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Lances diferentes e novos enlaces.

Talvez a vida seja um jogo inconsciente onde pretendemos dominar o sentir.
Talvez por o amor ser mais importante do que os danos infligidos, os descuremos frequentemente.
Talvez sejamos, afinal, apenas peões inquietos em tabuleiros de negros dias e noites brancas de denso sentir.
Talvez, talvez, talvez…
Talvez por isso eu beba a poesia devagar enquanto outros correm apressados sem saber o que está ali… nas pequenas dobras do tempo… no que é importante e também nas coisas sem importância, com seu ritmo simples e quotidiano na estrita conta do tempo sem tempo.

Talvez para os poetas as palavras e os silêncios sejam sinónimos em significância... que afagam na cumplicidade e ferem na dor, não importa… têem sempre o sabor doce da ternura mesmo quando sabem a sal ou se escapam num fio de vento pelas metáforas... quando criam um estuário de novas figuras da linguagem ou transformam as banalidades em pequenas epifanias, quando agarram nas palavras gastas e as vestem com as cores dos sentires e do sonhar.

Talvez, sensatamente, um poema não se repita como não se repete um conto, um saudoso mar, uma fotografia sob a mesma luz natural ou a exacta inclinação dos raios solares, naquela mesma árvore, com aquele número incognoscível de folhas vergadas ao vento…
Cada poema tem o dever de falar, tem o seu próprio ritmo que nos envolve e atravessa, que ecoa um outro tempo, um outro espaço, com uma cor que é afinal um espaço sem cor à espera de ser colorido por um ouvido atento…

E,
porque só os poetas podem salvar as palavras, AQUI, um sentir denso… uma pétala de rosa azul a chorar…

O Ciclo Menstrual da Noite


A poeta, Alice Macedo Campos, do incontornável Blog “Acta Para Violino”, lança no próximo dia 10, pelas 16 horas, no Auditório da Casa Museu Abel Salazar, em São Mamede de Infesta ao Porto, o seu primeiro livro de poesia.
A Alice, é uma poeta que faz tempo me habituei a ler no seu blogue, onde, encontrei, uma escrita extremamente forte, de excelente qualidade, com imagens e palavras de refinado metaforismo, únicas.

Mas, melhor do que alguma vez eu diria, ouçamos o que Isabel Mendes Ferreira, diz sobre a autora de “o ciclo menstrual da noite”:

como uma vertigem. antiga. de um eros incorrupto. como toda a pele de um texto invariavelmente emocional ou como um texto arrepiado de esquemas rítmicos ao sabor da pele. assim a poética de Alice ao espelho dos sentimentos. Nada a detém. nada sobra. nada a desnorteia em cima das metáforas cruelmente femininas no que de mais loba a mulher tem e é. Uma escrita de sangue e carne e leite e seios e picos e renúncia e entrega e vibráteis gritos que diria virem de dentro da noite. irregular destino de quem se atira assim para uma espécie de poço cintilante. sem limites. um pathos quase criptogâmico. um parto oculto que desvenda o rigoroso carpelo de um discurso aparentemente de renúncia.
é uma mulher. claro. quem assim majestosamente se veste de nudez. muitas vezes quase numa iteração obsessiva.tumescentes as palavras ganham asas.passam a borboletas.
escamam os conceitos tidos como só do irreal. aproximam-se do fogo. querem-se de alimento generoso e generosamente ficam a boiar. como gritos. pessoalíssimas teias que anunciam o enorme voo de Alice.Campos. fora.dos.espelhos.regulares.dentro.de.um.prognóstico.amadurecido. Este livro de anunciação chega como voragem. e fica como Certeza

Porque ler e dar a ler, têm aqui lugar.

É sempre difícil, narrar em poucas palavras, os méritos de uns e outros e, embora estivesse para começar este post, dividindo as pessoas em dois grandes grupos, algo me avisou, a tempo, do duplo erro. As pessoas na blogosfera não se dividem, mas juntam-se em pequenos grupos. Neste caso ébrio de lucidez, juntou-me a um valente do teclado: Davi Reis, que conheci no blog “Caderno de Corda”, há ano e meio – mais coisa, menos coisa -, devido a uns problemas autorais. Caso, com enfoque no plagio como sinopse do documentário Loose Change 2, pelo site da R.T.P., onde, os direitos autorais não foram respeitados. Na altura, considerei pertinente juntar-me a essa luta e dar-lhe o meu apoio. Desde aí, e embora com frequência esporádica, mantivemos o contacto que levou a conhecer as suas qualidades como compositor, instrumentista, autor de letras, cantor, escritor e poeta. Méritos abundantes, sem dúvida.
Sobre os seus dotes musicais, temos no “Porta 65 Fechada” bolg do Movimento, um excelente exemplo na canção “Tecto de Abrir”, que é a música do Movimento, e também na banda “Baby Jane”, que podem espreitar aqui.

Porém, hoje, não queria deixar de vos dar conta da sua faceta como Poeta. O Davi Reis, que até agora publicava os seus poemas designado-os de Poesia Cordiana, no seu blog “Caderno de Corda”, resolveu, neste tempo onde não é fácil publicar e mais difícil ainda colocar os livros no leitor, dar o salto em frente e, assim, no dia 29 de Março (sábado), pelas 18 horas, decorrerá, na Fábrica Braço de Prata, a apresentação do seu primeiro livro de poesia, com o curioso título - 'Pôr a Escrita em Noite'.
Com início às 18 horas na sala Nietzsche da Fábrica Braço de Prata, o lançamento contará com a presença do declamador João Saramago e da pianista Rita Medina. Sob a chancela da Corpos Editora.

Diz ele: “O momento é, obviamente, de grande importância para mim, pelo que não dispenso a presença dos amigos e da família.” E, eu acrescento: nada como o enlevo de um livro de poemas, para conjugar em perfeita sintonia de aromas, com um cubano e uma boa bebida destilada, no recôndito do lar.

Desejando, desde já, uma multidão interessada na sala Nietzsche, prometo, que tudo farei para estar presente.




Alô, Poesia!

Dias atrás, fiz aqui, mais uma incursão reflectiva sobre arte. Isto é, embora eu não seja um especialista em nada, paradoxalmente e com esforço até à hérnia, tento ser ecléctico e meto-me em tudo (bem… quase tudo). Faço-o com uma caixa de comentários aberta, onde qualquer um pode usar de um “pcht cala-te!” e sem pretender raciocinar ou fazer pensamento discursivo sobre o que é estético, mas sim, porque tenho vivências que a meu modo e como conclusão, gosto de partilhar (Depois disto, a coisa deve soar menos grave. Certamente, menos dramática).

Assim, e sobre a poesia, constato que hoje por ditadura do mercado, esta é relegada para a quase clandestinidade onde abundam o falso e o supérfluo, mas a poesia é útil e vale a pena ter consciência disso. Eu sei.
Não vou pretender definir a poesia, seria inviabilizá-la, porque sendo uma das artes tradicionais através da qual a linguagem humana é sempre utilizada com fins estéticos, tem a função de exprimir sucintamente e entre linhas o pensamento do eu-lírico, talvez por isso, sendo a poesia arte e estética na sua essência, os poetas não são para entender mas para fruir, e há, como eu, quem os frua, sendo sempre uma aventura neste país de poetas e trovadores e outros prosaicos pensadores, encontrar na net, apesar do abundante lixo, a divulgação essencial que, de outro modo, não estaria acessível a pessoas fora do circulo de amizades do poeta. Talvez por isso, há hoje poetas, que têem as suas searas de afectos nesta realidade virtual.

Porque ler e dar a ler, têm aqui lugar, ofereço-vos o link do sitio da poetiza Isabel Mendes Ferreira, e destaco este belo poema do Portugal finissecular, de sua autoria.


a minha pátria é de chão de Pascoaes. árvore de Camões. e
lírica de Camilo. sofrida como uma maçã de Cesário.
um rasgo de Al berto e a mão de Pessoa.
o olho.tigre de Agostinho e o silêncio de Agustina.
Ondina nos pulsos e um pouco imenso de todo o Virgílio.
______________a minha pátria é tão antiga
que de sépia a rubro demora o tempo de reabrir as Farpas.


Um bom ano novo! Que ele venha sem os erros do velho.


Construção da Noite

No casulo há um homem
Mas o fundo é outro lado;
No casulo de seu tempo
Há um homem
Mas o fundo é outro lado.
É o casulo
Onde o homem foi achado
Mas o fundo é outro lado.
É o terreno
Onde o homem foi lavrado
Mas o fundo é outro lado.
É a treva
Onde o homem foi fechado
Mas o fundo é outro lado.
É o silêncio
De um homem soterrado
Mas o fundo é outro lado
Mas o fundo é outro lado.
É a infância que nasce sobre o morto
É a infância que cresce sobre o morto,
É o sol que madruga no seu rosto,
É um homem que salta do sol-posto
E convoca outros homens para o sonho.
E mistura-se à terra
E mistura-se ao sonho
E o canto recomeça além do sonho,
Além da escuridão, além do lago.
Mas o fundo é o outro lado.

Mas o fundo principia
Sem passado,
Sem os montes, sem os barcos,
Sem o lago.

Tua vida verdadeira é o outro lado,
Tua terra verdadeira é o outro lado,
Tua herança verdadeira é o outro lado.

Tudo cessa
Tudo cessa
Tudo cessa
Mas o mundo
É o outro lado
Que começa.

Carlos Nejar

Que seja um Bom Natal

História Antiga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga


Adeste Fidelis

Adeste Fideles
Laeti triumphantes
Venite, venite in Bethlehem
Natum videte
Regem angelorum
Venite adoremus, Venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum
Cantet nuncio
Chorus angelorum
Cantet nunc aula caelestium
Gloria, gloria
In excelsis Deo
Venite adoremus, Venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum
Ergo qui natus
Die hodierna
Jesu, tibi sit gloria
Patris aeterni
Verbum caro factus
Venite adoremus, Venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum

Tradicional

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 1888-1935)


Fernando Pessoa, um dos maiores símbolos da cultura lusa, que usou os heterónimos Bernardo Soares, Chevalier de Pas, Alexander Search, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos para assinar as suas obras, nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1888, cidade aonde viria a falecer a 30 de Novembro de 1935.
Morreu de cirrose hepática aos 47 anos e os seus restos mortais repousam perto dos poetas Luiz Vaz de Camões e Alexandre Herculano, sob um monólito de mármore no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o mais emblemático monumento português.

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Fernando Pessoa

Chuva

A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.

Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
Se um de nós vai falar e recua depois.

Dentro de nós existe uma tarde mais fria...

Ah! para que falar? Como é suave, brando,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...

Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.

Chove dentro de nós... Chove melancolia...

Ribeiro Couto

Mário Cesariny morreu

Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar

Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar

Nado-morto às quatro morto a nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar

Radiograma, Mário Cesariny

Nota: Via Arrastão com o meu aplauso pela escolha.

Não! O texto (*) não é de Fernando Pessoa.


Subtítulo: A Brigada do Realejo.

A internet, soberana e autónoma, de escrita desejavelmente viva, tem – devido à comezinha coabitação das suas virtudes e dos seus defeitos – a importância de uma Maria deslavada e sem pudor, se não nos precavermos das suas bengaladas.

No passado sábado, já de madrugada, sou confrontado pelo meu amigo Bill – logo eu, que tenho mais alma de aluno que de professor –, questionando-me do lado de lá do atlântico sobre a possibilidade de um determinado texto, que anda por aí a passeio como sendo de Fernando Pessoa, não o ser.
Ele não acreditava que fosse, mas, ainda assim, um pequeno resíduo de dúvida persistia, assim, era necessário descobrir o seu autor ou ter a certeza por intermédio de fonte idónea, não ser de Pessoa.

O problema desde logo mereceu a minha melhor mas não inocente atenção, e começou a azucrinar-me a cabeça. Acontece, que não era dia das mentiras e a minha indissociável memória pulsava com a lembrança de há cerca de um ano por altura do Natal, ter tomado contacto com o referido texto e piamente acreditado ser de Pessoa, mais, com a santa ingenuidade empurrada pela senhora ignorância, até o tinha divulgado.
Assim, assumindo a instrumentalização – inocente sem dúvida – de que fora alvo e a minha parte de culpa na sua divulgação, domingo de manhã, lancei-me com genica na voraz tarefa de o descobrir, pondo à prova a minha pequena biblioteca de Pessoa que conta com uma dúzia de títulos, e népias, nem cheiro ou vestígio por menor que fosse do texto.

Muito bem... pensei, temos de descobrir qualquer coisa, a resposta terá de nos cair no regaço

Com a missão definida, qual Indiana Jones, sem cinto e em trânsito pelas estradas da informação, lá vamos descortinando de boteco em boteco, que a legião de ingénuos vai engrossando, este, o tal texto, consta por aí em dezenas de blogs, inclusive, num caso, como FrontPage de uma firma on-line. Do mal, o menos, afinal e como costumo dizer, um tolo nunca está só e a paliativa solidariedade destas coisas, sabe bem à brava.

Bem… nesta aliança luso-brasileira, iniciámos uma bem intencionada cruzada e, ao mesmo tempo, que com despudor recorríamos a amigos, enviámos e-mail para o blog “mundopessoa” da “Casa Fernando Pessoa” a pedir ajuda. No dia seguinte, pela nossa leitura da pronta resposta recebida e que logo agradecemos, sabíamos que este era desconhecido por responsáveis daquela nobre e distinta Casa. Estávamos portanto, perante um texto apócrifo com todas as letras e uma condenável injustiça póstuma.

Entretanto, o Bill continuava as investigações e, qual Sherlock de sede infrene, viria a descobrir a autoria da última frase do texto, que posteriormente teria sido apensa ao texto inicial, e também, a suposta autoria do resto do texto tresmalhado, que será de Augusto Cury, autor de Dez Leis para Ser Feliz, editado no Brasil.

A coisa ganhava contornos de uma hilariante overdose informativa, o autor da última frase estava descoberto: era “Nemo Nox” autor do blog "Por um Punhado de Pixels". O próprio, tinha sido inquirido sobre a autoria do texto, e afirmava explicitamente que não era dele, confirmando no entanto, ser o autor da última frase que tinha publicado no seu blog a 2 de Janeiro de 2003, o que, confirmámos.
Na posse destes dados, atacamos as comunidades do Orkut, tanto de Fernando Pessoa, como de Augusto Cury, para autenticarem o texto e, dos muitos contactos feitos, recebemos até agora, sete respostas: quatro afirmam que o texto é de Augusto Cury, uma que desconhece o autor, uma que desconhece ser de Fernando Pessoa e finalmente, uma que diz ser de Fernando Pessoa.

Esta última, que provoca a troca de várias mensagens, não esclareceu em definitivo o busílis, visto que, o seu autor que na primeira resposta garantia que o texto era de Pessoa e que, até o tinha lido em LIVROS, não se manteve posteriormente tão categórico, quando confrontado com o desconhecimento que responsáveis idóneos da Casa Fernando Pessoa, tinham do texto.

Perante esta última resposta, tornava-se imprescindível – para além dos testemunhos que já tínhamos e da certeza de não ser de Pessoa –, visualizar o texto: Sherlock Bill, entra em contacto com um seu amigo livreiro que promete ter o livro de Cury na manhã seguinte. E, lá está, preto no branco, mas não se trata de um texto, trata-se de uma compilação de várias frases dispostas no final do livro, em que, a principal, como o Bill me informou, é a que inicia o texto e está na página 115 – 2º parágrafo.

Compreender não é aceitar e, por isso, retiramos daqui conclusões nada abonatórias sobre o funcionamento e a liberdade de publicação em geral, mas também, a desafiadora convicção que esperamos não seja efémera, de termos que correr atrás do prejuízo, tendo o cuidado de validar de forma mais agressiva o que publicamos e não aceitar-mos com a desmedida tolerância dos cábulas tudo o que nos chega, já que, pelo meio, podem vir as bengaladas.

O texto em questão é este:
(*)

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.”

Augusto Cury
Dez leis para ser feliz da Editora Sextante.
Ano 2003


E esta, a frase que lhe foi apensa posteriormente:

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

Nemo Nox
Por um Punhado de Pixels.


Nota final: Agora, todos os que gostam de Pessoa e os outros também, que estão tão bem informados como nós acerca da origem do texto, bem podem agradecer ao Bill ter iniciado e finalizado, esta demanda.Pela minha parte fica um grandessíssimo obrigado, pelo interesse que este demonstra em relação ao Poeta e, à verdade, garantindo-lhe, que foi um enorme prazer fazer parte desta “brigada”.

O Piano sílaba por sílaba




O Piano sílaba por sílaba
Viaja através do silêncio
Transpõe um por um
Os múltiplos murais do silêncio
Entre luz e penumbra joga
E de terra em terra persegue
A nostalgia até ao seu último reduto


Sophia de Mello Breyner Andresen




Amalia Bautista


A Partida

Duas mulheres jogavam as cartas.
Eram as duas formosas e perversas.
As duas faziam batota. A partida
prolongava-se mais do que o costume,
a julgar pelos gestos de impaciência
que nenhuma ocultava. Vida e Morte
se chamavam. E tinham apostado
o coração de um homem, como sempre.

***********************************
Fios de Seda

Sempre acreditei que eram as palavras
que saíam da minha boca, e que só elas
podiam apaziguar a minha morte.
Hoje sei que da minha boca sai um fio
transparente e tenaz como uma insónia
que te amarrou à minha vida para sempre.


Amalia Bautista nasceu em Madrid em 1962. Jornalista de formação, trabalha como redactora no gabinete de Imprensa do Conselho Superior de Invetigações Científicas.

Momentos...

VIII

A roda de Deus
nos toca.
E vives
com um ramo
de amanhecer
na boca.

Carlos Nejar



Nota: Carlos Nejar nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Membro da Academia Brasileira de Letras e do Pen Club do Brasil, é considerado um dos 37 escritores da América Latina mais importantes do século XX.

Átimo de pó

Entre a célula e o céu
O DNA e Deus
O quark e a Via Láctea
A bactéria e a galáxia

Entre agora e o eon
O ião e o Órion
A lua e o magnetão
Entre a estrela e o electrão
Entre o glóbulo e o globo blue

Eu, um cosmos em mim só
Um átimo de pó
Assim: do yang ao yin

Eu e o nada, nada não
O vasto, vasto vão
Do espaço até ao spin

Do sem-fim além de mim
Ao sem-fim aquém de mim
Den'de mim

Carlos Rennó

Vou por aí. Volto depois de umas merecidas férias.
Fiquem bem.

Gato.




Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

(Alexandre O'Neill)

As bandeiras estão desfraldadas e a selecção portuguesa a postos!

Hoje, como dizia Pessoa; É dia de sentir tudo de todas as maneiras, ter todas as opiniões e ser sincero contradizendo-me a cada minuto, é dia de poder rir, rir, rir despejadamente, rir como um copo entornado, absolutamente doido só por sentir.
Depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida.


FORÇA


Entrada posterior 1

Num jogo impróprio para cardíacos, tivemos de novo um Ricardo Coração de Leão a defender as redes Lusas e parando os remates de Frank Lampard, Steven Gerrard e Jamie Carragher, repetindo a façanha do Euro2004.

Coube a Cristiano Ronaldo, depois de Simão e Postiga terem concretizado, marcar o penalti decisivo.


Agora, FORÇA BRASIL, rumo a uma meia-final de língua portuguesa.

Entrada posterior 2

O Brasil infelizmente não passou… Vamos ter de ser nós a beber o Champanhe.
Que o tragam do bom, que não bebemos mistelas.

FORÇA PORTUGAL!


No dia em que Alkatiri apresentou a demissão, gostei especialmente de ver os aussies rumar a casa, derrotados a dez segundos do fim, com um golpe de teatro à boa moda italiana.



GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

DECLARAÇÃO

Tendo reflectido com profundidade necessária sobre a situação vivida no país;
Considerando que acima de todos os interesses, estão os interesses da nossa nação;
Assumindo a minha parte das responsabilidades pela crise por que mergulhou o pais;
Recusando-me terminantemente contribuir para o aprofundamento da crise;
Reconhecendo que todo o povo merece viver um clima de paz e tranquilidade;
Esperando de todos os militantes e simpatizantes da FRETILIN toda a compreensão e apoio;

Declaro:

Pronto a resignar-me do meu cargo de Primeiro-Ministro e do Governo da RDTL para evitar eventual resignação do Presidente da República
Pronto a manter com Sua Excia o Senhor Presidente da República diálogos no sentido de contribuir, se necessário, para a formação do governo interino
Pronto em contribuir na apresentação do orçamento de Estado no Parlamento nacional.
Mais declaro que passo a assumir as minhas funções de deputado no Parlamento Nacional até ao fim do meu mandato.

Dili, 26 de Junho de 2006
Mari Alkatiri
Primeiro-Ministro



A dignidade de Alkatiri, em contraste com o populismo burlesco deste novo Xanana.


Este é o tempo
Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Mar Novo



Sísifo

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

Dos meus folheios...


O Rei da Ítaca

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão

Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

Sophia de Mello Breyner Andresen




Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar

Sophia De Mello Breyner Andresen.