta e nem tinha jeito para mentiras, decidiu no momento dizer a verdade: - Foi uma desculpa para me retirar, estava a custar-me estar ali contigo e não invadir o teu espaço, o Lobo Antunes é que pagou, mas não sabia que tinhas conhecimento do meu gosto por ele? – Mas tenho Fabrício, assim como de outros gostos teus, não devias ter-te retirado, ontem apetecia-me companhia.

Fabrício atónito, recebeu aquelas palavras como terra para um náufrago, sentiu uma leve esperança invadir-lhe o coração, mas logo recordou as palavras e ela não tinha dito que lhe apetecia a companhia dele, mas sim companhia, isso era plural, só lhe apetecia companhia e não devia estar com disposição de sair, ou então, nenhuma das amigas estava livre para a acompanhar.
- Fabrício! Ouviste o que eu disse? – Desculpa Marta, disseste que ontem te apetecia companhia, eu ouvi. – Mas era a tua, não era a de mais ninguém. – A minha? – Sim a tua, ontem apetecia-me a tua companhia.

Ela tinha sido clara, era à companhia dele que se referia, não de qualquer outra pessoa, agora o seu coração tinha disparado, e a custo disse: Ontem, quando estava no quarto ouvi música, estavas a ouvir o quê? – O novo CD do Cohen o Dear Heather que comprei a semana passada, respondeu. – Ah, esse romântico inveterado, não sabia que gostavas, é um disco que já saiu à algum tempo, talvez no início do ano, não é novo. – Sim, mas é o último e eu ainda não o tinha, como não me fizeste companhia, tive de recorrer a ele.

Fabrício pensava se as palavras que ouvia da boca da Marta seriam reais, não notava nenhum tom de brincadeira, seria esta uma estratégia para em seguida o meter no seu lugar? Não podia ser! Ela não o amava, isso era um facto, mas tinha sido sempre de uma educação extrema, estaria a falar verdade? Encheu o peito de ar e perguntou-lhe: Tens a certeza que era mesmo a minha companhia que ontem querias? – Era! – Desculpa a pergunta Marta, mas porquê? Ela ficou em silêncio enquanto o fitava nos olhos e ele ficou a olhar para ela à espera de uma resposta que não vinha, tinha uns olhos lindos, que muito raramente tinha oportunidade de ver tão perto e tão demoradamente, os seus olhares costumavam ser fugidios, mas agora, ela continuava a olhá-lo fixamente, sem demonstrar intenção de os desviar e ele pensou no quanto a amava, como lhe apetecia beijá-la. De repente, Marta mostrou intenção de se levantar, e ele pensou que devia ter desviado o olhar, ela devia ter pensado que ele a provocava e ia-se embora. Balbuciou uma desculpa, quando Marta se encaminhou na sua direcção que era a da porta da cozinha, ela, levou um dedo à boca em sinal de silêncio, chegada ao pé dele, parou, e perguntou-lhe olhos nos olhos e com a cara quase colada à sua: Ainda me amas Fabrício? Ele sentindo-se desfalecer murmurou: - Mais do que tudo na vida.
Marta, colocou as mão suavemente na sua cara, e ele sentiu o seu perfume inundá-lo quando ela o beijou.

Informação para os amigos.

Ainda esta noite, publicarei a continuação que será também o final, do conto “Desencontros”.
Não era minha intenção fazer a continuação deste conto, como também não era do anterior, no entanto, alguns amigos pediram a sua continuação.
Devido à aproximação do Natal, e estando já eu com espírito natalício, considerei que estava na altura de oferecer um romance lamechas aos que me visitam, ou seja, uma daquelas coisas que acabam bem e que todos gostam, até eu.
Está alinhavado e faltam agora os finalmentes.
Sem falta, ao rondar das vinte e quatro horas será publicado.

Roubo de Blog

We are sorry to inform the blogger comunity that this blog has been scheduled for erasing.
Due to the enourmous ammount of blogs created every day in our servers, we have to procced to a random pick of circa 500.000 blogs to delete. One of them is yous.

Continuar a ler aqui.

Assim começa a mensagem, com que hoje se deparou o blog “O Convento da Crítica”. Para além de ter o acesso vedado, também os comentários foram retirados.

Decidem assim, para que possam continuar a ser criados mais blogs, apagar 500.000 ao acaso.

Estou convencido que esta é uma manobra para que comecemos a inscrevermo-nos e a pagar? É que assim toda a gente fica preocupada, eles sabem que sim, e de certeza que vão facturar algum.
Além de tudo o mais é desonesto, considero-o mesmo um roubo, tal como o considera o seu autor.
Este tem um outro blog em parceria, que podem visitar
aqui.